MÊS DE PREPARAÇÃO PARA A CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA!
Obs: Cópia de um Antigo Livro que me foi doado pela Srª Maria Zanon.
Conservado a Grafia original.
Para cada dia há leituras e meditações próprias
Autor: Dom Antônio M. A. de Siqueira
OS DOZE DIAS PRELIMINARES
(Purificar a alma do espírito do mundo)
Aconselha São Luís Maria uma série preliminar de pelo menos
doze dias, para libertar-se a alma do espírito do mundo, tão contrário ao espírito
de Jesus Cristo. É o aspecto negativo, mas indispensável, como que removendo de
nosso coração todos os impedimentos, para que compreendamos e recebamos com
gôsto os ensinamentos de Nosso Senhor. A fim de obtê-lo, cumpre relembrar a
promessa de renúncia que fizemos no Batismo, ao demônio, suas pompas e suas
obras, bem como meditar os Novíssimos, para que nas mesmas bases profundas de
nossa vida espiritual nada se encontre de espírito mundano. Assim nos
prepararemos a luzes maiores e mais fecundas, que hemos de receber ainda.
Fidelidade às meditações, fervor nas orações propostas,
generosidade nas resoluções que o Espírito Santo nos sugerir por ocasião destas
meditações fundamentais, — eis o que inicialmente de nós espera Nossa Senhora e
Rainha, a cujo serviço almejamos consagrar-nos inteiramente.
ORAÇÕES PARA CADA UM
DOS DOZE DIAS
VENI CREATOR SPIRITUS.
Vem ó Criador
Espírito,
As almas dos teus
visita;
Os corações que criaste,
Enche de graça
infinita.
Tu, Paráclito és
chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção
espiritual.
Tu das septiforme
graça;
Dedo és da dextra
paterna;
Do Pai, solene
promessa,
Dás fôrça da voz
superna.
Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito
acende,
Do nosso corpo a
fraqueza
Com tua fôrça defende.
De nós afasta o
inimigo.
Dá-nos a paz sem
demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se
deplora.
A Deus Padre se dê a
glória
E ao Filho
ressuscitado,
Paráclito e a ti
também,
Com louvor perpetuado.
V. Enviai, Senhor, o
vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face
da terra.
OREMOS: Ó Deus, que
instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo;
concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e gozemos sempre
as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.
AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó
Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da
morada ,
Celeste feliz entrada.
Ó tu que ouviste da boca
,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e
quietação:
E o nome de Eva troca.
As prisões aos réus
desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos
maltrata
Nos livra, o bem nos
granjeia.
Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos
do povo seu,
Ouça aquêle que
nascendo,
Por nós, quis ser
Filho teu.
Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos
pecados.
Dá-nos pureza e
brandura.
Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida
segura.
Para que a Jesus
gozemos,
E sempre nos
alegremos.
A Deus Padre
veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um
louvor. Amém.
PRIMEIRO DIA (1)
MEDITAÇÃO — MARIA
CONVIDA-NOS À SANTIDADE
PREPARAÇÃO (véspera à noite)
Nossa Senhora convida-me à vida perfeita, a fim de que eu
obedeça à vontade de Deus que me quer santo. A vida perfeita é suave, útil,
deleitá- vel. Para obtê-la, não me bastam as forças, da natureza, mas necessito
do auxilio divino, mediante a devoção a Maria.
MEDITAÇÃO
PRELÚDIOS
I— Representou-me Nossa Senhora, acenando-me com amorosa
instância para que venha junto Dela a ouví-la. Fili, acquiesce consiliis meis
(Gen. XXVII, 8).
II— Mãe Santíssima, alcançai-me firme e sincera resolução de
cuidar minha vida espiritual, à luz dos vossos exemplos.
PONTO — É vontade de
Deus que eu seja perfeito.
Na creação,
Deus me afeiçoou à sua divina imagem e semelhança. Na Redenção, fêz de minha
alma imagem inda mais viva de Jesus Cristo, ao lavar-me o Sangue do Cordeiro
Imaculado. Ele quer que no Paraíso eu possa ter a semelhança, não apenas
esboçada, mas perfeita e completa, na glória de sua posse terna e feliz.
À imagem de
Deus, pois, devo ser santo. “Santificai-vos, sêde Santos, porque Eu, vosso Deus
e Senhor, sou santo” (Lev. XIX, 2). “Esta é a vontade de Deus, — vossa
santificação” (I Tess. IV, 3).
