MÊS DE PREPARAÇÃO PARA CONSAGRAÇÃO A
NOSSA SENHORA
DÉCIMO
SEGUNDO DIA (12)
ORAÇÕES PARA CADA UM DOS DOZE DIAS
VENI CREATOR SPIRITUS.
Vem ó Criador Espírito,
As almas dos teus visita;
Os corações que criaste,
Enche de graça infinita.
Tu, Paráclito és chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção espiritual.
Tu das septiforme graça;
Dedo és da dextra paterna;
Do Pai, solene promessa,
Dás fôrça da voz superna.
Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito acende,
Do nosso corpo a fraqueza
Com tua fôrça defende.
De nós afasta o inimigo.
Dá-nos a paz sem demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se deplora.
A Deus Padre se dê a glória
E ao Filho ressuscitado,
Paráclito e a ti também,
Com louvor perpetuado.
V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face da terra.
OREMOS: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do
Espírito Santo; concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e
gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.
AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada ,
Celeste feliz entrada.
Ó tu que ouviste da boca ,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação:
E o nome de Eva troca.
As prisões aos réus desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.
Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser Filho teu.
Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos pecados.
Dá-nos pureza e brandura.
Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida segura.
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.
A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um louvor. Amém.
MEDITAÇÃO — AS
PROMESSAS DO BATISMO
PREPARAÇÃO
Chegamos ao
último dia dêste período preliminar, em que nos esforçamos por libertar-nos do
espírito do mundo. Após as meditações sobre as diferenças profundas entre o
espírito mundano e o de Jesus Cristo, aplicadas à vida e aos novíssimos,
meditemos um último argumento para nos afastarmos do século dominado pelo
demônio. É a consideração do juramento que fizemos, logo ao iniciar nossa vida,
de renúncia ao demônio, às suas pompas e obras, concretizadas no espírito do
mundo. Não sejamos perjuros. O Batismo nos introduziu na S. Igreja. A
fidelidade às promessas que então juramos e renovamos depois, nos levará para o
Céu.
MEDITAÇÃO
PRELÚDIOS
I — Em nosso
Batismo, Maria, representada pela nossa madrinha, jura por nós a renúncia a
Satã, às suas obras e às suas pompas.
II — Mãe
verdadeira de minha vida sobrenatural, Maria, querida Madrinha de meu Batismo,
e doce Anjo de minha Primeira Comunhão, fazei-me fiel aos sagrados juramentos
que me consagraram irremissivelmente a Nosso Senhor.
I PONTO — A renúncia às obras e pompas de Satanás.
Ao entrarmos
na Santa Igreja de Jesus Cristo, pela Porta Lustral do Batismo, pedimos a Fé,
para a vida eterna. E, solícita, a Igreja nos explicou que a Fé que leva à vida
eterna é operosa e observa os mandamentos divinos. Nem nos admitiu ao santo
sacramento, sem que antes tivéssemos jurado nossas renúncias “a Satã, suas
pompas e suas obras”. Mais tarde, quando, iluminada já a nossa razão, nos
enchíamos de auroras do céu, no dia de nossa Primeira Comunhão, de novo
pediu-nos a Igreja o mesmo juramento. Para que por nossos lábios fizéssemos o
que no Batismo por nós prometeram nossos padrinhos. Ora, as obras e pompas de
Satanás, são o espírito do mundo, contrário ao espírito de Jesus Cristo. E,
pois, além de tôdas as razões que temos de odiar o século, acrescenta-se mais
esta, de nosso juramento, em troca das inefáveis graças do Batismo e da
Primeira Comunhão. Entre as grandes graças de nossa vida, contaremos também a
nossa Consagração total a Maria. Tal favor reclama igualmente uma jurada
renovação de nossas renúncias, porquanto Maria é a Inimiga do demônio,
inimicitias ponam inter te et Mulierem. Escravos de Nossa Senhora, seremos
ainda mais seus filhos, sua progênie. Mas a raça eleita cia Mulher bendita é
adversária inconcilável dos filhos da serpente, inter semen tuum et semen
Illius (Gen. III, 15).
Odiemos,
pois, o demônio e o espírito do mundo.
IIPONTO — A promessa de adesão a Jesus.
Nosso
juramento não foi negativo apenas. Mas prometemos também inviolável fidelidade
a Nosso Senhor. Na mesma hora celeste de nossa ablução batismal, a Igreja nos
pediu a fé operosa em Deus Pai, em Jesus Cristo, no Espírito Santo, na Santa
Igreja Católica e nos seus dogmas infalíveis. De novo afirmamos nosso Credo, e
recebemos então o sacramento de nossa regeneração espiritual. Nem nos
afastáramos ainda, quando o sacerdote nos revestiu de branco, anelando que
assim comparecêssemos ante o tribunal de Cristo, e nos colocou nas mãos a
lâmpada ardente para que, observando os mandamentos de Deus pudéssemos ir ao
encontro do Esposo, na hora divina das Núpcias. Para nossa fidelidade, Deus
entornou profusamente em nossas almas a sua Graça divina, incorporando-nos a
Jesus Cristo, membros de seu Corpo Místico... Mas Jesus Cristo é primariamente
a “progénie da Mulher”, que havia de esmagar a cabeça da serpente. Unidos a Jesus,
feitos seus membros, nós nos integramos nessa divina progénie, nós nos
constituimos também filhos de Maria.
Temos
observado a fidelidade que juramos a Nosso Senhor? Hemos sido dignos de Nossa
Mãe Imaculada, tão intimamente unida a seu Filho?
III PONTO — A Consagração a Maria e as promessas ão
Batismo.
Tôda a
devoção verdadeira deve unir-nos a Deus, afastando-nos do demônio. É
precisamente o que vamos realizar em nossa Consagração a Maria. Porque,
mediante Nossa Mãe e pelo seu Coração Imaculado, renovamos as promessas do
nosso batismo, reiterando nossa detestação ao pecado e a Satã, e dando-nos de
todo a Jesus, Deus Encarnado. Se em nosso Batismo, Maria, ao nosso lado, como
verdadeira e meiga Madrinha nossa, recebeu as promessas e juramentos; se em
nossa Primeira Comunhão, como Anjo querido daquela festa de amor, formou em
nossos lábios as renovadas juras de ódio ao inimigo e entrega a seu Filho,
Hóspede de nosso coração, — com que especial carinho há de ouvir nossas palavras
de consagração inteira e total a Jesus, a Sabedoria Encarnada?
Porque não
serão apenas promessas que outros fazem em nosso nome. Nem palavras ainda
esmaecidas pelas inconstâncias de juvenis adolescências. Mas um juramento novo,
bem nosso, do íntimo profundo de nosso sêr, após reflexão consciente e
meditações prolongadas... Um ato em que colocaremos, deveras, tôda a nossa
personalidade, escravizando-nos, sem reserva e sem atenuantes, a seu amor para
serviço eterno de Jesus!
COLÓQUIO
Maria, Mãe
sobre-amada, é tão dece evocar as graças inefáveis do Batismo e da Primeira
Comunhão! Dai-me, entretanto, que juntamente eu me lembre de meus sagrados
compromissos. A fim de que não seja um pérfido traidor de juramentos tão solenes...
E se até hoje não tenho vivido as promessas de meu Batismo, renovadas em minha
Primeira Comunhão, a lembrança da Consagração total que farei a Vós, venha
avivar a determinação de fugir, todos os dias, ao espírito do mundo e do
demônio, para me dar inteiramente a Jesus Cristo, por Vós. Madrinha de meu
Batismo, ensinai-me os meus deveres. Dai-me o presente continuado da Graça que
me faz filho de Deus. Anjo de minha Primeira Comunhão, conservai minha alma com
a alvura das minhas vestes e do meu coração, naquela manhã lirial... E serei,
dignamente vosso escravo, para melhor ser vosso filho.
RAMILHETE
O caminho
para a Vida eterna é a observância dos mandamentos, si vis ad vitam ingredi,
serva mandata. (Rit. do Batismo).
SANTO EVANGELHO (Mat. XXV, 1 a 13)
AS VIRGENS PRUDENTES E
AS VIRGENS LOUCAS
Então será
semelhante o Reino do Céu a dez virgens, que, tomando suas lâmpadas, sairam a
receber o esposo e a esposa. Mas cinco dentre elas eram loucas, e cinco
prudentes. As cinco loucas, ao tomar suas lâmpadas, não levaram consigo o
azeite. Mas as prudentes, levaram azeite nas suas vasilhas, juntamente com as
lâmpadas. E tardando o esposo, começaram tôdas a dormitar e se entregaram ao
sôno. Quando, à meia noite, se ouviu gritar: Eis vem o esposo, saí a recebê-lo;
então se levantaram tôdas aquelas virgens, prepararam as suas lâmpadas. E as
loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque se nos
extinguiram as lâmpadas. Responderam as prudentes, dizendo: Para que talvez não
suceda faltar-nos êle a nós, e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai o
de que haveis mister. E enquanto elas o foram comprar, veio o esposo; e as que
estavam apercebidas, entraram com êle a celebrar as bodas e fechou-se a porta.
Por fim, vieram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos.
Mas êle respondendo, lhes disse: Na verdade vos digo que não vos conheço.
Vigiai, pois não sabeis o dia nem a hora.
IMITAÇÃO DE CRISTO (Liv. I, cap. XXV, 1, 4, 6)
FERVOROSA EMENDA DE NOSSA VIDA
Sê vigilante
e diligente no serviço de Deus, e pensa amiúde para que vieste e porque
deixaste o mundo.
Não é por
ventura com o fim de viver para Deus e ser homem espiritual?
Corre pois
com fervor à perfeição, que depressa receberás o galardão de teus trabalhos, e
não haverá daí para diante temor nem dor para ti.
Agora
trabalharás um pouco, e acharás depois grande descanso e perpétua alegria.
Se
permaneceres fiel e fervoroso em operar, Deus sem dúvida será fidelíssimo e liberalíssimo
em retribuir.
