MÊS DE PREPARAÇÃO PARA
CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA
DÉCIMO NONO DIA (19)
ORAÇÕES PARA CADA DIA
Ladainha do Espírito
Santo
Ave Maris Stella
Um Rosário ou ao menos
um Terco
ORAÇÕES PARA CADA DIA
LADAINHA DO ESPÍRITO
SANTO
Senhor, tende piedade de nós,
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de
nós.
Espírito Santo, que sois Deus. tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de
nós.
Espírito, que procedeis do do Pai e do Filho, tende piedade
de nós.
Espírito do Senhor, que no começo do mundo, pairáveis sôbre
as águas, e as tomáveis fecundas, tende piedade de nós.
Espírito, por instrução do qual os santos homens de Deus falaram.
Espírito, cuja unção nos ensina tôdas as coisas.
Espírito, que dais testemunho de Jesus Cristo, Espírito de
verdade, que nos instruis em tôdas as coisas, Espírito que repousastes sobre Maria,
Espírito do Senhor, que encheis tôda a terra,
Espírito de Deus, que estais em nós,
Espírito de sabedoria e de inteligência,
Espírito de conselho e de fortaleza,
Espírito de ciência e de piedade,
Espírito de temor de Deus, Espírito de graça e de misericórdia,
Espírito de fôrça de amor e de sobriedade,
Espírito de fé, esperança, caridade e de paz,
Espírito de humildade e de castidade,
Espirito de benignidade e de mansidão,
Espírito de tôda a sorte de graças,
Espírito que sondais até os segredos de Deus,
Espírito que rogais por nós com gemidos inefáveis,
Espírito que descestes sôbre Jesus Cristo sob a forma de uma
pomba.
Espírito pelo qual nós recebemos um novo nascimento.
Espírito que nos encheis os nossos corações de caridade.
Espírito de adoção dos filhos de Deus,
Espírito que aparecestes sobre os Discípulos sob a forma de
línguas de fogo.
Espírito pelo qual os Apóstolos foram possuídos,
Espírito, que distribuis os vossos dons a cada um segundo a
vossa vontade,
Sêde-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sêde-nos propício, atendei-nos, Senhor.
De todo o mal, livrai-nos,
Senhor.
De todo pecado,
Das tentações e insídias do diabo,
De tôda presunção e desespero,
Da resistência à verdade conhecida,
Da obstinação e da impenitência,
Da impureza da alma e do corpo,
Do espírito de luxúria,
De todo mau espirito,
Por vossa eterna processão do Pai e do Filho,
Pela conceição de Jesus Cristo feita por operação vossa,
Por vossa descida sôbre Jesus Cristo no Jordão,
Pela vossa vinda sôbre os Discípulos,
No dia do juízo,
Pobres pecadores, nós
vos rogamos, escutai-nos.
A fim de que vivendo pelo espírito, também andemos segundo o
espírito,
A fim de que lembrando-nos de que somos o templo do Espírito
Santo, jamais o profanemos,
A fim de que vivendo segundo o espírito, não nos acomodemos
aos desejos da carne,
A fim de que pelo espírito mortifiquemos as obras da carne,
A fim de que não entristeçamos a vós, que sois o Espírito
Santo de Deus,
A fim de que tenhamos
cuidado de guardar a unidade do espírito no vínculo da paz,
A fim de que não demos crédito facilmente a todo espirito,
A fim de que provemos os espíritos para ver se êles de fato
vêm de Deus,
A fim de que renoveis em nós o espírito de retidão,
A fim de que nos confirmeis com o vosso espírito soberano.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, atendei-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
OREMOS. Nós vos suplicamos, Senhor, que
nos assistais sem cessar pela virtude do vosso Espírito Santo, a fim de que
purificando por sua misericórdia as máculas dos nossos corações, Ele nos
preserve ainda de todos os males. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.
AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada ,
Celeste feliz entrada.
