9 de Março
PRIVILÉGIOS DE SÃO
JOSÉ
PRIVILÉGIOS DE SÃO JOSÉ.
Atribuem ao Santo
Esposo de Maria privilégios e perfeições que, na verdade, dificilmente podem ser
contestados. Alguns têm mesmo sólidos fundamentos.
Ei-los:
1. ° —
Santificação no seio materno.
2. ° —
Impecabilidade.
3. ° — Virgindade
perpétua.
4. ° —
Ressurreição.
SANTIFICAÇÃO NO SEIO MATERNO.
A santificação de
São José no seio materno foi defendida pela primeira vez pelo célebre Gerson, o
sábio chanceler da Universidade de Paris. Esta prerrogativa foi possuída pelo Profeta Jeremias e São João Batista.
Daquele se lê na Escritura: “Antequem
exires de vulva sanctificavi te ” (Jer.
I, 5): “Antes de saíres do seio de tua mãe, eu te santifiquei”. E de João
Batista diz o Evangelho: “Spiritu Sancto
repleliitur adhuc ex utero matris suae” (Luc. I, 15): “Será cheio do
Espírito Santo desde o seio de sua mãe”.
Ora, José, maior
que João Batista pela união com Cristo e incontestavelmente mais santo e maior que
Jeremias, não teria o privilégio da santificação no seio materno?
Gerson defende a
sua tese ante a venerável assembléia do Concílio de Constança, e não poucos autores
o seguem depois: Santo Afonso de Ligório
aceita e defende esta opinião e bem assim Isolano,
Cartagena, Bernardino de Bustis e muitos outros teólogos e santos.
IMPECABILIDADE.
Outro privilégio
é o da impecabilidade.
São José foi
confirmado em graça de tal modo que pode evitar todo pecado, até o venial!
José, diz o
Cardeal Lepicier, nunca manchou a sua
alma com a mais leve sombra de pecado em toda a sua vida mortal. (Tractatus de S. Joseph, P. XI, a rt. 2-10.)
Todos os autores
em geral admitem, sem contestação, a impecabilidade de São José. Jesus é Santo e impecável por
natureza, cheio de graça, Deus absoluto e infinito. Maria é Santa e impecável
não por natureza, absolutamente, mas por Singular
privilégio de Deus, como disse Pio IX; foi preservada do pecado original em
atenção aos méritos de Jesus Cristo. José
é também Santo e impecável pessoalmente, cheio de graça, e confirmado em graça
evitou todo pecado. Nunca manchou a candura de sua alma virginal e santíssima.
Assim o exigiam o lugar que ocupou na Sagrada Família, as relações íntimas com
Deus e com a Mãe de Deus. (Tract. de S, Joseph, P . II, art. 2, 10.)
A IMACULADA CONCEIÇÃO DE SÃO JOSÉ?
É uma opinião
singular de uma exagerada piedade e sem fundamento algum teológico.
Houve quem a defendesse com ardor, como o Pe. José Domingos Cobartó,
na Espanha, mas foi rejeitada, embora não condenada pela Igreja.
É uma proposição temerária, dizem os
melhores teólogos josefinos. O privilégio da Imaculada Conceição só cabe à Mãe de Deus, à Virgem Maria. É
o que se conclui das decisões do Concílio Tridentino e da proclamação da
Igreja. Privilégio único! Maria teve com o Verbo Incarnado união substancial. Da sua carne virginal se formou a carne de
Jesus. Pertence à ordem intrínseca da união hipostática. E demais Ela foi
elevada a Corredentora do gênero humano . Deveria ser isenta de toda culpa, até
da original.
Tal não se dá com
São José. A união do Santo Patriarca com Jesus é extrínseca, embora na ordem hipostática. Só em sentido muito lato
pode ser chamado corredentor. Não há, pois, razão teológica e fundamento sólido para a
Imaculada Conceição de São José.
Nasceu sem pecado, podemos crer; mas concebido sem pecado, não. Lepicier chama a esta proposição temerária
e suspeita de heresia (Tract. de S, Joseph,
P . II, art. 1, 2.). Suarez, Gerson, Cartagena, Isolano, Butina
(Glórias de S. José, P . I, c. XV, II.),
e a maioria dos teólogos e melhores autores rejeitam a proposição temerária do
Padre Cobartó e de uns poucos escritores e devotos.
Podemos chamar a
São José o Imaculado, sim, mas nunca em sentido da Imaculada Conceição — Imaculado São José.
E X E M P L O
Milagre de confiança
em São José
Um noviço da
Companhia de Jesus, cheio de esperança pela sua piedade e inteligência, via-se
atacado de tuberculose. A moléstia fez rápido progresso. Magro, pálido,
reduzido a extrema fraqueza, estava para deixar o noviciado e voltar para o
seio da família. A decisão do médico o abalou até nas profundezas d’alma. Pediu
ao Superior apenas que o deixasse ficar em religião mais uns dias.
— Quero fazer uma
novena a São José. Sei que não há para mim remédio algum e nenhuma esperança na
terra. Todavia, diz-me o coração que São José dará remédio a tudo. Quero só
ficar aqui mais o tempo de uma novena. Meu padre, conceda-me esta graça por
amor de São José!
O Superior,
comovido até às lágrimas, o consentiu e fez mais: pôs toda a comunidade em
orações a São José durante a novena, naquela mesma intenção. O enfermo estava
tão convencido de que obteria a graça da cura, que começa a escrever um
panegírico a São José, para ser recitado no refeitório do Noviciado no dia da
festa do Patrocínio.
E, no entanto, as
forças lhe iam faltando e a febre sempre mais alta. A laringe afetada pelo mal,
com a característica rouquidão, tornava-lhe a voz quase sumida.
Na véspera da festa
de São José, levanta-se cambaleante e vai à procura do Pe. Superior:
— Quero pregar,
amanhã, meu panegírico a São José!
— Não é possível,
meu filho! Seria um absurdo!
— Permita-me, Sr.
Padre Superior, a experiência, custe-me o que custar. Tenho aqui comigo uma convicção,
uma certeza de que terei forças para o fazer e serei feliz.
A custo obteve a
licença. Sobe ao púlpito com surpresa geral da comunidade, compadecida de o ver
assim ofegante, pálido e febril. As primeiras palavras do orador não são quase
percebidas, tal a rouquidão e a tosse que o perturbam. Depois, a voz se torna
mais clara, inteligível e mais sonora. E, enfim, era a pregação eloquente,
piedosa, edificante, a ponto de comover todo o auditório entusiasmado. A graça
estava alcançada.
São José fez o
prodígio. O noviço repentinamente sentiu-se curado e um vigor novo lhe passa por
todo o corpo. Desce do púlpito tão forte e sadio como antes da enfermidade, e
puderam todos celebrar com santo delírio de entusiasmo, naquele ano, a festa do
Patrocínio de São José.
Este moço,
ordenado mais tarde sacerdote, foi enviado às Missões de Madagascar, e só veio
a falecer depois de longos anos de rudes trabalhos missionários num péssimo
clima. Cheio de méritos, partiu para a eternidade após uma heróica vida nas
Missões.
O fato foi
narrado pelo Revmo. Pe. de Ponlevoy, com todas as provas na obra “S. Joseph, sa
vie... ”

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