segunda-feira, 4 de maio de 2020


MÊS DE PREPARAÇÃO PARA CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA

QUARTO DIA (4)

ORAÇÕES PARA CADA UM DOS DOZE DIAS

VENI CREATOR SPIRITUS.

Vem ó Criador Espírito,
As almas dos teus visita; 
Os corações que criaste,
Enche de graça infinita.

Tu, Paráclito és chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção espiritual.

Tu das septiforme graça;
Dedo és da dextra paterna;
Do Pai, solene promessa,
Dás fôrça da voz superna.

Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito acende,
Do nosso corpo a fraqueza
Com tua fôrça defende.

De nós afasta o inimigo.
Dá-nos a paz sem demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se deplora.

A Deus Padre se dê a glória
E ao Filho ressuscitado,
Paráclito e a ti também,
Com louvor perpetuado.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face da terra.

OREMOS: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo; concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada ,
Celeste feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca ,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação:
E o nome de Eva troca.

As prisões aos réus desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser Filho teu.

Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos pecados.
Dá-nos pureza e brandura.

Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida segura.
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.

A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um louvor. Amém.

MEDITAÇÃO — AS MÁXIMAS DO MUNDO

PREPARAÇÃO
            O espírito do mundo se concretiza em dez mandamentos, que os mundanos seguem com escrupulosa fidelidade. Eles são contrários à Divina Sabedoria, favorecendo todos os nossos pendores maus. O espírito de Maria, Trono da Sabedoria Encarnada, nos ensinará a combater com decisão e vitória as máximas errôneas do espírito mundano.

MEDITAÇÃO

PRELÚDIOS

            I — Assento-me aos pés da Virgem Santíssima, que se inclina maternalmente a fechar com suas mãos queridas meus ouvidos às doutrinações importunas dos sequazes do demônio.
            II — Trono da Sabedoria, Mestra bendita, fazei-me ouvir vossas lições somente e fugir à falsa vergonha de desprezar os mandamentos do mundo.

            I PONTOOs dez mandamentos do mundo.

            Segundo São Luís Maria (A. E. S. pg. 121), estes são os mandamentos do mundo e seu verdadeiro significado:
            1.°) Conhecer o mundo, isto é, estar ao par das finezas amaneiradas do século e demonstrar esse conhecimento.
            2.°) Viver honestamente, isto é, contentar-se com aparências de honestidade.
            3.°) Realizar seus negócios, isto é, tomar o dinheiro por fim último da vida, sem o deixar transparecer.
            4.°) Conservar o que é seu, isto é, ignorar a caridade, sob pretexto de direito de propriedade, interesses de família, negócios, etc.
            5.°) Adiantar na vida, isto é, ter ambições, ousadias, conseguir sem mérito pessoal nenhum.
            6.°) Fazer, isto é, não desdenhar relações de nenhuma espécie, ainda à custa da consciência, para obter os desejados fins.
            7.°) Freqüentar altas rodas, andar atrás das pessoas eminentes ou em evidência, a fim de brilhar ao menos com a auréola dos outros.
            8.°) Viver confortavelmente, isto é, ter boa mesa, com pretexto de conservar a saúde, manter as relações sociais, tratar de negócios, ou saborear coisas boas para glorificar o Criador.
            9.°) Não ser desmancha-prazeres, isto é, cultivar o bom humor mediante tôda sorte de prazeres, mesmo culpáveis, embora seja preciso negligenciar os deveres do próprio estado.
            10.°) Evitar singularidades, isto é, rejeitar a piedade, religião, obras de caridade, todo o “exagêro” das pessoas devotas.

II PONTOEstes mandamentos são contrários à Divina Sabedoria.

            Todos eles se baseiam em pontos de vista naturalistas e pagãos, — questão de “honra”, o “o que vão dizer”, “não fica bem”, “todos fazem assim”, “é preciso aproveitar a vida”, “ocasiões de bons negócios não se repetem”, “é preciso aparecer”, “não quero ser ridículo, etc.”
            Há virtudes particulares que os mundanos canonizam, como a bravura, o desternor, a habilidade, a política, a elegância, a sociabilidade, a arte de fazer amigos...
            Como todas essas considerações são contrárias à Divina Sabedoria! Que pensa o mundo da vida da graça, da intimidade com Deus, da renúncia a si mesmo, desprezo dos bens materiais, do critério sobrenatural na apreciação de tudo, da divina loucura do sofrimento e da cruz!

