quinta-feira, 7 de maio de 2020


MÊS DE PREPARAÇÃO PARA CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA

SÉTIMO DIA


ORAÇÕES PARA CADA UM DOS DOZE DIAS

VENI CREATOR SPIRITUS.

Vem ó Criador Espírito,
As almas dos teus visita; 
Os corações que criaste,
Enche de graça infinita.

Tu, Paráclito és chamado
Dom do Pai celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção espiritual.

Tu das septiforme graça;
Dedo és da dextra paterna;
Do Pai, solene promessa,
Dás fôrça da voz superna.

Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito acende,
Do nosso corpo a fraqueza
Com tua fôrça defende.

De nós afasta o inimigo.
Dá-nos a paz sem demora,
Guia-nos; e evitaremos
Tudo quanto se deplora.

A Deus Padre se dê a glória
E ao Filho ressuscitado,
Paráclito e a ti também,
Com louvor perpetuado.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será creado.
R. E renovareis a face da terra.

OREMOS: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo; concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é certo, e gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

AVE, MARIS STELLA

Deus te salve, ó Estrela do mar,
E de Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada ,
Celeste feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca ,
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação:
E o nome de Eva troca.

As prisões aos réus desata,
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Ostenta que és Mãe,
Fazendo que os rogos do povo seu,
Ouça aquêle que nascendo,
Por nós, quis ser Filho teu.

Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura.
Extintos nossos pecados.
Dá-nos pureza e brandura.

Dá-nos uma vida pura.
Põe-nos em vida segura.
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.

A Deus Padre veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo;
Demos aos três um louvor. Amém.

MEDITAÇÃO — VIDA MUNDANA E VIDA MARIAL

PREPARAÇÃO

            Já de posse do conhecimento vivo da oposição entre o espírito do mundo e o espírito de Jesus, meditaremos como, na vida de todos os dias, êstes dois espíritos tomam caminhos diferentes, cujo resultado é inteiramente diverso também. Viver para Jesus e Maria é cultivar o que é eterno. Os bens da terra degradam, os de Jesus nobilitam sumamente. O mundo cansa e atormenta, Jesus e Maria replenam a paz.

MEDITAÇÃO

PRELÚDIOS

            I — Sou pequenina ovelha, ferida e cansada, que se acolhe ao regaço da Divina Pastora, na resolução de nunca mais me apartar de seu serviço.
            II — Maria, Porta do Céu, voltado dos caminhos erradios do mundo e do demônio, imploro-Vos sejais para mim a Entrada iluminada do paraíso.

            I PONTOAdorar o que é fugaz, ou viver o que é eterno.

            São transitórios os bens do mundo. Por imensos que pareçam, no seu falso brilho que tenta deslumbrar nossos olhos, êles não alcançam mais do que a nossa vida tão curta. Se ao menos durassem todo o espaço de nossa existência? Não. Eles são fugazes e enganadores. Tanto prazer transformado em lágrimas tanta honra em vitupério, tanta riqueza em miséria sórdida... Não nô-lo ensina a experiência de todos os dias? Entanto, essa é a vida dos mundanos, a correr atrás de ilusões e miragens.
            Mas o servo de Maria se inspira na Sabedoria celeste, que o leva a procurar o que é eterno e permanente. Quanto dura o amor de Nossa Senhora? Tanto quanto a eternidade. Por isso Ela multiplica os desvêlos, a fim de que passemos santamente nossa vida tão breve. E nos faz estimar a Graça de Nosso Senhor, moeda de nossa perene bem-aventurança.
            Sejamos sábios. Não ouçamos o mundo. Seja nosso exclusivo cuidado na vida possuir a Graça de Deus e o Amor de Maria.

            II PONTODegradar nosso ser, ou exalçá-lo sobrenaturalmente.

