MÊS DE PREPARAÇÃO PARA
CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA
QUINTO DIA (5)
ORAÇÕES PARA CADA UM
DOS DOZE DIAS
VENI CREATOR SPIRITUS.
Vem ó Criador
Espírito,
As almas dos teus
visita;
Os corações que criaste,
Enche de graça
infinita.
Tu, Paráclito és
chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção
espiritual.
Tu das septiforme
graça;
Dedo és da dextra
paterna;
Do Pai, solene
promessa,
Dás fôrça da voz
superna.
Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito
acende,
Do nosso corpo a
fraqueza
Com tua fôrça defende.
De nós afasta o
inimigo.
Dá-nos a paz sem
demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se
deplora.
A Deus Padre se dê a
glória
E ao Filho
ressuscitado,
Paráclito e a ti
também,
Com louvor perpetuado.
V. Enviai, Senhor, o
vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face
da terra.
OREMOS: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do
Espírito Santo; concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e
gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.
AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó
Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da
morada ,
Celeste feliz entrada.
Ó tu que ouviste da boca
,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e
quietação:
E o nome de Eva troca.
As prisões aos réus
desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos
maltrata
Nos livra, o bem nos
granjeia.
Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos
do povo seu,
Ouça aquêle que
nascendo,
Por nós, quis ser
Filho teu.
Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos
pecados.
Dá-nos pureza e
brandura.
Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida
segura.
Para que a Jesus
gozemos,
E sempre nos
alegremos.
A Deus Padre
veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um
louvor. Amém.
MEDITAÇÃO — AS MÁXIMAS
DE JESUS CRISTO
PREPARAÇÃO
A oposição
entre as máximas do mundo e as de Nossa Senhora vai fixar-me no horror ao
espírito diabólico do século e no propósito de me afastar decisiva e
definitivamente do inimigo de minha alma. O espírito de Jesus é de pobreza,
doçura, fome e sêde de santidade. Ele se reflete maravilhosamente na alma de
Maria, o formoso “espelho de justiça”.
MEDITAÇÃO
PRELÚDIOS
I —
Tomando-me pela mão, Maria leva-me junto à montanha das Bem-aventuranças onde
me aponta a Jesus que me ensina.
II — Minha
Mãe, avivai em meu coração a fé, para que eu possa ouvir o mandamento do Reino
de Jesus e ajuste minha vida a essa doutrina celeste.
I PONTO — Bem-aventurados os pobres de
espírito.
Não devo
procurar os bens deste mundo, senão na medida em que êles me são necessários ou
úteis ao cumprimento de meus deveres de estado. Se Nosso Senhor permitiu que os
tenha em abundância, não prenderei aí meu coração, divitiae si affluant, nolite
cor apponere (Sal. XVI, 11). Se ao contrário, Ele me priva desses bens,
agradecerei a Deus a felicidade maior que tenho de não os amar, pondo em perigo
minha eterna salvação. Somente então serei deveras feliz!
Minha
consagração a Nossa Senhora transferirá tôdas as minhas posses à Virgem Santíssima.
Não terei mais espírito de propriedade, serei portanto “pobre de espírito”.
Quando quiser dispor de alguma coisa, deverei pedir autorização à Minha
Senhora, considerando-me simplesmente um fiel ecónomo de tudo o que eu tiver.
Feliz, mas inteira dependência! E possuirei o Reino de Deus, serei senhor dos
tesouros verdadeiros.
II PONTO — Bem-aventurados os mansos.
Contra o
egoísmo feroz dos mundanos, o espírito de Jesus é de imensa caridade. De
doçura, de mansidão. É preciso ter paciência, benignidade. Não ter inveja, não
agir precipitadamente, não se irar, não alimentar nenhuma ambição. Não procurar
os próprios direitos, mas somente os dos outros. Pensar bem de todos, tudo
suportar condescender em tudo, menos no pecado (Cfr. I, Cor. XIII). Por amor de
Deus, em união com Jesus, à imitação do Redentor que deu a sua vida por nós, a
exemplo de Maria que consentiu na imolação de seu Jesus por amor dos outros
seus pobres filhos míseros... Minha consagração vai aproximar-me do trono de
Nossa Senhora. Há de vizinhar-me também de sua caridade.
