MÊS DE PREPARAÇÃO PARA
CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA
QUARTO DIA (4)
ORAÇÕES PARA CADA UM
DOS DOZE DIAS
VENI CREATOR SPIRITUS.
Vem ó Criador
Espírito,
As almas dos teus
visita;
Os corações que criaste,
Enche de graça
infinita.
Tu, Paráclito és
chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção
espiritual.
Tu das septiforme
graça;
Dedo és da dextra
paterna;
Do Pai, solene
promessa,
Dás fôrça da voz
superna.
Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito
acende,
Do nosso corpo a
fraqueza
Com tua fôrça defende.
De nós afasta o
inimigo.
Dá-nos a paz sem
demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se
deplora.
A Deus Padre se dê a
glória
E ao Filho
ressuscitado,
Paráclito e a ti também,
Com louvor perpetuado.
V. Enviai, Senhor, o
vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face
da terra.
OREMOS: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do
Espírito Santo; concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e
gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.
AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó
Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da
morada ,
Celeste feliz entrada.
Ó tu que ouviste da boca
,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e
quietação:
E o nome de Eva troca.
As prisões aos réus
desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos
maltrata
Nos livra, o bem nos
granjeia.
Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos
do povo seu,
Ouça aquêle que
nascendo,
Por nós, quis ser
Filho teu.
Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos
pecados.
Dá-nos pureza e
brandura.
Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida
segura.
Para que a Jesus
gozemos,
E sempre nos
alegremos.
A Deus Padre
veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um
louvor. Amém.
MEDITAÇÃO — AS MÁXIMAS
DO MUNDO
PREPARAÇÃO
O espírito
do mundo se concretiza em dez mandamentos, que os mundanos seguem com
escrupulosa fidelidade. Eles são contrários à Divina Sabedoria, favorecendo
todos os nossos pendores maus. O espírito de Maria, Trono da Sabedoria
Encarnada, nos ensinará a combater com decisão e vitória as máximas errôneas do
espírito mundano.
MEDITAÇÃO
PRELÚDIOS
I —
Assento-me aos pés da Virgem Santíssima, que se inclina maternalmente a fechar
com suas mãos queridas meus ouvidos às doutrinações importunas dos sequazes do
demônio.
II — Trono
da Sabedoria, Mestra bendita, fazei-me ouvir vossas lições somente e fugir à
falsa vergonha de desprezar os mandamentos do mundo.
I PONTO — Os dez mandamentos do mundo.
Segundo São
Luís Maria (A. E. S. pg. 121), estes são os mandamentos do mundo e seu
verdadeiro significado:
1.°)
Conhecer o mundo, isto é, estar ao par das finezas amaneiradas do século e
demonstrar esse conhecimento.
2.°) Viver
honestamente, isto é, contentar-se com aparências de honestidade.
3.°)
Realizar seus negócios, isto é, tomar o dinheiro por fim último da vida, sem o
deixar transparecer.
4.°)
Conservar o que é seu, isto é, ignorar a caridade, sob pretexto de direito de
propriedade, interesses de família, negócios, etc.
5.°)
Adiantar na vida, isto é, ter ambições, ousadias, conseguir sem mérito pessoal
nenhum.
6.°) Fazer,
isto é, não desdenhar relações de nenhuma espécie, ainda à custa da
consciência, para obter os desejados fins.
7.°)
Freqüentar altas rodas, andar atrás das pessoas eminentes ou em evidência, a
fim de brilhar ao menos com a auréola dos outros.
8.°) Viver
confortavelmente, isto é, ter boa mesa, com pretexto de conservar a saúde,
manter as relações sociais, tratar de negócios, ou saborear coisas boas para
glorificar o Criador.
9.°) Não ser
desmancha-prazeres, isto é, cultivar o bom humor mediante tôda sorte de
prazeres, mesmo culpáveis, embora seja preciso negligenciar os deveres do
próprio estado.
10.°) Evitar
singularidades, isto é, rejeitar a piedade, religião, obras de caridade, todo o
“exagêro” das pessoas devotas.
II PONTO — Estes mandamentos são contrários à
Divina Sabedoria.
Todos eles
se baseiam em pontos de vista naturalistas e pagãos, — questão de “honra”, o “o
que vão dizer”, “não fica bem”, “todos fazem assim”, “é preciso aproveitar a
vida”, “ocasiões de bons negócios não se repetem”, “é preciso aparecer”, “não
quero ser ridículo, etc.”
Há virtudes
particulares que os mundanos canonizam, como a bravura, o desternor, a
habilidade, a política, a elegância, a sociabilidade, a arte de fazer amigos...
