MÊS DE PREPARAÇÃO PARA CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA
SEGUNDO DIA (2)
ORAÇÕES PARA CADA UM
DOS DOZE DIAS
VENI CREATOR SPIRITUS.
Vem ó Criador
Espírito,
As almas dos teus
visita;
Os corações que criaste,
Enche de graça
infinita.
Tu, Paráclito és
chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção
espiritual.
Tu das septiforme
graça;
Dedo és da dextra
paterna;
Do Pai, solene
promessa,
Dás fôrça da voz
superna.
Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito
acende,
Do nosso corpo a
fraqueza
Com tua fôrça defende.
De nós afasta o
inimigo.
Dá-nos a paz sem
demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se
deplora.
A Deus Padre se dê a
glória
E ao Filho
ressuscitado,
Paráclito e a ti
também,
Com louvor perpetuado.
V. Enviai, Senhor, o
vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face
da terra.
OREMOS: Ó Deus, que
instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo;
concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e gozemos sempre
as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.
AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó
Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da
morada ,
Celeste feliz entrada.
Ó tu que ouviste da boca
,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e
quietação:
E o nome de Eva troca.
As prisões aos réus
desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos
maltrata
Nos livra, o bem nos
granjeia.
Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos
do povo seu,
Ouça aquêle que
nascendo,
Por nós, quis ser
Filho teu.
Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos
pecados.
Dá-nos pureza e
brandura.
Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida
segura.
Para que a Jesus
gozemos,
E sempre nos
alegremos.
A Deus Padre
veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um
louvor. Amém.
MEDITAÇÃO — O MUNDO E
SEU PRÍNCIPE INFERNAL
PREPARAÇÃO
Primeira
condição para a vida perfeita é o afastamento do mundo, inimigo de Jesus
Cristo. O príncipe do mundo é o demônio, homicida desde o princípio. Maria será
minha defesa contra o mundo, e meu escudo contra o demônio, porque Ela é a
Princesa e Rainha dos servos de Deus.
MEDITAÇÃO
PRELÚDIOS
I — Figuro
Nossa Senhora pisando aos pés a serpente infernal, e infundindo-me coragem com
seus olhares maternais.
II — Mãe e
Rainha Poderosíssima, ensinai-me a conhecer o mundo e o demônio para
detestá-los, aborrecê-los, e suspirar pela vossa Escravidão de amor.
I PONTO — Devo afastar-me do mundo, inimigo
de Jesus Cristo.
Aceitando o
convite para a vida perfeita, meu primeiro dever será fugir para longe do que,
ao invés de me infundir a semelhança com o Pai Celeste, corrompesse em mim a
imagem divina. Ora, assim é o mundo.
Êle está
todo posto em trevas e em pecados. Êle não quis conhecer a Jesus Cristo, et
mundus eum non cognovit” (Jo. I, 10). Porque o mundo é o espírito do mal,
oposto a Deus e a seu Cristo. Não podemos amar êsse mundo, pois a “amizade dêle
é inimiga de Deus. Quem procura ser amigo dêste século, constitui-se inimigo de
Deus” (Tiag. IV, 4). Porisso disse Jesus aos seus apóstolos “Vós não sois dêste
mundo.” Não é possível que eu procure uma combinação entre Jesus e o mundo.
Êle, a mesma Verdade desenganar-me-ia: “É impossível servir a dois senhores”
(Mat. VI, 25). Posso jurar sobre esta palavra infalível. Por que, então, em
minha vida prática, tentaria ainda uma conciliação absurda e impossível?
II PONTO — O príncipe do mundo é o demônio.
O príncipe
das trevas, o tentador mentiroso, causa de nossa desgraça original, o inimigo
de Jesus Cristo, é o soberano do mundo.
Porque o
demônio proporciona prazer, honra, riqueza. E para que tenham prazeres,
riquezas e honras, os homens se submetem ao pecado, fazem-se servos do pecado e
escravos do demônio. Ao próprio Jesus êle quis tentar, prometendo todo o mundo
e sua glória se o adorasse... O Filho de Deus não o serviu, mas quantos filhos
dos homens lhe obedecem! E por isso, no mundo, juntamente com os prazeres e
honras e riquezas, quanto pecado, quanta miséria moral, quanta treva sórdida!
No Batismo
renunciei a Satanás, às suas pompas, ao mundo todo colocado no mal. São
malditas as fileiras de Satanás, que experimenta levar os homens à mesma
maldição que mereceu, ao revoltar-se contra Deus. Por inescrutável desígnio da
Providência, Deus permite que o demônio reine no mundo. Mas os filhos de Deus
não podem ser os escravos de Satã.