E ganharei a
terra do meu coração, despido de egoísmos rancorosos que promovem as guerras. A
terra do coração de meus irmãos, vencidos pela do-çura que traz a paz
verdadeira.
III PONTO — Bem-aventurados os que choram e desejam a justiça.
Chorar
primeiro os próprios pecados. Anelar, depois, a santidade, a virtude, como o
organismo reclama imperiosamente o alimento. O mundo ensina que “não é preciso
converter-se”. Que cumpre “não exagerar” porque “Deus não pede tanto de nós, e
se tentássemos fazer mais, haveria ilusão e orgulho” (Cf. Montfort, A. E. S.,
pg. 268).
Mas Jesus, a
Divina Sabedoria nos ordena ao contrário, que choremos os nossos pecados em
sincera conversão. Que tenhamos fome e sêde da justiça e da santidade.
Felizes
lágrimas que lavam os pecados, que edulcoram as penas e aflições, que traduzem
os anelos fervorosos do Bem e da Páiria! Merecerão os supremos consolos do
perdão, do mérito, da coroa do céu!
Unirei
minhas pobres lagrimas às de minha Mãe Dolorosa, para que Ela as torne também
em pérolas de preço aos olhos de Deus. Para que eu possa comprar meu resgate,
meu perdão, e o precioso tesouro de tôdas as virtudes.
COLÓQUIOS
Mãe de
misericórdia, meu auxílio e meu conforto, ajudai-me neste despojamento total de
tudo o que me prende à terra, impedindo-me o vôo para Nosso Senhor. Que eu me
desapegue de mim mesmo, sobretudo, a fim de que seja fácil e suave para meu
coração o amor compassivo e manso de meu próximo. Fazei minhas as vossas
lágrimas, as que derramastes de amor e desejo de Jesus! Nossa Senhora da
Soledade, dai-me intenso anelo de me achar, de tudo despojado, transformado de
amor, ardendo de saudade e desejo de Jesus e do céu onde Ele se encontra, —
vosso Regaço maternal.
RAMILHETE
Maria,
separada de Jesus, na sua Compaixão e na sua Saudade, dar-me-á as lágrimas do
arre pendimeno e do desejo, fac me tecum pie flere, (Seq. Stabat Mat.)
SANTO EVANGELHO (Mat.
VII, 19 a 33)
DESPRÊZO DAS RIQUEZAS
DA TERRA
Não queirais
entesourar para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça consomem, e
onde os ladrões os desenterram e roubam. Mas entesourai para vós os tesouros no
céu, onde nem a ferrugem nem a traça os consomem, e onde os ladrões não os
desenterram nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, aí está o teu coração.
Teu olho é a luz do teu corpo. Se o teu ôlho fôr simples todo o teu corpo será
luminoso. Mas se o teu ôlho for mau, todo o teu corpo estará em trevas. Se
pois, são trevas a luz que há em ti, quão grandes não serão as mesmas trevas?
Ninguém pode servir a dois senhores. Porque, ou há de aborrecer um e amar o outro,
ou há de acomodar-se a êste e desprezar aquêle. Não podeis servir a Deus e a
Mamon. Digo-vos, pois: Não andeis inquietos com o que haveis de comer para
manter a vida, nem com o vestuário para o vosso corpo. Não é mais a alma que a
comida, e mais o corpo que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não
semeiam, nem colhem, nem ajuntam provisões nos celeiros. E contudo, Vosso Pai
celestial as sustenta. Porventura, não sois vós muito mais do que elas? E quem
de vós por muito que pense, pode acrescentar um côvalo à sua estatura? E por
que andais preocupados com o vestuário? Considerai como crescem os lírios do
campo. E no entanto êles não trabalham nem fiam. Digo-vos mais, que nem Salomão
em tôda a sua glória jamais se vestiu como um destes. Se pois ao feno do campo,
que hoje existe e amanhã é lançado ao forno, Deus assim veste, quanto mais a
vós, homens de pouca fé? Não vos aflijais pois dizendo: Que comeremos ou que
beberemos, ou com que nos havemos de cobrir? Os gentios é que se ocupam com
estas coisas. Vosso Pai sabe que de tôdas estas coisas tendes necessidade.
Buscai pois primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, e tôdas estas coisas
ser-vos-ão dadas de acréscimo.
