11
de Março
AS
VIRTUDES DE SÃO JOSÉ
FÉ
E ESPERANÇA.
José, diz o Evangelho, foi justo, ou
homem adornado de todas as virtudes, como o interpretam os Santos Padres.
Depois de Maria, foi a criatura mais
perfeita e mais santa. Todas as virtudes resplandeceram fulgurantes na alma do
Castíssimo Esposo da Mãe de Deus. Vejamos as virtudes teologais.
A fé,
a esperança e a caridade. A fé, diz o
Concílio de Trento, é a raiz de toda justificação, (Sess. VI — c. 8.) pois o Apóstolo afirma que sem ela não é possível
agradar a Deus. (Hebr. XI 6.) É um
dom do céu, uma virtude sobrenatural.
Toda vida interior tem sua base sólida
na fé. O justo vive da fé, (Rom. I - 17) diz São Paulo.
Se isto se diz de qualquer justo,
quanto mais daquele que mereceu ser chamado justo pelo Espírito Santo!
Ninguém, depois de Maria, possuiu uma
fé mais viva e em mais alto grau. Na perplexidade de abandonar a Esposa, na
dúvida terrível que o assalta, basta a palavra do anjo para o tranquilizar. Não temas receber Maria tua Esposa. E
ele crê. Fez como lhe mandou o anjo e recebeu Maria. (Math. I - 24) No presépio de Belém vê nascer, em extrema pobreza, a
Jesus. É possível que o próprio Deus seja aquela Criança, pequenina, a tiritar
de frio numa estrebaria? José, em silêncio, crê e adora, ante o cântico dos
anjos e a adoração dos pastores e reis.
O anjo lhe aparece e ordena que fuja
para o Egito. E José crê e obedece. Foge. Sempre fiel ao divino Redentor,
reparando as ofensas dos que não crêem. Escreve o Pe. Butiná, em suas Glórias
de São José: Em todos os momentos de sua vida, José procurava acrescentar
aos tesouros de sua alma o exercício de uma fé constante. Se Abraão foi louvado
pelo Divino Espírito Santo pela sua fé em crer que Sara sua esposa, embora
estéril, havia de conceber na velhice, e porque viveu sempre na presença de
Deus, quanto mais José por ter acreditado que sua Esposa Virgem seria Mãe de
Deus, e por ter vivido não só na presença de Deus, mas na companhia íntima de Pai
com Filho, sendo seu Filho o próprio Deus! Que
esperança
firme a do Santo Patriarca! Não hesita. Confia sempre na Providência, trabalha,
sofre, luta toda a vida cheio de esperança na eternidade.
Não duvidou um instante da recompensa
que o esperava no céu, ao lado de Jesus e de Maria. A esperança de José era
sólida. Não duvidou um instante. Deus o cumulou de felicidade e glória.
A
CARIDADE.
Caridade,
isto é, amor. Quem amou a Deus entre as criaturas todas, depois de Maria, mais
ardentemente que São José? Ele é mais abrasado que os Serafins. Quem viveu mais
na intimidade do Coração de Jesus entre os santos? Os dois discípulos de Emaús,
comenta Santo Afonso, sentiam-se
abrasados de amor divino nos poucos momentos que acompanharam o Salvador e
ouviram a sua palavra: Não é verdade,
diziam eles entre si, que nosso coração ardia dentro de nós, enquanto Ele nos
falava pelo caminho? (Luc. XXIV - 42)
Que devemos nós pensar das chamas de santa caridade que se desenvolveram no
coração de São José, durante os trinta anos que Ele passou na companhia do
Filho de Deus, escutando os planos de vida eterna que saíam da sua boca,
observando os exemplos perfeitos da humildade, paciência e obediência que Ele
dava, mostrando-se tão pronto em ajudá-lo em seus trabalhos e servi-lo em tudo
na casa? Ó santa intimidade de amor mais abrasado que o dos Serafins! Se os
santos favorecidos de visões divinas se abrasaram de um tão vivo amor, a ponto de
quase morrerem nos ardores da caridade num rápido êxtase, que diríamos de São
José na intimidade de Jesus durante trinta anos! Ó amor de Pai, amor ardente e
pronto, fiel até os maiores sacrifícios! Como Jesus o amava! Ele amava
ardentemente a Jesus!
