MÊS DE PREPARAÇÃO PARA
CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA
DÉCIMO SÉTIMO DIA (17)
ORAÇÕES PARA CADA DIA
LADAINHA DO ESPÍRITO
SANTO
Senhor, tende piedade de nós,
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de
nós.
Espírito Santo, que sois Deus. tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de
nós.
Espírito, que procedeis do do Pai e do Filho, tende piedade
de nós.
Espírito do Senhor, que no começo do mundo, pairáveis sôbre
as águas, e as tomáveis fecundas, tende piedade de nós.
Espírito, por instrução do qual os santos homens de Deus falaram.
Espírito, cuja unção nos ensina tôdas as coisas.
Espírito, que dais testemunho de Jesus Cristo, Espírito de
verdade, que nos instruis em tôdas as coisas, Espírito que repousastes sobre
Maria,
Espírito do Senhor, que encheis tôda a terra,
Espírito de Deus, que estais em nós,
Espírito de sabedoria e de inteligência,
Espírito de conselho e de fortaleza,
Espírito de ciência e de piedade,
Espírito de temor de Deus, Espírito de graça e de
misericórdia,
Espírito de fôrça de amor e de sobriedade,
Espírito de fé, esperança, caridade e de paz,
Espírito de humildade e de castidade,
Espirito de benignidade e de mansidão,
Espírito de tôda a sorte de graças,
Espírito que sondais até os segredos de Deus,
Espírito que rogais por nós com gemidos inefáveis,
Espírito que descestes sôbre Jesus Cristo sob a forma de uma
pomba.
Espírito pelo qual nós recebemos um novo nascimento.
Espírito que nos encheis os nossos corações de caridade.
Espírito de adoção dos filhos de Deus,
Espírito que aparecestes sobre os Discípulos sob a forma de
línguas de fogo.
Espírito pelo qual os Apóstolos foram possuídos,
Espírito, que distribuis os vossos dons a cada um segundo a
vossa vontade,
Sêde-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sêde-nos propício, atendei-nos, Senhor.
De todo o mal, livrai-nos,
Senhor.
De todo pecado,
Das tentações e insídias do diabo,
De tôda presunção e desespero,
Da resistência à verdade conhecida,
Da obstinação e da impenitência,
Da impureza da alma e do corpo,
Do espírito de luxúria,
De todo mau espirito,
Por vossa eterna processão do Pai e do Filho,
Pela conceição de Jesus Cristo feita por operação vossa,
Por vossa descida sôbre Jesus Cristo no Jordão,
Pela vossa vinda sôbre os Discípulos,
No dia do juízo,
Pobres pecadores, nós
vos rogamos, escutai-nos.
A fim de que vivendo pelo espírito, também andemos segundo o
espírito,
A fim de que lembrando-nos de que somos o templo do Espírito
Santo, jamais o profanemos,
A fim de que vivendo segundo o espírito, não nos acomodemos
aos desejos da carne,
A fim de que pelo espírito mortifiquemos as obras da carne,
A fim de que não entristeçamos a vós, que sois o Espírito
Santo de Deus,
A fim de que tenhamos
cuidado de guardar a unidade do espírito no vínculo da paz,
A fim de que não demos crédito facilmente a todo espirito,
A fim de que provemos os espíritos para ver se êles de fato
vêm de Deus,
A fim de que renoveis em nós o espírito de retidão,
A fim de que nos confirmeis com o vosso espírito soberano.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, atendei-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
OREMOS. Nós vos suplicamos, Senhor, que
nos assistais sem cessar pela virtude do vosso Espírito Santo, a fim de que
purificando por sua misericórdia as máculas dos nossos corações, Ele nos preserve
ainda de todos os males. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.
LADAINHA DE NOSSA
SENHORA
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus,
Espírito Santo, que sois Deus.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,
Santa Maria, rogai por
nós.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens,
Mãe de Jesus Cristo,
Mãe de divina graça,
Mãe puríssima,
Mãe castíssima,
Mãe imaculada,
Mãe intata,
Mãe amável,
Mãe admirável,
Mãe do bom conselho,
Mãe do Criador,
Mãe do Salvador,
Virgem prudentíssima,
Virgem venerável,
Virgem louvável,
Virgem poderosa,
Virgem benigna,
Virgem fiel,
Espelho de justiça,
Sede da sabedoria,
Causa de nossa alegria,
Vaso espiritual,
Vaso honorífico,
Vaso insigne de devoção,
Rosa mística,
Torre de Davi,
Tôrre de marfim,
Casa de ouro,
Arca da aliança,
Porta do céu,
Estréia da manhã,
Saúde dos enfermos,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos anjos,
Rainha dos patriarcas,
Rainha dos profetas,
Rainho dos apóstolos,
Rainha dos mártires,
Rainha dos confessores,
Rainha das virgens,
Rainha de todos os santos,
Rainha concebida sem pecado original,
Rainha assunta aos céus,
Rainha do santíssimo Rosário,
Rainha da paz,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos
Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ou- vi-nos,
Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende
piedade de nós.
