NOVENA
EM HONRA DE SÃO SEBASTIÃO
BELO
HORIZONTE
1985
IMPRIMA-SE
Pato
de Minas, 30.03.1985
+
Dom José Scarso
Bispo
Diocesano de Patos de Minas - MG
ORAÇÃO
PREPARATÓRIA
Vinde
Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do
vosso amor.
V.
Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. E renovareis a face da terra.
OREMOS:
Deus, que ilustrastes os corações dos fiéis com a
luz do Espírito Santo, fazei com que nos regulemos segundo o mesmo Espírito e
gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. R. Amém.
ORAÇÃO
Senhor, multiplicai, nos vos suplicamos,vossa
bênção sobre vosso povo; os que Vos confortais com a frequente intercessão do
vosso mártir S. Sebastião, continuem a ser cumulados dos vossos benefícios para
que tenham a confiança de receber por meio dele, tanto o favor dos dons
celestes como o conforto de um auxílio favorável.
Fazei
ainda, Senhor, que no meio das aflições que sofremos por expiação de nossos
pecados, seja-nos dado alcançar pela intercessão de vosso bem aventurado mártir
São Sebastião, aquilo que por nós mesmos não podemos lisonjear de merecer.
Pelos merecimentos de Jesus Cristo, Senhor nosso. Amém.
PRIMEIRO
DIA
A
SUA VIDA NA CORTE
Nasceu
S. Sebastião na cidade de Narbona, duma família ilustre. Os cuidados de que foi
rodeado desde sua meninice, não foram infrutíferos, pois o Santo jovem, desde
os mais tenros anos, correspondia sempre ao apelo da graça que o convidava para
uma vida de verdadeira santidade. Deu prova de fortaleza cristã, quando se
mudou para a cidade de Roma, onde rebentara uma perseguição tremenda contra os
cristãos. Já naquele tempo sentiu·se atormentado pelo desejo de derramar seu
sangue pelo nome de Jesus Cristo.
Conquanto
Sebastião experimentasse decidida aversão pela carreira militar, as
circunstancias foram causa de que se alistasse sob as bandeiras imperiais,
vestindo-se das insígnias do uniforme militar.
Corria
o ano de 284, época em que dois imperadores, Carino e Diocleciano, dividiam
entre si o império romano, o primeiro reinando na Gália e o segundo em Roma. O
imperador Carino, tinha colocado Sebastião no número de seus oficiais; e após a
morte de Carino, Diocleciano conservou Sebastião no mesmo posto. Não tardou
porém, que o imperador reconhecesse as belas qualidades de coração e de
espírito de que seu súdito dava provas contínuas, pelo que lhe aumentou as
honras, dando-lhe o comando da primeira corte das guardas pretorianas,
encarregadas de vigiar ao redor do palácio. Gozava, pois, Sebastião de grande
favor junto a Diocleciano e as portas do palácio lhe estavam abertas dia e
noite.
A
corte romana não primava pela pureza de costumes; bem ao contrário, era o
palácio do imperador o teatro de toda a imoralidade e de todos os crimes; e a
esta degeneração triste, sem dúvida, alude o Apóstolo S. Paulo, quando escreve
aos cristãos de Roma, avisando-os a respeito dos perigos que os cercavam na
capital do Império. “Como os pagãos não glorificavam a Deus, e adoravam as
imagens de homens corruptíveis, de aves, de quadrúpedes e de répteis, eis que
Deus os entregou às más concupiscências de seu coração e a imundície; ficaram
cheios de toda a iniquidade, fornicação, malícia, maldade, avareza e
crueldade”. Naquela corte, pois, onde grassavam todos os vícios e torpezas,
onde se encontravam todas as seduções, Sebastião passou a maior parte da sua
vida, mas jamais manchou sua alma casta e inocente, jamais afastou-se do
caminho da virtude, jamais abandonou o culto do verdadeiro Deus, sempre unido a
Jesus Cristo, sempre praticando as virtudes cristãs, sempre fiel à fé católica,
sempre zeloso em aplicar-se a uma vida de verdadeira santidade. Era a um tempo
militar intrépido e servo fiel de seu imperador, e discípulo obediente e
fervoroso de Cristo.
