domingo, 10 de maio de 2020


MÊS DE PREPARAÇÃO PARA CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA

DÉCIMO DIA (10)




ORAÇÕES PARA CADA UM DOS DOZE DIAS

VENI CREATOR SPIRITUS.

Vem ó Criador Espírito,
As almas dos teus visita; 
Os corações que criaste,
Enche de graça infinita.

Tu, Paráclito és chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção espiritual.

Tu das septiforme graça;
Dedo és da dextra paterna;
Do Pai, solene promessa,
Dás fôrça da voz superna.

Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito acende,
Do nosso corpo a fraqueza
Com tua fôrça defende.

De nós afasta o inimigo.
Dá-nos a paz sem demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se deplora.

A Deus Padre se dê a glória
E ao Filho ressuscitado,
Paráclito e a ti também,
Com louvor perpetuado.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face da terra.

OREMOS: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo; concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

AVE, MARIS STELLA

Deus te salve, ó Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada ,
Celeste feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca ,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação:
E o nome de Eva troca.

As prisões aos réus desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser Filho teu.

Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos pecados.
Dá-nos pureza e brandura.

Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida segura.
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.

A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um louvor. Amém.


MEDITAÇÃO — INFERNO

PREPARAÇÃO

            Para dois grandes caminhos terrivelmente definitivos abre a augusta porta do Juízo. A meditação sôbre o Inferno me encherá de salutar horror ao pecado e ao espírito do mundo, para confirmar-me na eleição da Divina Sabedoria e da Escravidão marial. Naquele lugar de tormentos, haverá penas dos sentidos, aflições interiores, agonia pela perda de Deus e do amor de Maria. Meditar seriamente sôbre o inferno é meio seguro de o evitar.

MEDITAÇÃO

            I — O abismo infernal abre-se ante meus pés trêmulos, Maria me estende solicitamente as mãos para me reter.
            II — Rainha dos céus e da terra, que alcançais estender vosso onipotente domínio até as regiões da morte eterna, penetrai-me de temor e de tremor ante o castigo terrível com que Deus pune os escravos do mundo.

            I PONTO — As penas dos sentidos.

            Muitas pessoas perderam os sentidos e mesmo morreram de espanto à vista de coisas horrorosas, ou apenas com a imaginação e receio delas. Que há de ser, pois, da visão dos tormentos do inferno e da presença nefanda do demônio, cuja suprema beleza a ira justiceira de Deus transmudou em hedionda disformidade?
            E ouvir os prantos, os clamores e rugidos, as blasfêmias dos condenados, as lamentações sem remédio, os gritos de desespero, os estertores de agonias que a morte jamais virá terminar...
            E o cheiro infecto de tantas podridões, o gôsto amaríssimo das coisas mais imundas, o tormento a espicaçar todos os membros do corpo!
            A sêde, o fogo, as trevas, a imobilidade, tôdas as legiões de demônios, as injúrias dos cúmplices, agora herdeiros do mesmo desespero, a eternidade dos tormentos, sim, a eternidade...

            II PONTO — As aflições interiores.

            Se ainda neste mundo, a imaginação sói acrescentar os sofrimentos, duplicá-los mesmo, — que será no inferno, onde todo terror que ela conceber estará justificado de sobejo pela mais espantosa realidade?
            E a memória, ao recordar não o bem ilusório da terra, tão fugaz que não deixou traços, mas o bem verdadeiro que poderia e que deveria ser partilha do infeliz condenado, e que agora nunca mais poderá alcançar?
            Que fará, então, no inferno todo o exército das paixões mas, cujo exercício ainda era impedido na terra pela sociedade, pelo ambiente ao menos na aparência honesto, do mundo, da família, — e que prorrompe em caudal desfrenada de revoltas, de ódios, raivas, desespêros, mêdos e horrores, quase estraçalhando a pobre alma, mergulhada em todos os tormentos exteriores e interiores...
            A vontade, antes livre de amar a Deus, aferrada agora nas eternas maldições, violentada para sempre na tendência mais profunda de sua natureza, para o bem, para o Bem infinito, agora tão remoto, irremediàvehnente perdido...

            III PONTO — A perda de Deus e de Maria.

