terça-feira, 5 de maio de 2020


MÊS DE PREPARAÇÃO PARA CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA

QUINTO DIA (5)


ORAÇÕES PARA CADA UM DOS DOZE DIAS

VENI CREATOR SPIRITUS.

Vem ó Criador Espírito,
As almas dos teus visita; 
Os corações que criaste,
Enche de graça infinita.

Tu, Paráclito és chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção espiritual.

Tu das septiforme graça;
Dedo és da dextra paterna;
Do Pai, solene promessa,
Dás fôrça da voz superna.

Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito acende,
Do nosso corpo a fraqueza
Com tua fôrça defende.

De nós afasta o inimigo.
Dá-nos a paz sem demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se deplora.

A Deus Padre se dê a glória
E ao Filho ressuscitado,
Paráclito e a ti também,
Com louvor perpetuado.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face da terra.

OREMOS: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo; concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada ,
Celeste feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca ,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação:
E o nome de Eva troca.

As prisões aos réus desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser Filho teu.

Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos pecados.
Dá-nos pureza e brandura.

Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida segura.
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.

A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um louvor. Amém.

MEDITAÇÃO — AS MÁXIMAS DE JESUS CRISTO

PREPARAÇÃO
            A oposição entre as máximas do mundo e as de Nossa Senhora vai fixar-me no horror ao espírito diabólico do século e no propósito de me afastar decisiva e definitivamente do inimigo de minha alma. O espírito de Jesus é de pobreza, doçura, fome e sêde de santidade. Ele se reflete maravilhosamente na alma de Maria, o formoso “espelho de justiça”.
MEDITAÇÃO

PRELÚDIOS

            I — Tomando-me pela mão, Maria leva-me junto à montanha das Bem-aventuranças onde me aponta a Jesus que me ensina.
            II — Minha Mãe, avivai em meu coração a fé, para que eu possa ouvir o mandamento do Reino de Jesus e ajuste minha vida a essa doutrina celeste.

            I PONTO — Bem-aventurados os pobres de espírito.

            Não devo procurar os bens deste mundo, senão na medida em que êles me são necessários ou úteis ao cumprimento de meus deveres de estado. Se Nosso Senhor permitiu que os tenha em abundância, não prenderei aí meu coração, divitiae si affluant, nolite cor apponere (Sal. XVI, 11). Se ao contrário, Ele me priva desses bens, agradecerei a Deus a felicidade maior que tenho de não os amar, pondo em perigo minha eterna salvação. Somente então serei deveras feliz!
            Minha consagração a Nossa Senhora transferirá tôdas as minhas posses à Virgem Santíssima. Não terei mais espírito de propriedade, serei portanto “pobre de espírito”. Quando quiser dispor de alguma coisa, deverei pedir autorização à Minha Senhora, considerando-me simplesmente um fiel ecónomo de tudo o que eu tiver. Feliz, mas inteira dependência! E possuirei o Reino de Deus, serei senhor dos tesouros verdadeiros.
            II PONTOBem-aventurados os mansos.

            Contra o egoísmo feroz dos mundanos, o espírito de Jesus é de imensa caridade. De doçura, de mansidão. É preciso ter paciência, benignidade. Não ter inveja, não agir precipitadamente, não se irar, não alimentar nenhuma ambição. Não procurar os próprios direitos, mas somente os dos outros. Pensar bem de todos, tudo suportar condescender em tudo, menos no pecado (Cfr. I, Cor. XIII). Por amor de Deus, em união com Jesus, à imitação do Redentor que deu a sua vida por nós, a exemplo de Maria que consentiu na imolação de seu Jesus por amor dos outros seus pobres filhos míseros... Minha consagração vai aproximar-me do trono de Nossa Senhora. Há de vizinhar-me também de sua caridade.
            E ganharei a terra do meu coração, despido de egoísmos rancorosos que promovem as guerras. A terra do coração de meus irmãos, vencidos pela do-çura que traz a paz verdadeira.
            III PONTOBem-aventurados os que choram e desejam a justiça.