Sigamos
o exemplo do nosso Santo, triunfando de todos os perigos e seduções do mundo
perverso, e roguemos-lhe que, nos obtenha a graça de conservar e defender
intrepidamente até a hora de nossa morte a nossa santa fé católica.
ORAÇÃO
Deus
onipotente, olhai para nossa fraqueza, e porque o peso da própria ação nos
oprime, proteja-nos a intercessão gloriosa do Bem aventurado mártir, S.
Sebastião.
SEGUNDO
DIA
AUXÍLIO
DOS CRISTÃOS
Durante
todo o tempo que S. Sebastião vivia na corte no desempenho de seu ofício de
comandante das guardas imperiais, cuidava atentamente em ocultar a Diocleciano
a religião que praticava. Não o fazia por receio dos suplícios ou da morte, nem
tão pouco por causa de apego aos bens do mundo e à graça de seu chefe; o que
lhe ditava esta conduta, era o desejo de poder mais facilmente proteger os
cristãos, alentar a coragem dos que por causa da fé cristã eram presos,
maltratados e trucidados, e fortalecer os que no meio dos suplícios estavam
prestes a sucumbir à apostasia. Andava, pois, de casa em casa, sustentando na
luta os fiéis, ensinando-lhes a desprezar os bens e as alegrias da terra para
merecer as delícias do céu, inflamava os corações em santo desejo de morrer
pelo nome de Cristo; e acompanhava ao lugar do suplício os mártires,
exortando-os a perseverar na fé até à morte.
Além disto, trabalhava incessantemente em converter os
pagãos granjeando para Jesus Cristo número considerável de discípulos. Entre os
que professavam a fé cristã, houve vários que vacilavam em suas resoluções de
fidelidade a Jesus Cristo; outros tremiam entre as torturas e a morte.
Informado deste perigo, Sebastião corria para eles, confirmando estes e
alentando aqueles.
A estes cuidados de Sebastião, há sobretudo dois cristãos
que devem sua fidelidade até à morte. Chamavam-se Marcos e Marceliano. Além de
grandes domínios e riquezas, ambos tinham esposa e filhos. Apenas foram presos
por ordem do Imperador, e experimentaram os primeiros suplícios, que eram de
grande crueldade, eis que os amigos e parentes, os próprios pais e filhos
vieram assaltá-los com blandícias e promessas de recuperar a liberdade, com
súplicas e lágrimas, para que renunciassem a fé cristã. O combate era rude e o
coração dos dois mártires achava-se combalido por tudo quanto pode haver de
mais irresistível e poderoso nesta vida. E os dois mártires, depois de haverem
afrontado os suplícios, começaram a enfraquecer e pareciam sucumbir à
apostasia. Nesta hora chega Sebastião, e recordando-lhes a brevidade desta vida
terrestre e as glórias e delícias eternas que os esperam no céu, afinal alenta
sua coragem e os prepara para o triunfo completo da sua fé. Sigamos o exemplo
do nosso Santo e trabalhemos corajosamente para conservar na fidelidade à fé
todos que foram confiados aos nossos cuidados.
ORAÇÃO
Deus
onipotente, olhai para nossa fraqueza, e porque o peso da própria ação nos
oprime, proteja-nos a intercessão gloriosa do Bem aventurado mártir, S.
Sebastião.
TERCEIRO
DIA
O zelo com que S. Sebastião animava os Cristãos para que
corajosamente sofressem o martírio e selassem com seu sangue a sua fé cristã,
agradou sumamente ao céu, que se dignou de glorificar seu servo com muitos
milagres.
Os
mártires Marcos e Marceliano tinham sido conduzidos à casa do notário
Nicóstrato, a cuja guarda tinham sido entregues. Ora, aconteceu que no momento
em que Sebastião animava os dois mártires à fidelidade, a casa de Nicóstrato
ficou iluminada duma luz brilhante e todos os presentes ficaram pasmados. No
meio dessa luz apareceu Jesus Cristo acompanhado de sete anjos, e
aproximando-se de S. Sebastião, deu-lhe o ósculo da paz, assegurando-lhe que
estaria sempre com ele.
