quinta-feira, 30 de abril de 2020

MÊS DE PREPARAÇÃO PARA A CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA!


Obs: Cópia de um Antigo Livro que me foi doado pela Srª Maria Zanon.



Conservado a Grafia original.

Para cada dia há leituras e meditações próprias


Autor: Dom Antônio M. A. de Siqueira





OS DOZE DIAS PRELIMINARES

(Purificar a alma do espírito do mundo)

Aconselha São Luís Maria uma série preliminar de pelo menos doze dias, para libertar-se a alma do espírito do mundo, tão contrário ao espírito de Jesus Cristo. É o aspecto negativo, mas indispensável, como que removendo de nosso coração todos os impedimentos, para que compreendamos e recebamos com gôsto os ensinamentos de Nosso Senhor. A fim de obtê-lo, cumpre relembrar a promessa de renúncia que fizemos no Batismo, ao demônio, suas pompas e suas obras, bem como meditar os Novíssimos, para que nas mesmas bases profundas de nossa vida espiritual nada se encontre de espírito mundano. Assim nos prepararemos a luzes maiores e mais fecundas, que hemos de receber ainda.
Fidelidade às meditações, fervor nas orações propostas, generosidade nas resoluções que o Espírito Santo nos sugerir por ocasião destas meditações fundamentais, — eis o que inicialmente de nós espera Nossa Senhora e Rainha, a cujo serviço almejamos consagrar-nos inteiramente.

ORAÇÕES PARA CADA UM DOS DOZE DIAS

VENI CREATOR SPIRITUS.

Vem ó Criador Espírito,
As almas dos teus visita; 
Os corações que criaste,
Enche de graça infinita.

Tu, Paráclito és chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção espiritual.

Tu das septiforme graça;
Dedo és da dextra paterna;
Do Pai, solene promessa,
Dás fôrça da voz superna.

Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito acende,
Do nosso corpo a fraqueza
Com tua fôrça defende.

De nós afasta o inimigo.
Dá-nos a paz sem demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se deplora.

A Deus Padre se dê a glória
E ao Filho ressuscitado,
Paráclito e a ti também,
Com louvor perpetuado.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face da terra.

OREMOS: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo; concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada ,
Celeste feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca ,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação:
E o nome de Eva troca.

As prisões aos réus desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser Filho teu.

Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos pecados.
Dá-nos pureza e brandura.

Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida segura.
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.

A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um louvor. Amém.


PRIMEIRO DIA (1)

MEDITAÇÃO — MARIA CONVIDA-NOS À SANTIDADE

PREPARAÇÃO (véspera à noite)

Nossa Senhora convida-me à vida perfeita, a fim de que eu obedeça à vontade de Deus que me quer santo. A vida perfeita é suave, útil, deleitá- vel. Para obtê-la, não me bastam as forças, da natureza, mas necessito do auxilio divino, mediante a devoção a Maria.
MEDITAÇÃO

PRELÚDIOS
I— Representou-me Nossa Senhora, acenando-me com amorosa instância para que venha junto Dela a ouví-la. Fili, acquiesce consiliis meis (Gen. XXVII, 8).
II— Mãe Santíssima, alcançai-me firme e sincera resolução de cuidar minha vida espiritual, à luz dos vossos exemplos.

PONTO — É vontade de Deus que eu seja perfeito.

            Na creação, Deus me afeiçoou à sua divina imagem e semelhança. Na Redenção, fêz de minha alma imagem inda mais viva de Jesus Cristo, ao lavar-me o Sangue do Cordeiro Imaculado. Ele quer que no Paraíso eu possa ter a semelhança, não apenas esboçada, mas perfeita e completa, na glória de sua posse terna e feliz.
            À imagem de Deus, pois, devo ser santo. “Santificai-vos, sêde Santos, porque Eu, vosso Deus e Senhor, sou santo” (Lev. XIX, 2). “Esta é a vontade de Deus, — vossa santificação” (I Tess. IV, 3).
            Para que eu consiga a semelhança com meu Pai e Creador, cumprindo a sua vontade claramente manifestada, devo dirigir todos os meus pensamentos, palavras e ações, a alcançar a perfeição de minha vida cristã, em todos os momentos da existência.
            Assim fêz Nossa Senhora, cuja santidade sobrepassou todos os Anjos e todos os Santos; Ela mereceu obter perfeita semelhança com o Pai Celeste, pois Deus é a Fonte de tôdas as graças da santidade  e de tôdas as bênçãos. E Maria é a “cheia de graça” a “bendita entre tôdas”.

