sexta-feira, 8 de maio de 2020


MÊS DE PREPARAÇÃO PARA CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA

OITAVO DIA (8)


ORAÇÕES PARA CADA UM DOS DOZE DIAS

VENI CREATOR SPIRITUS.
Vem ó Criador Espírito,
As almas dos teus visita; 
Os corações que criaste,
Enche de graça infinita.

Tu, Paráclito és chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção espiritual.

Tu das septiforme graça;
Dedo és da dextra paterna;
Do Pai, solene promessa,
Dás fôrça da voz superna.

Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito acende,
Do nosso corpo a fraqueza
Com tua fôrça defende.

De nós afasta o inimigo.
Dá-nos a paz sem demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se deplora.

A Deus Padre se dê a glória
E ao Filho ressuscitado,
Paráclito e a ti também,
Com louvor perpetuado.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face da terra.

OREMOS: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo; concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada ,
Celeste feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca ,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação:
E o nome de Eva troca.

As prisões aos réus desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser Filho teu.

Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos pecados.
Dá-nos pureza e brandura.

Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida segura.
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.

A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um louvor. Amém.

MEDITAÇÃO — MORTE DO ESCRAVO DO MUNDO E DO ESCRAVO DE MARIA

PREPARAÇÃO

            Toda vida humana se termina com a morte. A vida do que é escravo do mundo, como a do que é escravo de Maria. Para uns e outros, a morte é absolutamente certa. Entanto, ela há de vir como um ladrão, em época incerta. Para que ela não seja a porta de uma infelicidade eterna, a devoção a Maria nos será garantia segura e abençoada.
MEDITAÇÃO

PRELÚDIOS

            I — Estou no meu leito de morte, já na hora suprema, e beijo com amor e ilimitada confiança o Crucifixo de meu têrço.
            II — Nossa Senhora da Boa Morte, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte.

            I PONTO — A morte é certa para todos.

            Nosso sêr aspira a viver perenemente. Deus realmente ornara a natureza humana com o dote da imortalidade, condicionada, porém, à observância fiel de seu preceito. Pecaram nossos primeiros pais, a nossa morte corporal é hoje castigo do pecado. Stipendia peccati mors (Rom. VI, 23). Assim como ninguém escapa à lei do pecado original, assim igualmente ninguém foge à lei universal da morte. O mesmo Jesus e sua Mãe Imaculada, que não foram atingidos pelo pecado original, — Um pela natureza mesma da união hipostática, na Pessoa Divina impecável, e Outro em virtude de singular privilégio, — o próprio Jesus e sua Mãe Santíssima passaram, todavia, pelos umbrais da morte. O escravo do mundo e o escravo de Maria morrerão. É certo que a lei a ambos atinge, por igual. Mas, que diferença, nos sentimentos que essa certeza desperta! Que aflição, que angústia, para os que se comprazem nos gozos do mundo, dos quais não se querem separar, porque nêles puseram toda a sua felicidade... “Não se deixa sem dor, o que se retém com sumo deleite”, dizem os Santos Padres.
            Mas para o escravo de Maria, a certeza da morte é a certeza do Paraíso, do têrmo das dores, o fim das possibilidades de pecado e das trevas do exílio.
            A certeza da morte é a certeza da Vida!

            II PONTOÉ incerta a hora da morte.