Zoé, esposa de Nicóstrato, atacada por violenta enfermidade,
havia já três anos que tinha perdido a fala. As exortações de Sebastião fizeram
profunda impressão sobre aquela mulher, que adorava os ídolos, e esta
impressão, o primeiro apelo da graça, não pouco cresceu pela luz brilhante de
que ela vira circundado o servo de Deus.
Desejava falar a Sebastião para manifestar-lhe o desejo que
tinha de abraçar a Religião cristã, mas não podia. Comovido com os anelos de
Zoé, o santo militar aproximou-se dela, fez-lhe o sinal da cruz sobre a boca, e
a mulher recobrou imediatamente a fala. Testemunha desse milagre, o esposo de
Zoé, Nicóstrato, lança-se aos pés do Santo, e com sua mulher pede o batismo.
O carcereiro Cláudio, informado de todos esses
acontecimentos, apressa-se a conduzir sua família à presença de Sebastião, que prepara
a todos a receberem o batismo. Seguiram-se novos milagres. Um dos filhos de
Cláudio era hidrópico e outro coberto de úlceras e ambos recobraram uma saúde
perfeita, sem que conservassem vestígio algum de sua primeira enfermidade.
Havia ainda Tranquilino, que sofria acessos de gota, tão
dolorosa, que a custo se havia arrastado até a casa de Nicóstrato, apoiando-se
ao braço de seus servos; desejava também receber o batismo. No momento, porém,
que se aproximava da pia batismal, dava gritos de dor, tanto o atormentavam as
horríveis torturas dessa cruel enfermidade. Mas Sebastião rezava por ele; e no
instante em que a água batismal se derramava sobre ele, eis que as mãos, os
joelhos e os pés, cujas articulações se achavam atrofiadas, recuperaram a elasticidade
e vigor dos anos de sua juventude.
Sigamos pois o exemplo de S. Sebastião; trabalhemos com zelo
pela conversão dos pecadores, dos hereges, dos inimigos de Deus, e o céu
favorecerá nossos esforços com milagres de sua graça.
ORAÇÃO
Deus
onipotente, olhai para nossa fraqueza, e porque o peso da própria ação nos
oprime, proteja-nos a intercessão gloriosa do Bem aventurado mártir, S.
Sebastião.
QUARTO
DIA
COMO
S. SEBASTIÃO SOFREU HEROICAMENTE PELA FÉ CRISTÃ
O nosso Santo tinha sido testemunha da coragem sobre-humana
com que grande número de cristãos tinham derramado seu sangue no meio de
suplícios horríveis pelo nome de Cristo; ele mesmo tinha infundido esta
fortaleza a muitos de seus companheiros, animando-os com palavras ardentes a morrer pela fé católica.
Mais que natural que ele também ardesse em desejo de morrer por Jesus Cristo e
unir-se aos santos mártires no céu. Seu desejo não tardou a ser satisfeito.
Um infeliz apóstata, de nome Fabiano, deu parte ao Imperador
Diocleciano de que Sebastião não obstante seu alto posto na corte, trabalhava
incessantemente em converter os pagãos para a fé cristã e em manter a coragem
dos cristãos. Diocleciano mandou logo chamá-lo, e censurou-lhe a pretendida
ingratidão com que tinha pago os benefícios, introduzindo até em seu próprio
palácio essa nova religião tão perniciosa no Estado ...
Respondeu
Sebastião respeitosamente que a seu ver não podia prestar maior serviço ao
Imperador e ao Estado do que adorando o verdadeiro Deus, e que estava tão
distante de faltar ao seu dever, pelo culto que prestava a Jesus Cristo, quanto
era certo que nada podia ser mais vantajoso ao Príncipe e ao Estado como ter
vassalos fiéis, que, desprezando os falsos deuses, orassem incessantemente ao
Criador do universo pela salvação de um e de outro.
Irritado com essas palavras, ordenou o Imperador, sem outra
forma de processo, que Sebastião fosse amarrado a um poste e atravessado com
flechas pelos próprios soldados da guarda. Os executores imperiais por demais
se mostraram fiéis ao cumprimento das ordens do Imperador; ataram Sebastião a
um patíbulo no meio do campo, e fizeram cair sobre ele como que uma nuvem de
flechas, de maneira que o intrépido mártir ficou todo coberto delas; em breve,
o sangue espirra e corre em rios por todo o corpo. As forças vitais o vão
desamparando, a cor do rosto se perde, os olhos se fecham, e a cabeça se
inclina sobre o peito.
Os soldados, julgando-o morto, se retiram, deixando o corpo
do mártir em pleno campo, e voltam à casa. Lá pela alta noite, uma piedosa
mulher vai procurar o corpo para dar-lhe sepultura honrosa; mas apenas toca
respeitosamente o corpo do mártir, eis que percebe que o Santo está vivo ainda.
Tira-lhe brandamente as setas, desata-lhe as cordas e o leva para sua casa,
onde com a maior cautela lhe cura as feridas, e após pouco tempo, Sebastião
vê-se outra vez com saúde e forças.
Desta vez Deus preservara seu servo fiel da morte,
destinando-o a mais outro glorioso martírio pelo seu santo nome.
Aprendamos, pois, de S. Sebastião a sofrer generosamente
pela defesa da nossa santa fé católica, prontos até a morrer, se preciso for,
para dar prova de nossa fidelidade.
ORAÇÃO
Deus onipotente, olhai para nossa fraqueza, e porque o peso
da própria ação nos oprime, proteja-nos a intercessão gloriosa do Bem
aventurado mártir, S. Sebastião.
QUINTO
DIA
COMO
S. SEBASTIÃO MORREU GENEROSAMENTE PELA FÉ EM CRISTO
Os cristãos, vendo que Sebastião se havia restabelecido das
graves feridas, exortavam-no a que provesse a sua segurança e se escondesse.
Mas o amor de Deus não conhece esta prudência humana; desejava Sebastião
glorificar seu Deus e sacrificar-se generosamente pelo amor Daquele que tinha
morrido por ele na cruz.
Inflamado, pois, por este desejo, Sebastião corre ao palácio
imperial e apresenta-se ao Imperador, esperando-o na escada que este devia
descer. Logo que Diocleciano se apresentou, o santo mártir lhe dirigiu
animosamente a palavra, expondo-lhe que andava enganado adorando os falsos
deuses e perseguindo os cristãos. O Imperador, surpreendido de ver assim em
pessoa, um homem que julgava morto, exclamou no excesso de sua surpresa: “Como?
Havíamos ordenado que fosses morto a flechas?”
“Nosso Senhor, replicou Sebastião, dignou-se chamar-me de novo à vida,
para que eu viesse, na presença de todo o povo, protestar contra a iniquidade e
barbaridade da perseguição que ateastes contra os servos de Jesus Cristo.
Diocleciano, conquanto visse diante de si um homem como que
ressuscitado da morte, permaneceu em sua obstinação; sua resposta foi mandar
conduzir o herói de Jesus Cristo ao hipódromo do palácio, onde o fizeram
exalar, a força de repetidos golpes de bastão, o último alento. Aproximam-se os
algozes, e começam logo a açoitar o Santo de modo tão bárbaro e desumano, que a
carne lhe caía aos pedaços.
No meio de tão horrível suplício, Sebastião, inflamado do
desejo ardente de unir-se a Jesus Cristo pela morte, nem um só instante
desviava seu espírito do céu, até que afinal pôde, em paz, entregar sua alma
nas mãos do seu Criador.
Durante a noite os algozes levaram o corpo, que lançaram
numa cloaca, onde ficou suspenso por um gancho; estavam com receio de que os cristãos
lhe deferissem as honras do martírio. Deus, porém não permitiu que os despojos
mortais de seu servo fossem sepultados em lugar ignominioso; e Sebastião
apareceu durante o sono a uma dama de muita virtude, chamada Lucina, a quem
mandou que o fosse tirar e o enterrasse no cemitério de Calixto, aos pés dos
Apóstolos S. Pedro e S. Paulo.