II PONTO — A vida perfeita é suave, útil deleituosa.

O que exige de nós a vontade de Deus Nosso Senhor, não deprime nossa inteligência ou agonia nosso coração. Muito ao invés, a vida perfeita é aquela Sabedoria Celeste que as Sagradas Letras tanto exaltam. A pérola preciosa, o tesouro, oculto, de infinito preço e valor, que nos obtém a familiaridade com Deus, a paz conosco, a alegria com os nossos irmãos, a verdadeira felicidade na terra e no céu. Ela é o Reinado de Deus em nossa alma e o gôzo do Divino Espírito Santo. Uma alma perfeita é o mais belo espetáculo aos olhos de Deus e dos Anjos, o palácio e o tálamo de Jesus, o Divino Esposo.
            Nada tão útil à S. Igreja e a tôda a humanidade, como um coração de todo entregue a Deus. Que é, em comparação dêle, o sábio, o artista, o político, o herói guerreiro? Êle é a verdadeira nobreza da humanidade! Que maravilha para os olhos de nossa fé, a vida de Maria, nas operosas virtudes perfeitas, que Ela sabia, contudo, ocultar aos olhares do mundo que não merecia conhecê-la! “Tôda a glória da Filha do Rei é interior e oculta”... Ó Maria, ensinai-me a suave preciosidade da vida perfeita!

III PONTO — Para a santidade temos precisão do auxílio divino, por Maria.

            Obra tão admirável, não a posso realizar por minhas forças naturais. Longe de mim essa presunção funesta. A santidade é sobrenatural, é uma elevação à mesma ordem divina, uma participação da natureza de Deus. Para ela, de nada serviriam todos os recursos de minha natureza. Somente a graça onipotente de Deus, graça abundante e extraordinária o pode conseguir. Minha santificação é obra ainda maior do que a creação de todo o universo material!
            Por que meios lograrei de Deus o auxílio imprescindível de que tenho tanta necessidade e desejo tão vivo? Êle quer elevar-me. Entanto, minha alma se assusta e trepida meu coração, ao ouvir falar de virtudes tão altas. Tenho conseguido tão pouco até agora! Mas, se achasse um atalho que me encurtasse o caminho, um guia poderoso, uma celeste carruagem que me levasse com segurança e suavidade?
            Sim. Maria, minha Mãe Santíssima, eis o atalho bendito, o guia seguro, que me há de facilitar o trabalho árduo. Seu regaço de Mãe há de ser o veículo divino que me levará com presteza e com amor. Ela, diz S. Bernardo, é a estrela que guia ao pôrto do Céu os navegantes da terra. Seguindo-a não me desviarei. Rogando-a não provarei desalento. Pensando Nela, não errarei. Se Ela me retiver, não hei de cair. Se me proteger, nada temerei. Se me conduzir, não experimentarei cansaço. Se Ela me fôr propícia, atingirei com certeza o almejado pôrto! (Hom. 2 Super Missus).

COLÓQUIOS

            Formosa Estrela minha! Quero seguir-Vos, os olhos sempre fitos em vossa excelsa beleza. Porque Vós sois espelho da santidade de Deus, suave e bondosa, hei de rogar-Vos, imitar-Vos, para adquirir minha perfeição. Conduzí-me pela mão, como a filho, embora seja eu indigno sequer de ser vosso escravo. E, pois, me convideis à santidade que Deus quer enriqueça minha alma, ouvirei vossa palavra querida, permanecendo, todo êste mês de bênçãos, aos pés de vosso trono de amor.

RAMILHETE

            Para encontrar a graça da santidade, a Vida verdadeira, é preciso encontrar Nossa Senhora, Qui me invenerit, inveniet vitam (Prov. VIII, 36).