            Nossas capacidades, como nossos desejos se medem pelo que aspiram e procuram. Somos o que amamos. Quando os mundanos se voltam para o lôdo dos prazeres, das honras e riquezas, não recuando ante os meios de os obter, sua alma se nodôa e se apouca, porquanto fomos criados para coisas muito mais altas e mais nobres. O amor às coisas da terra enche o coração de uma multidão de pecados, desordens, apegos vergonhosos, — que nos perturbam e enchem de nojo de nós mesmos. Como parece vazia, tenebrosa, árida uma vida que se ajusta aos princípios mundanos! Quanta melancolia, sobretudo na velhice ou na hora terrível da morte...
            O escravo de Maria coloca no alto os seus anelos. A alma serva de Nossa Senhora sabe que é uma Princesa do céu, que não deve arrastar-se em imundices repugnantes. Nem considerar como valor senão o tesouro que lá acima os ladrões não podem roubar, nem a ferrugem consumir. Não quer outra honra e dignidade senão pertencer a Jesus por Maria. Que exaltação verdadeira! Aos olhos de Deus, de Maria, dos Anjos, aos nossos próprios olhos! E diremos como Nossa Mãe, tão humilde e tão exaltada: Respexit humilitatem ancillae suae. Fecit mihi magna qui potens est. Magnificat anima mea Dominum! (Luc., I, 46).

III PONTOTédio e tormento, ou paz e doçura

            A ordem essencial das coisas faz com que não haja tranquilidade senão quando elas repousam no objetivo a que são destinadas. Os escravos do mundo procuram substituir por outros os fins altíssimos que Deus nos assinalou, na ordem natural e na ordem sobrenatural, — conhecimento, amor e serviço de Deus. Mas assim como a fome não se sacia senão com o alimento, e o coração senão com o amor, assim a alma não tem paz nem tranqüilidade senão quando descança em Deus. “Fizestes-nos para Vós, Senhor, exclama S. Agostinho com conhecimento experimental do que afirmava, e nosso coração anda inquieto enquanto não repousa em Vós!”
            Entediam-se os mundanos e se atormentam, na procura de bens falsos. Porque êstes não satisfazem nosso coração. Porque maltratam e ferem. Os que servem Nossa Senhora gozam de inalterável paz. Sabem destinar sua vida e tôdas as suas ações e pensamentos ao fim verdadeiro, Deus. Até os sofrimentos, inseparáveis de nossa condição de prova neste mundo, são para êles, diz São Luís Maria, transformados de frutos amargos em casta doçura, graças ao mel suavíssimo do amor de Maria. Ainda nos maiores sofrimentos e aflições, o servo de Maria sabe dizer, a exemplo da Mãe das Dores: A amar-gura de minhas provações não me tira a paz, inpace amaritudo mea amarissima (Is. XXXVIII, 17).
            Que sabedoria divina, viver como escravo de Maria!

COLÓQUIOS

            Senhora dulcíssima, vinde romper de todo as cadeias que me prendem ao espírito nefasto do século. Abomino êsse esplendor mentiroso do fausto mundano. Êle me degradou e me apunhalou de remorsos.
            Afastado de Vós, de Jesus, tentei provar do cálice dourado que o mundo me apresentava. Confesso-Vos, Senhora minha, que no fim encontrei uma lia amarga, da amargura do inferno... Indócil, experimentei fugir ao vosso doce aprisco. E agora Vos declaro, minha Divina Pastora, que as flores do mundo me feriram, as miragens das riquezas se abriram em abismos aos meus pés, o brilho das honras se transmudou em vitupério atroz... Mas quero emendar-me de todo. Consagrar-me a vosso serviço, amar os bens verdadeiros e eternos, ser coroado da nobreza de vossa casa, experimentar a liberdade dulcíssima de vossa escravidão de amor!

RAMILHETE

            Maria é a Fonte Viva da Graça, que expele todos os erros.
            Fons vivus, fluens gratia,
            Lux pellens cuncta schismata,
            Maria sacratissima!
            (Passaglia Hymn. Eccl. Lat.)