Deus, escreve São João Damasceno, deu a José a afeição de pai para com seu Filho
Jesus. O amor de José para com Deus era todo original e único: amor paterno, e
depois do amor maternal de Maria, o maior e o mais delicado e abrasado amor que
Deus já teve de um coração criado. Maior que o amor dos Serafins. Nenhum
espírito celeste, diz São Cipriano, teve
a ousadia de chamar a Deus: Meu Filho! Simeão exultou de alegria e entoou o seu
Nunc dimittis, porque viu e tomou
nos braços um instante o Salvador do mundo! Que diremos da honra, do amor e da
felicidade de São José por viver na intimidade de Pai com Jesus? João, o
discípulo amado, teve a honra de recostar a cabeça sobre o peito de Jesus e se
abrasou de amor. Foi o Apóstolo da caridade. E José? O próprio Deus, o Rei dos
Serafins recostou-se e adormeceu sobre o coração de seu Pai Adotivo! Santo
Epifânio louva aquela ventura de José
de Arimatéia por ter recebido o corpo de Jesus na descida da cruz. E São
José não O teve nos braços, vivo e palpitante de amor? Não encontramos no
Evangelho quem, depois de Maria, tenha merecido a honra de uma intimidade tão
grande com o Filho de Deus. Quem, pois, haveria de amar a Jesus e ser amado por
Ele
mais que São José?
E
X E M P L O
Um
pai consolado pelo anjo
Um ilustre escritor, o Pe. Patrignani, piedoso jesuíta que
tanto escreveu sobre São José, conta o, seguinte fato para nos provar como
devemos sempre nos conformar com a vontade de Deus, os desígnios da Providência,
principalmente quando somos devotos de São, José e a ele entregamos nossa
sorte: “Um homem devotíssimo do Santo Patriarca tinha o costume de celebrar,
cada ano, a festa de 19 de Março com todo fervor possível. Tinha três filhos.
Um deles morreu no dia mesmo da grande festa, enquanto se celebravam as
solenidades. No ano seguinte, no mesmo dia, morre o segundo filho. Duas mortes
em duas festas de São José! O pai, aflito, não podia compreender o mistério.
Havia rezado tanto ao querido Pai e Protetor! No terceiro ano chegou a ter medo
de celebrar a festa de São José. Ficava-lhe ainda um filho e receava perdê-lo
no grande dia. Seja por mêdo ou para dissipar as mágoas, resolveu fazer uma
viagem. Enquanto caminhava por uma estrada deserta, pensativo e triste, levanta
os olhos e, diante de um horrendo quadro, vê dois moços enforcados, pendentes
de uma árvore. Um anjo lhe aparece e diz: Estás
vendo estes dois moços? Pois teus dois filhos teriam acabado como eles, na
forca, se tivessem vivido. No entanto, como eras devoto de São José, obteve o
Santo Esposo de Maria que morressem na infância para os livrar do pecado e do
inferno, após esta triste sorte que lhes estaria reservada. Volta e celebrar a
festa de São José sem temor. O filho que te resta será um dia sacerdote, bispo
e dará muita glória a Deus.
O piedoso homem volta para a sua cidade
e ainda celebra com mais fervor a festa de São José, aquela vez. Diz o Pe. Patrignani, S.J., que tudo
aconteceu como havia dito o anjo. O menino cresceu, foi mais tarde ótimo
sacerdote, bispo, e faleceu santamente após um longo episcopado fecundo em boas
obras.

Nenhum comentário:
Postar um comentário