III PONTO — Maria, defesa contra o mundo e o
demônio.
Talvez eu
trema ao pensar no inimigo, poderoso e audaz. Jesus me tranqüiliza: “Tende
confiança. Eu venci o mundo” (Jo. XVI, 33). Quem me segue não anda em trevas,
mas terá a luz da vida” (Jo. VIII, 12). E Ele me oferece o escudo e a proteção
de Maria, a inexpugnável Fortaleza, a Torre de Davi. Desde o Paraíso perdido,
Ela é a Esperança e o Refúgio dos filhos de Deus. Ela é a Inimiga da serpente.
E os sequazes do demônio têm também por inimigos os filhos de Maria. Sob êste
escudo, que temerei? Venha o mundo com tôdas as suas perfídias mover guerra à
minha fé e à minha pureza. Responderei que sou filho e escravo Daquela que foi
“bem-aventurada porque creu” (Luc. I, 45), e que entre as flores da humildade
com que se aprestou para a Encarnação, colocou o lírio fragrantíssimo de uma
virgindade intemerata. Levanta-se, em campo de batalha, o exército dos
espíritos infernais. Não tremerei. Porque meu escudo é Aquela que, humilde
virgenzinha, derrota inflexivelmente os anjos maus, numa vitória tanto mais
esplêndida quanto, em sua natureza humana, Maria parece tão pequenina e
frágil...
Hei de
combater contra o demônio. Porque sou de Jesus. E quero procurar a meu Rei
Divino, que encontrei em Maria, da qual Ele quis nascer, de qua natus est
Jesus” (Mat. I, 16).
COLÓQUIOS
Princesa e
Rainha dos Eleitos, Maria, eu Vos saúdo com amoroso entusiasmo! Agradeço-Vos
porque me ensinais a grande lição do afastamento do mundo e dos enganos do
demônio. Vosso filho, vosso escravo, eu quero ouvir vossos ensinamentos
luminosos, aborrecer o mundo, detestá-lo, fugir-lhe, resistir valorosamente ao
demônio, aspirando à honra e à riqueza e ao prazer verdadeiro de ser vosso,
inteiramente vosso, para pertencer deveras a meu divino Rei Jesus Cristo fruto
bendito de vosso ventre.
RAMILHETE
“Renunciemos ao príncipe das trevas. Nós somos os filhos da
luz vos estis lux in Domino” (Efes. V, 8).
SANTO EVANGELHO (Mat.
VI, 1 a 11)
TENTAÇÃO DE JESUS
Então foi
levado Jesus pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio. E após ter
jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome. E chegando-se a Ele o
tentador, lhe disse: Se és o Filho de Deus, dize que estas pedras se convertam
em pães. Jesus respondendo-lhe disse: Está escrito: Não só de pão vive o homem,
mas de tôda a palavra que sai da bôca de Deus. Tomando-O então o demônio, O
levou à cidade santa, e O pôs sôbre o pináculo do templo, e Lhe disse: Se és o
Filho de Deus, lança-te daqui para baixo, porque está escrito: Confiou aos seus
Anjos o cuidado de ti, êles te tomarão nas mãos, por que não suceda ferires teu
pé em alguma pedra. Jesus lhe disse: Também está escrito: Não tentarás ao
Senhor teu Deus. De novo subiu o demônio a um monte mui alto e Lhe mostrou
todos os reinos do mundo e a glória dêles, e Lhe disse: Tudo isto te darei se
prostrado me adorares. Então lhe disse Jesus: Vai-te Satanás, porque está
escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele hás de servir. Então O deixou o
demônio e os Anjos se aproximaram e O serviram.
IMITAÇÃO DE CRISTO
(Liv. I, cap. XIII, 1 a
3)
COMO RESISTIR ÀS
TENTAÇÕES
Enquanto
vivemos no mundo, não podemos estar sem trabalhos e tentações.
Por isso
está escrito no livro de Jó: “A vida do homem sôbre a terra é uma' contínua
milícia” (VII, 1).
Cada qual
deve pois ser muito cuidadoso nas tentações e vigilante na oração para não dar
lugar às ilusões do demônio, “que nunca dorme, nem cessa de andar à roda das
almas para as devorar” (I Petr. V, 8).
Ninguém há
tão santo e tão perfeito, que não tenha algumas vêzes tentações, e não podemos
viver sem elas.
São contudo
as tentações muitas vêzes utilíssimas ao homem, posto que sejam importunas e
pesadas; porque nelas é humilhado, instruído e purificado.
Todos os
santos passaram por muitas tentações e trabalhos e foi assim que aproveitaram.
E os que não
quiseram sofrer e levar com ânimo, foram tidos por maus e desfaleceram no
caminho da salvação.