            Mas o tormento maior, o inferno do inferno, será a perda de Deus!
            Quando unida ao corpo na terra, a alma não conhece bem tudo o que representa Deus para ela. Porque os sentidos demasiado a solicitam e aliciam.
            Mas quando desprendida do envólucro mortal, entregue ao pendor irresistível de sua natureza, ela se atirar com sofreguidão inenarrável para o Objeto único que a pode satisfazei e vivificar... E quando a justiça inexorável de Deus, castigando uma vida que jamais quis voltar-se para o Bem verdadeiro no uso de sua liberdade, negar-se a acolhê-la, furtando-se aos seus anelos ansiósos de contemplação e de posse, então êsse será o pior dos tormentos, a mais infernal das mortes...
            Ah! A lembrança dos anos visitados da graça de Deus, a primeira Comunhão, as lições de palavras e de exemplos, os mesmos sofrimentos e penas da terra, buscando comover e despertar a consciência endurecida, todos os desprezados auxílios divinos para o cumprimento dos próprios deveres... tudo tornado em pecados péssimos, pelo abuso, endurecimento no mal, incêndio das paixões, chasqueios às coisas santas, risadas satânicas aos bons conselhos e pias admoestações!
            Tudo afastava de Deus, a Suprema Formosura, o Amor dos amores!
            A alma bem o sabia. E o aceitou, livremente, conscientemente...
            O tormento de recordar Maria... o primeiro amor a tão doce Mãe, cêdo abandonada; a ingratidão com que se deixou sua devoção, tão cheia de confiança e de pureza; a frieza de coração com que se voltou as costas à piedade do mês de Maio, à suavidade do Têrço, à beleza encantadora das imagens de Maria, ao convite do Espírito Santo para ser escravo de Nossa Senhora...

COLÓQUIO

            Minha Mãe, Amada com tôdas as fibras de minha alma, com tôdas as vibrações de meu coração, não me deixes perecer! É no vosso regaço, a esconder trêmulo minha cabeça no vosso seio, que vou terminar esta meditação terrível mas necessária para ninha salvação. Não! Não quero apartar-me de Vós. Quero que seja para mim também, no céu, vossa beleza, vosso carinho e vosso encanto. Mortificarei meu corpo e meus sentidos, minha alma e tôdas as suas potências, entregando-me estreitamente algemado a vosso único e exclusivo serviço. Guardarei meus olhos de tôdas as belezas terrenas, para ver vossa formosura. Reservarei meus carinho, para que vô-los possa entregar virginalmente, no paraíso, onde me inebriareis com um oceano de ternura que não posso agora vislumbrar sequer. E, acima de tudo, Vós me conduzireis a Jesus, ao bendito fruto vosso, para que no abismo insondável de seu Coração eu me despenhe, para sempre, na bem-aventurada visão, na inefável posse de Deus!

RAMILHETE

            Maria, fostes Imaculada porque Mãe do Redentor de nossos crimes. Apressai-vos, pois, em socorrer aos míseros, a cuja miséria deveis a felicidade de vossa Pureza!
            Festina miseris misereri, Virgo Beata,
            Nam si te recolis, miseri fecere beatam.
            Ergo bea miseros, quorum te causa beavit!
            (Richardus a S. Laurentio)

SANTO EVANGELHO I (Mat. XXII, 1 a 14)

O BANQUETE E A VESTE NUPCIAL

            E respondendo Jesus, falou-lhes novamente em parábolas, dizendo: o Reino de Deus é semelhante a um rei, que fêz as núpcias de seu filho. E ordenou aos seus servos que chamassem os convidados para as núpcias. Mas êles recusaram vir. Enviou de novo outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: eis que está preparado o meu banquete, os meus touros e os animais cevados já estão mortos, e tudo está pronto: vinde às núpcias. Mas êles desprezaram (o convite), e se foram, um para sua casa de campo; outro para os seus negócios; outros porém lançaram mãos dos servos que êle enviara e, depois de os haverem ultrajado, os mataram. Mas o rei ouvindo isto, exasperou-se. E tendo feito marchar os seus exércitos, acabou com aqueles homicidas, e pôs fogo às cidades dêles. Então disse aos seus servos: As núpcias, com efeito, estão preparadas; mas os que estavam convidados não foram dignos de tomarem parte no banquete; ide, pois, às saídas das ruas, e a quantos achardes convidai-os para as núpcias. E tendo saído os seus servos pelas ruas, reuniram a quantos encontraram, maus e bons. E ficou cheia de convidados a sala do banquete, para as núpcias. Entrou depois o rei para ver os que estavam à mesa, e viu ali um homem que não estava vestido com veste nupcial. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo a veste nupcial? Mas êle emudeceu. Então disse o rei aos seus ministros: Atai-o, de pés e mãos, e lançai-o nas trevas exteriores: aí haverá chôro e ranger de dentes. Porque são muitos os chamados e poucos os escolhidos.