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
OREMOS. Senhor Deus, nós vos suplicamos, que
concedais aos vossos servos lograr perpétua saúde de alma e corpo e que pela gloriosa bem-aventurada
sempre Virgem Maria sejamos livraes da presente tristeza e gozemos da eterna
alegria. Por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.
AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada ,
Celeste feliz entrada.
Ó tu que ouviste da boca ,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação:
E o nome de Eva troca.
As prisões aos réus desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.
Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser Filho teu.
Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos pecados.
Dá-nos pureza e brandura.
Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida segura.
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.
A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um
louvor. Amém.
MEDITAÇÃO — NOSSA
IMPOSSIBILIDADE NA VIDA SOBRENATURAL
PREPARAÇÃO
O
conhecimento necessário de nós mesmos nos deve levar à considerar mais
especialmente quão indigentes somos na ordem sobrenatural. Nossa elevação pela
graça é inteiramente gratuita. Aqui, nada absolutamente podemos, sem a graça
que previne e que acompanha as nossas ações. Impossível a perseverança sem
graças especiais. Nossa indigência absoluta comensura-se, porém, com a efusão
larguíssima da Bondade Divina, mercê da Mediação de Maria.
MEDITAÇÃO
PRELÚDIOS
I — Maria
repete-nos as palavras de Jesus, apontando-nos seu Filho Divino: Sem Mim, nada
podeis fazer.
II — Divina
Jardineira, como a plantas enfezadas e raquíticas, enxertai-nos na vide pujante
da Graça de Jesus Cristo.
I PONTO — Nossa elevação pela graça é
inteiramente gratuita
Se na ordem
natural pode o homem fazer alguma coisa, algum bem, alguns atos de virtude,
morais, — na ordem sobrenatural é o que ultrapassa pura e simplesmente a ordem
criada de tal sorte que para essa elevação não temos direito nem disposição
alguma sendo somente uma capacidade obediencial o que quer dizer, a
possibilidade de sermos, elevados acima de nossa natureza pela onipotência de
Deus. Essa elevação não é apenas à natureza tão alta dos anjos, mas à própria
essência de Deus, de que participamos realmente, na medida dos limites de nosso
sêr finito.
A graça
habitual assim nos elevou, de maneira estável. Mas temos ainda necessidade das
graças atuais, para agir sobrenaturalmente: Nem o santo Nome de Jesus podemos
pronunciar meritoriamente sem o Espírito Santo, isto é, sem o auxílio atual da
graça.
Mas tôdas
essas graças são inteiramente gratuitas, não devidas a nossa natureza,
provindas tão só da livre vontade de Deus.
Como é total
a nossa incapacidade, na ordem sobrenatural!
II PONTO — Necessidade da graça que
antecede e acompanha as nossas ações
"O mais
bem conformado olhar, diz S. Agostinho, nada pode ver sem o auxílio da luz. O
homem ainda o mais santo, nada pode fazer na ordem sobrenatural sem o socorro
divino da eterna-luz da graça.”
Graça
antecedente, primeiro. É Deus quem move a nossa alma ao ato de virtude. Nós o
queremos também. Deus respeita a nossa livre eleição: eu quero, mas Deus quer
comigo e mais do que eu. Minha cooperação aceita o impulso divino e o torna
eficaz. Mas, a parte misteriosa que teve o mesmo Deus na própria minha livre
eleição?
Graça
concomitante, depois. Movida pela graça, minha alma não poderá continuar um ato
sobrenatural se a mesma graça se retira. Nada em Mim, disse Jesus, vós podereis
fazer. Nada. Nem a continuação de uma ação começada pela graça... Porque é Deus
quem em mim começou o livre querer e Êle é ainda quem o leva a cabo: Deus este
nhn qui operatur in vobis et velle et perficere. (Fil. II, 13).
A que ponto
somos dependentes, escravos de Deus, em tudo quanto anelamos fazer para o céu!
III PONTO — Necessidade de graça especial
para a perseverança
Não posso
pretender ao menos a perseverança no bem sobrenatural sem mais auxílio da graça
de Deus? Não. Assim diz o Concílio de Trento: Seja anátema quem disser que uma
vez justificados podemos perseverar na justiça recebida sem especial socorro de
Deus (sess. 6. can. 22).
Como esta
afirmação de nossa fé nos atma humilhados aos pés de Deus! Não se trata de
progredir subir mais. Apenas de ficar no estado de justiça que recebemos...
Não. Por nós, não o poderemos. Nem basta graça ordinária. É preciso auxílio
especial.