Não há ordem
tão santa, nem lugar tão retirado onde não haja tentações e adversidades.
Nenhum homem
está inteiramente livre de tentações enquanto vive; porque em nós mesmos está a
causa donde elas vêm, pois nascemos com inclinação ao pecado.
Passada uma
tentação ou tribulação sobrevém outra, e sempre teremos que sofrer, porque se
perdeu o bem de nossa primeira felicidade.
Muitos
querem fugir às tentações, e caem nelas mais gravemente.
Não as
podemos vencer só com fugir-lhes, mas com paciência e verdadeira humildade nos
fazemos mais fortes que todos os nossos inimigos.
LEITURA
(Montfort, Tratado, n.°
52, seg.)
MARIA, INIMIGA
IRRECONCILIÁVEL DO DEMÔNIO
Deus só
criou uma inimizade; mas esta irreconciliável, que há de durar, e aumentará
mesmo, até o fim dos séculos: é a existente entre Maria, sua digna Mãe, e o
demônio; entre os filhos e servos da SS. Virgem e os filhos e sequazes de
Lúcifer; de sorte que o mais terrível dos inimigos que contra o demônio Deus
criou é Maria, sua Santíssima Mãe.
Desde o
paraíso terrestre, infundiu nela tanto ódio contra êsse maldito inimigo de
Deus, tanta sagacidade para descobrir a malícia dessa serpente antiga, tanta
fôrça para vencer, subjugar e esmagar esse ímpio orgulhoso, que se arreceia
mais dela do que todos os anjos e homens, e, de certo modo, até do próprio
Deus. Não quer isto dizer que a cólera e o poder de Deus não sejam
infinitamente maiores do que os da SS. Virgem, visto serem limitadas as perfeições
de Maria; mas é, 1.° porque, sendo Satanás orgulhoso, sofre infinitamente mais
vendo-se vencido por uma pequena e humilde criatura, e sua humildade humilha-o
mais que o poder divino; 2.° porque Deus concedeu a Maria tão grande poder
sôbre os demônios, que êstes temem mais, como foram obrigados a
confessar pela bôca dos possessos, um só de seus suspiros em favor dalguma
alma, do que as orações de todos os santos, e uma só de suas ameaças, mais do
que todos os outros
tormentos.
Aquilo que
Lucifer perdeu pelo orgulho, Maria adquiriu-o pela humildade; o que Eva
condenou pela desobediência, Maria salvou pela obediência. Eva, obedecendo à
serpente foi causa da perdição, sua e de todos os seus filhos; Maria, com se
tornar perfeitamente fiel a Deus, salvou consigo todos os seus filhos e servos,
e consagrou-os à Majestade Divina.
Deus não só
estabeleceu uma inimizade, mas inimizades, não só entre Maria e o demônio, mas
entre a raça da SS. Virgem e a do demônio; isto é, Deus estabeleceu inimizades,
antipatias e ódios secretos entre os verdadeiros filhos de Maria e os filhos e
escravos do demônio, os quais não se entendem mutuamente e não têm
correspondência interior entre si. Os filhos de Belial, os escravos e amigos do
mundo (pois tudo significa o mesmo) até aqui perseguiram, e sempre hão de
perseguir mais do que nunca, àqueles que pertencem à SS. Virgem, como outrora
Caim perseguiu a seu irmão Abel, e Esaú a seu irmão, Jacó, — figuras dos
réprobos e dos predestinados. A humilde Maria ganhará sempre vitória contra
êsse orgulhoso e tão grande, que chegará a esmagar-lhe a cabeça, onde reside
seu orgulho; Ela descobrirá sempre a malícia da serpente, dissipará suas
infernais tramas, seus conselhos diabólicos, e guardará, até o fim dos tempos,
seus servos contra as cruéis garras do maligno. Mas o poder de Maria sôbre
todos os demônios brilhará particularmente nos últimos tempos, em que Satanás
pretenderá armar ciladas a seu calcanhar; isto é, a seus humildes ser-vos e
pobres filhos, que Ela suscitará para lhe fazerem guerra.
Êles serão
pequeninos e pobres segundo o mundo, humilhados diante de todos, oprimidos e
perseguidos, como o calcanhar o é em relação aos outros membros do corpo; mas
em compensação serão ricos da graça de Deus, que Maria lhes distribuirá em
abundância; serão grandes e elevados em santidade diante de Deus, superiores a
tôda criatura; de zêlo tão vivo e tão fortemente arrimados ao socorro divino,
que com sua humildade, unidos a Maria, esmagarão a cabeça do demônio, e farão
com que triunfe o reinado de Jesus Cristo.

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