SANTO EVANGELHO (Mat. VII, 13 a 29)
JESUS CONVIDA À SANTIDADE VERDADEIRA

            Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ela. Que estreita é a porta e que apertado o caminho para a vida, e quão poucos os que acertam com êle! Guardai-vos dos falsos Profetas, que vêm a vós com vestidos de ovelhas, e dentro são lobos rapaces. Pelos seus frutos os conheceireis. Porventura os homens colhem uvas de espinhos, ou figos de abrolhos? Assim, tôda a árvore boa dá bons frutos e a má árvore dá maus frutos. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar bons frutos. Tôda a árvore que não dá bom fruto será cortada e metida no fogo. Assim, pois, pelos frutos dêles conhecê-los-eis. Nem todo aquêle que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, êste sim, entrará no Reino dos Céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, porventura não profetizámos em teu Nome, e em teu Nome não operamos prodígios? E eu então lhes direi: Pois eu nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que operais a iniqüidade. Todo aquêle que ouve estas minhas palavras, e as observa, será comparado ao homem sábio, que edificou a sua casa sobre a rocha. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e sopraram os ventos, e investiram contra aquela casa, e ela não caiu, porque estava assentada sôbre a rocha. E todo o que ouve estas minhas palavras e não as observa, será comparado ao homem estulto, que edificou a sua casa sôbre a areia. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e sopraram os ventos, e investiram contra quela casa, e ela caiu, e foi grande a ruína.
IMITAÇÃO DE CRISTO
(Liv. I, cap. XI, 2 e seg.)

DESEJO DA SANTIFICAÇÃO E ESFÔRÇO PARA CONSEGUÍ-LA

            Trataram os santos de se mortificar inteiramente em todos os desejos terrenos, e por isso puderam unir-se a Deus no íntimo do coração, e, ocupar-se livremente de si mesmos.
            Ocupamo-nos muito de nossas paixões, e temos demasiado cuidado do que é transitório.
            E também poucas vêzes vencemos um vício perfeitamente, nem nos inflamamos no desejo de adiantar cada dia o nosso aproveitamento e por isso ficamos sempre tíbios, sempre frouxos.
            Se estivéssemos perfeitamente mortos para nós mesmos e no interior desembaraçados, então poderíamos gostar as coisas divinas e adquirir alguma experiência da contemplação celestial.
            O que unicamente nos impede é o não estarmos ainda livres de nossas inclinações e desejos, e isto mesmo nos aparta de entrar no caminho perfeito dos santos.
            E quando também alguma adversidade nos sucede, mui depressa nos desalentamos, e buscamos consolações humanas.
            Se nos esforçássemos na batalha em pelejar como varões fortes, veríamos sem dúvida o auxílio do Senhor descer do Céu sôbre nós.
            Porque Deus está pronto a socorrer os que pelejam e esperam em sua graça e nos procura ocasiões de combate para que alcancemos a vitória.
            Se pomos unicamente o progresso da vida religiosa nas observâncias exteriores, bem depressa se nos acabará a devoção que tínhamos.
            Ponhamos, pois, o machado à raiz da árvore, para que, livres das paixões, possamos pacificar nossas almas.

LEITURA
(Montfort, Segredo de Maria, II, III, IV)