Sigamos as pegadas do santo mártir, e defendamos o tesouro
da nossa fé católica à custa até de nossa vida e sangue, lembrando-nos das
palavras de S. Paulo, que as tormentas desta vida não são nada, se forem
comparados com a glória e as delicias que nos esperam na eternidade.
ORAÇÃO
Deus onipotente, olhai para nossa fraqueza, e
porque o peso da própria ação nos oprime, proteja-nos a intercessão gloriosa do
Bem aventurado mártir, S. Sebastião.
SEXTO
DIA
COMO
A IGREJA GLORIFICOU SEU SERVO
Aos olhos da fé, a vida dos Santos começa no momento em que
expiram. Se considerarmos a antiguidade do culto de S. Sebastião, a
imensa celebridade do seu nome, a veneração, a fé e a devoção que os povo
sempre tributaram à sua memória acharemos poucos Santos que a ele se possam
comparar.
O primeiro monumento da glória do nosso Santo é o título de
defensor da Igreja que o Papa S. Caio criou para recompensar seu zelo e porque
ele a sustentou tão dignamente pela constância de seu martírio.
Os Santos Padres têm celebrado com entusiasmo as exímias
virtudes de S. Sebastião. S. Ambrósio o apresenta aos fiéis como modelo de
verdadeiro cristão, e S. Gregório Magno deu grande incremento a devoção dos
fiéis para com o santo mártir. Já desde então, os devotos começaram a construir
capelas e igrejas em honra dele, e o aniversário de sua morte foi celebrado com
grande solenidade.
Na cidade de Roma, na via Ápia, eleva-se a basílica de S. Sebastião,
célebre não só em Roma, mas em todo o universo. Construída no VI século, foi
restaurada completamente no princípio do VIII século. Em 1612 foi reconstruída
e enriquecida de beleza e esplendor indizíveis. Sucedeu, então, um milagre que
veio provar quanto estas piedosas reconstruções eram gratas ao Santo.
O Papa Gregório III tinha encerrado o corpo de S. Sebastião
num túmulo de mármore, que formava o altar. Quando mais tarde pessoas devotas
quiseram levantar o pavimento da basílica, era preciso elevar também o túmulo
do Santo acima do altar. No instante que os pedreiros deram mãos à obra, eis
que todo o edifício parecia estremecer e tremer, e os operários fugiram
espavoridos; o sacerdote, que presidia as obras, os exortou a que rezassem
perante o Ss. Sacramento e tornassem a por mãos à obra. Obedeceram, e o túmulo
pareceu elevar-se por si mesmo. Além desta basílica, a cidade de Roma conta
mais três igrejas construídas em honra de S. Sebastião e a cidade de Milão,
pátria do santo mártir e berço de sua infância, seguindo o exemplo de Roma,
construiu igualmente magnífico templo em sua honra. Quando em 1575 a cidade de
Milão foi assolada pela peste, que fazia grande número de vítimas, seus
habitantes fizeram voto de edificar de novo a igreja de S. Sebastião, de jejuar
na véspera de sua festa e de oferecer ao Santo um vaso de grande preço,
destinado a servir de relicário, o que tudo se executou pelas diligências de S.
Carlos Borromeu.
Seria difícil enumerar todos os Santuários erigidos em honra
do nosso santo Mártir. Certo é que a Sta. Igreja Católica sempre tem tributado
a S. Sebastião homenagens extraordinárias e um culto, que no curso dos séculos
se espalhou pelo mundo inteiro.
Tributemos nós também as homenagens de nossa devoção ao
santo Mártir a fim de que, do alto dos céus, ele nos proteja e defenda contra
todos os perigos do corpo e da alma.
ORAÇÃO
Deus onipotente, olhai para nossa fraqueza, e porque o peso
da própria ação nos oprime, proteja-nos a intercessão gloriosa do Bem
aventurado mártir, S. Sebastião.