Ó tu que ouviste da boca ,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação:
E o nome de Eva troca.
As prisões aos réus desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.
Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser Filho teu.
Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos pecados.
Dá-nos pureza e brandura.
Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida segura.
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.
A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um
louvor. Amém.
PRIMEIRO DIA (19)
MEDITAÇÃO — GRANDEZA
OCULTA DE MARIA
PREPARAÇÃO
Depois que
nos demos ao esforço salutar do conhecimento de nós mesmos, para nos desprezar,
renunciar-nos e não confiar em nós, vamos agora com a graça do Divino Espírito
Santo, estudar Maria para conhecê-la, apegar-nos a Ela, confiar-lhe toda a
nossa vida e nossa eternidade. Meditaremos primeiro o profundo amor de Maria à
vida oculta, sua grandeza inefável nesse escondimento, e a glória que pela sua
humildade Deus depois lhe concedeu. Dela aprenderemos como a humildade é a
fonte de tôda verdadeira exaltação.
MEDITAÇÃO
PRELÚDIOS
I —
Acerco-me de Maria oculta no Templo de Jerusalém, a adorar a Deus, desconhecida
de todos.
II — Mãe
Oculta e Fecunda, fazei-me entrar nos vossos tesuoros íntimos, na beleza
interior de vossa alma, que me encante e arrebate docemente.
I PONTO — Amor de Maria à vida oculta (Cfr.
T.V.D. n.° 2, seg.)
Maria viveu
oculta durante sua vida. O Espírito Santo e a Igreja a chamam Alma Mater, Mãe
secreta e escondida. Foi tão grande sua humildade que seu maior desejo,
enquanto viveu sôbre a terra, era esconder-se a si mesma e a tôda criatura,
para não ser reconhecida senão somente de Deus! E Nosso Senhor, acedendo a seus
rogos, para que a ocultasse, empobrecesse e humilhasse, quis ocultá-la em sua
conceição, em seu nascimento, em sua vida, em seus mistérios, em sua
ressurreição e em sua assunção, aos olhos de quase todas as criaturas humanas.
Seus próprios pais não a conheciam e os anjos perguntavam muitas vêzes uns aos
outros: Quae est ista? Quem é esta? — porque o Altíssimo a escondia aos
próprios anjos, ou se lhes revelava alguma coisa, ocultava-lhes infinitamente
mais...
Deus Pai
consentiu que Ela não fizesse milagres, conhecidos ao menos, durante a sua
vida, embora lhe tivesse dado o poder de fazê-los. Deus Filho consentiu que pronunciasse
poucas palavras, embora lhe tivesse comunicado a sua sabedoria. Deus Espírito
Santo consentiu que os Apóstolos e Evangelistas dela pouco dissessem, somente
aquilo que era necessário para fazer conhecer a Jesus Cristo, embora Ela fôsse
sua Esposa fiel.
Admirável
lição da Providência! A santidade, pois, que encontra graça aos olhos de Deus,
não é a que brilha aos olhos do mundo, senão a que se .culta no íntimo da alma
e do coração, feito santuário do amor puro de Deus! Nada valem as mais
portentosas obras exteriores de apostolado brilhante em face de um ato perfeito
de amor puro de Deus!
II PONTO — Grandeza
inefável do escon- dimento de Maria (Ibid. n.° 5, seg.)
Maria é a
mais sublime entre as obras primas de Deus, cujo conhecimento e posse Êle
reservou para si. A divina Maria é o paraíso terrestre do novo Adão, onde Êle
se encarnou por obra do Espírito Santo, para aí realizar maravilhas
incompreensíveis. É o grande e divino mundo de Deus, onde há belezas e tesouros
inefáveis. É a magnificência do Altíssimo, em que Êle ocultou, como no próprio
seio, a seu Filho único, e nêle, tudo quanto há de mais excelente e precioso.