Graça especial
que Nosso Senhor quer dar-me, mas que espera eu Lhe peça, com humilde
confiança. Graça especial, que será para mim de inestimável preço, sobretudo
quando se trata da perseverança final, que absolutamente não posso merecer por
justiça...
E agora, que
farei de meu orgulho, de minha suficiência presunçosa, tola e soberba? Gravarei
fundo em minha mente a fôrça terrível desta palavra — nada. Nada posso sem
Deus. Mas Deus resiste aos soberbos, e concede sua graça preciosa somente aos
humildes de coracão.
COLÓQUIO
Virgem cheia
de graça, cuja união com a Fonte da Graça, Jesus foi penhor inefável de
confirmação na amizade divina e na altíssima elevação vossa aos confins da
Divindade, — em Vós saúdo, entretanto, a humílima dentre tôdas as criaturas...
Como Vos ocultastes sempre, de todos os olharaes, dos vossos próprios, a fim de
permanecerdes escondida a todos e conhecida somente de Deus! Dai-me que
participe de vossa humildade e amor ao escondimento, para que, despido de minha
soberba, veja também Deus que se inclina amorosamente para a minha alma a
elevá-la à graça, à perfeição e à santidade. Porque as riquezas divinas somente
descerão à minha alma, quando eu não fôr mais ladrão da glória de Deus e tudo
souber atribuir exclusivamente ao Pai Celeste.
RAMILHETE
A profunda
humildade é condição necessária para as grandes realidades da graça de Deus.
Respexit humilitatem, fecit mihi magna. (Lue. I, 48).
SANTO EVANGELHO (Mt.
XXV, 14 a 30).
A PARÁBOLA DOS TALENTOS
(O Reino dos
céus será como um homem que, ao se ausentar para longe, chamou seus servos e
lhes entregou os seus bens. E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a
outro um, a cada um segundo a sua capacidade e partiu logo. O que recebera
cinco talentos, saiu e entrou a negociar com êles, e ganhou outros cinco. Da
mesma sorte também o que recebera dois, ganhou outros dois. Mas o que havia
recebido um, saindo cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor. E
passando muito tempo, veio o senhor daqueles servos, e os chamou às contas. E
che- gando-se a êle o que havia recebido cinco talentos, apresentou-lhe outros
cinco talentos, dizendo: Senhor, tu me entregastes cinco talentos: aqui tens
outros cinco a mais que lucrei. Disse-lhe seu senhor: Muito bem; servo bom e
fiel; já que fôste fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a gerência das grandes.
Entra no gôzo do teu Senhor. Da mesma sorte apresentou-se também o que havia
recebido dois talentos; eis aqui outros dois que lucrei com êles. Seu amo lhe
disse: Bem está, servo bom e fiel; já que foste fiel nas coisas pequenas,
dar-te-ei a gerência das grandes. Entra no gôzo do teu Senhor. E chegando
também o que havia recebido um talento, disse: Senhor, sei que és um homem de
dura condição; ceifas onde não semeaste, e ajuntas o que não espalhaste. E por
temor fui, e escondi o teu talento na terra. Eis. aqui está o que é teu. E
respondendo o senhor lhe disse: Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo
onde não semeio, e que recolho onde não tenho espalhado. Devias,
portanto." dar o meu dinheiro aos banqueiros, e na minha volta, teria
recebido certamente, com juros, o que era meu. Tirai-lhe, pois, o talento, e
dai-o ao que tem dez talentos; porque a todo o que já tem, dar-se-lhe-á, e terá
em abundância: e ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece possuir. E ao
servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores, onde haverá chôro e ranger de
dentes.
IMITAÇÃO DE CRISTO
(L. III. c. 14)
A PROFUNDEZA DO NOSSO
NADA
A alma —
Vossos juízos, Senhor, me aterram como um espantoso trovão, estremecendo todos
os meus ossos penetrados de temor e de tremor, e minha alma fica como
espavorida sem tino nem acordo.
Assim
atônito considero “que os mesmos céus não são puros aos vossos olhos" (Jó.
XV. 15).
“Se até nos
anjos achastes maldade, e os castigastes sem misericórdia, que será de mim.
sendo o que sou?" (Jó. IV. 18).
“Cairam do céu as estrelas; e eu, que sou pó,
que devo esperar?” (Apoc. VI. 13).
Precipitaram-se
em profunda miséria homens, cujas obras pareciam dignas de louvor; e aos que
comiam o pão dos anjos vi deleitar-se com o manjar de animais imundos.
Não há pois
santidade. Senhor, que durar possa, se a vossa mão soberana a não sustenta.
Nenhuma
sabedoria será discreta, se vossa luz a não governa.
Não há
fortaleza que ajude, se por vós não fôr sustentada.
Nenhuma
castidade está segura, se vós a não defenderdes.