SÉTIMO
DIA
COMO
FORAM HONRADAS AS RELÍQUIAS DO SANTO
O corpo de S. Sebastião, como já vimos, foi
mostrado pelo próprio Santo num sonho a Santa Lucina. Cerca de meia-noite, após
o martírio, Lucina, acompanhada de seus servos, tirou da cloaca o corpo do
santo mártir, o qual pôs no seu coche para levar ao lugar por ele próprio
indicado.
Assim
que lá chegou, apressou-se em lhe dar sepultura e aí passou trinta dias junto
ao seu túmulo. Em recompensa dos bons ofícios de Sta. Lucina, tornou a
aparecer-lhe, para dar-lhe conselhos salutares para sua vida espiritual. Mais
tarde Sta. Lucina transformou sua casa em templo sagrado, deixando todos seus
bens para serem empregados em socorro dos fiéis.
O corpo de S. Sebastião existe ainda, se não
inteiro, ao menos em grande parte, no túmulo de mármore construído por ordem de
Honório III. Pelo correr dos tempos, porém, foram destacadas do corpo diversas
relíquias, depositadas em Roma ou enviadas para longe a diversos países. A
capela do Santo Mártir acha-se na Basílica de S. Pedro no Vaticano, um braço e
uma das setas na Basílica de Sta. Maria, outro braço na Basílica de Sta.
Praxedes e outras parcelas do corpo em várias igrejas do mundo.
Em 826 preciosas relíquias do corpo de S. Sebastião foram
colocadas numa abadia da França e nessa ocasião se deram numerosos e estupendos
milagres. Um pouco do pó proveniente do túmulo de S. Sebastião e parte dos
panos em que seu corpo tinha sido envolto, deram lugar em outra cidade a muitos
milagres.
Esses milagres não pouco contribuíram para que o culto do
Santo se espalhasse rapidamente pelo mundo inteiro, e que a devoção a S.
Sebastião tenha adquirido tanta popularidade. Os povos cristãos dos séculos
passados celebravam solenemente a sua festividade com a abstenção de todo o
trabalho servil, de todo o negócio, de toda a ação contenciosa, especialmente
nas cidades e dioceses em que sua proteção havia sido experimentada. Em nossos
dias a Igreja celebra sua festa no dia 20 de janeiro.
Guardemos
todos os dias de nossa vida uma devoção especial a S. Sebastião, invoquemo-lo
em todos os perigos, e nossa fé será abundantemente recompensada pelo Santo,
que jamais deixa de interceder por seus devotos.
ORAÇÃO
Deus onipotente, olhai para nossa fraqueza, e porque o peso
da própria ação nos oprime, proteja-nos a intercessão gloriosa do Bem
aventurado mártir, S. Sebastião.
OITAVO
DIA
COMO
SÃO SEBASTIÃO NOS DEFENDE CONTRA A PESTE
De todos os flagelos que desolam a humanidade, nenhum há por
certo que lhe seja tão terrível como a peste, a fome e a guerra; porque nenhum
existe que a fira em tudo quanto possui de mais caro no mundo, como fazem
estes.
Naqueles dias lutuosos o povo cristão volve cheio de fé, a
S. Sebastião, os olhos suplicantes, e S. Sebastião toma com amor a defesa de
seus devotos.
Ora,
entre os antigos as setas eram símbolo da peste, pelo que também na Sagrada
Escritura o flagelo das epidemias se apelida a seta da ira divina. O profeta
apelida as enfermidades pestilenciais instrumentos de morte, setas abrasadoras
da ira divina. A piedade cristã, sabendo que S. Sebastião em seu primeiro
martírio havia sido sufocado por uma chuva de setas, o escolheu para seu
protetor contra o flagelo da peste, porque, no dizer de um autor sagrado, S.
Sebastião parece ter embotado na sua pessoa as setas da ira divina.
Quando, pois, em 680, sob o pontificado do Papa Agatão, a peste fez na Itália estragos
medonhos, os fiéis recorreram a S. Sebastião, fazendo voto de erigir um
santuário em sua honra, e a epidemia desapareceu por completo. A cidade, de
Câpua experimentou com igual eficácia o crédito de S. Sebastião, por ocasião de
uma peste que grassava de modo terrível, fazendo grande número de vítimas.