Oh! Que coisas grandes e ocultas realizou Deus nesta criatura admirável, de tal
sorte que Ela mesma é obrigada a dizer, malgrado sua profunda humildade: Fecit
mihi magna qui potens est. Fêz em mim grandes coisas Aquele que é poderoso! O
mundo não as conhece, porque é incapaz e indigno delas.
Deus se
compraz deveras em exaltar os humildes. A própria sede de ocultamento e
humildade é, portanto, índice de virtude, e de predestinação para a santidade.
Aprendamos de Maria a tornar presente em nossa alma também êsse sinal de
predileção divina. copiando seu anelo de escondimento. aos olhos de tôdas as
criaturas.
III PONTO — Glória que
Deus concede à humildade de Maria (Ibid. n.° 7, seg.)
Disseram os
santos coisas admiráveis desta santa Cidade de Deus, e nunca foram tão felizes
e tão eloqüentes como quando anunciaram os seus louvores.
Todos os
dias, de um a outro extremo da terra, no mais alto dos céus, no mais profundo
dos abismos, tudo anuncia as glórias da humilde Escrava do Senhor.
Tôda a terra
está cheia de sua glória, máxime entre os cristãos que a tomaram para sua
padroeira e advogada em inúmeras nações, dioceses e cidades. Quantas catedrais
consagradas a Deus sob a invocação de Maria! Não há igreja que não possua um
altar dedicado a Ela. Nenhum lugar onde não se encontre uma imagem sua, a cujos
pés vão procurar remédio todos os males e onde se lucram todos os favores.
Quantas ordens religiosas, congregações, confrarias em sua honra! Quantos os
que publicam os seus louvores e anunciam as suas misericórdias! Não há criança
que não a louve rezando a Ave Maria, não há pecador que ainda em sua obstinação
não tenha nela um raio de esperança. Nem no inferno não há um demônio que não
lhe tenha respeito, cheio de temor...
Como soube
Maria encontrar o verdadeiro caminho de sua exaltação e de sua glória! Que
universalidade a de seu culto! Também em nosso coração lhe devemos dar lugar,
um lugar tanto mais dilatado e amoroso quanto o Divino Espírito Santo nos vai iluminando
mais e mais no conhecimento e apreço desta divina Rainha dos céus e da terra.
COLÓQUIO
(ibid... n.° 10, sg.)
Vossa
inefável beleza interior, ó Maria, não foi ainda suficientemente louvada,
exaltada, amada e servida. Mereceis ainda mais louvores, respeito, amor e
serviços afetuosos.
Tôda a vossa
glória é interior. É como se toda a glória exterior que à porfia vos rendem os
céus e a terra, nada íôsse em comparação com a glória íntima que recebeis de
Deus, e que não é conhecida das criaturas mesquinhas, indignas e incapazes de
penetrar nos segredos do Grande Rei...
Nossos olhos
nunca viram, nossos ouvidos nunca ouviram, o coração do homem jamais alcançou
compreender as vossas belezas, as vossas grandezas, as vossas excelsitudes, ó
Maria, milagre dos milagres da graça, da natureza e da glória!
No silêncio
de minha veneração feita de carinhoso amor, deixarei que o sentimento da
grandeza de Maria vença o meu coração.
Hic taceat
ovinis lingua.
SAGRADA ESCRITURA (Proverb. VII, 22 a 35)
MARIA ASSEMELHADA À DIVINA SABEDORIA
O Senhor me
possuiu no princípio de seus caminhos, desde o princípio, antes que criasse
coisa alguma. Desde a eternidade fui constituída, e desde o princípio, antes
que a terra fosse criada. Ainda não havia os abismos, eu estava já concebida.
Ainda as fontes das águas não tinham brotado; ainda se não tinham assentado os
montes sôbre a sua pesada massa; antes de haver outeiros, eu tinha já nascido.