MARIA, MEIO DE SANTIFICAÇÃO

            Alma, imagem viva de Deus, resgatada com o preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo, a vontade de Deus a teu respeito é que te santifiques com Êle nesta vida, a fim de obteres sua glória na outra.
            A aquisição da santidade de Deus é tua vocação, e para aí devem convergir todos os teus pensamentos, palavras e obras, todos os teus sofrimentos e todos os movimentos do teu coração; do contrário resiste a Deus, não fazendo aquilo para que te creou e te conserva agora. Que admirável obra, o pó trasmudado em luz, a imundície em pureza, o pecado em santidade, a criatura em seu Creador e o homem em Deus! Obra admirável, repito; mas difícil em si mesma e impossível à natureza abandonada a suas próprias forças.
            Ó alma, que farás? De que meios lançarás mão para que chegar possas até onde te chama Deus?
            Os meios de salvação de todos são conhecidos; acham-se consignados no Evangelho; explicaram-nos os mestres da vida espiritual; praticaram-nos os santos, e são necessários a todos quantos querem salvar e conseguir a perfeição.
            Para praticar êsses meios de salvação e de santificação, é absolutamente necessária a graça de Deus, e esta graça a todos é concedida em maior ou menor abundância; porquanto Deus, embora intimamente bom, não dá a graça igualmente eficaz a todos, se bem que a dê suficiente a cada um. Tudo, portanto, se reduz a descobrirmos meios fáceis de alcançarmos de Deus a graça precisa para sermos santos e isto é o que te quero ensinar.
            Digo, pois, que para encontrarmos essa graça de Deus, precisamos de encontrar Maria porque:
            1. Só Maria encontrou graça diante de Deus, não só para si como para cada homem em particular. Os Patriarcas e Profetas, todos os Santos da Antiga Lei, não puderam encontrar essa graça.
            2. A Ela deve o Autor de tôdas as graças, sêr e vida; para isso chamamo-la Mãe da graça: Mater gratiae.
            3. Deus Padre, de quem promana, como de fonte essencial, todo dom perfeito e tôda graça, dando-lhe seu Filho deu-lhe tôdas as graças, de modo que, como diz S. Bernardo, em Êle e com Éle a Maria foi dada a vontade de Deus.
            4. Deus escolheu-a para tesoureira, ecônoma e dispensadora de tôdas as suas graças; pelo que tôdas as graças e dons passam por suas mãos; em conseqüência, como diz ainda S. Bernardo, Ela dá a quem quer, como quer e quanto quer, as graças do Eterno Padre, as virtudes de Jesus Cristo e os dons do Espírito Santo.
            5. Assim como na ordem natural é preciso que um filho tenha pai e mãe, também na ordem da graça importa que um verdadeiro filho da Igreja tenha a Deus por Pai e a Maria por Mãe; e se alguém glorificar-se de ter a Deus por pai, não nutrindo em seu coração a ternura dum verdadeiro filho por Maria, é um mentiroso, cujo pai é o demônio.
            6. Já que Maria formou a Cabeça dos predestinados, que é Jesus Cristo, a Êle compete formar os membros desta Cabeça, que são os verdadeiros cristãos. Quem quiser ser membro de Jesus Cristo, cheio de graça e verdade, deve ser formado em Maria, por meio da graça de Jesus Cristo, que nela reside em tôda a plenitude, para ser comunicada abundantemente aos verdadeiros membros de Jesus Cristo e a seus verdadeiros filhos.
            7. Maria recebeu de Deus particular domínio sôbre as almas, para alimentá-las e fazê-las crescer em Deus. Como a criança haure o alimento de sua mãe, que lho dá proporcionado à sua fraqueza, assim os predestinados obtém de Maria seu alimento espiritual e tôda a sua fôrça.
            8. Maria é chamada por S. Agostinho, e é na verdade, o molde vivo de Deus, forma Dei, isto é, foi nela que um Deus-Humanado se formou, sem perder um só atributo da divindade; e é nela só que o homem pode ser formado em Deus, tanto quanto a natureza humana é capaz disso, pela graça divina.
            Logo a dificuldade está em sabermos encontrar verdadeiramente a divina Maria, para acharmos a abundância da graça. Sendo Deus o Senhor absoluto, pode comunicar por si mesmo o que ordinariamente só comunica por intermédio de Maria. Entretanto, segundo a ordem normal que a Divina Sabedoria estabeleceu, Êle não se comunica de ordinário aos homens senão por Maria, na ordem da graça; de modo que, como diz Santo Tomás, é necessário para subirmos e unirmo-nos a Êle, usar do mesmo meio de que Êle se serviu para descer até nós, para se fazer homem e comunicar-nos suas graças.
            O meio, pois, de encontrarmos graça, e graça abundante, é uma verdadeira devoção a Maria.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Capela de São José - Serrinha - Origem

(Origem e um pouco de história até 1982)

Serrinha - 6º Distrito de Bom Jesus do Itabapoana

Capela da Diocese de Campos



                  Fachada e Altar em 1982 
A construção dessa capela teve início entre 1954 e 1956, nas terras do Srº Antônio Apolinário (meu bisavô) quando era Vigário de Bom Jesus, Monsenhor Ovídio Simon. As obras da capela ficaram paralisadas por muito tempo, não só por falta de verba, mas também por falta de pedreiros que pudessem desempenhar bem os serviços. Em 15 de maio de 1964 o Vigário, Pe. Francisco Apoliano determinou o reinício dos trabalhos de construção e disse esperar ver concluídos em pouco tempo.