Mais terríveis estragos, porém, fez a peste em 1575 na
cidade de Milão, governada pelo santo bispo, o cardeal Carlos Borromeu. O
caridoso e santo prelado procurava todos os meios de aplacar a ira de Deus, e
de fazer parar o flagelo devastador. De repente o Santo sente que a poderosa
intercessão de S. Sebastião, já em casos semelhantes, havia livrado cidades
inteiras. S. Carlos dirige, então, em diversas igrejas, súplicas ardentes ao
santo Mártir, e exorta os habitantes a que façam ao céu, em sua honra, o voto
de o venerar com um culto especial. A cidade fez o voto sugerido pelo santo
Prelado e, de dia em dia, diminuíram os horrores da epidemia.
Em 1568 a cidade de Lisboa se viu a braços com os rigores da
peste. Dom Fr. Bartholomeu dos Mártires estava celebrando, certo dia, numa
capela, onde havia uma imagem de S. Sebastião. Volveu os olhos para o lado onde
ela se achava, e a viu coberta de suor. Estupefato à vista de um tal prodígio,
carrega a imagem, e colocando-a em lugar onde havia toda claridade, procura,
porém debalde, enxugar com panos esse milagroso suor; a imagem continua a
cobrir-se dele, está por assim dizer, toda regada do dito suor; no mesmo
instante o repicar dos sinos, o toque de numerosos instrumentos e um clamor do
povo reunido anunciam por toda parte a grande maravilha. Então os que se
achavam feridos da peste, correm pressurosos, e animados de viva fé,
esfregam-se com o milagroso suor. O sucesso correspondeu aos votos de sua
piedade; desse momento em diante, cessou o flagelo, e não se contou sequer mais
uma única vítima.
Recorramos, nós também, com confiança a S. Sebastião nos
dias de enfermidades e doenças contagiosas, certos de que o santo Mártir nos
protegerá contra todo o flagelo de epidemias.
ORAÇÃO
Deus onipotente,
olhai para nossa fraqueza, e porque o peso da própria ação nos oprime,
proteja-nos a intercessão gloriosa do Bem aventurado mártir, S. Sebastião.
NONO
DIA
O
CULTO DE SÃO SEBASTIÃO
A grandeza do mundo é uma sombra que desaparece, uma fumaça
que se dissipa. Caducas riquezas, adquiridas com trabalho, conservadas com mil
perigos, e perdidas com a maior facilidade, honras vãs, dignidades fantásticas
possuídas entre os ataques da inveja e da injustiça, prazeres fugitivos
acompanhados de tristes dissabores e seguidos de agudos remorsos, eis as
felicidades enganadoras, que o mundo promete, vaidade das vaidades, de curta
duração e de consequências amargas.
Não assim a grandeza e felicidade do homem justo. Cumprindo
à risca os preceitos de Deus, fugindo do vício e praticando a virtude, seguindo
o caminho da santidade, justiça e perfeição, o Altíssimo se compraz nele.
Recompensados por este Senhor com uma glória infinita, os mortais recorrem ao
seu patrocínio e valimento, para aplacarem a cólera divina irritada contra
eles.
Eis aqui, pois, uma grandeza sólida, uma felicidade sem
limites, que nunca poderá ser tirada ao homem justo.
A sua memória é igual à duração dos séculos, não tem fim
para com Deus que a inspirou e premia, nem para com os homens, a quem usa
benefício e graças.
Tal foi a sorte, e tal, em suma o elogio exato do ínclito
Mártir São Sebastião; digno objeto de nossas homenagens.
