segunda-feira, 11 de maio de 2020


MÊS DE PREPARAÇÃO PARA CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA

DECIMO PRIMEIRO DIA (11)




ORAÇÕES PARA CADA UM DOS DOZE DIAS

VENI CREATOR SPIRITUS.

Vem ó Criador Espírito,
As almas dos teus visita; 
Os corações que criaste,
Enche de graça infinita.

Tu, Paráclito és chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção espiritual.

Tu das septiforme graça;
Dedo és da dextra paterna;
Do Pai, solene promessa,
Dás fôrça da voz superna.

Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito acende,
Do nosso corpo a fraqueza
Com tua fôrça defende.

De nós afasta o inimigo.
Dá-nos a paz sem demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se deplora.

A Deus Padre se dê a glória
E ao Filho ressuscitado,
Paráclito e a ti também,
Com louvor perpetuado.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face da terra.

OREMOS: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo; concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

AVE, MARIS STELLA

Deus te salve, ó Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada ,
Celeste feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca ,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação:
E o nome de Eva troca.

As prisões aos réus desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser Filho teu.

Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos pecados.
Dá-nos pureza e brandura.

Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida segura.
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.

A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um louvor. Amém.

MEDITAÇÃO — O PARAÍZO

PREPARAÇÃO

            Se a escuridão ao mundo e ao demônio leva para o inferno, a suave escravidão de Maria conduz ao céu. Esta meditação, baseada em nossa fé, enriquece a nossa esperança e inflama nosso amor a Deus e a Nossa Senhora. Além do gôzo nosso próprio no céu, seremos bem-aventurados com a felicidade dos herdeiros da mesma glória, e sobretudo com a dita incomparável da visão de Deus e de Nosso Senhor.

MEDITAÇÃO

PRELÚDIOS

            I— No esplendor glorioso da Jerusalém celeste,- Maria com incomparável magnificência de Rainha, vai introduzir-me ante a face de Deus.
            II — Minha Mãe, rogai a Jesus que me conceda o  amor de seu Paraíso, para que eu possa achar-me um dia no paraíso do seu Amor.

            I PONTO — Minha bem-aventurança no céu.

            A felicidade é a soma de todos os bens, com a remoção de todos os males. Nenhum mal no céu.
            Nem do corpo, nem da alma, nem da parte dos homens, ou da natureza, ou dos demônios inimigos, nem de espécie alguma.
            Nenhum receio, nenhuma trepidação, nenhuma expectativa ansiosa.
            Porque tôdas essas coisas já passaram, priora abierunt (Apoc. XXI, 5)...
            A soma abençoada de todos os bens.
            Bens do corpo, agora impassível, sem saudades dos antigos sofrimentos; sutil, inteiramente sujeito à alma, quase espiritualizado; ágil, desconhecendo o pêso dos anos e o torpor dos achaques, dominando todo o universo criado; luminoso, em si recebendo por via de redundância tôda a glória que premeia a alma.
            Bens da alma, com a ciência perfeita na mente; firmeza no bem, da vontade; tudo querendo e amando em Deus; ornada dos dotes magníficos da visão, contemplando a Deus; da compreensão, possuindo o Sumo Bem; da fruição, amando-O como se pode amar no céu...
            Mas tudo isso que me ensina a Sagrada Teologia não é senão notícia muito apagada da bendita Realidade: “Nenhum ôlho jamais viu, nenhum ouvido ouviu jamais, nenhuma inteligência nunca pôde escutar o que Deus prepara para os que O amam” (I Cor. II, 9).

            II PONTO — A felicidade social no céu.

            Indivíduos de uma só e mesma natureza humana, no Paraíso não seríamos de todo felizes se estivéssemos inteiramente sós. Mas não será assim. A companhia dos santos, dos Anjos, dos nossos queridos, dos que nos deveram sua salvação, há de aumentar inda mais nossa felicidade.
            Saberemos, — com que entrenecimento! — o que devemos aos outros, na ordem da graça, o que os outros a nós também deveram. Êsse conhecimento por certo será das mais delicadas venturas da Pátria.
            Jesus descreve o céu como uma sociedade, a Casa do Pai, onde há muitas moradas, um grande banquete de inúmeros convidados, uma cidade, um Reino de inefável amor...
            Nossa alegria ao reencontrarmos nossos caros, nossos Santos de predileção, nosso Anjo da Guarda, que nos saudará com um ósculo de luz à entrada de nossa eternidade...
            E sobretudo, que há de ser nosso encontro com Maria, Nossa Mãe, Nossa amantíssima Senhora, cujos escravos nos gloriamos de ser? Que êxtase vê-la, saudá-la, receber seus carinhos... Se é tão doce lembrar-nos Dela nas trevas do destêrro, que há de ser estreitá-la na intimidade da Pátria?