            Chorar primeiro os próprios pecados. Anelar, depois, a santidade, a virtude, como o organismo reclama imperiosamente o alimento. O mundo ensina que “não é preciso converter-se”. Que cumpre “não exagerar” porque “Deus não pede tanto de nós, e se tentássemos fazer mais, haveria ilusão e orgulho” (Cf. Montfort, A. E. S., pg. 268).
            Mas Jesus, a Divina Sabedoria nos ordena ao contrário, que choremos os nossos pecados em sincera conversão. Que tenhamos fome e sêde da justiça e da santidade.
            Felizes lágrimas que lavam os pecados, que edulcoram as penas e aflições, que traduzem os anelos fervorosos do Bem e da Páiria! Merecerão os supremos consolos do perdão, do mérito, da coroa do céu!
            Unirei minhas pobres lagrimas às de minha Mãe Dolorosa, para que Ela as torne também em pérolas de preço aos olhos de Deus. Para que eu possa comprar meu resgate, meu perdão, e o precioso tesouro de tôdas as virtudes.

COLÓQUIOS

            Mãe de misericórdia, meu auxílio e meu conforto, ajudai-me neste despojamento total de tudo o que me prende à terra, impedindo-me o vôo para Nosso Senhor. Que eu me desapegue de mim mesmo, sobretudo, a fim de que seja fácil e suave para meu coração o amor compassivo e manso de meu próximo. Fazei minhas as vossas lágrimas, as que derramastes de amor e desejo de Jesus! Nossa Senhora da Soledade, dai-me intenso anelo de me achar, de tudo despojado, transformado de amor, ardendo de saudade e desejo de Jesus e do céu onde Ele se encontra, — vosso Regaço maternal.
RAMILHETE
            Maria, separada de Jesus, na sua Compaixão e na sua Saudade, dar-me-á as lágrimas do arre pendimeno e do desejo, fac me tecum pie flere, (Seq. Stabat Mat.)
SANTO EVANGELHO (Mat. VII, 19 a 33)
DESPRÊZO DAS RIQUEZAS DA TERRA
            Não queirais entesourar para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça consomem, e onde os ladrões os desenterram e roubam. Mas entesourai para vós os tesouros no céu, onde nem a ferrugem nem a traça os consomem, e onde os ladrões não os desenterram nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, aí está o teu coração. Teu olho é a luz do teu corpo. Se o teu ôlho fôr simples todo o teu corpo será luminoso. Mas se o teu ôlho for mau, todo o teu corpo estará em trevas. Se pois, são trevas a luz que há em ti, quão grandes não serão as mesmas trevas? Ninguém pode servir a dois senhores. Porque, ou há de aborrecer um e amar o outro, ou há de acomodar-se a êste e desprezar aquêle. Não podeis servir a Deus e a Mamon. Digo-vos, pois: Não andeis inquietos com o que haveis de comer para manter a vida, nem com o vestuário para o vosso corpo. Não é mais a alma que a comida, e mais o corpo que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem colhem, nem ajuntam provisões nos celeiros. E contudo, Vosso Pai celestial as sustenta. Porventura, não sois vós muito mais do que elas? E quem de vós por muito que pense, pode acrescentar um côvalo à sua estatura? E por que andais preocupados com o vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo. E no entanto êles não trabalham nem fiam. Digo-vos mais, que nem Salomão em tôda a sua glória jamais se vestiu como um destes. Se pois ao feno do campo, que hoje existe e amanhã é lançado ao forno, Deus assim veste, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não vos aflijais pois dizendo: Que comeremos ou que beberemos, ou com que nos havemos de cobrir? Os gentios é que se ocupam com estas coisas. Vosso Pai sabe que de tôdas estas coisas tendes necessidade. Buscai pois primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, e tôdas estas coisas ser-vos-ão dadas de acréscimo.