OS SUPLÍCIOS DO INFERNO

            Que outra coisa há de consumir aquele fogo senão teus pecados?
            tanto mais fortemente serás depois atormentado, e tanto mais lenha ajuntas para te queimar.
            No que o homem mais peca, nisso mais severamente será castigado.
            Ali os preguiçosos serão picados com aguilhões ardentes, e os gulosos serão atormentados com fome e séde.
            Ali os luxuriosos e dados aos deleites serão abrasados com ardente pez e fétido enxofre; e os invejosos uivarão de dor como cães raivosos.
            Não há vício que não tenha seu particular tormento.
            Ali os soberbos estarão cheios de confusão, e os avarentos serão oprimidos com miserável necessidade.
            Ali será mais penoso passar uma hora de suplício, que aqui cem anos de áspera penitência.
            Ali não há sossêgo nem consolação para os condenados; mas aqui às vêzes cessam os trabalhos, e se goza da consolação dos amigos.
            Tem agora cuidado e dor de teus pecados para que no dia do juízo estejas seguro com os bem-aventurados.
            Aprende agora a padecer o pouco, para que então sejas livre de muito.
            Prova primeiro neste mundo o que poderás sofrer no outro.
            Se agora tão pouco podes sofrer, como poderás depois sofrer os tormentos eternos?
            Se agora uma pequena moléstia te faz tão impaciente, que fará então o inferno?
            Na verdade, não podes ter dois gozos: deleitar-te neste mundo e reinar depois com Cristo no céu.
            Se até agora tivesses vivido em honras e deleites e te chegasse a morte, que te aproveitaria tudo isto?
            Logo, tudo é vaidade, exceto o amar e servir somente a Deus.
            Porque os que amam a Deus de todo o seu coração, não temem a morte, nem o castigo, nem o juízo, nem o inferno; porque o perfeito amor faz ter perfeito acesso a Deus.
            Mas quem se deleita ainda em pecado, não admira que tema a morte e o juízo.
            Bom é, contudo, que se ainda o amor de Deus nos não desvia do mal, nos refreie ao menos o temor do inferno.
            Porém aquele que despreza o temor de Deus, não poderá perseverar muito tempo no bem, antes mui depressa cairá nos laços do demônio.

LEITURA
(Montfort, T. V. D. n.° 92, sg.)