Como todas
essas considerações são contrárias à Divina Sabedoria! Que pensa o mundo da
vida da graça, da intimidade com Deus, da renúncia a si mesmo, desprezo dos
bens materiais, do critério sobrenatural na apreciação de tudo, da divina
loucura do sofrimento e da cruz!
III PONTO — O Espírito de Maria nos ajuda a
vencer as máximas do mundo.
Trono da
Divina Sabedoria, Maria nos aparta do clamor nefasto do século, para nos
repetir como aos servos de Caná: “Fazei tudo o que meu Filho vos disser” (Jo.
II, 5). Ela foi a primeira a fazê-lo. Por isso mereceu a dupla bem-aventurança
daquela palavra do Evangelho: Feliz, porque trouxe no seio castíssimo a Jesus e
O alimentou virginalmente a seus peitos. Mais feliz ainda porque ouviu a
palavra de Deus e a guardou fidelissimamente em seu coração e em tôda a sua
vida” (Luc. XI, 27). Não seguiu o mundo, mas a Jesus: procurou o escondimento,
a mortificação, a vida interior com seu Filho, a comunicação afetuosa às suas
dôres e ignomínias.
Eis o meu
modelo, meu caminho e meu roteiro. Seu escravo, proponho corajosamente
desprezar a atoarda insistente do mundo, e examinar-me com diligência, não
venha a dominar minha vida alguma das máximas odiosas dos que desconhecem a
Jesus e recusam ser filhos de Nossa Senhora.
COLÓQUIOS
Maria, Trono
abendiçoado da Sabedoria Encarnada, agradeço-vos as luzes que me alcançais do
céu. Até hoje, talvez, tenho permitido que entre os móveis de minhas ações e
razões de minhas atitudes, se infiltrem os péssimos mandamentos do século.
Agora que me concedestes ver com mais nitidez quanto êles são contrários a Vós,
ao espírito de Jesus Cristo, quero tomar resoluções firmes e claras, embora me
custem porque virão alterar maneiras habituais de pensar e falar. Não importa.
Quero libertar-me do mundo, e sagrar esta libertação com a escravidão amorosa
ao vosso trono e ao vosso Coração.
RAMILHETE
Seja vossa
vida escondida com Jesus Cristo em Deus, vita vestra est abscondita cum Christo
in Deo (Coi., III, 3).
SANTO EVANGELHO (Mat.
V, 38 a 48)
OPOSIÇÃO ENTEE O
ESPÍRITO DO MUNDO E O ESPÍRITO DE JESUS
Ouvistes o
que foi dito olho por olho, e dente por dente. Eu porém vos digo: não resistais
ao (homem) mau; pelo contrário, se alguém te ferir na tua face direita,
oferece-lhe também a outra. E ao que tenciona citar-te em juízo e tirar-te a
túnica, deixa- -lhe também a capa. E se alguém te requisitar para mil passos,
anda com êle ainda mais dois. Dá ao que te pede, e não voltes as costas ao que
deseja fazer um empréstimo contigo. Ouvistes o que foi dito: amarás ao teu
próximo, e aborrecerás ao teu inimigo. Mas eu vos digo: amai a vossos inimigos,
fazei bem aos que têm ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para
serdes filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sôbre
bons e maus, e vir a chuva sôbre justos e injustos. Porquanto, que recompensa
haveis de ter, se amais somente os que vos amam? Não fazem o mesmo também os
publicanos? E se saudardes somente aos vossos irmãos, que fazeis nisso de
especiai? Não agem assim também os gentios? Portanto, sêde perfeitos, como
também é. perfeito vosso Pai dos céus.
IMITAÇÃO DE CRISTO )
(Liv. I, cap. 1, 3 a 5)
AS VAIDADES DO MUNDO
A Vaidade
das vaidades, tudo vaidade, exceto amar a Deus e só a Êle servir. (Ecli. I, 2).
A suma
sabedoria é, pelo desprêzo do mundo, caminhar para o reino dos céus.
E assim
vaidade é buscar riquezas perecedouras pôr nelas a esperança.
A Vaidade é também
desejar honras e desvanecer-se com elas.
Vaidade é
seguir os apetites da carne e desejar naquilo por onde depois hás de ser
gravemente castigado.
Vaidade é
desejar vida larga, e cuidar pouco de que seja boa.
Vaidade é
também olhar somente a esta pressente vida, e não prever a que virá depois. A
Vaidade é amar o que tão depressa passa, e não "buscar com fervor a
felicidade que sempre dura.