            III PONTO — A felicidade essencial do Paraíso

            Os dotes de nosso corpo, ressuscitado em transfigurações; as qualidades de nossa alma, iluminada de exaltação; e ventura coletiva dos bem-aventurados habitantes da Jerusalém Celeste, todavia, são apenas a felicidade acidental do Paraíso.
            Nossa Senhora há de conduzir-nos a Jesus, a Deus!
            E nos deslumbraremos com a visão eterna da Santíssima Trindade...
            Nessa visão face a face da Suma Verdade, conhecendo a Deus como Êle nos conhece (I Cor. XIII, 12), na posse amorosa do Bem Supremo, por quanto o amor é eterno, caritas nunquam excidet (Ibid, 8), no gôzo e louvor do Dom Inefável, gaudebit cor vestrum (Joa XVI, 22), gôzo que jamais ninguém nos poderá arrancar, gaudium vestrum nemo tollet a vobis, (ibid.) vai consistir tôda a nossa ventura eterna.
            Repousaremos, contemplaremos, amaremos, louvaremos, Vacabimus et videbimus, videbimus et amabimus, amabimus et laudabimus (S. Agost. de Civit Dei, XXII, 30) ...
            E tudo em nós será plenamente saciado. Tôdas as nossas capacidades, todos os nossos anelos, superando a magnificência do nosso Deus quanto pudéssemos imaginar de bom, de amável, de deleitoso para nós, stiabor cum aparuerit gloria tua (Sal. XVI, 15).
            Oh! a divina sabedoria de desprezar as míseras satisfações do mundo e da carne, em troca da esperança luminosa dessa Ventura sem preço?

COLÓQUIO

            Maria, Meu Caminho Imaculado, minha Estrela Ideal, meu Modelo querido, eu clamo a Vós, ainda da terra de exílio, em suspiros e lágrimas, anelando pela Pátria. Volvei benigna os olhos de vossa misericórdia para me alentardes na luta e soerguei meus olhos na direção do céu  e sejais estes desterros ó Mãe Clemente, ó Mãe Piedosa, ó Mãe dulcíssima, mostrai-me Jesus, o bendito fruto de vosso ventre, a fim de que eu possa emoldurar também a vossa coroa nas jubilações inefáveis de Eterna Recompensa!

RAMILHETE

            Minha, minha Mãe, é que me há de levar à palma de Vitória, da per Matrem me venire ad palmam victoriae. (Seq. Stab. Mat.)

SANTO EVANGELHO (Luc. XII, 32 e 38)

O REINO DOS CÉUS

            Não temais, ó pequenino rebanho, pois porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o seu Reino. Vendei o que possuís, e dai-o de esmolas, provêde-vos de bolsas que não envelhecem; de tesouro inexaurível, onde não chega o ladrão, e que a traça não rói. Porque onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. Estejam cingidos os vossos rins e (tende) nas vossas mãos tochas acesas. E fazei como os homens que esperam o seu senhor de volta das bodas, para que, quando chegar e bater à porta, logo lha abram. Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor achar vigiando quando vier. Na verdade eu vos digo que êle se cingirá e os fará sentar à mesa, e, passando por entre êles. os servirá. E se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e assim os achar, bem-aventurados serão tais servos.

IMITAÇÃO DE CRISTO (Liv. IÍI. cap. XLVIII e XLIX)

A ETERNIDADE BEM-AVENTURADA

            A alma. — Ó bem-aventurada mansão da cidade celestial! Ó dia claríssimo da eternidade, que nenhuma noite obscurece, mas que sempre brilha com os raios da soberana verdade! Dia sempre alegre, sempre seguro, cuja felicidade não terá mudança.
            Oh! quem me dera ver amanhecer êste dia, e passarem já as sombras das coisas perecedouras! Êste ditoso dia já luz para os santos com seu eterno esplendor: porém: para nós, viadores no desterro dêste mundo, só de longe vislumbra, e como entre sombras nos aparece.
            Quando gozarei da verdadeira liberdade, sem impedimento nem embaraço de corpo e espírito?
            Quando possuirei essa paz sólida, essa paz imperturbável e segura: essa paz interior e exterior, paz de todo permanente e invariável?
            Ó bom Jesus! quando me será dado ver-vos! quando contemplarei a glória do vosso reino! quando me sereis tudo em tôdas as coisas!
            Quando estarei convosco no “reino que preparastes desde toda a eternidade para os que vos amam!” (Mat. XXV, 34).