Ainda não tinha criado a terra nem os rios, nem os eixos do mundo. Quando Êle
preparava os céus, eu estava presente; quando, por uma lei inviolável,
encerrava os abismos dentro dos seus limites; quando firmava no alto a região
etérea, e quando equilibrava as fontes das águas; quando circunscrevia ao mar o
seu têrmo e punha lei às águas, para que não passassem os seus limites; quando
assentava os fundamentos da terra, eu estava com Êle, regulando tôdas as
coisas; e cada dia me deleitava, brincando continuamente diante dêle, brincando
sôbre o globo da terra, e achando as minhas delícias em estar com os filhos dos
homens.
Agora, pois,
filhos, ouvi-me: Bem-aventurados os que guardam os meus caminhos. Ouví as
minhas instruções, e sêde sábios, e não queirais rejeitá-las. Bem-aventurado o
homem que me ouve, e que vela todos os dias à entrada da minha casa, e que se
conserva à porta da minha casa. Aquêles que me achar, achará a vida, e
alcançará do Senhor a salvação.
GLÓRIAS DE MARIA
(pág. 367, sg.)
HUMILDADE DE MARIA
De tôdas as
virtudes é a humildade o fundamento e a guarda. Sem humildade, não há virtude que
possa existir numa alma. Possua embora todas as virtudes, fugiriam tôdas ao lhe
fugir a humildade. Pelo contrário, Deus tão amante é da humildade, que se
apressa em correr para onde a vê, escreve S. Francisco de Sales a Sta. Joana de
Chantal.
O primeiro
traço da humildade é o modesto conceito de si mesmo. Maria, embora se visse
mais enriquecida de graças que os outros todos, nunca se julgou acima de quem
quer que fôsse. Ao contrário, teve sempre modesta opinião de si mesma. O
humilde conceito de si mesma foi o encanto com que Maria prendeu o coração de
Deus. Não podia, é claro, a SSma. Virgem julgar-se uma pecadora. Pois, na frase
de Sta. Teresa, a humildade é a verdade, e Maria tinha consciência de nunca
haver ofendido a Deus. Não é também que deixasse de confessar a preferência com
que Deus lhe concedera maiores favores do que às demais criaturas. Para
humilhar-se ainda mais, reconhece o coração do humilde as singulares dádivas do
Senhor. A nítida compreensão da infinita grandeza e dignidade de Deus, porém,
aprofundava na Virgem o conhecimento da própria pequenez.
Também é
efeito da humildade ocultar os dons celestes. Nem a S. José quis a Senhora
revelar a graça de se haver tornado Mãe de Deus. O pobre esposo viu como Ela ia
ser mãe, e necessitava de esclarecimentos que o libertassem de cruciantes
suspeitas da honestidade da esposa, e dêle afastassem vexames e confusões. De
um lado, José não podia duvidar da castidade de Maria e de outro ignorava o
mistério da Encarnação. Resolveu por isso deixá-la ocultamente, para sair de
tão embaraçosa situação. Tê-lo-ia feito certamente, se o anjo não lhe ouvesse
revelado que sua esposa se tornara Mãe por obra do Espírito Santo.
O humilde
recusa os louvores, referindo-os todos a Deus. Tal foi o procedimento de Maria,
ao perturbar-se diante dos louvores que lhe dirigia o arcanjo S. Gabriel. E foi
outro talvez seu procedimento, quando Isabel a chamou de bendita entre tôdas as
mulheres e de Mãe do Senhor? Imediatamente Maria atribui tôda a glória a Deus,
respondendo no seu humilde cântico: Minha alma engrandece ao Senhor. Vale como
se dissesse: Isabel, tu me louvas, porém, eu louvo ao Senhor, a quem unicamente
é devida tôda a honra. Tu te admiras de vir eu a ti, mas eu admiro a bondade
divina, na qual, tão somente, meu espírito se alegra. Louvas-me porque eu
acreditei, mas eu louvo a meu Deus que quis exaltar o meu nada.