III PONTOO Espírito de Maria nos ajuda a vencer as máximas do mundo.

            Trono da Divina Sabedoria, Maria nos aparta do clamor nefasto do século, para nos repetir como aos servos de Caná: “Fazei tudo o que meu Filho vos disser” (Jo. II, 5). Ela foi a primeira a fazê-lo. Por isso mereceu a dupla bem-aventurança daquela palavra do Evangelho: Feliz, porque trouxe no seio castíssimo a Jesus e O alimentou virginalmente a seus peitos. Mais feliz ainda porque ouviu a palavra de Deus e a guardou fidelissimamente em seu coração e em tôda a sua vida” (Luc. XI, 27). Não seguiu o mundo, mas a Jesus: procurou o escondimento, a mortificação, a vida interior com seu Filho, a comunicação afetuosa às suas dôres e ignomínias.
            Eis o meu modelo, meu caminho e meu roteiro. Seu escravo, proponho corajosamente desprezar a atoarda insistente do mundo, e examinar-me com diligência, não venha a dominar minha vida alguma das máximas odiosas dos que desconhecem a Jesus e recusam ser filhos de Nossa Senhora.

COLÓQUIOS

            Maria, Trono abendiçoado da Sabedoria Encarnada, agradeço-vos as luzes que me alcançais do céu. Até hoje, talvez, tenho permitido que entre os móveis de minhas ações e razões de minhas atitudes, se infiltrem os péssimos mandamentos do século. Agora que me concedestes ver com mais nitidez quanto êles são contrários a Vós, ao espírito de Jesus Cristo, quero tomar resoluções firmes e claras, embora me custem porque virão alterar maneiras habituais de pensar e falar. Não importa. Quero libertar-me do mundo, e sagrar esta libertação com a escravidão amorosa ao vosso trono e ao vosso Coração.

RAMILHETE

            Seja vossa vida escondida com Jesus Cristo em Deus, vita vestra est abscondita cum Christo in Deo (Coi., III, 3).

SANTO EVANGELHO (Mat. V, 38 a 48)

OPOSIÇÃO ENTEE O ESPÍRITO DO MUNDO E O ESPÍRITO DE JESUS

            Ouvistes o que foi dito olho por olho, e dente por dente. Eu porém vos digo: não resistais ao (homem) mau; pelo contrário, se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra. E ao que tenciona citar-te em juízo e tirar-te a túnica, deixa- -lhe também a capa. E se alguém te requisitar para mil passos, anda com êle ainda mais dois. Dá ao que te pede, e não voltes as costas ao que deseja fazer um empréstimo contigo. Ouvistes o que foi dito: amarás ao teu próximo, e aborrecerás ao teu inimigo. Mas eu vos digo: amai a vossos inimigos, fazei bem aos que têm ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sôbre bons e maus, e vir a chuva sôbre justos e injustos. Porquanto, que recompensa haveis de ter, se amais somente os que vos amam? Não fazem o mesmo também os publicanos? E se saudardes somente aos vossos irmãos, que fazeis nisso de especiai? Não agem assim também os gentios? Portanto, sêde perfeitos, como também é. perfeito vosso Pai dos céus.

IMITAÇÃO DE CRISTO ) (Liv. I, cap. 1, 3 a 5)

AS VAIDADES DO MUNDO

            A Vaidade das vaidades, tudo vaidade, exceto amar a Deus e só a Êle servir. (Ecli. I, 2).
            A suma sabedoria é, pelo desprêzo do mundo, caminhar para o reino dos céus.
            E assim vaidade é buscar riquezas perecedouras pôr nelas a esperança.
            A Vaidade é também desejar honras e desvanecer-se com elas.
            Vaidade é seguir os apetites da carne e desejar naquilo por onde depois hás de ser gravemente castigado.
            Vaidade é desejar vida larga, e cuidar pouco de que seja boa.
            Vaidade é também olhar somente a esta pressente vida, e não prever a que virá depois. A Vaidade é amar o que tão depressa passa, e não "buscar com fervor a felicidade que sempre dura.
            Lembra-te amiúde daquele provérbio: “Não se farta a vista de ver, nem o ouvido de ouvir” (Ecli.t 8).
Procura pois desapegar o teu coração das coisas  visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis, porque os que seguem o atrativo dos sentidos mancham sua consciência e perdem a graça de Deus.

