segunda-feira, 23 de março de 2020


23 de Março

SÃO JOSÉ E OS SANTOS


AS ESTRELAS DO SONHO DE JOSÉ.

É bem verdade que a devoção a São José depois de Maria foi sempre a devoção predileta dos predestinados, dos santos. As relações íntimas do Santo Patriarca com Jesus e Maria levaram os justos a recorrerem, cheios de confiança, a Ele, na certeza de melhor servirem a Jesus e Maria. É uma devoção de vida interior, uma escola de santidade. Não é José a criatura que mais aproveitou a vida de intimidade com Jesus e Maria, vida que é o encanto de todas as almas interiores? A sua devoção afervora, leva à Maria e ao Coração de Jesus. O Venerável Pe. Lallemant não se cansava de recomendar a devoção a São José como meio seguro de alcançar a perfeição e chegar à santidade. A grandeza incomparável do grande santo foi figurada no Antigo Testamento naquelas onze estrelas que José, filho de Jacó, vira a seus pés com o sol e a lua. Segundo os comentários da Escritura, estas estréias representam os santos que brilham no céu: Fulgebunt tanquam stellae in perpetuas aeternitates — Brilham como estrelas na eternidade. Estrelas são os Apóstolos, os Anjos do céu. Todos estão submissos a São José e o veneram depois que Maria e o próprio Jesus lhe obedeceram em Nazaré. Jesus o sol, Maria a lua, junto ao novo José da Nova Lei! O maior dos santos é, pois, o mais querido e venerado dos próprios santos. Os Santos Doutores celebram com panegíricos e comentários admiráveis as glórias de São José, muito antes do esplendor do culto. Santo Agostinho mostrou a beleza e a excelência da união de José e Maria. São João Crisóstomo exalta os méritos daquele que mereceu ser escolhido entre todos os homens para ser o Pai adotivo do Filho Unigênito de Deus. São Jerônimo defendeu com ardor, contra os hereges a perpétua virgindade de São José. São Bernardo fala com tanta ternura de São José como falou de Maria Santíssima. São Bernardino de Sena, que apóstolo e cantor magnífico das glórias e privilégios de São José! Santo Tomás de Aquino, com aquela autoridade de Doutor Angélico, defende muitos privilégios e glórias de São José. Que dizer de São Francisco de Sales, Santo Afonso, Santo Inácio e tantos outros homens de Deus, fundadores de Ordens e Institutos religiosos, apóstolos do povo, doutores do povo cristão, almas angélicas de tantas virgens admiráveis cuja devoção a São José foi tão ardente e fervorosa? São José é verdadeiramente o santo da devoção dos santos.

DEVOTOS E APÓSTOLOS DE SÃO JOSÉ.

Santa Madalena de Pazzis viu no céu a glória de São José e nunca deixou de o invocar, porque sabia quanto poder tem Ele junto de Deus. Santo Inácio, o fundador da Companhia de Jesus, bem revela, nos seus admiráveis Exercícios Espirituais, como era devoto de São José. Tinha no seu oratório uma imagem do Santo Esposo de Maria e diante dele gostava de meditar e celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Aos pés do grande Mestre do Amor Divino, depunha por escrito muitas vezes suas maiores dúvidas e dificuldades.
É sob a inspiração de São José que se tornou Inácio tão hábil na arte divina de dirigir as almas.
Santa Margarida de Cortona, desde a conversão, cada dia se recomendava ao Santo Pai adotivo de Jesus. Um dia lhe aparece Nosso Senhor dizendo: Margarida, quero que saibas, a tua devoção a José, meu Pai adotivo, muito me é agradável. Eis porque desejo que cada dia prestes algum tributo de louvor em honra dEle. José me é muito caro e amado de meu coração.
Afervorada por estas palavras, a santa penitente nunca deixou de oferecer, até a morte, inúmeros atos de veneração ao Santo Patriarca.
São Luís de Gonzaga, o angélico moço, desde pequeno se consagrou a imitar a pureza de São José. Tinha para com Ele uma devoção toda filial. O lírio de São José tocou aquela alma e a encheu de suave perfume da virtude dos anjos.
O Beato Herman José, da Ordem Premonstratense, se distinguia pelo amor cheio de ternura para com José. Este moço admirável, numa visão do céu, teve a ventura de contemplar Maria. E a Mãe do céu lhe recomenda que em honra de seu Esposo acrescentasse ao seu nome o de José.
São João Batista de la Salle, o fundador dos Irmãos das Escolas Cristãs, desde pequenino honrava com devoção encantadora a São José. Cada dia rezava as ladainhas do santo, e, mais tarde, ordenou aos seus Filhos que a recitassem a fim de obterem do Santo Patriarca o zelo e dedicação necessários para a formação da juventude.
Santo Afonso nunca separou em suas orações os nomes santíssimos de Jesus, Maria e José. Fora apóstolo do culto josefino. Escreveu páginas tocantes naquele seu estilo simples e belo sobre as grandezas e o poder de São José. O Santo Cura d’Ars se fez um perfeito imitador de São José, trabalhando em silêncio sob os olhares de Jesus e Maria. Imitou e pregou a devoção a São José. Impossível dizer quanto e como tantos santos amaram e cultivaram a devoção ao Santo Esposo de Maria. Não haverá um só predestinado, um herói da santidade que não tenha invocado e procurado imitar a São José no amor e dedicação no serviço de Jesus e Maria.

EXEMPLO

São José e os estudantes

Os estudantes invocam a São José, com grande eficácia, nas suas dificuldades. Contam-se prodígios do Santo Patriarca. Escreve Millot — “Trésor d’histoires” — que num seminário da França um clérigo dotado de ótimas qualidades, piedoso e aplicado aos estudos, sentia dificuldades no estudo do latim. Estava para ser dispensado pelos superiores, que, verdadeiramente tristes, viam a impossibilidade do pobre moço em dar conta dos estudos eclesiásticos.
O piedoso clérigo não desanimava. Uma grande confiança na proteção de São José o levou a se prostrar, banhado em lágrimas, ante o altar do santo. Não podia se conformar com ver todo o seu sublime ideal desfeito.
— Ó meu São José, valei-me! Se chegar ao sacerdócio, serei apóstolo do vosso culto.
A prece foi ouvida. No dia seguinte tudo se esclarece. Percebe as lições com clareza e segue as aulas com proveito. Os mestres e colegas se admiram de tão súbita mudança. O clérigo, de último, vem a ser dos primeiros nas classes. Ordenou-se sacerdote, foi mais tarde professor de Teologia no seminário, Vigário Geral da Diocese e cumpriu generosamente a promessa: foi um grande apóstolo do culto de São José.
São João Berchmans também foi um dos mais perfeitos modelos de devoção a São José. Quando estudava filosofia, ao chegar ao exame dizia: “O patrono deste exame será meu São José. Se for feliz, hei de rezar três terços em sua honra.” “Percorrerei meus cadernos e, se puder percorrer todos e gravá-los bem na memória, farei uma devoção especial a São José.” E todo exame colocado sob a proteção do Santo Esposo de Maria era brilhante e feliz. São João Berchmans teve a honra de defender em público, com nota de distinção com louvor, uma série de teses filosóficas.
O angélico moço da Companhia de Jesus se santificou na escola da humildade e pureza de São José.

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