            A incerteza da hora da morte, comum aos escravos do mundo e aos escravos de Maria, é graça de que podemos abusar e que podemos usar com sabedoria.
            Os do mundo abusam dessa incerteza, cuidando que sempre haverá tempo, e que, entrementes, cumpre coroar-se de rosas e gozar a vida coronemus nos rosis, antequam marcescant (Sab. II, 8). Na juventude, opinam que é preciso viver a mocidade, dela extraindo tôda a soma possível de prazer. Na idade madura, acham que é sabedoria reunir riquezas e tranqüilidade que lhes prolongará indefinidamente a existência. Na velhice, esperam sempre viver ao menos mais um ano e então, depois, pensarão em morrer... E a todos, a morte salteia como o ladrão noturno que escolhe as horas mais descuidadas.. .
            Os escravos de Maria, usam como de uma graça, da incerteza da morte. Porque ouvem a recomendação de Jesus: estai preparados, estote parati, (Mat. XXIV, 44). E todos os dias, renovando seus exames de consciência, seus atos de amor e de confiança, rogam, sobretudo a Maria que por êles interceda “agora e na hora de nossa morte”.
            E “vivem em castidade, choram como se não chorassem, riem-se como se não se alegrassem, compram como se não possuíssem, usam dêste mundo como se não usassem, — porque passa rápida esta vida” (I Cor. VII, 29).
            Dessarte, a incerteza da hora da morte lhes faz procurar, cada vez com maior ardor as certezas da graça de Deus, das bênçãos de Maria.

III PONTO A Escravidão a Maria penhor de hoa morte.

Para todos os riscos dêste mundo, procuram os homens fazer seguros. Contra incêndios, contra desastres, contra a própria morte, — não para libertar-se deles, mas para lhes atenuar os resultados funestos. A Escravidão Marial é o melhor “seguro contra a morte”. O que mais eficientemente conjura suas conseqüências funestas. E que, ao contrário, garante a transformação dessa morte em Vida verdadeira.
            Porque esta devoção é um contínuo morrer a si mesmo. Morrer para os bens da terra, para os gozos da sensualidade, para satisfação do orgulho. As afeições más não existem já na alma do escravo de Maria. As lícitas, a Ela estão entregues, de tal sorte que não haverá na hora da morte nenhuma renúncia custosa. A morte será apenas uma passagem da sala de espera para a sala do Eterno Banquete. Um contemplar enfim sem véus a realidade que se vivia com a Fé. Um amar com supremo gôzo o que se desejava com ânsias!
            Servir a Maria é sinal de predestinação. Ser verdadeiro escravo de Maria é sinal infalível de predestinação.

COLÓQUIO

            Vida, Doçura e Esperança minha, salve! A triste condição da morte é para mim compensada com a Vida que me prometeis. A amargura dêsse transe doloroso, Vós a transformareis com a doçura de vossa presença. As trevas e angústias com que talvez o tentador me queria lançar no desespêro, se hão de dissipar com vosso amor terníssimo, Esperança de minha vida, de minha morte, de minha eternidade!

RAMILHETE

            Nossa Senhora das Dores fará, da morte de nosso corpo, a eterna glória de nossa alma.
Quando corpus morietur
Fac ut animae donetur
Paradisi gloria.
(Seq. Stab. Mat.)
SANTO EVANGELHO (Mat. XXIV, 36 a 51)

VIGILÂNCIA CRISTÃ

            Quanto ao dia e à hora porém, ninguém o sabe, nem os anjos dos céus, mas somente o Pai. Como aconteceu nos dias de Noé, assim também será a vinda do Filho do Homem. Porque, assim como nos dias que precederam o dilúvio, estavam os homens comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não entenderam enquanto não veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. Então de dois que estiverem no campo, um será tomado, e o outro será deixado; De duas mulheres que estiverem moendo em um moinho, uma será tomada, e a outra será deixada. Velai, portanto, porque não sabeis a que hora há de vir vosso Senhor. Mas sabei que se o pai de família soubesse a que hora haveria de vir o ladrão, vigiaria sem dúvida, e não deixaria invadir sua casa. Por isso, estai atentos, porque não sabeis em que hora há de vir o Filho do Homem. Quem crês que é servo fiel e prudente, a quem seu senhor constituiu sôbre a sua família, para que lhes dê de comer a tempo? Bem-aventurado aquêle servo a quem seu senhor achar       ocupado quando vier. Na verdade vos digo que êle o constituirá administrador de todos os seus bens. Mas se aquêle servo, sendo mau, disser no seu coração: Meu senhor tarda em vir; e começar a maltratar aos seus companheiros, e a comer e beber com os que se embriagam; virá o senhor daquele servo no dia em ue êle o não espera, e numa hora inesperada; e removê-lo-á, e porá a sua parte com os hipócritas. Ali haverá chôro, e ranger de dentes.