Para que eu
consiga a semelhança com meu Pai e Creador, cumprindo a sua vontade claramente
manifestada, devo dirigir todos os meus pensamentos, palavras e ações, a
alcançar a perfeição de minha vida cristã, em todos os momentos da existência.
Assim fêz
Nossa Senhora, cuja santidade sobrepassou todos os Anjos e todos os Santos; Ela
mereceu obter perfeita semelhança com o Pai Celeste, pois Deus é a Fonte de
tôdas as graças da santidade e de tôdas
as bênçãos. E Maria é a “cheia de graça” a “bendita entre tôdas”.
II PONTO — A vida
perfeita é suave, útil deleituosa.
O que exige de nós a vontade de Deus Nosso Senhor, não
deprime nossa inteligência ou agonia nosso coração. Muito ao invés, a vida
perfeita é aquela Sabedoria Celeste que as Sagradas Letras tanto exaltam. A
pérola preciosa, o tesouro, oculto, de infinito preço e valor, que nos obtém a
familiaridade com Deus, a paz conosco, a alegria com os nossos irmãos, a
verdadeira felicidade na terra e no céu. Ela é o Reinado de Deus em nossa alma
e o gôzo do Divino Espírito Santo. Uma alma perfeita é o mais belo espetáculo
aos olhos de Deus e dos Anjos, o palácio e o tálamo de Jesus, o Divino Esposo.
Nada tão
útil à S. Igreja e a tôda a humanidade, como um coração de todo entregue a
Deus. Que é, em comparação dêle, o sábio, o artista, o político, o herói
guerreiro? Êle é a verdadeira nobreza da humanidade! Que maravilha para os
olhos de nossa fé, a vida de Maria, nas operosas virtudes perfeitas, que Ela
sabia, contudo, ocultar aos olhares do mundo que não merecia conhecê-la! “Tôda
a glória da Filha do Rei é interior e oculta”... Ó Maria, ensinai-me a suave
preciosidade da vida perfeita!
III PONTO — Para a
santidade temos precisão do auxílio divino, por Maria.
Obra tão
admirável, não a posso realizar por minhas forças naturais. Longe de mim essa
presunção funesta. A santidade é sobrenatural, é uma elevação à mesma ordem
divina, uma participação da natureza de Deus. Para ela, de nada serviriam todos
os recursos de minha natureza. Somente a graça onipotente de Deus, graça
abundante e extraordinária o pode conseguir. Minha santificação é obra ainda
maior do que a creação de todo o universo material!
Por que
meios lograrei de Deus o auxílio imprescindível de que tenho tanta necessidade
e desejo tão vivo? Êle quer elevar-me. Entanto, minha alma se assusta e trepida
meu coração, ao ouvir falar de virtudes tão altas. Tenho conseguido tão pouco
até agora! Mas, se achasse um atalho que me encurtasse o caminho, um guia
poderoso, uma celeste carruagem que me levasse com segurança e suavidade?
Sim. Maria,
minha Mãe Santíssima, eis o atalho bendito, o guia seguro, que me há de
facilitar o trabalho árduo. Seu regaço de Mãe há de ser o veículo divino que me
levará com presteza e com amor. Ela, diz S. Bernardo, é a estrela que guia ao
pôrto do Céu os navegantes da terra. Seguindo-a não me desviarei. Rogando-a não
provarei desalento. Pensando Nela, não errarei. Se Ela me retiver, não hei de
cair. Se me proteger, nada temerei. Se me conduzir, não experimentarei cansaço.
Se Ela me fôr propícia, atingirei com certeza o almejado pôrto! (Hom. 2 Super
Missus).
COLÓQUIOS
Formosa Estrela
minha! Quero seguir-Vos, os olhos sempre fitos em vossa excelsa beleza. Porque
Vós sois espelho da santidade de Deus, suave e bondosa, hei de rogar-Vos,
imitar-Vos, para adquirir minha perfeição. Conduzí-me pela mão, como a filho,
embora seja eu indigno sequer de ser vosso escravo. E, pois, me convideis à
santidade que Deus quer enriqueça minha alma, ouvirei vossa palavra querida, permanecendo,
todo êste mês de bênçãos, aos pés de vosso trono de amor.