É próprio do
humilde prestar serviços. Maria não se negou a servir Isabel durante três
meses. Sôbre isto escreve S. Bernardo: Admirou-se Isabel da vinda de Maria,
porém, mais admirável era ainda o motivo de sua vinda: vinha para servir e não
para ser servida.
Os humildes
amam, finalmente, os desprezos. Eis por quê não se lê que Maria aparecesse em
Jerusalém no domingo de Ramos, quando seu Filho foi recebido com tanta pompa
pelo povo. Mas por ocasião da morte de Jesus, não receiou comparecer em público
no Calvário, aceitando assim a desonra de se dar a conhecer por mãe de um
sentenciado, que ia sofrer a morte de um criminoso.
LEITURA
Perez. Vida Mariana, pg. 30, sg.)
MARIA HUMILDE ESCRAVA
DO SENHOR
"Escrava
do Senhor” era o nome predileto de Maria. Já o salmista nô-la havia apresentado
com êste nome, quando na Pessoa de Jesus Cristo, rogava ao Pai, dizendo: Salvum
jac filium ancialle tuae. Salvai o Filho de vossa Escrava (Sal., VIII, 16).
No
Evangelho, as duas vêzes que se nomeia a si mesma, chama-se escrava, tem
linguagem de serva, oculta-se e trabalha como serva, e o mesmo Deus, de certa
maneira, trata-a como a escrava. Quão entranhada lhe é a idéia de escravidão,
pois tão espontaneamente brotou de seus lábios o nome de escrava, quando pela
vez primeira via-se aureolada como Epôsa e Mãe do Eterno, e sentia em sua
fronte o diadema de Rainha dos anjos e dos homens!
Disse Ela um
dia a S. Matilde: "A todo aquele que me recordar devotamente a alegria que
experimentei ao pronunciar as palavras: Aqui está a Escrava do Senhor,
far-lhe-ei conhecer que deveras sou sua Mãe e o socorrerei com fidelidade. Essa
alegria que Nossa Senhora tanto se compraz em recordar, é o gôzo da vítima de
amor que se imola, e não o da rainha que triunfa. Notam com razão Mons. Gay e o
Pe. Lhoumeau que a frase Ecce ancilla Domini Maria não a disse apenas, mas
viveu-a, porque de verdade, parece-nos que nela deixou escrita sua história e
retratada sua alma. E é porque ela, que melhor que ninguém conhecia a si mesma
e conhecia a Deus, via claramente que ainda para a mais excelsa das criaturas é
honra excessiva ser escrava de Deus. E mesmo o título de Mãe, longe de solvê-la
da escravidão, antes a atava com novos laços. Ainda que não fosse escrava por
natureza, como não o seria por amor, ao vêr em seus braços a Deus, feito
escravo por amor a Ela? Eis por que, no Evangelho, mais toma relêvo a Escrava,
que a Mãe do Senhor e Rainha do mundo, como se o Espírito Santo houvesse
cerrado a bôca dos evangelistas para que não ofendessem a modéstia de sua
humildíssima Esposa.
Maria
aparece na companhia de Jesus Menino, mas como que rejeitada por Jesus Homem.
Não fazendo milagres, antes pedindo-os com palavras de escrava, quando nessa
qualidade, servia nas bodas de Caná. Não tomando parte nas aclamações
tributadas a seu Filho, quando Êle multiplicava os pães e quando entre ramos de
oliveiras percorria as ruas de Jerusalém. Nem sequer participa dos júbilos
espirituais do Tabor e da Ressurreição. Mas sim junto à Cruz, bebendo tôdas as
humilhações e amarguras do Calvário. Até no Cenáculo, onde os pintores a
representam como Rainha no meio dos Apóstolos, o pintor divino a descreve como
escrava, citando o seu nome por último entre as mulheres, cimi mulieribus et
Maria Matre Jesu...
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