Enfim
nenhuma cautela pode salvar a nossa alma, se nos falta vossa santa vigilância.
Deixados a
nós mesmos, para logo nos afundamos e perecemos; visitados porém por vós,
levantamo-nos animosos e vivemos.
Inconstantes
somos, mas vós nos dais firmeza: fazemo-nos tíbios, mas vós nos afervorais.
Oh! que
baixos sentimentos não devo ter de mim mesmo! e em quão pouco devo estimar o
pouco bem que em mim pode haver!
Ó Senhor!
quão profundamente me devo abismar à vista de vossos juízos, onde acho que
outra coisa não sou senão nada e menos que nada.
Ó pêso
imenso que me oprimes! Ó mar sem fundo nem margens onde nada acho de mim. senão
nada em tudo!
Onde se
ocultará pois em mim esta raiz de vaidade, esta confiança presunçosa no pouco
bem que obro?
Tôda esta
vaidade se abisma na pfofündeza de vossos juízos sôbre mim.
Que é o
homem em vossa presença? “Pode por ventura levantar-se o barro contra quem o
formou?” (Is. XXXIX, 16).
Como poderá
enfatuar-se com louvores vãos aquele cujo coração está verdadeiramente sujeito
a Deus?
O mundo
inteiro é incapaz de ensoberbecer aquêle a quem a verdade traz sujeito a seu
império; nem se deixará nunca deslumbrar dos aplausos dos homens, aquêle que em
Deus pôs tôda a sua esperança.
Porque os
louvores nada valem; desaparecerão com o som de suas palavras; porém “a verdade
do Senhor permanece para sempre” (Ps. CXV, 2).
LEITURA
(Cfr. Perez, Vida Mariana, pg. 189, sg.).
COMPARAÇÃO ENTRE MARIA
E NÓS
Ave Maria, cheia de graça
A Santíssima
Virgem estava e estará sempre cheia de graça santificante, mais do que todos os
anjos e santos. E plena de tôdas as graças atuais, pois que seu entendimento
sempre se iluminava com a divina luz e sua vontade era movida sempre a virtudes
heróicas.
E eu, estive
cheio de pecados, e pleno sempre de chagas hediondas que êles deixaram em minha
alma. Cheio de afetos desordenados, de trevas no entendimento, de
entorpecimento na vontade. Talvez exposto a novas e maiores quedas, tanto mais
próximo delas quanto mais afastado me faz crer minha soberba!
O Senhor é convosco
Esteve o
Senhor com sua Mãe, mais do que com nenhuma criatura, já presente em suas
puríssimas entranhas, já unido a sua alma mercê de uma contemplação altíssima
que Nossa Senhora, ao que parece, nem no sono interrompia.
E eu, quanto
me afastei de Deus, com meus pecados, e como me expus a ficar eternamente Dêle
separado! E ainda agora, quão escassamente desfruto de sua divina presença!
Embora, segundo espero, por sua imensa bondade esteja agora presente em minha
alma êste Divino Sol, todavia, as nuvens que dentro de mim levantam minhas
paixões não mo permitem ver.
Bendita sois entre as mulheres
De quantos
dons de Deus. de quantas bênçãos está plena a Santíssima Virgem e como soube
delas aproveitar-se!
E eu, quão
pobre ando de bens sobrenaturais, e quão mal sei aproveitar os que possuo!
Desventurado entre os homens, como Ela foi bendita entre as mulheres. Talvez os
mais desventurados e pecadores seriam melhores do que eu, se recebessem os dons
que me couberam, embora não tenha o Senhor me concedido quantos Êle desejava
porque se vê tão mal correspondido... Que seria dêste servo inútil, que enterra
seu pequenino talento, se lhe não valesse a intercessão de Maria?
Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Que ditoso
Fruto nos deu a Virgem Maria, fruto de salvação e de vida para todo o mundo!
E eu, que
pouco fruto hei obtido, para a glória divina e para o bem de meus irmãos! Que
estéreis são meus trabalhos, por falta de alento sobrenatural que os vivifique!
Visto, pois.
que a comparação com a formosura e riqueza de Nossa Senhora faz ressaltar mais
minha miséria e desnudez sobrenatural, quero arrojar-me a seus pés. rogando-lhe
que tenha piedade de mim, que rogue por mim. pobre pecador, para que sinta
interno conhecimento de meus pecados, grande detestação dêles. para que o
íntimo sentimento de minhas desordens me faça emendar e levantar-me com
decisão.
— Não
permitais. Senhora, que um vosso servo escureça a honra de vossa casa com tais
pecados e vícios. Mas. pela vossa alvura imaculada, pelo horror que nutris ao
pecado, pela compaixão maternal com que buscais o pecador, intercedei junto ao
Pai, a fim de que me possa apresentar com a pureza que me fará digno escravo de
vosso amor!
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