RAMILHETE
Para
encontrar a graça da santidade, a Vida verdadeira, é preciso encontrar Nossa
Senhora, Qui me invenerit, inveniet vitam (Prov. VIII, 36).
SANTO EVANGELHO (Mat.
VII, 13 a 29)
JESUS CONVIDA À
SANTIDADE VERDADEIRA
Entrai pela
porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à
perdição, e muitos são os que entram por ela. Que estreita é a porta e que
apertado o caminho para a vida, e quão poucos os que acertam com êle!
Guardai-vos dos falsos Profetas, que vêm a vós com vestidos de ovelhas, e
dentro são lobos rapaces. Pelos seus frutos os conheceireis. Porventura os
homens colhem uvas de espinhos, ou figos de abrolhos? Assim, tôda a árvore boa
dá bons frutos e a má árvore dá maus frutos. Não pode a árvore boa dar maus
frutos, nem a árvore má dar bons frutos. Tôda a árvore que não dá bom fruto
será cortada e metida no fogo. Assim, pois, pelos frutos dêles conhecê-los-eis.
Nem todo aquêle que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus; mas o
que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, êste sim, entrará no Reino dos
Céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, porventura não profetizámos
em teu Nome, e em teu Nome não operamos prodígios? E eu então lhes direi: Pois
eu nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que operais a iniqüidade. Todo
aquêle que ouve estas minhas palavras, e as observa, será comparado ao homem
sábio, que edificou a sua casa sobre a rocha. E veio a chuva, e transbordaram
os rios, e sopraram os ventos, e investiram contra aquela casa, e ela não caiu,
porque estava assentada sôbre a rocha. E todo o que ouve estas minhas palavras
e não as observa, será comparado ao homem estulto, que edificou a sua casa
sôbre a areia. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e sopraram os ventos, e
investiram contra quela casa, e ela caiu, e foi grande a ruína.
IMITAÇÃO DE CRISTO
(Liv. I, cap. XI, 2 e seg.)
DESEJO DA SANTIFICAÇÃO
E ESFÔRÇO PARA CONSEGUÍ-LA
Trataram os
santos de se mortificar inteiramente em todos os desejos terrenos, e por isso
puderam unir-se a Deus no íntimo do coração, e, ocupar-se livremente de si
mesmos.
Ocupamo-nos
muito de nossas paixões, e temos demasiado cuidado do que é transitório.
E também
poucas vêzes vencemos um vício perfeitamente, nem nos inflamamos no desejo de
adiantar cada dia o nosso aproveitamento e por isso ficamos sempre tíbios,
sempre frouxos.
Se
estivéssemos perfeitamente mortos para nós mesmos e no interior desembaraçados,
então poderíamos gostar as coisas divinas e adquirir alguma experiência da contemplação
celestial.
O que
unicamente nos impede é o não estarmos ainda livres de nossas inclinações e
desejos, e isto mesmo nos aparta de entrar no caminho perfeito dos santos.
E quando
também alguma adversidade nos sucede, mui depressa nos desalentamos, e buscamos
consolações humanas.
Se nos
esforçássemos na batalha em pelejar como varões fortes, veríamos sem dúvida o
auxílio do Senhor descer do Céu sôbre nós.
Porque Deus
está pronto a socorrer os que pelejam e esperam em sua graça e nos procura ocasiões
de combate para que alcancemos a vitória.
Se pomos
unicamente o progresso da vida religiosa nas observâncias exteriores, bem
depressa se nos acabará a devoção que tínhamos.
Ponhamos,
pois, o machado à raiz da árvore, para que, livres das paixões, possamos
pacificar nossas almas.
LEITURA
(Montfort, Segredo de
Maria, II, III, IV)
MARIA, MEIO DE
SANTIFICAÇÃO
Alma, imagem
viva de Deus, resgatada com o preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo, a vontade
de Deus a teu respeito é que te santifiques com Êle nesta vida, a fim de
obteres sua glória na outra.
A aquisição
da santidade de Deus é tua vocação, e para aí devem convergir todos os teus
pensamentos, palavras e obras, todos os teus sofrimentos e todos os movimentos
do teu coração; do contrário resiste a Deus, não fazendo aquilo para que te
creou e te conserva agora. Que admirável obra, o pó trasmudado em luz, a
imundície em pureza, o pecado em santidade, a criatura em seu Creador e o homem
em Deus! Obra admirável, repito; mas difícil em si mesma e impossível à
natureza abandonada a suas próprias forças.