Lembra-te
amiúde daquele provérbio: “Não se farta a vista de ver, nem o ouvido de ouvir”
(Ecli.t 8).
Procura pois desapegar o teu coração das coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis, porque
os que seguem o atrativo dos sentidos mancham sua consciência e perdem a graça
de Deus.
LEITURA
(Montfort, Amour de la Sagesse Eternelle, p. 117, seg.)
A FALSA SABEDORIA DO MUNDO
Deus tem sua
Sabedoria. É a única e verdadeira, que há de ser amada e buscada como um grande
tesouro. Mas o mundo corrompido tem igualmente sua Sabedoria. E ela deve ser
condenada e detestada, como falsa e perniciosa.
A sabedoria
do mundo é uma perfeita conformidade com as máximas do mundo —; uma contínua
tendência para as grandezas e estima, uma busca infatigável e secreta do
próprio prazer e interêsse próprio, não de maneira grosseira e chocante, em
pecados escandalosos, mas de modo elegante, falacioso e político; porque, de
outra sorte, já não seria, como diz o mundo, sabedoria, mas libertinagem.
Um sábio do
século é um homem que conhece bem seus negócios e dêles sabe tirar todo
proveito temporal, sem o dar a perceber; que conhece a arte de dissimular e
enganar finamente, sem que os outros suspeitem; que diz ou faz uma coisa e
pensa outra; que nada ignora dos ares e etiquetas mundanas; que a todos se
acomoda para seus intentos, sem ponderar muito em honra e interêsse de Deus;
que leva a cabo um secreto mas funesto pacto da verdade com a mentira, do
Evangelho com o mundo, da virtude com o pecado, de Jesus Cristo e Belial; que
quer passar por honesto, mas não por devoto; que despreza, envenena ou condena
facilmente tôdas as práticas de piedade que não se adaptam às suas. Enfim, um
sábio mundano é um homem que guiando-se so-mente pela luz dos sentidos e da
razão humana, não pretende senão revestir-se das aparências de cristão e
honesto, sem se preocupar muito em agradar a Deus e expiar pela penitência os
pecados com que ofendeu a Divina Majestade.
É tríplice a
Sabedoria do mundo:
a) Ela é
terrestre. Os bens da terra. E desta sabedoria fazem secreta profissão os
sábios mundanos, quando apegam o coração ao que possuem e se empenham para
tornar-se ricos. Quando intentam processos e demandas inúteis para obter
dinheiro ou para conservá-lo. Quando não pensam, não falam, não agem, o mais de
seu tempo, senão para alcançar ou conservar qualquer ganho terreno, não se
importando de sua salvação e dos meios de a conseguir, — a confissão, oração,
etc., que fazem superficialmente, como quem se desempenha de um onus, a raros
intervalos, e para salvar as aparências.
b) A
sabedoria do mundo é carnal. O amor do prazer. E desta sabedoria fazem
profissão os sábios mundanos, quando não buscam senão os prazeres dos sentidos.
Quando gostam de boa mesa. Quando de si afastam tudo o que poderia mortificar
ou incomodar o corpo, como os jejuns, as austeridades. Quando, ordinàriamente,
não pensam mais que em comer, beber, divertir-se, rir, passar agradavelmente o
tempo. Quando andam em busca de leitos confortáveis, jogos que divirtam, festas
agradáveis, companhias mundanas. E depois que sem escrúpulos se deram a todos
êsses prazeres, vão atrás de um confessor “o menos escrupuloso que
encontrarem”, a fim de assim obter, por pouco preço, a paz em sua vida sensual
e efeminada, e a indulgência plenária de todos os pecados.
c) A
sabedoria do mundo é diabólica. O amor da estima e das honras. E desta
sabedoria fazem profissão os sábios mundanos, quando aspiram, muito embora
secretamente, grandezas, honras, dignidades e cargos elevados. Quando se
esforçam para serem vistos, estimados, louvados e aplaudidos pelos homens.
Quando não colimam em seus estudos, trabalhos, lutas, senão a estima e louvor
dos homens, a fim de que sejam tidos por honestos, sábios, grandes capitães,
sábios jurisconsultos, pessoas de infinito mérito e grande consideração. Quando
não podem suportar o desprezo e a repreensão. Quando escondem o que têm de
defeituoso e mostram o que possuem de belo.
É preciso,
com Jesus Cristo, detestar e condenar estas sabedorias falsas, a fim de obter a
verdadeira — que não busca seu interêsse, que não é da terra, nem se encontra
no coração dos que vivem em seus cômodos, e que abomina tudo o que é grande e
prestigioso aos olhos dos homens.

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