            Ai! pobre e desterrado me vejo em terra inimiga, onde há guerra contínua e grandes infortúnios.
            Jesus Cristo. — Porém considera, filho, qual será o fruto destes trabalhos, quando o seu fim será pronto, e quão grande será sua recompensa, e não só te não serão pesados, mas a tua paciência achará nêles grande alívio.
            Pois, por teres renunciado agora a alguns vãos apetites, farás eternamente tua vontade no céu.
            Ali acharás tudo o que quiseres, e quanto puderes desejar.
            Ali possuirás todo o bem, sem mêdo de perdê-lo. Ali, tua vontade, estando como absorta na minha para sempre, não apetecerá coisa alguma particular.
            Ali ninguém te resistirá, ninguém se queixará de ti, ninguém te suscitará contrariedades nem obstáculos; mas terás presente tôdas as coisas desejadas e será satisfeito em tudo o teu afeto.
            Ali dar-te-ei honra pela afronta padecida, vestidura de glória pela aflição e pelo ínfimo lugar um trono do reino eterno.
            Ali brilhará o fruto da obediência; a penitência se alegrará de seus trabalhos, e a humilde dependência será gloriosamente coroada.
            Inclina-te pois agora humildemente debaixo da mão de todos, e não cuides em saber quem disse ou manda o que se te ordena. Cuida só em fazer de boa vontade o que se te manda, seja o prelado, seja o mais moço, seja o teu igual quem to manda.
            Busque cada um o que quiser, glorie-se êste duma coisa, aquêle de outra e receba por isso mil louvores senão no desprêzo de ti mesmo, e só em minha vontade e glória.
            Outra coisa não deves desejar, senão, que, “Deus seja sempre glorificado em ti, assim na vida como na morte” (Filip. I, 20).

LEITURA
(Montfort, T. V. D. ns. 106, 107, 108, 109, 110)

A VERDADEIRA DEVOÇÃO, ESPERANÇA DO CÉU

            A verdadeira devoção a Nossa Senhora é interior, isto é, parte do espírito e do coração; vem da estima que temos à Santíssima Virgem, da alta idéia que formamos de suas grandezas, e do amor que lhe dedicamos.
            É terna, isto é, cheia de confiança na Santíssima Virgem, assim como um filho deve ter em sua boa mãe. Faz que uma alma recorra a Ela em tôdas as suas necessidades de corpo e de espírito, com grande simplicidade, confiança e ternura; que implore o auxílio de sua boa Mãe em todos os tempos, em todos os lugares, em tôdas as coisas; em suas dúvidas, para ser esclarecida; em seus erros, para ser emendada; em suas tentações, para ser amparada; em suas fraquezas, para ser fortalecida; em suas quedas, para ser levantada; em seus desalentos, para ser animada; em seus escrúpulos para ser liberta; em suas cruzes, trabalhos e contrariedades da vida, para ser consolada. Enfim, em todos os males do corpo e do espírito, Maria Santíssima é seu refúgio habitual, sem que tema com isto importunar essa boa Mãe e desagradar a Jesus Cristo.
            A verdadeira devoção a Nossa Senhora é santa, isto é, leva a alma a evitar o pecado e a imitar as virtudes da humildade, a viva fé, a obediência cega, a oração contínua, a mortificação universal, a pureza incomparável, a caridade ardente, a paciência heróica, a mansidão angélica e a sabedoria divina. São estas as dez principais virtudes da Santíssima Virgem.
            A verdadeira devoção a Nossa Senhora é constante; consolida uma alma no bem, leva-a a não deixar facilmente as práticas de devoção; torna-a corajosa para opor-se ao mundo, em suas modas e máximas; à carne, em seus apetites e paixões; e ao demônio, em suas tentações; de modo que uma alma verdadeiramente devota à Santíssima Virgem não é inconstante, nem melancólica, nem pusilânime. Não é que não caia e não mude, algumas vêzes, em sua sensibilidade e devoção; quando cai, levanta-se estendendo a mão à sua boa Mãe; se está sem consolações ou devoção sensível, não se aflige, porque o justo e o fiel devoto de Maria Santíssima vive da fé em Jesus e em Maria e não dos sentimentos da natureza.
            Finalmente, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é desinteressada, isto é, inspira à alma buscar, não a si, mas só a Deus, em sua santa Mãe. Um verdadeiro devoto de Maria não serve a esta augusta Rainha por espírito de lucro ou de interêsse, nem  para seu bem temporal, ou corporal, ou espiritual, mas unicamente porque Ela merece ser servida, e Deus só nela; não ama a Maria precisamente porque Ela lhe faz benefícios ou porque dela espera benefícios. É por isto que a ama tão fielmente nas desconsolações e securas espirituais, como nas doçuras e nos fervores sensíveis; ama-a tanto no Calvário como nas bodas de Caná. Oh! como êste devoto da Santíssima Virgem, que não se busca em nada nos serviços que lhe rende, é agradável e precioso aos olhos de Deus e da sua santa mãe!

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