Mons. Ovídeo e Pe. Francisco Apoliano
Pe. Francisco Apoliano 

No dia 23 de agosto de 1964, houve a solene bênção e inauguração desta capela. A cerimônia religiosa oficiada pelo Pe. Francisco Apoliano teve início depois das 16h e 30min com a bênção externa da igreja, ladainha de todos os santos, benção interna, missa e procissão. Correu tudo na mais perfeita ordem. Compareceram o Apostolado da Oração e a Liga Católica de Bom Jesus, o Apostolado da Oração de Carabuçu e uma grande multidão de fiéis. A chuva miúda impediu uma multidão maior.
Apostolado
A fundação do Apostolado da Oração nesta capela se deu em 24 de dezembro de 1975, oficiado pelo Pe. Francisco Apoliano.
Apostolado









Em 24 de maio de 1977, foi benta uma nova imagem de São José, bem maior que a antiga, que daquele dia em diante ficou destinada ao andor da procissão.



Missa - 16 -02-1982

Fiéis aguardam a Santa Missa





Após a Santa Missa
Após a Santa Missa





Catecismo
Lembranças...

Deve-se ressaltar que as capelas na administração do Pe. Francisco Apoliano (Vigário de Bom Jesus de 1957 até 1982) eram pequenas paróquias. Todas tinham associações religiosas e paramentos. Cada Associação de cada Capela tinha uma caderneta onde estava detalhada toda a vida espiritual e financeira. O padre que fosse celebrar só levaria vinho e hóstia. Todas as capelas tinham uma conta na Caixa Econômica Federal, e o padre após a Missa, prestava contas todos os meses dos rendimentos e despesas. Era uma gestão totalmente transparente. Quanto às Missas, os fiéis das capelas já podiam se programar, pois quando o padre celebrava, já deixava marcada a Missa do próximo mês. Quando chegou em Bom Jesus em 1957, praticamente todas as capelas eram em terrenos de particulares. Durante o tempo que esteve à frente da Paróquia, batalhou ardorosamente para que esses terrenos fossem doados à Cúria Diocesana. Quando faltava a última Capela e o doador estava irredutível, ele se encarregou de fazer várias visitas e o convencer da necessidade da doação. Esta última Capela (Serrinha) foi doada pouco tempo antes de sua saída da Paróquia.

Pe. Francisco Apoliano






sábado, 4 de abril de 2020


IGREJA DE SÃO JOSÉ – SERRINHA

         Em junho de 1982, com a saída do Revmo. Pe. José Ronaldo que havia sucedido o Revmo. Mons, Francisco no cargo de vigário da Matriz de Bom Jesus, o juiz da Comarca local, a pedido da Mitra Diocesana de Campos determinou a imediata entrega das chaves de todas as capelas e centros catequéticos aos cuidados de pessoas de confiança do antigo Vigário ao oficial de justiça que posteriormente entregou ao novo Vigário no início de agosto de 1982. 
MANDADO
 Fachada da Igreja entregue à Mitra e foto de última Missa celebrada no Rito Antigo

           Foi um período difícil para toda comunidade bonjesuense presenciar pelos que agora tinham tomado posse das igrejas, às mudanças nas questões de fé e de moral. O que muitos desejavam era um local onde pudessem se reunir para rezar, e ter acesso aos santos sacramentos, assistirem as santas missas no rito antigo e terem o ensinamento tradicional da Igreja.
                 Antes e durante a construção de uma nova igreja, as missas eram celebradas nas residências dos casais Clarindo Alves e Ricardina, Nelson Apolinário e Amélia Balbi e Francisco Rodrigues e Rita Apolinário e logo após havia bingos e leilões para angariar fundos para a construção. A maioria das missas eram ao ar livre pois não havia local para comportar os fiéis.  Os sacerdotes que atendiam nessa época eram os Revmos. Padres José Ronaldo de Menezes e Élcio Murucci.
                Comemorando Aniversário do Revmo. Pe. José Ronaldo em um dos locais onde era celebrada a Santa Missa