IMITAÇÃO DE CRISTO (Liv. III, cap. XXIII)

DOCUMENTOS PARA OBTER A PAZ

            Jesus Cristo. — Filho, vou agora ensinar-te o caminho da paz e da verdadeira liberdade.
            A alma. — Fazei-me, Senhor, essa graça, que me alegro muito de vos ouvir.
            Jesus Cristo. — Procura, filho, fazer antes a vontade de outrem que a tua.
            Contenta-te com o pouco, e estima sempre ter menos que mais.
            Busca sempre o último lugar, e gosta de ser inferior a todos.
            Deseja e pede sempre a Deus que se cumpra em ti inteiramente a sua divina vontade.
            Quem assim faz, está no caminho da paz e do descanso.
            A alma. — Senhor, esses curtos preceitos que me dais, encerram uma grande perfeição.
            Contam poucas palavras, porém estão cheios de sentido e de copioso fruto.
            Se eu fôsse fiel em os guardar, não entraria em mim tão facilmcnte a perturbação.
            Porque todas as vezes que me acontece perder a paz e a quietação, reconheço ter-me apartado destas máximas.
            Mas Vós que podeis tudo, e desejais sempre o proveito das almas, aumentais em mim vossa graça, para que, obedecendo a vossos preceitos, possa alcançar a minha salvação.

LEITURA
(Montfort, A. S. E. p. 270, sg.)

O ESPÍRITO DA SABEDORIA ENCARNADA

            Para possuir a Sabedoria, urge mortificar o corpo, não somente com sofrer pacientemente as moléstias corpóreas, provações das intempéries, males que advêm das outras criaturas. Mas ainda, buscando algumas penas e mortificações, tais como jejuns, vigílias e outras austeridades dos santos penitentes.
            Para isso é preciso coragem, porque a carne é naturalmente idólatra de si mesma, e o mundo considera e rejeita como inúteis tôdas as mortificações do corpo. Que não faz êle e que não diz, para afastar a prática das austeridades dos Santos, cuja penitência assim encontramos descrita: Corpus suum perpetuis vigiliis, jejuniis, flagellis, frigore, nuditate, atque omni asperitatum genere in servitutem redegit cum quo pactum inierat ne ullam in loc soecido ei sequiem praeberet, — O santo reduziu seu corpo à obediência, mercê de vigílias, jejuns, disciplinas, frio, nudez, tôda a sorte de austeridades, e fêz com êle o pacto de nada lhe dar de repouso neste mundo”. De cada santo diz o Espírito Santo que era inimigo da túnica manchada de sua carne, — odientes et eam quae carnalis est, maculatam tunicam (Jud. 23). E, para que esta mortificação exterior e voluntária, seja salutar, é mister juntá-la à mortificação do juízo lyda vontade, pela santa obediência. Porque, sem esta obediência, tôda mortificação é nodoada da vontade própria, e muitas vezes mais agradáveis ao demônio do que a Deus. Por isso nenhuma mortificação maior se faça sem conselho. A habitação da Sabedoria é no conselho — Ego Sapintia habito in consilio (Prov. VIII, 12). O que confia em si mesmo, confia num louco, — qui confidit in corde suo, stultus est. (Prov. XVIII, 26). O sábio tudo faz com conselho, astutus omnia agit cum concilio (Prov. XIII, 16). Quem não quiser arrepender-se do que faz, não o faça antes de aconselhar-se com um varão prudente. É a grande admoestação do Espírito Santo: sine consilio nihil facias, et post factum non paenitebis (Ecli, XXXI, 24) Consilium semper a Sapiente perquire (Tob IV, 19).       Mediante esta obediência, o amor próprio que tudo estraga será expulso; a menor ação será meritória; fica a alma defendida contra a ilusão do demônio, vitoriosa dos inimigos todos; chegará seguramente e como a dormir, ao pôrto da salvação, “quasi dormiendo confectum.
            Tudo o que acabo de dizer se encerra neste conselho: Deixai tudo e encontrareis tudo, encontrando Jesus Cristo, a Sabedoria Encarnada, - Dimitte omnia et invenies omnia.

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