Porém, nem
todos têm igual ânimo para vencer- se e mortificar-se.
Mas o
diligente e zeloso imitador de Cristo mais forte será para o seu
aproveitamento, ainda que seja combatido de muitas paixões, do que o que tem
dom natural, se é menos fervoroso em adquirir as virtudes.
Duas coisas
especialmente ajudam muito a nossa emenda: apartar-se com violência de tudo
aquilo para que mais pende a natureza corrupta e trabalhar com fervor por
adquirir a virtude de que mais se necessita.
Lembra-te do
propósito que tomaste, e propõe-te por modêlo a Cristo Crucificado.
Com razão te
podes envergonhar, considerando a vida de Jesus Cristo, de não ter feito até
aqui bastante esforço para te conformares com ela, estando há tanto tempo no
caminho de Deus.
Oh! se
viesse a nosso coração Jesus Crucificado, quão depressa e completamente
seríamos ensinados!
LEITURA
(Montfort, T. V. D. ns.
126, 127, 128, 129, 130)
A VERDADEIRA DEVOÇÃO,
RENOVAÇÃO DOS VOTOS DO BATISMO
Disse que esta
devoção pode ser chamada com muita justiça uma perfeita renovação dos votos ou
promessas do Batismo.
Porque todo
o cristão, antes do Batismo, era escravo do demônio, pois que lhe pertence;
porém, no Batismo, ou por si mesmo ou por seus padrinhos, renunciou solenemente
a Satanás, suas pompas e suas obras, tomou a Jesus Cristo por Mestre e soberano
Senhor, para dêle depender como escravo de amor. Ora, é isto justamente o que
fazemos pela presente devoção: renunciamos (como se pode ver na fórmula de
consagração) ao demônio, ao mundo, ao pecado e a nós mesmos, para darmo-nos
inteiramente a Jesus Cristo, pelas mãos de Maria Santíssima. E até fazemos
mais, pois que, no Batismo, isto é, pelo padrinho e pela madrinha, e só por
procuração nos damos a Jesus Cristo; nesta devoção, porém, fazemos tudo isto
por nós mesmos, voluntariamente e com conhecimento de causa.
No Batismo
não nos damos a Jesus Cristo pelas mãos de Maria Santíssima, de um modo
expresso, pelo menos; e não damos a Jesus Cristo o valor de nossas boas ações;
ficamos, depois do Batismo, inteiramente livres de aplicá-lo a quem quisermos
ou de guardá-lo para nós; por esta devoção, porém, damo-nos expressamente a
Nosso Senhor, pelas mãos de Maria Santíssima, e a Ele consagramos o valor de
tôdas as nossas boas obras.
Os homens,
diz Santo Tomás, fazem voto, no santo Batismo, de renunciar ao demônio e às
suas pompas: In Baptismo vovent homines abrenuntiare diabolo et pompis ejus. E
êste voto, diz santo Agostinho, é o maior e o mais indispensável: Votum maximum
nostrum quo vovimus nos Christo esse mansuros. É o que dizem também os
canonistas: Praecipuum votum est quod in baptismate facimus. Quem, entretanto,
observa êsse voto tão importante? Quem cumpre fielmente as promessas do
batismo? Não é verdade que quase todos os cristãos são traidores à fé prometida
a Jesus Cristo no Batismo? De onde pode vir esta desordem, senão do
esquecimento em que se vive das promessas que se fizeram e dos compromissos que
se tomaram então, e de ninguém ratificar por si mesmo o contrato de aliança
que, em seu nome, fizeram com Deus seu padrinho e sua madrinha?
Isto é tão
verdadeiro que o Concílio de Sens, convocado por ordem de Luís, o Clemente,
para dar remédio às grandes desordens que desolavam o reino, considerou como
principal causa dessa corrupção dos costumes o esquecimento e ignorância em que
se vivia das promessas do santo Batismo; e não achou melhor meio de remediar a
tão grande mal que induzir os cristãos a renovar os votos do santo Batismo.
O catecismo
do Concílio de Trento, fiel intérprete dêsse santo Concílio, exorta os párocos
a adotarem essa mesma prática e a recordarem com freqüência aos fiéis que são
ligados e consagrados a Nosso Senhor Jesus Cristo, como escravos a seu Redentor
e Senhor: Parochus jidelen populum ad eam rationem cohortabitur ut sciat
aequissimum esse... nos ipsos, non secus ac mancipia Redemptori nostro et
Domino in perpetuum addicere et consecrare. (Ca. Cone. Trid., part 1, C. 3, 2,
§ 15).
Ora, se os
Concílios, os padres e a própria experiência nos mostram que o melhor meio para
dar remédio às desordens dos cristãos é fazê-los lembrar as obrigações do
Batismo e levá-los a renovar os votos que então fizeram, não é racional fazê-lo
atualmente de um modo perfeito, consagrando-se inteiramente a Nosso Senhor por
sua Santa Mãe? Digo de um modo perfeito, porque, para nos consagramos a Jesus
Cristo, nos servimos do mais perfeito de todos os meios, que é a Santíssima
Virgem.

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