IMITAÇÃO DE CRISTO (Liv. I, cap. XXIII, 4, 8, 9)

REFLEXÕES SÔBRE A MORTE

            Que ditoso e prudente é aquêle que procura ser na vida qual deseja que Deus o ache na morte!
            Grande confiança lhe darão de morrer felizmente o perfeito desprezo do mundo, o ardente desejo de aproveitar nas virtudes, o amor da observância, o trabalho da penitência, a prontidão da obediência, a negação de si mesmo, a paciência em tôda adversidade por amor de nosso Senhor Jesus Cristo.
            Muito bem podes fazer enquanto tens saúde; porém quando estiverdes enfêrmo não sei o que poderás.
            Poucos se emendam com as enfermidades; e os que andam em muitas peregrinações, raras vezes chegam a ser santos.
            Quem se lembrará de ti depois da morte, e quem rogará por ti?
            Faze, faze agora, caríssimo, o que puderes; pois não sabes quando morrerás, nem que te acontecerá depois da morte.
            Enquanto tens tempo, entesoura riquezas imortais.
            Seja teu único cuidado tratar de tua salvação, e das coisas de Deus.
            “Obtém agora por amigos os santos de Deus venerando suas moradas eternas” (Luc. XVI, 9).
            Vive como hóspede e peregrino sôbre a terra, a quem nada interessam os negócios do mundo.
            Conserva o teu coração livre e levantado a Deus, porque “não tens aqui domicílio permanente” (Hebr. XIII, 14).
            A êle endereça tuas orações e gemidos cada dia com lágrimas, para que mereça tua alma depois da morte passar ditosamente ao Senhor.

LEITURA
(Montfort, T. V. D. nos 39, 40, 41)

MARIA, NECESSÁRIA PARA CONSEGUIRMOS NOSSO ÚLTIMO FIM

            Deve-se concluir que, sendo a santíssima Virgem necessária a Deus, por uma necessidade chamada hipotética, em conseqüência de sua vontade, é Ela muito mais necessária aos homens para que atinjam seu último fim. É preciso, pois, não confundir a devoção à santíssima Virgem Nossa Senhora, com a devoção aos outros santos, como se a primeira não fôsse muito mais necessária, ou como se fôsse de mera super-rogação.
            O douto e piedoso Suarez, da Companhia de Jesus, o erudito e devoto Justo Lípsio, doutor de Lovâina, e muitos outros provaram de um modo irrefragável, apoiando-se na opinião dos santos padres da Igreja, entre outros de santo Agostinho, de santo Efrem, diácono de Edessa, de são Cirilo de Jerusalém, de são Germano de Constantinopla, de são João Damasceno, de santo Anselmo, de são Bernardo, de são Bernardino, de santo Tomás e de são Boaventura, que a devoção à santíssima Virgem é necessária à salvação; que é um sinal infalível de reprovação, como o reconheceram Ecolampádio e vários outros hereges, não ter estima e amor à Virgem Santíssima; e que, pelo contrário, é sinal infalível de predestinação ser-lhe inteiramente e verdadeirament dedicado ou devoto.
            Provam-no as figuras e palavras do Antigo e do Novo Testamento, confirmam-no o parecer e os exemplos dos santos, ensinam-no e demonstram-no a razão e a experiência; até o próprio demônio e seus sequazes, compelidos pela fôrça da verdade, têm-se visto muitas vêzes forçados a confessá-lo, mau grado seu. De tôdas as passagens dos Santos Padres e dos Doutores da Igreja, compiladas por mim para provar esta; verdade, só citarei uma, para não ser prolixo: Tib devotum esse, est arma quaedam salutis quae Deis dat his quos vult salvos Fieri... Ser vosso devoto, ó Virgem santíssima, diz são João Damasceno, é uma arma de salvação que Deus dá àqueles que quer salvar”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário