MÊS DE PREPARAÇÃO PARA
CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA
DÉCIMO QUINTO DIA (15)
ORAÇÕES PARA CADA DIA
LADAINHA DO ESPÍRITO
SANTO
Senhor, tende piedade de nós,
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de
nós.
Espírito Santo, que sois Deus. tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de
nós.
Espírito, que procedeis do do Pai e do Filho, tende piedade
de nós.
Espírito do Senhor, que no começo do mundo, pairáveis sôbre
as águas, e as tomáveis fecundas, tende piedade de nós.
Espírito, por instrução do qual os santos homens de Deus falaram.
Espírito, cuja unção nos ensina tôdas as coisas.
Espírito, que dais testemunho de Jesus Cristo, Espírito de
verdade, que nos instruis em tôdas as coisas, Espírito que repousastes sobre
Maria,
Espírito do Senhor, que encheis tôda a terra,
Espírito de Deus, que estais em nós,
Espírito de sabedoria e de inteligência,
Espírito de conselho e de fortaleza,
Espírito de ciência e de piedade,
Espírito de temor de Deus, Espírito de graça e de
misericórdia,
Espírito de fôrça de amor e de sobriedade,
Espírito de fé, esperança, caridade e de paz,
Espírito de humildade e de castidade,
Espirito de benignidade e de mansidão,
Espírito de tôda a sorte de graças,
Espírito que sondais até os segredos de Deus,
Espírito que rogais por nós com gemidos inefáveis,
Espírito que descestes sôbre Jesus Cristo sob a forma de uma
pomba.
Espírito pelo qual nós recebemos um novo nascimento.
Espírito que nos encheis os nossos corações de caridade.
Espírito de adoção dos filhos de Deus,
Espírito que aparecestes sobre os Discípulos sob a forma de
línguas de fogo.
Espírito pelo qual os Apóstolos foram possuídos,
Espírito, que distribuis os vossos dons a cada um segundo a
vossa vontade,
Sêde-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sêde-nos propício, atendei-nos, Senhor.
De todo o mal, livrai-nos,
Senhor.
De todo pecado,
Das tentações e insídias do diabo,
De tôda presunção e desespero,
Da resistência à verdade conhecida,
Da obstinação e da impenitência,
Da impureza da alma e do corpo,
Do espírito de luxúria,
De todo mau espirito,
Por vossa eterna processão do Pai e do Filho,
Pela conceição de Jesus Cristo feita por operação vossa,
Por vossa descida sôbre Jesus Cristo no Jordão,
Pela vossa vinda sôbre os Discípulos,
No dia do juízo,
Pobres pecadores, nós
vos rogamos, escutai-nos.
A fim de que vivendo pelo espírito, também andemos segundo o
espírito,
A fim de que lembrando-nos de que somos o templo do Espírito
Santo, jamais o profanemos,
A fim de que vivendo segundo o espírito, não nos acomodemos
aos desejos da carne,
A fim de que pelo espírito mortifiquemos as obras da carne,
A fim de que não entristeçamos a vós, que sois o Espírito
Santo de Deus,
A fim de que tenhamos
cuidado de guardar a unidade do espírito no vínculo da paz,
A fim de que não demos crédito facilmente a todo espirito,
A fim de que provemos os espíritos para ver se êles de fato
vêm de Deus,
A fim de que renoveis em nós o espírito de retidão,
A fim de que nos confirmeis com o vosso espírito soberano.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, atendei-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
OREMOS. Nós vos suplicamos, Senhor, que
nos assistais sem cessar pela virtude do vosso Espírito Santo, a fim de que
purificando por sua misericórdia as máculas dos nossos corações, Ele nos
preserve ainda de todos os males. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.
LADAINHA DE NOSSA
SENHORA
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus,
Espírito Santo, que sois Deus.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,
Santa Maria, rogai por
nós.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens,
Mãe de Jesus Cristo,
Mãe de divina graça,
Mãe puríssima,
Mãe castíssima,
Mãe imaculada,
Mãe intata,
Mãe amável,
Mãe admirável,
Mãe do bom conselho,
Mãe do Criador,
Mãe do Salvador,
Virgem prudentíssima,
Virgem venerável,
Virgem louvável,
Virgem poderosa,
Virgem benigna,
Virgem fiel,
Espelho de justiça,
Sede da sabedoria,
Causa de nossa alegria,
Vaso espiritual,
Vaso honorífico,
Vaso insigne de devoção,
Rosa mística,
Torre de Davi,
Tôrre de marfim,
Casa de ouro,
Arca da aliança,
Porta do céu,
Estréia da manhã,
Saúde dos enfermos,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos anjos,
Rainha dos patriarcas,
Rainha dos profetas,
Rainho dos apóstolos,
Rainha dos mártires,
Rainha dos confessores,
Rainha das virgens,
Rainha de todos os santos,
Rainha concebida sem pecado original,
Rainha assunta aos céus,
Rainha do santíssimo Rosário,
Rainha da paz,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos
Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ou- vi-nos,
Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende
piedade de nós.
V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
OREMOS. Senhor Deus, nós vos suplicamos, que
concedais aos vossos servos lograr perpétua saúde de alma e corpo e que pela gloriosa bem-aventurada
sempre Virgem Maria sejamos livraes da presente tristeza e gozemos da eterna
alegria. Por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.
AVE, MARIS STELLA
Deus te salve, ó Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada ,
Celeste feliz entrada.
Ó tu que ouviste da boca ,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação:
E o nome de Eva troca.
As prisões aos réus desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.
Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser Filho teu.
Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos pecados.
Dá-nos pureza e brandura.
Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida segura.
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.
A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um
louvor. Amém.
MEDITAÇÃO —
CONSEQUÊNCIAS DOS NOSSOS MAUS HÁBITOS
PREPARAÇÃO
Se os maus
hábitos são consequência em nós do pecado original e dos pecados próprios, por
sua vez êles causam frutos de perdição, cuja meditação nos aumentará o
conhecimento de nós mesmos. De fato, pelo orgulho nos esquecemos de Deus e do
próximo. Pela fraqueza de nossa vontade, concebemos horror ao sofrimento, tão
necessário, todavia para nossa salvação e santificação. Maria. Mãe de Deus e
Mãe dos homens, Maria Rainha dos Mártires será o antídoto contra êsses males.
MEDITAÇÃO
PRELÚDIOS
I —
Imagino-me discípulo de Jesus, na noite da Paixão, fugindo ao Mestre e à dor.
mas detido pelo olhar de Maria que me exorta à Fé e à coragem.
II — Mãe de
Jesus. Virgem das Dores, tomai-me com doce violência, amparai-me nesta
meditação reveladora de minha miséria, para me fixardes nas resoluções de
voltar a Jesus, pelo vosso Coração.
I PONTO — Esquecimento de Deus e do próximo
O hábito mau
do orgulho nos volta para nós mesmos, na consideração de nossa falsa
excelência. O primeiro fruto dessa atitude soberba é o esquecimento de Deus.
Especulativo, enquanto nos ensoberbecemos com a presumida ciência dêste mundo,
que inflama e obscurece nossa mente, impossibilitando a vista de Deus. Prático,
enquanto em todas as ações e atitudes, nos acostumamos a agir como se Nosso
Senhor nunca existira, nem tivera direito nenhum a nossas homenagens. E nos
parece que fazemos grande favor a Deus, quando uma ou outra vez pronunciamos o
seu santo Nome, ou damos alguma mostra de religiosidade... Exterior apenas,
para honrar um catolicismo de herança, ou o costume ou o ambiente em que
vivemos.
O segundo
fruto da soberba é o esquecimento do próximo. Como se nós somente existíssimos
mais ninguém com iguais direitos. Como se fôssemos o centro do universo, em
palavras, opiniões, atitudes...
Quanto
ridículo! Quanta crueldade! Que falta de razão, e sobretudo, que ausência de
Fé!
Entremos em
nós mesmos, a examinar se esta idolatria de nosso eu não nos tem assim
endurecido o coração e entenebrado a mente, afastando-nos de Nosso Pai e de
nossos irmãos...
II PONTO — Horror ao sofrimento
A debilidade
de nosso querer tem por resultado nefasto a ávida procura de tudo quanto satisfaz
aos nossos sentidos e à nossa natureza. Estremecemos ao ouvir falar sequer da
necessidade da dor, do sofrimento, do papel providencial da expiação e da cruz.
E nos
revoltamos ante os espinhos da existência. Procuramos fugir-lhes, antes
buscando o que dá satisfação aos sentidos, escravizando nossa alma a nosso
corpo. E aceitamos a preguiça, a indolência, o amor ao conforto, a
sensualidade. E louvamos nosso século, porque êle sabe anestesiar as dores do
corpo, acercar de confortos materiais a nossa vida, proporcionar-nos viagens
cômodas, gostos refinados no vestuário, na alimentação, no repouso...
E não
queremos ouvir aquela palavra severa de Nosso Senhor, ameaçando-nos da perda de
nossa alma se não fizermos penitência: si poenitentiam non egeritis omnes
similiter peribitis (Luc. XIII, 5). E procuramos uma explicação tranqüilizadora
para estoutra expressão austera: Aquele que quer salvar sua vida. perde-la-á.
(Lite. IX. 24). A meditação da Paixão de Jesus e das Dores de Maria nos é
penosa, desagradável. Preferimos ler as páginas gloriosas da Ressurreição, da
Ascensão, do Triunfo, deslembrados de que se quisermos ser glorificados com
Jesus Cristo é preciso primeiro que morramos com Êle.
Com a mão em
nossa consciência, tenhamos neste momento a coragem cristã de um exame sincero de
nossa vida. Não experimentamos a confusão de sei- “membros delicados de um
Mestre crucificado”?
III PONTO — Contemplação de Maria
Nossa
Senhora nos faz compreender, ao contrário, quando nos devemos esquecer de nós
mesmos, por amor de Deus, por amor a nosso próximo. Ela se entregou
inteiramente à vontade do Excelso: Fiat mihi secundurn verbum tuuvi (Luc. 1,
38). E por amor aos homens também, consentiu na imolação do meigo Fruto de suas
entranhas...
Busquemos
Maria. É o caminho de retorno a Deus: “Maria não foi feita senão para Deus.
Muito ao invés de deter uma alma que se lhe confia, Ela a projeta em Deus,
une-a a Nosso Senhor com perfeição proporcionada à generosidade dessa entrega
(Segredo de Maria, 25).
A Mãe dos
homens ensina com seu exemplo a renúncia aos próprios direitos, em favor do
próximo. Amando-a, sentir-nos-emos levados a dedicar-nos igualmente a nossos
irmãos, a esquecer nossos direitos para nos lembrar só dos nossos deveres...
felizes de imitar nessa renúncia a Nossa Mãe terníssima a cujo manto se acolhem
todos os pequeninos, todos filhos de seu amor, todos nossos irmãos...
Ainda, Nossa
Senhora nos ensina a virilidade cristã em face do sofrimento. “Ela nos faz
morrer à vida do homem velho. Ela nos despoja de nossas inclinações naturais,
do amor próprio, da própria vontade, e qualquer apêgo à criatura (TVD) ”, E destarte
nos dispõe a tomar parte em sua Compaixão dolorosissima, a recolher sôbre
nossos corações as suas lágrimas de amor e de dor. Ah! Como a verdadeira
devoção a Maria nos vai ensinar a via certa dos nossos eternos destinos!
COLÓQUIO
Maria,
Guarda fidelíssima de minha alma, lanço-me em vosso regaço, a implorar vosso
compassivo olhar. Como divina Rebeca a vosso Jacó pequenino e amoroso,
despojai-me de mim mesmo, de meu orgulho e de minha sensualidade. Revesti-me de
Jesus, para que eu aprenda a amar a Deus, a devotar-me a meu próximo.
Alentai-me, Mãe das Dores e confortai meu coração, no incêndio de caridade do
vosso Coração Imaculado. E que eu aceite morrer sempre a mim mesmo, dócil a
tôdas as vossas suaves austeridades para com minha alma, no aprendizado da
virtude. Preparai-me à consagração que vos quero jurar, de tudo o que tenho e
de quanto sou, encaminhando meus passos na vereda das virtudes difíceis para
minha pobre natureza. Vosso amor me assista e me oriente com segurança para
Jesus.
RAMILHETE
Se alguém
quer vir em pós de mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Si quis
vult post me venire, abneget semetispsum, tollat crucem suam et sequatur me
(Mat. XVI, 24).
SANTO EVANGELHO (Joa. XIII, 21 a 35)
JUDAS E O MANDAMENTO
NOVO
Tendo dito
estas palavras, turbou-se-Lhe o espírito, protestou e disse: Em verdade, em
verdade Eu vos digo: um de vós me há de trair. Olhavam pois os discípulos, uns
para os outros, na dúvida sobre quem falava Êle. Ora, um dos seus discípulos,
ao qual Jesus amava, estava recostado à mesa, no seio de Jesus. A êste fêz
Simão Pedro um sinal e disse-lhe: De quem é que Êle fala? Tendo-se então
reclinado sôbre o peito de Jesus, perguntou-lhe: Senhor, quem é? Respondeu
Jesus: É aquêle a quem Eu der o pão molhado. E tendo molhado o pão, deu-o a
Judas, filho de Simão Iscariotes. E atrás do bocado entrou nêle Satanás.
Disse-lhe Jesus: O que fazes, faze-o depressa. Nenhum porém dos que estavam à
mesa percebeu a que propósito Êle lhe dizia isto, porque alguns, visto como
Judas era quem levava a bôlsa, cuidavam que lhe dissera Jesus: Compra o que
havemos mister para o dia da festa; ou que desse alguma coisa aos pobres. Tendo
pois Judas recebido o bocado, saiu logo para fora. E era noite.
E depois que
êle saiu, disse Jesus: Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é
glorificado Nêle. Se Deus é glorificado Nêle, também a Êle O glorificará Deus
em si mesmo; e glorificá-Lo-á logo. Filhinhos, ainda estou convosco um poucõ.
Buscar-me-eis. E como Eu disse aos Judeus: vós não podeis vir para onde Eu vou;
repito-o também agora. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis, uns aos
outros assim como Eu vos amei, para que vós também, mútuamente vos ameis. Nisto
conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
IMITAÇÃO DE CRISTO (L. I, c. 6)
OS DESEJOS DESORDENADOS
Tôdas as
vezes que o homem deseja desordenadamente alguma coisa, logo perde o sossêgo.
O soberbo e
o avarento nunca estão sossegados; o pobre e o humilde de espírito vivem em
muita paz.
O homem que
não é perfeitamente mortificado em si, bem depressa é tentado e vencido em
coisas pequenas e vis.
O fraco de
espírito, e que ainda está inclinado ao que é sensual, com dificuldade se pode
desapegar totalmente dos desejos terrenos.
E quando
dêles se abstém, recebe muitas vêzes tristeza; e até se enfada se alguém o
contradiz.
Porém, se
alcança o que deseja, sente logo pesar sôbre si o remorso da consciência porque
seguiu seu apetite, o qual de nada lhe aproveitou para alcançar a paz que
buscava.
Em resistir
pois às paixões se acha a verdadeira paz do coração, e não em segui-las.
Não há paz
no coração do homem carnal, nem do que se ocupa das coisas exteriores, mas no
do que é fervoroso e espiritual.
LEITURA
(Montfort, A. E. S., pg. 112, sg.)
CONSEQUÊNCIAS DO
ABANDONO DA SABEDORIA
À nossa
dureza e ingratidão não movem os desejos solícitos, os convites amorosos e
testemunhos de amizade desta admirável Sabedoria. Mas se ao invés de ouví-la
lhe fechamos nossos ouvidos; se em lugar de buscá-la nós fugimos; se, longe de
honrá-la e amá-la nós a ofendemos e desprezamos, — que crueldade a nossa, e
qual será nosso castigo, mesmo nêste mundo!
Diz o
Espírito Santo que aquêles que não se preocuparam de achar a Sabedoria, não
somente cairam na ignorância do bem, mas ainda deixaram pa tentes os traços de
sua loucura, nem puderam sua faltas permanecer ocultas, Sapientiam enim praetet
reuntes, non tantun in loc lapsi sunt ut ignorarent bona, sed et insipientiae
suae reliquerunt hominibus memoriam, ut in his quae peccaverunt, nec later
potuissent (Sab., X, 8).
Três
desgraças, durante a vida, aos que não se preocupam de adquirir a Sabedoria.
Êles caem na ignorância e na cegueira: na loucura; no escândalo e no pecado.
Mas, qual
será sua infelicidade na morte, quando, malgrado, seu horror, êles ouvirem a
Sabedoria exprobar-lhes: Vocavi et renuistis, — eu vos chamei e não quisestes
ouvir (Prov. I, 24). Estendi-vos os braços largamente, e me desprezastes.
Esperei-vos assentada à vossa porta, o não viestes a mim. Agora, por minha vez,
rio-me de vós: Ego quoque in interitu vestro ridebo et substannabo (Prov. I,
26). Já não tenho ouvidos para escutar vossas lágrimas, nem coração para
enternecer-me de vossos gemidos, nem mãos para vos prestar socorro!
Mas, qual
será a desgraça dêles no inferno? Lêde o que o mesmo Espírito Santo diz das
desgraças, dos prantos, do desespêro dos insensatos no inferno, e que
reconhecem, tarde demais, sua loucura e desgraça por que desprezaram a
Sabedoria de Deus, Talia dixerunt in inferno. Começam a falar prudentemente,
mas no inferno! (Sab., V, 14).
Desejemos,
pois, e procuremos unicamente Divina Sabedoria. Omnia quae desiderantur, huic
non valent comparari (Prov. III, 15). E logo, todos os tesouros de Deus, todos
os dons celestes que anelardes, se não desejais a Sabedoria, suspirais por
alguma coisa menor do que Ela. Ah! Se conhecêssemos que tesouro infinito é para
os homens a Sabedoria, suspiraríamos, dia e noite, por Ela. Voaríamos
velozmente até os confins da terra, passaríamos jubilosamente através de fogos
e espadas, se fôsse necessário para merecê-la.
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