segunda-feira, 9 de março de 2020


9 de Março

PRIVILÉGIOS DE SÃO JOSÉ


PRIVILÉGIOS DE SÃO JOSÉ.

                Atribuem ao Santo Esposo de Maria privilégios e perfeições que, na verdade, dificilmente podem ser contestados. Alguns têm mesmo sólidos fundamentos.
                Ei-los:
                1. ° — Santificação no seio materno.
                2. ° — Impecabilidade.
                3. ° — Virgindade perpétua.
                4. ° — Ressurreição.

SANTIFICAÇÃO NO SEIO MATERNO.

                A santificação de São José no seio materno foi defendida pela primeira vez pelo célebre Gerson, o sábio chanceler da Universidade de Paris. Esta prerrogativa foi possuída pelo Profeta Jeremias e São João Batista. Daquele se lê na Escritura: “Antequem exires de vulva sanctificavi te ” (Jer. I, 5): “Antes de saíres do seio de tua mãe, eu te santifiquei”. E de João Batista diz o Evangelho: “Spiritu Sancto repleliitur adhuc ex utero matris suae” (Luc. I, 15): “Será cheio do Espírito Santo desde o seio de sua mãe”.
                Ora, José, maior que João Batista pela união com Cristo e incontestavelmente mais santo e maior que Jeremias, não teria o privilégio da santificação no seio materno?
                Gerson defende a sua tese ante a venerável assembléia do Concílio de Constança, e não poucos autores o seguem depois: Santo Afonso de Ligório aceita e defende esta opinião e bem assim Isolano, Cartagena, Bernardino de Bustis e muitos outros teólogos e santos.

IMPECABILIDADE.

                Outro privilégio é o da impecabilidade.
                São José foi confirmado em graça de tal modo que pode evitar todo pecado, até o venial!
                José, diz o Cardeal Lepicier, nunca manchou a sua alma com a mais leve sombra de pecado em toda a sua vida mortal. (Tractatus de S. Joseph, P. XI, a rt. 2-10.)
                Todos os autores em geral admitem, sem contestação, a impecabilidade de São José.                Jesus é Santo e impecável por natureza, cheio de graça, Deus absoluto e infinito. Maria é Santa e impecável não por natureza, absolutamente, mas por Singular privilégio de Deus, como disse Pio IX; foi preservada do pecado original em atenção aos méritos de Jesus Cristo.  José é também Santo e impecável pessoalmente, cheio de graça, e confirmado em graça evitou todo pecado. Nunca manchou a candura de sua alma virginal e santíssima. Assim o exigiam o lugar que ocupou na Sagrada Família, as relações íntimas com Deus e com a Mãe de Deus. (Tract. de S, Joseph, P . II, art. 2, 10.)

A IMACULADA CONCEIÇÃO DE SÃO JOSÉ?

                É uma opinião singular de uma exagerada piedade e sem fundamento algum teológico.
Houve quem a defendesse com ardor, como o Pe. José Domingos Cobartó, na Espanha, mas foi rejeitada, embora não condenada pela Igreja.
                É uma proposição temerária, dizem os melhores teólogos josefinos. O privilégio da Imaculada Conceição só cabe à Mãe de Deus, à Virgem Maria. É o que se conclui das decisões do Concílio Tridentino e da proclamação da Igreja. Privilégio único! Maria teve com o Verbo Incarnado união substancial. Da sua carne virginal se formou a carne de Jesus. Pertence à ordem intrínseca da união hipostática. E demais Ela foi elevada a Corredentora do gênero humano . Deveria ser isenta de toda culpa, até da original.
                Tal não se dá com São José. A união do Santo Patriarca com Jesus é extrínseca, embora na ordem hipostática. Só em sentido muito lato pode ser chamado corredentor. Não há, pois,  razão teológica e fundamento sólido para a Imaculada Conceição de São José.
                Nasceu sem pecado, podemos crer; mas concebido sem pecado, não. Lepicier chama a esta proposição temerária e suspeita de heresia (Tract. de S, Joseph, P . II, art. 1, 2.). Suarez, Gerson, Cartagena, Isolano, Butina (Glórias de S. José, P . I, c. XV, II.), e a maioria dos teólogos e melhores autores rejeitam a proposição temerária do Padre Cobartó e de uns poucos escritores e devotos.
                Podemos chamar a São José o Imaculado, sim, mas nunca em sentido da Imaculada Conceição — Imaculado São José.


E X E M P L O

Milagre de confiança em São José
                Um noviço da Companhia de Jesus, cheio de esperança pela sua piedade e inteligência, via-se atacado de tuberculose. A moléstia fez rápido progresso. Magro, pálido, reduzido a extrema fraqueza, estava para deixar o noviciado e voltar para o seio da família. A decisão do médico o abalou até nas profundezas d’alma. Pediu ao Superior apenas que o deixasse ficar em religião mais uns dias.
                — Quero fazer uma novena a São José. Sei que não há para mim remédio algum e nenhuma esperança na terra. Todavia, diz-me o coração que São José dará remédio a tudo. Quero só ficar aqui mais o tempo de uma novena. Meu padre, conceda-me esta graça por amor de São José!
                O Superior, comovido até às lágrimas, o consentiu e fez mais: pôs toda a comunidade em orações a São José durante a novena, naquela mesma intenção. O enfermo estava tão convencido de que obteria a graça da cura, que começa a escrever um panegírico a São José, para ser recitado no refeitório do Noviciado no dia da festa do Patrocínio.
                E, no entanto, as forças lhe iam faltando e a febre sempre mais alta. A laringe afetada pelo mal, com a característica rouquidão, tornava-lhe a voz quase sumida.
                Na véspera da festa de São José, levanta-se cambaleante e vai à procura do Pe. Superior:
                — Quero pregar, amanhã, meu panegírico a São José!
                — Não é possível, meu filho! Seria um absurdo!
                — Permita-me, Sr. Padre Superior, a experiência, custe-me o que custar. Tenho aqui comigo uma convicção, uma certeza de que terei forças para o fazer e serei feliz.
                A custo obteve a licença. Sobe ao púlpito com surpresa geral da comunidade, compadecida de o ver assim ofegante, pálido e febril. As primeiras palavras do orador não são quase percebidas, tal a rouquidão e a tosse que o perturbam. Depois, a voz se torna mais clara, inteligível e mais sonora. E, enfim, era a pregação eloquente, piedosa, edificante, a ponto de comover todo o auditório entusiasmado. A graça estava alcançada.
                São José fez o prodígio. O noviço repentinamente sentiu-se curado e um vigor novo lhe passa por todo o corpo. Desce do púlpito tão forte e sadio como antes da enfermidade, e puderam todos celebrar com santo delírio de entusiasmo, naquele ano, a festa do Patrocínio de São José.
                Este moço, ordenado mais tarde sacerdote, foi enviado às Missões de Madagascar, e só veio a falecer depois de longos anos de rudes trabalhos missionários num péssimo clima. Cheio de méritos, partiu para a eternidade após uma heróica vida nas Missões.
                O fato foi narrado pelo Revmo. Pe. de Ponlevoy, com todas as provas na obra “S. Joseph, sa vie... ”

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