MÊS DE PREPARAÇÃO PARA
CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA
NONO DIA (9)
ORAÇÕES PARA CADA UM
DOS DOZE DIAS
VENI CREATOR SPIRITUS.
Vem ó Criador
Espírito,
As almas dos teus
visita;
Os corações que criaste,
Enche de graça
infinita.
Tu, Paráclito és
chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção
espiritual.
Tu das septiforme
graça;
Dedo és da dextra
paterna;
Do Pai, solene
promessa,
Dás fôrça da voz
superna.
Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito
acende,
Do nosso corpo a
fraqueza
Com tua fôrça defende.
De nós afasta o
inimigo.
Dá-nos a paz sem
demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se
deplora.
A Deus Padre se dê a
glória
E ao Filho
ressuscitado,
Paráclito e a ti
também,
Com louvor perpetuado.
V. Enviai, Senhor, o
vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face
da terra.
OREMOS: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do
Espírito Santo; concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e
gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.
AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó
Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da
morada ,
Celeste feliz entrada.
Ó tu que ouviste da boca
,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e
quietação:
E o nome de Eva troca.
As prisões aos réus
desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos
maltrata
Nos livra, o bem nos
granjeia.
Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos
do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser
Filho teu.
Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos
pecados.
Dá-nos pureza e
brandura.
Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida
segura.
Para que a Jesus
gozemos,
E sempre nos
alegremos.
A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um
louvor. Amém.
MEDITAÇÃO — JULGAMENTO
DO ESCRAVO DO MUNDO E DO ESCRAVO DE MARIA
PREPARAÇÃO
Com a morte
não se acaba tudo. Antes, a morte é o início real da existência definitiva. O
Supremo Juiz, no limiar da Eternidade, vai pronunciar a sentença inapelável.
Ela será a consequência lógica da escolha que se fêz entre o espírito do mundo
e o espírito de Jesus Cristo. Exame rigoroso, sentença terrível, definitiva.
Maria, Rainha e Senhora, é nossa Advogada em face de Deus.
MEDITAÇÃO
PREPARAÇÃO
I — Acabo apenas de expirar, e me sinto ante a presença de
Jesus Juiz. Procuro o amparo de Minha Mãe, e sua defesa.
II — Refúgio dos pecadores, amparo dos aflitos, Maria,
algemai-me a vosso trono, de tal sorte que, no meu Juízo, eu me veja inseparavelmente
unido a Vós.
I PONTO — Exame
rigoroso de nossa vida.
Grande é a
emoção dos réus que são arrastados à barra dos tribunais humanos. Ali se vai
decidir de sua felicidade e honra. Contudo, êles podem nutrr a esperança de que
talvez os juízes ignorem tôda a sua culpabilidade... Não assim ante o tribunal
ciarividente de Deus, naquele momento já eterno eir£ que nos fixamos no que
tivermos escolhido durante a existência terrena. Deus nada ignora. Palavras, ações,
pensamentos, motivos inconfessados de nossos procedimento, profundezas de nosso
sêr... E de tudo vai pedir contas. Todos os erros dos nossos pecados, tôdas as
omissões dos nossos deveres, tôdas as conseqüências previstas por nós, de
desorientação, de escândalo, de descrença, para o nosso próximo...
As graças
recebidas e desprezadas, as luzes misericordiosas, obnubiladas pelo fumo de
paixões, os exemplos e estímulos dos bons, tornados em ridículo. Tôda a vida,
como uma imensa ruína cheia de devastações... O escravo do mundo temia os juízos
dos homens: “que dirão?” E agora treme ante o juízo terrível de Deus.
Mas o
escravo de Maria desprezou o juízo fátuo dos mundanos. E agora é misericórdia
para êle o exame minucioso de tôdas as suas pequeninas vitórias, virtudes
ocultas, renúncias quotidianas, a que Nossa Senhora deu, fielmente, tão dourado
valor.
II PONTO — A sentença
definitiva de nossa eternidade.
A morte
fixou nosso estado de alma. Onde cai a árvore, aí fica.
A mesma alma
verá, iluminada por aquele fulgor deslumbrante do Juízo Divino, a sorte que
mereceu a de que vai tomar posse.
O escravo do
mundo, verá com espantosa claridade a loucura com que pretendeu abraçar os bens
perecedouros. Mas verificará também, com desengano e tristeza irremediável, a
insensatez com que ridicularizava os servos de Jesus, os devotos de Maria...
“Loucos que fomos! Julgávamos insânia a vida dêles, e sem honra a sua morte. E
eis que agora são numerados entre os filhos de Deus e sua sorte será a
felicidade dos santos. Ai de nós, nos insensati!” (Sab. V. 4).
O escravo de
Maria contemplará com alvissareira alegria a sua boa escolha, agora definitiva.
Como lhe será doce a lembrança dos atos de amor de Deus, de protestação de
servir Maria, — atos em que punha todo o sêr, tudo quanto de decisivo e
definitivo podia haver em sua vontade amparada pela Graça! A sentença
irrecorrível do Juiz que se não corrompe, vai fixar para a eternidade a
eleição, a vida, o último ato de abandono confiante nos braços de Nossa
Senhora!
III PONTO — Maria,
nossa advogada no Juízo.
Os servos do
mundo são acompanhados ao tribunal de Deus por tôdas as suas más ações, pecados
renitentes, paixões soltas e obedecidas. Pelo demônio, sobretudo, a acusar em
grandes clamores, exigindo a posse do que lhe pertence.
Mas o
escravo de Maria é apresentado ao Divino Juiz pela Mãe das misericórdias,
ornado de seus pequeninos méritos e virtudes, que Maria embeleceu com suas mãos
imaculadas, vestido dos mérito e virtudes da própria Mãe de Jesus, reclamado
por Ela como sua pertença eterna.
As mesmas
pequeninas faltas e resquícios das culpas choradas, Maria as fará inda menores,
para abreviar quanto Nela estiver, o Purgatório de seus escravos, Purgatório
mais feliz, mais curto, mais consolado, do que o dos demais, porque são os
prediletos da Rainha dos céus, cujas dores de expiação e tempo de afastamento
da glória Ela se empenha por abreviar, na medida da generosidade com que êles
se despojaram em honra Dela, de seus pequenos méritos ...
Que motivo
de confiança! Com que ardor quero dar-me a Maria!
COLÓQUIO
Senhora de
minha alma, Soberana amadíssima! Mais e mais me confirmo na resolução que já
formulei de me consagrar inteiramente a Vós, como vosso escravo eterno!
Ensinai-me a desprezar os juízos do mundo, para não temer senão somente os
juízos de Deus. Sêde sempre minha luz, meu ideal, a alma de minha alma, a vida
de minha vida! Para que sejais também o meu refúgio na hora da morte, a
Advogada Maravilhosa junto ao Coração de Vosso Filho, meu Juiz... e minha
Recompensa!
Seja a
Virgem minha advogada no dia de meu Juízo,
Per te
Virgo, sim defensus In die judicii.
(Seq. Stab.
Mat.)
SANTO EVANGELHO (Mat.
XXV, 31 a 46)
O JUÍZO FINAL
Mas quando
vier o Filho do Homem, na sua majestade, e todos os anjos com Êle, então se
assentará sobre o trono da sua majestade. E todos os povos se concentrarão
diante Dêle; e separará uns dos outros, como o pastor aparta dos cabritos as
ovelhas. E porá as ovelhas à direita e os cabritos à esquerda. Então dirá o rei
aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai; possuí o Reino que
vos está preparado desde o princípio do mundo: Pois tive fome, e deste-me de comer;
tive sêde, e deste-me de beber; era hóspede, e me recebestes; estava no
cárcere, e viestes me ver. Então lhe responderão os justos, dizendo: Senhor,
quando é que nós te vimos faminto e te demos de comer, ou sequioso e te demos
de beber? E quando te vimos hóspede e te recolhemos, ou nu e te vestimos? Ou
quando te vimos enfêrmo, ou no cárcere e te fomos ver? E respondendo o rei,
lhes dirá: Na verdade eu vos digo: tôda vez que isto fizestes ao menor de meus irmãos,
a mim o fizestes. Então dirá também aos que hão de estar à esquerda:
Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o
demônio e para os seus anjos; porque tive fome e não me destes de comer, tive
sêde e não me destes de beber; era hóspede, e não me recolhestes; estava nu, e
não me cobristes; estava enfermo e no cárcere, e não me visitastes. Então êles
também Lhe responderão, dizendo: Senhor, quando é que nós te vimos faminto, ou
sequioso, ou hóspede, ou nu, ou enfermo, ou no cárcere, e deixamos de te
assistir? Então lhes responderá êle, dizendo: Na verdade eu vos digo: tôda vez
que deixastes de fazer ao menor dêstes, a mim deixastes de fazer. E irão êstes
para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna.
IMITAÇÃO DE CRISTO
(Liv. I, cap. XXIV, 1,
4, 5, 6)
SÁBIA PREPARAÇÃO DO
JUÍZO FINAL
Em tôdas as
coisas olha o fim e de que sorte estarás diante daquele retíssimo juiz para
quem nada há oculto, que não se abranda com dádivas, nem admite desculpas; mas
que julgará segundo a justiça.
Ó néscio e
miserável pecador! que responderás a Deus que sabe tôdas as tuas maldades, tu
que às vêzes temes o rosto dum homem irado?
Por que não
te acautelas para o dia do juízo, quando ninguém poderá ser desculpado nem
defendido por outrem, mas cada um terá bastante que fazer por si?
“Pois então
estarão os justos com grande constância contra os que os angustiaram e
perseguiram” (Sap. V. 1).
Então se
levantará, para julgar aquele que agora se sujeita humildemente ao juízo dos homens.
Então terá
muita confiança o pobre humilde; mas o soberbo estremecerá de pavor.
Então se
verá como foi sábio o que nêste mundo aprendeu a ser louco e desprezado por
Cristo.
Então
agradará tôda a tribulação sofrida com paciência, “e a maldade não abrirá a
bôca”. (Ps. VCI, 42).
Então se
alegrarão todos os devotos, e se entristecerão todos os irreligiosos.
Então
exultará mais a carne mortificada, que a que sempre viveu em deleites.
Então
resplandecerá o vestido grosseiro, e parecerá vil o precioso.
Então será
mais aplaudida a pobre choupana, que o suntuoso palácio.
Então
aproveitará mais a constante paciência, que todo o poder do mundo.
Então será
mais exaltada a simples obediência, que tôda a sagacidade do século.
Então se
alegrará mais a pura e boa consciência, que a douta filosofia.
Então se
estimará mais o desprêzo das riquezas, que todos os tesouros da terra.
Então te
consolarás mais de haver orado com devoção, que de haver comido com regalo.
Então te
alegrarás mais de ter guardado silê i- cio, que de ter falado muito.
Então te
aproveitarão mais as obras santas, que as palavras floridas.
Então
agradará mais a vida estreita e a rigorosa penitência, que todas as delícias
terrenas.
LEITURA
(Montfort, A. E. S. pg.
53, sg.)
A ETERNA SABEDORIA SE
OFERECE PARA SALVAR-NOS
A Sabedoria
Eterna deixou-se tocar vivamente da desgraça do infeliz Adão e de todos os seus
descendentes. Viu, com sumo desagrado, quebrado aquele vaso de honra,
despedaçado o retrato de Deus, destruída sua obra prima, arruinada a sua imagem
na terra. Prestou ouvidos ternos de comiseração à voz daqueles gemidos e
gritos. Viu com complacência os suores na fronte do homem, as lágrimas de seus
olhos, os esforços dos seus braços, a dor de seu coração, a aflição de sua
alma.
Parece-me
ver esta amável Soberana convocar de novo, por assim dizer, a Santíssima
Trindade, para restaurar o homem, como o fizera para criá-lo. Parece-me que
neste grande conselho há um como certâmen entre a Sabedoria Eterna e a Justiça
de Deus.
Parece-me
ouvir que a Sabedoria Eterna, defendendo o homem, diz que êle deveras merece
castigos eternos, para si e para sua posteridade, da mesma sorte que os anjos
rebeldes. Mas que cumpre ter piedade dêle porque pecou mais por fraqueza e
ignorância do que por malícia. Ela considera que, de um lado, é grande pena
destruir-se tão bem acabada obra prima, e que tantos milhões e milhões de
homens para sempre se percam, pelo pecado de um só. E, de outro lado, mostra os
lugares do céu, tornados vazios pela rebelião dos anjos prevaricadores que
convém substituir, e a grande glória que receberá Deus, no tempo e na
eternidade, se o homem fôr salvo.
Parece-me
ouvir a Justiça divina a responder que o homem mereceu a condenação e o castigo,
pena que deve ser executada sem demora, assim como o foi para Satã e seus asseclas.
Que o homem é um ingrato depois de tantos benefícios recebidos. Que êle
obedeceu ao demônio em sua desobediência e orgulho, e portanto deve seguí-lo
também na punição, uma vez que é preciso castigar sempre o pecado.
E vendo
então a Sabedoria Eterna que nada no mundo poderia expiar o pecado do homem,
satisfazer a justiça e aplacar a cólera de Deus, anelando todavia salvar o
homem que por inclinação amava, encontra um meio admirável. Coisa espantosa,
amor incompreensível que vai até o excesso! Esta admirável Princesa oferece-se
Ela mesma em sacrifício ao Pai, a fim de satisfazer sua Justiça, alcançar sua
cólera, retirar-nos da escravidão do demônio e das chamas do inferno,
merecer-nos uma eternidade feliz.
A oferta é
aceita. O decreto é estatuído: a Sabedoria Eterna, o Filho de Deus, far-se-á
homem no tempo oportuno e nas circunstâncias escolhidas, para a redenção e
salvação dos homens.

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