LEITURA
(Montfort, Amour de la Sagesse Eternelle, p. 117, seg.)

A FALSA SABEDORIA DO MUNDO

            Deus tem sua Sabedoria. É a única e verdadeira, que há de ser amada e buscada como um grande tesouro. Mas o mundo corrompido tem igualmente sua Sabedoria. E ela deve ser condenada e detestada, como falsa e perniciosa.
            A sabedoria do mundo é uma perfeita conformidade com as máximas do mundo —; uma contínua tendência para as grandezas e estima, uma busca infatigável e secreta do próprio prazer e interêsse próprio, não de maneira grosseira e chocante, em pecados escandalosos, mas de modo elegante, falacioso e político; porque, de outra sorte, já não seria, como diz o mundo, sabedoria, mas libertinagem.
            Um sábio do século é um homem que conhece bem seus negócios e dêles sabe tirar todo proveito temporal, sem o dar a perceber; que conhece a arte de dissimular e enganar finamente, sem que os outros suspeitem; que diz ou faz uma coisa e pensa outra; que nada ignora dos ares e etiquetas mundanas; que a todos se acomoda para seus intentos, sem ponderar muito em honra e interêsse de Deus; que leva a cabo um secreto mas funesto pacto da verdade com a mentira, do Evangelho com o mundo, da virtude com o pecado, de Jesus Cristo e Belial; que quer passar por honesto, mas não por devoto; que despreza, envenena ou condena facilmente tôdas as práticas de piedade que não se adaptam às suas. Enfim, um sábio mundano é um homem que guiando-se so-mente pela luz dos sentidos e da razão humana, não pretende senão revestir-se das aparências de cristão e honesto, sem se preocupar muito em agradar a Deus e expiar pela penitência os pecados com que ofendeu a Divina Majestade.
            É tríplice a Sabedoria do mundo:
            a) Ela é terrestre. Os bens da terra. E desta sabedoria fazem secreta profissão os sábios mundanos, quando apegam o coração ao que possuem e se empenham para tornar-se ricos. Quando intentam processos e demandas inúteis para obter dinheiro ou para conservá-lo. Quando não pensam, não falam, não agem, o mais de seu tempo, senão para alcançar ou conservar qualquer ganho terreno, não se importando de sua salvação e dos meios de a conseguir, — a confissão, oração, etc., que fazem superficialmente, como quem se desempenha de um onus, a raros intervalos, e para salvar as aparências.
            b) A sabedoria do mundo é carnal. O amor do prazer. E desta sabedoria fazem profissão os sábios mundanos, quando não buscam senão os prazeres dos sentidos. Quando gostam de boa mesa. Quando de si afastam tudo o que poderia mortificar ou incomodar o corpo, como os jejuns, as austeridades. Quando, ordinàriamente, não pensam mais que em comer, beber, divertir-se, rir, passar agradavelmente o tempo. Quando andam em busca de leitos confortáveis, jogos que divirtam, festas agradáveis, companhias mundanas. E depois que sem escrúpulos se deram a todos êsses prazeres, vão atrás de um confessor “o menos escrupuloso que encontrarem”, a fim de assim obter, por pouco preço, a paz em sua vida sensual e efeminada, e a indulgência plenária de todos os pecados.
            c) A sabedoria do mundo é diabólica. O amor da estima e das honras. E desta sabedoria fazem profissão os sábios mundanos, quando aspiram, muito embora secretamente, grandezas, honras, dignidades e cargos elevados. Quando se esforçam para serem vistos, estimados, louvados e aplaudidos pelos homens. Quando não colimam em seus estudos, trabalhos, lutas, senão a estima e louvor dos homens, a fim de que sejam tidos por honestos, sábios, grandes capitães, sábios jurisconsultos, pessoas de infinito mérito e grande consideração. Quando não podem suportar o desprezo e a repreensão. Quando escondem o que têm de defeituoso e mostram o que possuem de belo.
            É preciso, com Jesus Cristo, detestar e condenar estas sabedorias falsas, a fim de obter a verdadeira — que não busca seu interêsse, que não é da terra, nem se encontra no coração dos que vivem em seus cômodos, e que abomina tudo o que é grande e prestigioso aos olhos dos homens.


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