FALSAS DEVOÇÕES A MARIA QUE NÃO NOS SALVARÃO

            Encontro sete qualidades de falsas devoções à Santíssima Virgem, a saber: 1º, os devotos críticos; 2.°, os devotos escrúpulosos; 3.°, os devotos exteriores; 4.°, os devotos presunsosos; 5.° os devotos inconstantes; 6.°, os devotos hipócritas; 7.°, os devotos interesseiros.
            Os devotos críticos são, em geral, sábios orgulhosos, espíritos fortes e presumidos, que têm no fundo alguma devoção à Santíssima Virgem, mas que criticam quase tôdas as práticas de piedade que as pessoas simples rendem, com tôda a simplicidade e santidade a essa boa Mãe, porque não lhes agradam à fantasia.
            Esta espécie de falsos devotos e de pessoas orgulhosas e mundanas é muito temível; prejudicam extremamente a devoção a Nossa Senhora e afastam Dela muita gente, de um modo deplorável, sob pretexto de destruir os abusos.
            Os devotos escrupulosos são pessoas que temem desonrar o Filho, honrando a Mãe, abaixar um elevando a outra. Não podem sofrer que se dêm à Santíssima Virgem louvores justíssimos que lhes foram conferidos pelos Santos Padres; têm grande pesar de ver que há mais gente diante de um altar de Maria Santíssima que diante do Santíssimo Sacramento, como se uma devoção fôsse contrária à outra, como se aquêles que oram à Virgem Santíssima não orassem a Jesus Cristo por Ela! Não querem que se fale tanto dessa augusta Soberana, que se recorra a Ela tantas vezes.
            A santa Igreja, com o Espírito Santo, bendiz a Santíssima Virgem em primeiro lugar, e Jesus Cristo em segundo: benedicta tu in mulieribus et benedictus fructus ventris tui, Jesus. Não que a Santíssima Virgem seja mais que Jesus Cristo, ou igual a Êle: isto seria uma heresia intolerável; mas é que, para bendizer mais perfeitamente a Jesus Cristo, é preciso primeiro bendizer a Maria. Digamos, pois, com todos os verdadeiros devotos de Maria Santíssima, em oposição a êsses falsos devotos escrupulosos: Ó Maria, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus.
            Os devotos exteriores são pessoas que fazem consistir em práticas exteriores tôda a sua piedade para com Maria; que só apreciam o exterior da devoção à Santíssima Virgem, porque não têm espírito interior; que dizem muitos terços à pressa, ouvem muitas missas sem atenção, vão às procissões sem devoção, alistam-se em tôdas as confrarias sem corrigir sua vida, sem fazer violência às suas paixões, e sem imitar as virtudes dessa Virgem sacrossanta. Só gostam do sensível da devoção, sem apreciar o sólido; se não têm consolações sensíveis em suas práticas, pensam que nada mais fazem, desacoroçoam, abandonam tudo, ou fazem tudo sem regra e aos bocados. O mundo está cheio desta espécie de devotos exteriores, e são os que mais criticam as pessoas de oração que se aplicam ao interior como ao essencial, sem desprezar o exterior de modéstia que sempre acompanha a verdadeira devoção.
            Os devotos presunçosos são pecadores entregues às suas paixões, ou amantes do mundo, que, sob o belo nome de cristãos e de devotos de Nossa Senhora, escondem ou o orgulho ou a ira, a avareza, ou a impureza, ou a embriaguez, ou o costume de praguejar, ou a maledicência, ou a injustiça, etc.; que dormem em paz no meio dos seus maus hábitos, sem fazer grande violência para corrigir-se, sob pretexto de que são devotos à Santíssima Virgem; que se embalam com a esperança de que Deus lhes perdoará; que não morrerão sem confissão e que não serão condenados, porque rezam o terço, jejuam aos sábados porque pertencem à confraria do Rosário ou do Escapulário, ou a outra de suas congregações, porque trazem o pequeno hábito ou a pequena cadeia da Santíssima Virgem, etc.
            Os devotos inconstantes são aquêles que são devotos da Santíssima Virgem por intervalos: ora são fervorosos, ora tíbios; agora parecem prontos a tudo por seu serviço, e daqui a pouco não são mais os mesmos. Começam por abraçar tôdas as devoções à Santíssima Virgem; alistam-se em tôdas as confrarias, mas não lhes cumprem as regras com fidelidade; mudam como a lua, e Maria Santíssima põe-nos sob os pés com o crescente, porque são volúveis e indignos de ser contados entre os servos dessa Virgem fiel, os quais têm por quinhão a fidelidade e a constância.
            Há ainda outros falsos devotos a Maria Santíssima, que são os devotos hipócritas, que dissimulam seus pecados e maus hábitos sob o manto dessa Virgem fiel, a fim de passar aos olhos dos homens pelo que não são.
            Existem finalmente devotos interesseiros, que só recorrem a Nossa Senhora para ganhar algum processo, evitar algum perigo, sarar de uma enfermidade, ou por qualquer outra necessidade semelhante, sem o que a esqueceriam; tanto uns como outros são falsos devotos, que não subsistem diante de Deus e de sua Mãe Santíssima.
            Tomemos, pois, muito cuidado para não sermos do número dos devotos críticos, que nada crêem e tudo criticam; dos devotos escrupulosos, que temem ser demasiadamente devotos à Virgem Santíssima, em respeito a Jesus Cristo; dos devotos presunçosos, que, sob a pretexto e sua falsa devoção a Nossa Senhora, jazem no meio de seus pecados; dos devotos inconstantes, que, por volubilidade, mudam suas práticas de devoção, ou as deixam inteiramente à menor tentação; dos devotos hipócritas, que se alistam nas confrarias e trazem as insígnias da Santíssima Virgem para passarem por bons; e finalmente dos devotos interesseiros, que só recorrem a Maria Santíssima para serem livres dos males do corpo ou obter bens temporais.

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