         Na localidade de Serrinha a Srtª Aparecida Almeida animada pela comunidade, idealizou uma pequena construção para atender aos fiéis dali e de locais vizinhos estavam habituados ao catecismo, e às outras funções sagradas.
Sem nenhum local e dinheiro para construir, a comunidade se animou e logo o Srº Francisco Rodrigues disponibilizou o terreno para a construção e Mons. Francisco Apoliano escolheu o local a ser construída a igreja em honra de São José.
         Para conseguir os donativos, Dª Maria Aparecida contava com a ajuda de sua amiga Dª Maria José Silva. Elas saiam por outras comunidades pedindo auxílios e na maioria das vezes eram atendidas. Pediam não só dentro dos limites do município de Bom Jesus, mas em outros como Apiacá, Italva, Campos... (Dª Aparecida lembra que certa vez estando na localidade de Morro do Coco, teve que correr e se esconder junto com sua amiga Maria José em um bar, já que o padre da localidade ficou aborrecido por elas fazerem campanhas para construção de outra igreja dentro dos limites de sua paróquia e começou a persegui-las”). Ao final, os de perto e de longe abraçaram a causa e já era possível sonhar, já que até aqueles que não freqüentavam igreja, se sentiam felizes em poder ajudar e diziam: “Eu gosto de ajudar porque aqui a gente vê o resultado”. Dª. Aparecida termina dizendo que o povo foi muito solidário e que lhe deram muito apoio, inclusive na Igreja do Carmo em Campos e que naquele período muitos fiéis estavam sem local apropriado para assistirem as funções sagradas, e a comunidade de Serrinha foi pioneira no desafio de construir uma Igreja.

                                         Dª Maria José e Dª. Aparecida

         Para a obra começar, Aparecida nos diz que contou com a ajuda de duas jovens: Tânia Balbi Apolinário e Maria Luzia Apolinário Rodrigues que faziam os serviços de extraírem areia de uma estrada próxima situada em uma localidade chamada “Morro Alto” distante 1km de onde a igreja seria construída. Eram as três que além de extrair a areia, enchiam a carroça. A água era pega em um riacho na beira da estrada, próximo a propriedade do Sr. Maneco que gentilmente havia cedido a carroça e o “Boi Granito” para dar suporte à obra. Aparecida nos diz que o boi acabou acostumando com o serviço e que sempre que passava em frente à igreja parava talvez esperando um novo serviço.
A comunidade inteira se envolveu de forma extraordinária, já que o poder aquisitivo naquela época era muito escasso, para em breve começar a construção.

 Maria Luzia, Tânia, Aparecida e o famoso “Boi Granito” 

         A obra iniciou em 10 de janeiro de 1983 tendo como pedreiro responsável o Srº Nilson Inácio apoiado pelos senhores Leninho e Genísio, e como servente o senhor José Balbi. Como o Srº Nilson não pode continuar Dª Aparecida aconselhada pelo seu tio Argeu Bento contratou o Srº Antônio Travassos que morava na localidade de Boa Ventura, bem distante da Serrinha e conseguiu que este morasse enquanto durasse a obra na casa de um casal amigo, e de contrapartida contratou um dos filhos desse casal: o jovem Braz Balbi, que aprendeu o ofício de pedreiro e carpinteiro e depois, foi o responsável por muitas obras na comunidade e reformas ampliações na igreja que se fizeram necessárias com o passar do tempo.



Leninho, Mª. Aparecida, Antônio Travassos, José Balbi, Bráz Apolinário e Genísio

                                                Os Construtores

       A igreja de São José na Serrinha foi construída em aproximadamente três meses foi a primeira a ser inaugurada depois da tomada da Mitra Diocesana em toda a diocese. A obra constava de uma nave e presbitério, sacristia e quarto para o sacerdote. Todo o telhado era de telha francesa.
         A Missa de inauguração foi celebrada no dia 26 de Abril de 1983 pelo Revmo. Mons. Francisco Apoliano com a obra parcialmente terminada, com a presença de caravanas de fiéis de toda Paróquia de Bom Jesus.



Mons. Francisco Apoliano celebrou a primeira Missa na nova igreja
Durante a Santa Missa

Durante a Santa Missa


 Após a Santa Missa

         Curiosidade: A população resolveu nomear a nova igreja como “Igreja de Cima” já que esta ficava em um plano acima da igreja antiga pertencente a Mitra Diocesana que daí em diante passou a ser chamada “Igreja de Baixo”.
         A igreja passou a atender fiéis dos lugarejos de Fazenda Matinha, Santa Rosa, Fazenda João Leal, Fazenda João Rocha e de outros locais.
         Dª Aparecida trabalhava junto às crianças e jovens, fazendo pequenos passeios, piqueniques, além de lhes ensinar o catecismo. Ao todo a capela chegou a ter 80 alunos. No mês de Maio eram organizadas coroações que emocionavam e encantavam todos os presentes.
         Logo em seguida, a Dª. Adélia Bifano presenteou a Igreja com uma imagem de São José que até então a igreja não possuía e fez questão de fazer a entrega pessoalmente, os fiéis receberam a imagem em procissão e a conduziram até a igreja.
Tempos depois Dª. Aparecida em sinal de gratidão adquiriu uma imagem maior.
         Para a obra continuar, foi necessário fazer leilões sempre tendo como leiloeiro o Srº Paulo Apolinário Rodrigues.
         A comunidade teve um grande impulso missionário a partir do ano de 1983 após a chegada do Revmo. Pe. Élcio Murucci que instituiu a Cruzada Eucarística Infantil e Juvenil e a Pia União das Filhas de Maria e reorganizou a Liga Católica e o Apostolado da Oração e fazia as Santas Missões com a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Ele foi sucedido pelo Pe. José Ronaldo de Menezes que organizava todos os anos a “Campanha do Rosário” que constituía da recepção das imagens dos Sagrados Corações de Jesus e Maria na localidade de “Morro Alto” seguindo em procissão até a igreja. As imagens permaneciam durante 3 dias na igreja onde durante todo o tempo havia a reza do terço, atendimento de confissões, Bênção do Santíssimo, pregações e santas missas.












         Em setembro de 1990, Pe José Paulo ao ir pela primeira vez  na igreja, viu a necessidade de ampliá-la já que não comportava todos os fiéis. A partir de 1992 foram executadas as seguintes melhorias: ampliação da nave da igreja com trocas das portas e janelas e colocação de piso de ardósia, construção do presbitério com colunas e vigas de sustentação para colocação de forro e de um lustre, construção de um novo altar, construção de um apartamento para o padre e sacristia e troca de todo o telhado. Essas reformas foram inauguradas em 1993.
         Para atender bem à comunidade o sacerdote chegava às 15h para dar catecismo, organizar brincadeiras e atender as confissões das crianças previamente preparadas pela Srª Aparecida. As 17h começavam as confissões dos adultos e às 19h a Santa Missa com a igreja repleta de fiéis. Logo após se houvesse necessidade o padre batizava e preparava casais para o matrimônio. Depois saía em um espaço em frente à igreja onde as famílias estavam conversando e jogando bingo elaborado pelo Srº Isaú Vilela, que desde o início da construção, foi um dos grandes benfeitores da igreja de Serrinha.


Srº Isaú Vilela (com Crucifixo) - Procissão de Ramos - Mons. Licínio (década de 1980)

         
 Dom Licínio (Crismas)
 Pe. José Edilson (Missões na Capela - Década de 1990)

 Pe. Manoel e Pe. José Paulo (Missões)

Fotos: Arquivo pessoal Aparecida Almeida

Obs: Em outra postagem falaremos sobre a reconstrução desta igreja em 2018/2019