Fiel à graça divina desde que a recebeu nas águas do
batismo, em toda a sua vida não se apartou do que era agradável aos olhos de
Deus. Ele, como Daniel em Babilônia, conservou-se inocente e puro no meio duma
cidade e corte depravada; zeloso apóstolo abrasado no desejo da salvação das
almas, converteu inumeráveis gentios, fortaleceu muitos cristãos, protegeu
todos os fiéis, mereceu o título de defensor da fé, e para terminar dignamente
a brilhante carreira de sua vida, como herói da Religião, como mártir distinto,
derramou seu sangue por Jesus Cristo, morreu padecendo, pelo seu Redentor, e
tanto na vida como na morte, mostrou-se varão justo sem defeito. Na mesma
eternidade feliz, onde goza o prêmio infinito de suas virtudes, ainda é o
protetor da cristandade e o amparo dos pecadores, a quem congraça com a
majestade divina, justamente indignada por tantos crimes.
Um Santo tão ilustre merece-nos um culto especial, uma
devoção fervorosa e correspondência agradecida a tantos benefícios, honrando
sua memória com o maior serviço que se lhe pode fazer, que é imitar suas
virtudes e seguir suas pegadas.
Honremos, pois, a S. Sebastião, imploremos sua valiosa
intercessão perante o trono de Deus, imitemos suas virtudes, a fim de que um
dia possamos em sua companhia louvar e possuir a Deus, durante toda a
eternidade.
ORAÇÃO
Deus onipotente, olhai para nossa fraqueza, e porque o peso
da própria ação nos oprime, proteja-nos a intercessão gloriosa do Bem
aventurado mártir, S. Sebastião.
ORAÇÃO
A NOSSA SENHORA DO DESTERRO
Virgem
do Desterro, boa Mãe do céu, que com tanta resignação e paciência, suportastes
as angústias e incertezas do vosso exílio, no Egito, volvei sobre nós, pobres
filhos de Eva, vossos olhos maternos. Degredados, neste vale de lágrimas, em
vós confiamos. A vós recorremos, em vós depositamos toda nossa esperança. Há
tanta angústia em nossos dias; e tão inquieta a nossa vida e o nosso futuro tão
incerto! Sede, para conosco, benévola e compadecida. Tomai, sob vosso amparo,
as nossas famílias; guardai a inocência das crianças, a pureza dos jovens,
aquecei a neve dos corações envelhecidos. Dai força aos que trabalham, consolo
aos tristes, e ânimo aos que as doenças desolaram. Abençoai, enfim, esta
paróquia (Capela); socorrei-a sempre, como até agora fizestes. E depois deste
desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa,
ó doce, sempre Virgem Maria.
ORAÇÃO
DE SÃO FRANCISCO
SENHOR,
Fazei-me instrumento de
vossa paz!
Onde houver ódio, que
eu leve o amor;
onde houver ofensa, que
eu leve o perdão;
onde houver discórdia,
que eu leve a união;
onde houver dúvida, que
eu leve a fé;
onde houver erro, que
eu leve a verdade;
onde houver desespero,
que eu leve a esperança;
onde houver tristeza,
que eu leve a alegria;
onde houver trevas, que
eu leve a luz!
Ó MESTRE,
fazei que eu procure
mais consolar, que ser consolado;
compreender, que ser
compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se
recebe,
é perdoando que se é
perdoado e é morrendo que se vive para a vida eterna!
HINO A SÃO SEBASTIÃO
Grande Atleta da nossa
Santa Igreja,
Nobre mártir, ó São
Sebastião,
Vigoroso, invencível na
peleja,
Da virtude és o nosso
brasão.
Acolhei sob a vossa
proteção
O católico povo
brasileiro,
Grande mártir, ó São
Sebastião,
Nosso bravo e fiel
padroeiro,
Acolhei sob a vossa
proteção
O católico povo
brasileiro!
O passado cristão da
nossa história,
Num porvir nós o
havemos de guardar.
No presente ele sempre
é a nossa glória,
Que a bandeira da
Pátria há de honrar.
Das doenças, das
guerras e pobreza,
As famílias da Pátria
protegei,
Grande fé, esperança e
fortaleza,
Pelos lares cristãos
acendei.
Vosso exemplo belíssimo
nos reja,
E fiéis nos havemos de
guardar,
E da Pátria dos filhos
da Igreja,
Sempre Deus, nosso Rei
proclamar.