quarta-feira, 6 de maio de 2020


MÊS DE PREPARAÇÃO PARA CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA

SEXTO DIA (6)

ORAÇÕES PARA CADA UM DOS DOZE DIAS

VENI CREATOR SPIRITUS.

Vem ó Criador Espírito,
As almas dos teus visita; 
Os corações que criaste,
Enche de graça infinita.

Tu, Paráclito és chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção espiritual.

Tu das septiforme graça;
Dedo és da dextra paterna;
Do Pai, solene promessa,
Dás fôrça da voz superna.

Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito acende,
Do nosso corpo a fraqueza
Com tua fôrça defende.

De nós afasta o inimigo.
Dá-nos a paz sem demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se deplora.

A Deus Padre se dê a glória
E ao Filho ressuscitado,
Paráclito e a ti também,
Com louvor perpetuado.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face da terra.

OREMOS: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo; concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

AVE, MARIS STELLA

Deus te salve, ó Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada ,
Celeste feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca ,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação:
E o nome de Eva troca.

As prisões aos réus desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser Filho teu.

Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos pecados.
Dá-nos pureza e brandura.

Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida segura.
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.

A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um louvor. Amém.

MEDITAÇÃO — AS MÁXIMAS DE JESUS CRISTO

PREPARAÇÃO

            Contra o espírito de satisfação dos próprios instintos — de sensualidade e de egoísmo, — que os mundanos cultivam como regra absoluta de vida, Nosso Mestre e Senhor Jesus Cristo nos ensina a pureza de coração, a misericórdia e a paz, confortando-nos nas perseguições do mundo, com as promessas da visão de Deus, da filiação divina, da posse do Reino Eterno.

MEDITAÇÃO

PRELÚDIOS

            I — Figurou-me entre os que ouvem a palavra de Jesus na Montanha das Bem-aventuranças, minhas mãos nas mãos de Maria, em cujo rosto vejo espelhar-se a plena realização das divinas promessas.
            II — Divina Mãe do Bom Conselho, prendei-me junto de Vós, para que na vossa presença não ouse seguir meus instintos perversos, mas antes ouvir e pôr por obra as bem-aventuranças da pureza e da misericórdia.

I PONTOBem-aventurados os puros de coração.

            Aos olhos do mundo, a pureza é impossível. E os mundanos a rejeitam em nome da natureza, da ciência, da arte... E aceitam tôdas as consequências enormes, tornando o ambiente do mundo uma perpétua ocasião próxima de pecado, nas casas, nas ruas, nas salas de diversos, nas mostras de arte. Não querem frenar seu instinto de prazer sensual, antes dêle fazem objeto de uma falsa ciência psicológica. E por isso o mundo é uma treva, amarga e sórdida! Infelizes! Porque a Palavra Eterna de Deus anunciou, ao invés que são bem-aventurados os que têm puro o seu coração, sua alma, seu corpo, sua vida. Sim. É preciso fôrça sobrenatural. Não pode haver continência, se Deus a não der, nisi Deus det. Sem embargo, a ninguém é recusada essa graça: “Pedi e recebereis, batei e vos abrirão”.
            A promessa de bem-aventurança: verão a Deus! Porque têm o coração livre, porque têm o coração simples. E vêem a Deus, no céu, não só, mas na terra também, em todos os acontecimentos, em tôdas as pessoas, nos amigos como nos inimigos, nas coisas, na natureza, nas aves do céu, nos lírios do campo... Oh! a felicidade do coração puro!

II PONTOBem-aventurados os misericordiosos e os pacíficos.

            Para os mundanos, “a misericórdia é imoral” e “são indignos de existir aquêles que não sabem viver em guerra”.
            Profundamente radicado em nós, o instinto de nosso egoísmo leva-nos a fechar nosso coração ante as misérias de nossos irmãos, a recusar o perdão e a pugnar acremente pelos nossos direitos.
            Mas a Sabedoria Encarnada nos revela outros caminhos, e nos orienta para a misericórdia e a paz. Filhos de Deus, havemos de ser como nosso Pai que “tem grande misericórdia, abundante redenção e tesouros imensos de doçura e de bondade”.
            Acolher sempre, perdoar, esquecer as ofensas. Compadecer-se da pobreza, da enfermidade, da miséria moral. Rezar pelos abandonados, sufragar as almas do Purgatório... É a ternura divina do Coração do Mestre que passa mediante a bênção de Maria, para o coração dos fiéis discípulos, penhor da misericórdia que encontrarão, no limiar de sua eternidade ...
            Na Consagração, vou entregar a Nossa Senhora também o valor satisfatório e impetratório de minhas boas ações tôdas. Exercer-me, assim, no hábito e virtude da misericórdia, para encontrar misericórdia ante o meu Juiz!

III PONTO Bem-aventurados os que sofrem perseguição.

            Para assegurar a tranqüilidade da própria fama e haveres, os do século recorrem a tôdas as armas, ainda mesmo as ilícitas da fraude, calúnia, venalidade, opressão. Porque o mundo julga que a felicidade é não sofrer perseguição e opróbrio.
            Não assim o espírito de Jesus. Ele foi perseguido e profetizou a seus discípulos que o seriam também, et vos persequentur (Jo. XV, 20). Porque a obediência fiel às leis de Deus, na vida individual, na vida social, na vida profissional, a constância no bem, o bom exemplo malgrado todos os respeitos humanos, a defesa intimorata dos direitos de Deus, e da Santa Igreja, — tudo é causa de perseguição, por vêzes feroz e sangrenta. Mas se os mundanos querem, por paga de sua tranqüilidade criminosa, o gôzo da terra, os fiéis de Jesus, em troca das perseguições terão o Reino dos céus.
            Consagrado a Maria, “serei perseguido mais que os outros”, porque “sendo Maria a Mãe dos vivos, a todos os seus filhos entrega pedaços da Árvore da vida que é a Cruz de Jesus” (Montfort, T. V. D.). Mas a Cruz me levará à luz eterna.

COLÓQUIOS

            Mãe Puríssima, Mãe de misericórdia, quero amar-vos tanto que meu amor me faça semelhante a Vós, em vossa inefável Pureza, em vossa maternal misericórdia. Como Vós, então, verei a Jesus! Como Vós o vistes tôda a vossa existência, dia e noite, no trabalho e no repouso, na alegria e na dor, no presépio, no lar, na Via-Sacra, no Calvário! Fechai meus olhos para que não vejam as loucas vaidades do século, ne videant vanitatem, e abri-os somente para os encantos da Humanidade de Jesus, para a beleza de vossa face querida! E que a vossa misericordiosa bondade para com êste mísero filho vosso, ensine-me a ter, para com os meus próximos, a mansa caridade que me fará deveras filho de Deus.

RAMILHETE

            A misericórdia é perfume que se exala do lírio da pureza. Como o Coração Imaculado de Maria, é doce todo o coração virginal.
In te misericórdia, in te pietate,
In te magnificenza: in te s’aduna
Quantunque in creatura è di bontate.
                                               (Pante, Parad. XXXIII)

SANTO EVANGELHO (Mat. X, 16 a 28)

CONFORTO NAS PERSEGUIÇÕES

            Eis que eu vos envio como ovelhas no meio dos lobos. Sêde prudentes como as serpentes, e simples como as pombas. Guardai-vos, porém dos homens. Arrastar-vos-ão para os seus tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas, e por minha causa sereis levados à presença dos governadores e dos reis, para lhes servirdes, a êles e aos gentios, de testemunho. E quando vos levarem, não cuideis como ou que haveis de falar. Porque não sois vós que haveis de falar, mas o Espírito de Vosso Pai é o que fala em vós. E um irmão entregará à morte a outro irmão, e o pai ao filho; e os filhos se levantarão contra os pais e lhes darão a morte. E vós, por causa do meu Nome, sereis odiados por todos. Aquêle porém, que perseverar até o fim, êsse é que será salvo. Quando porém, vos perseguirem numa cidade, fugí para outra. Em verdade vos digo: não acabareis de correr as cidades de Israel, antes que venha o Filho do Homem. Não é o discípulo mais do que o seu Mestre, nem o servo mais do que o seu Senhor. Basta ao discípulo ser como seu Mestre e ao servo como seu Senhor. Se ao pai de família chamaram de Belzebu, quanto mais aos seus domésticos? Não os temais, contudo. Porque nada há de oculto que não venha a descobrir-se, nem segredo que se não venha a saber. O que eu vos digo às escuras, dizei-o às claras. E o que ouvis pelo ouvido, publicai-o pelos telhados. E não temais aos que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei antes o que pode lançar ao inferno tanto a alma como o corpo.

IMITAÇÃO DE CRISTO
(Liv. I, cap. XII)

PROVEITO DAS ADVERSIDADES

            Bom é que de tempos a tempos nos sucedam coisas adversas; e venham trabalhos, por que fazem recolher o homem dentro de seu coração, para que conhecendo que vive em destêrro não ponha a sua esperança em coisa alguma do mundo.
            Bom é que padeçamos algumas vêzes contradições e que os homens pensem mal ou pouco favoravelmente de nós, ainda que façamos bem e tenhamos boa intenção. Estas coisas de ordinário nos ajudam a ser humildes e nos defendem da vanglória.
            Porque então melhor buscamos a Deus por testemunha interior, quando exteriormente somos desprezados dos homens, e pensam mal de nós.
            Por isso deveria o homem firmar-se de tal modo em Deus, que lhe não fôsse necessário buscar muitas consolações humanas.
            Quando o homem de boa vida, é atribulado, ou tentado, ou combatido de maus pensamentos, então conhece ter de Deus maior necessidade, experimentando que sem Êle não pode fazer coisa boa.
            Então se entristece, geme e pede ao Senhor o livre dos males de que padece.
            Então sente que se lhe dilata a vida, deseja que se lhe apresse a morte para ser desatado das prisões do corpo, e ir unir-se com Cristo.
            Então, também conhece que não há nem pode haver no mundo perfeita segurança nem paz completa.

LEITURA
(Montfort, A. S. E. pg. 137, sg.)

EFEITOS MARAVILHOSOS DA DIVINA SABEDORIA

            O maior prazer desta beleza soberana é de comunicar-se, porque é naturalmente amiga do bem, amans bonun (Sab., VII, 22), sobretudo do bem da criatura humana. E por isso busca almas dignas e se expande nelas, in animas sanctas se transfert (Sab., VII, 27). Esta comunicação da Sabedoria Eterna é que faz os amigos de Deus e os profetas. Outrora ela entrou na alma do servo de Deus, Moisés, e lhe comunicou uma luz abundante para ver grandes coisas, e maravilhosa fôrça para obrar milagres e alcançar vitórias: Intravit in animam servi Dei, et stetit contra reges horrendos in portentis et signis (Sab., X, 16).
            Quando entra numa alma, a Divina Sabedoria consigo traz tôda a sorte de bens e comunica riquezas inumeráveis: Venerunt mihi omnia bona pariter cum illa, et innumerabilis honestas per manus illius (Sab., VII, 11). Entre uma infinidade de operações que a Sabedoria opera nas almas, muitas vêzes de maneira tão secreta que a mesma alma não percebe, eis algumas das mais comuns:
            A Sabedoria comunica seu espírito de luz à alma que a possui: Optavi et datus est mihi sensus: et invocavi et venit in me spiritus sapientiae (Sab., VII, 7). Desejei e me foi dada a inteligência. Invoquei e o espírito da Sabedoria veio a mim. Espírito subtil e penetrante, mercê do qual um homem, a exemplo de Salomão, julga de tudo com grande discernimento e grande penetração: Acutus inveniar in judicio et in conspectu potentium admirabilis ero (Sab. VIII, 11).
            Ela comunica ao homem a grande ciência dos santos, e as outras ciências naturais, mesmo as mais impervias, quando conveniente (Sab., VIII, 8). É nesta fonte infinita de luzes que os maiores doutores da Igreja entre outros S. Tomás de Aquino, como se infere de suas palavras, foram beber êstes admiráveis conhecimentos que não são áridos, estéreis e indevotos, mas antes luminosos, operantes, cheios de unção e de piedade, que tocam o coração, esclarecendo o espírito.
            A Sabedoria não dá somente ao homem luzes para conhecer a verdade, senão ainda lhe transmite capacidade singular para fazer conhecida dos outros, scientiam habet vocis (SabI, 7). Pois que a Divina Sabedoria é uma palavra, na eternidade e no tempo, Ela sempre tem falado, e nesta palavra tudo foi feito e reparado. Ela falou pelos Profetas, pelos Apóstolos, e há de falar até o fim dos séculos pela bôca dos a quem ela se tiver dado.
            Mas as palavras que a Divina Sabedoria comunica não são comuns, naturais e humanas. São palavras divinas, vere Verbum Dei (I Tess. II, 13). Palavras fortes, tocantes, penetrantes, penetrabilior omni gladio ancipiti (Heb. IV, 12), que partem do coração daquele por quem Ela fala e vão até o coração do que ouve.
            A Sabedoria Eterna, objeto da felicidade e complacências do Pai Celeste, alegria dos anjos, e para o homem que a possui o princípio das mais puras e doces consolações. Dá o gôsto das coisas de Deus e faz perder o gôsto das criaturas. Rejubila o espírito pelas suas luzes, derrama no coração uma alegria, uma paz e uma doçura inefáveis ainda entre as tribulações mais rudes, segundo o testemunho de S. Paulo: Superabundo gaudio in omni tribulatione (II Cor. VII, 4).
            Quando a Sabedoria se comunica a uma alma, dá-lhe todos os dons do Espírito Santo e tôdas as virtudes em grau eminente: Uma fé viva, uma esperança firme, uma caridade abrasada. Temperança equilibrada, consumada justiça, força invencível, justiça perfeita. Religião esclarecida, profunda humildade, doçura encantadora, obediência inteira, mortificação contínua, oração sublime.
            Enfim, como nada há mais ativo que a Sabedoria, omnibus enim mobilibus mobilior est (Sab. VII, 24), ela não deixa estagnar na tibieza e negligência os que gozam de sua amizade. Inflama-os, inspira-lhes grandes cometimentos para a glória de Deus e salvação das almas. Para experimentá-los e os tornar mais dignos dela, proporciona-lhes grandes combates, provocações e contradições, da parte do demônio, do mundo, dos inimigos, dos próprios amigos e parentes. Mas a aflição será leve e grande a recompensa, porque Deus os experimentou e os achou dignos.
            Experimentou-os como o ouro no cadinho e os recebeu como hóstia de holocausto, e repousará olhares de bênção sôbre êles, quando chegar o tempo. (Sab. III, 4, 5, 6). A Sabedoria os protegeu contra os inimigos, defendeu-os dos sedutores, induziu-os em rude combate para que se tornassem vitoriosos e conhecessem que a Sabedoria é a mais poderosa de tôdas as forças (Sab. X, 10, 11, 12).

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