Ó alma, que
farás? De que meios lançarás mão para que chegar possas até onde te chama Deus?
Os meios de
salvação de todos são conhecidos; acham-se consignados no Evangelho;
explicaram-nos os mestres da vida espiritual; praticaram-nos os santos, e são
necessários a todos quantos querem salvar e conseguir a perfeição.
Para
praticar êsses meios de salvação e de santificação, é absolutamente necessária
a graça de Deus, e esta graça a todos é concedida em maior ou menor abundância;
porquanto Deus, embora intimamente bom, não dá a graça igualmente eficaz a
todos, se bem que a dê suficiente a cada um. Tudo, portanto, se reduz a
descobrirmos meios fáceis de alcançarmos de Deus a graça precisa para sermos
santos e isto é o que te quero ensinar.
Digo, pois,
que para encontrarmos essa graça de Deus, precisamos de encontrar Maria porque:
1. Só Maria
encontrou graça diante de Deus, não só para si como para cada homem em
particular. Os Patriarcas e Profetas, todos os Santos da Antiga Lei, não
puderam encontrar essa graça.
2. A Ela
deve o Autor de tôdas as graças, sêr e vida; para isso chamamo-la Mãe da graça:
Mater gratiae.
3. Deus
Padre, de quem promana, como de fonte essencial, todo dom perfeito e tôda
graça, dando-lhe seu Filho deu-lhe tôdas as graças, de modo que, como diz S.
Bernardo, em Êle e com Éle a Maria foi dada a vontade de Deus.
4. Deus
escolheu-a para tesoureira, ecônoma e dispensadora de tôdas as suas graças;
pelo que tôdas as graças e dons passam por suas mãos; em conseqüência, como diz
ainda S. Bernardo, Ela dá a quem quer, como quer e quanto quer, as graças do
Eterno Padre, as virtudes de Jesus Cristo e os dons do Espírito Santo.
5. Assim
como na ordem natural é preciso que um filho tenha pai e mãe, também na ordem
da graça importa que um verdadeiro filho da Igreja tenha a Deus por Pai e a
Maria por Mãe; e se alguém glorificar-se de ter a Deus por pai, não nutrindo em
seu coração a ternura dum verdadeiro filho por Maria, é um mentiroso, cujo pai
é o demônio.
6. Já que
Maria formou a Cabeça dos predestinados, que é Jesus Cristo, a Êle compete
formar os membros desta Cabeça, que são os verdadeiros cristãos. Quem quiser
ser membro de Jesus Cristo, cheio de graça e verdade, deve ser formado em
Maria, por meio da graça de Jesus Cristo, que nela reside em tôda a plenitude,
para ser comunicada abundantemente aos verdadeiros membros de Jesus Cristo e a
seus verdadeiros filhos.
7. Maria
recebeu de Deus particular domínio sôbre as almas, para alimentá-las e fazê-las
crescer em Deus. Como a criança haure o alimento de sua mãe, que lho dá
proporcionado à sua fraqueza, assim os predestinados obtém de Maria seu alimento
espiritual e tôda a sua fôrça.
8. Maria é
chamada por S. Agostinho, e é na verdade, o molde vivo de Deus, forma Dei, isto
é, foi nela que um Deus-Humanado se formou, sem perder um só atributo da
divindade; e é nela só que o homem pode ser formado em Deus, tanto quanto a
natureza humana é capaz disso, pela graça divina.
Logo a
dificuldade está em sabermos encontrar verdadeiramente a divina Maria, para
acharmos a abundância da graça. Sendo Deus o Senhor absoluto, pode comunicar
por si mesmo o que ordinariamente só comunica por intermédio de Maria.
Entretanto, segundo a ordem normal que a Divina Sabedoria estabeleceu, Êle não
se comunica de ordinário aos homens senão por Maria, na ordem da graça; de modo
que, como diz Santo Tomás, é necessário para subirmos e unirmo-nos a Êle, usar
do mesmo meio de que Êle se serviu para descer até nós, para se fazer homem e
comunicar-nos suas graças.
O meio,
pois, de encontrarmos graça, e graça abundante, é uma verdadeira devoção a
Maria.

Obrigado! Muito boa sua postagem, já que estamos iniciando o mês dedicado a Maria Santíssima.
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