IMITAÇÃO DE CRISTO
(Liv. III, cap. XXIII)
DOCUMENTOS PARA OBTER A
PAZ
Jesus
Cristo. — Filho, vou agora ensinar-te o caminho da paz e da verdadeira
liberdade.
A alma. —
Fazei-me, Senhor, essa graça, que me alegro muito de vos ouvir.
Jesus
Cristo. — Procura, filho, fazer antes a vontade de outrem que a tua.
Contenta-te
com o pouco, e estima sempre ter menos que mais.
Busca sempre
o último lugar, e gosta de ser inferior a todos.
Deseja e
pede sempre a Deus que se cumpra em ti inteiramente a sua divina vontade.
Quem assim
faz, está no caminho da paz e do descanso.
A alma. —
Senhor, esses curtos preceitos que me dais, encerram uma grande perfeição.
Contam
poucas palavras, porém estão cheios de sentido e de copioso fruto.
Se eu fôsse
fiel em os guardar, não entraria em mim tão facilmcnte a perturbação.
Porque todas
as vezes que me acontece perder a paz e a quietação, reconheço ter-me apartado
destas máximas.
Mas Vós que
podeis tudo, e desejais sempre o proveito das almas, aumentais em mim vossa
graça, para que, obedecendo a vossos preceitos, possa alcançar a minha
salvação.
LEITURA
(Montfort, A. S. E. p.
270, sg.)
O ESPÍRITO DA SABEDORIA
ENCARNADA
Para possuir
a Sabedoria, urge mortificar o corpo, não somente com sofrer pacientemente as
moléstias corpóreas, provações das intempéries, males que advêm das outras
criaturas. Mas ainda, buscando algumas penas e mortificações, tais como jejuns,
vigílias e outras austeridades dos santos penitentes.
Para isso é
preciso coragem, porque a carne é naturalmente idólatra de si mesma, e o mundo
considera e rejeita como inúteis tôdas as mortificações do corpo. Que não faz
êle e que não diz, para afastar a prática das austeridades dos Santos, cuja
penitência assim encontramos descrita: Corpus suum perpetuis vigiliis,
jejuniis, flagellis, frigore, nuditate, atque omni asperitatum genere in
servitutem redegit cum quo pactum inierat ne ullam in loc soecido ei sequiem
praeberet, — O santo reduziu seu corpo à obediência, mercê de vigílias, jejuns,
disciplinas, frio, nudez, tôda a sorte de austeridades, e fêz com êle o pacto
de nada lhe dar de repouso neste mundo”. De cada santo diz o Espírito Santo que
era inimigo da túnica manchada de sua carne, — odientes et eam quae carnalis
est, maculatam tunicam (Jud. 23). E, para que esta mortificação exterior e
voluntária, seja salutar, é mister juntá-la à mortificação do juízo lyda
vontade, pela santa obediência. Porque, sem esta obediência, tôda mortificação
é nodoada da vontade própria, e muitas vezes mais agradáveis ao demônio do que
a Deus. Por isso nenhuma mortificação maior se faça sem conselho. A habitação
da Sabedoria é no conselho — Ego Sapintia habito in consilio (Prov. VIII, 12).
O que confia em si mesmo, confia num louco, — qui confidit in corde suo, stultus
est. (Prov.
XVIII, 26). O sábio tudo faz com conselho, astutus omnia agit cum concilio
(Prov. XIII, 16). Quem não quiser arrepender-se do que faz, não o faça antes de
aconselhar-se com um varão prudente. É a grande admoestação do Espírito Santo: sine consilio nihil facias, et
post factum non paenitebis (Ecli, XXXI, 24) Consilium semper a Sapiente
perquire (Tob IV, 19). Mediante esta
obediência, o amor próprio que tudo estraga será expulso; a menor ação será
meritória; fica a alma defendida contra a ilusão do demônio, vitoriosa dos
inimigos todos; chegará seguramente e como a dormir, ao pôrto da salvação,
“quasi dormiendo confectum.
Tudo o que
acabo de dizer se encerra neste conselho: Deixai tudo e encontrareis tudo, encontrando
Jesus Cristo, a Sabedoria Encarnada, - Dimitte omnia et invenies omnia.

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