SANTO EVANGELHO (Mat. XIII, 24 a 30)

MUNDANOS E DEVOTOS VIVEM MISTURADOS COMO A BOA E A MÁ SEMENTE

            Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; e enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo e lançou o joio no meio do trigo, e foi-se. E tendo crescido e dado fruto, apareceu também o joio. E chegando os servos do pai de família lhe disseram: Senhor, porventura não semeaste boa semente no teu campo? Pois donde lhe veio a zizânia? E lhes disse: O homem inimigo fêz isto. E os servos lhe disseram: Queres que vamos e a arranquemos? E respondeu- -lhes: Não, para que talvez não suceda que, arrancando a zizânia, arranqueis juntamente com ela também o trigo. Deixai crescer uma coisa e outra até à ceifa, e no tempo da ceifa, direi aos segadores: colhei primeiramente a zizânia, atai-a em feixes para a queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro.

IMITAÇÃO DE CRISTO
(Liv. I, cap. X)

EVITAR O COMÉRCIO DOS MUNDANOS

            Evita, quanto puderes o bulício do mundo; porque o comércio do mundo causa muitos embaraços ainda quando se trata com intenção sincera.
            Bem depressa somos manchados e cativos da vaidade.
            Muitas vezes quisera ter-me calado, e não ter estado entre os homens.
            Porém, qual é a causa porque de tão bom grado falamos e praticamos uns com os outros, vendo quão poucas vêzes voltamos ao silêncio sem dano da consciência?
            A razão disto é porque pretendemos ser consolados uns dos outros, com semelhantes conversações, e desejamos aliviar o coração cansado de sensações diversas.
            E de boa vontade nos detemos em falar ou pensar das coisas que amamos ou desejamos, ou das adversas que sentimos.
            Mas, ai! muitas vêzes debalde e sem fruto, porque esta exterior consolação é de grande detrimento à interior e divina.
            Por esta causa, vigiemos e oremos para que não se passe o tempo ociosamente.
            Se te fôr lícito e conveniente falar, dize coisas que edifiquem.
            O mau costume e o descuido de nosso aproveitamento são causa do pouco cuidado cóm que guardamos a nossa língua.
            Porém, não pouco servirá para o nosso espiritual aproveitamento a devota prática de coisas espirituais, especialmente quando muitos dum mesmo espírito e coração se juntam em Deus.

LEITURA
(Montfort, T. V. D., n.° 196, sg.)

VIDA DOS SERVOS DE JESUS EM MARIA

            Eles permanecem, a exemplo de Jacó, em casa com sua mãe, isto é, amam o retiro, são interiores, aplicam-se à oração; mas a exemplo também de sua Mãe, a SSma. Virgem, cuja glória é tôda interior, e que durante sua vida tanto amou o retiro e a oração. Se aparecem algumas vêzes no mundo, é para obedecer à vontade do Eterno Pai e à de sua querida Mãe, a fim de cumprirem os deveres de seu estado.
            Por maior que seja em aparência aquilo que fazem exteriormente, estimam muito mais quando fazem no seu interior, em companhia da SSma. Virgem; pois aí operam a grande obra de sua perfeição, comparadas com a qual, tôdas as outras não passam de brinquedos de crianças. Eis por que algumas vêzes, enquanto seus irmãos e irmãs trabalham para o exterior com muita força, indústria e êxito, louvados e aprovados pelo mundo; êles ao invés conhecem pelas luzes do Espírito Santo que é muito mais glorioso, melhor e mais satisfatório permanecer oculto no retiro com Jesus Cristo seu modêlo, numa completa e perfeita submissão a sua Mãe, do que, no meio do mundo, fazer por si mesmo maravilhas, como tantos Esaús e reprovados. Gloria et divitiae in domo ejus: a glória e as riquezas para o homem encontram-se na casa de Maria”.
            Senhor Jesus! Quão amáveis são os vossos tabernáculos! O passarinho encontrou uma casa em que se abrigasse, e a rolinha um ninho, onde colocasse seus filhinhos. Oh! quão feliz é o homem que habita na casa de Maria, que foi a vossa primeira morada! Nessa casa dos predestinados é que recebe socorro de vós só, e onde encontra os graus de tôdas as virtudes para elevar-se em seu coração ao cimo da perfeição.
            Amam ternamente e honram verdadeiramente a SSma. Virgem, como sua boa Mãe e Senhora; amam-na não só de bôca, mas realmente, efetivamente; honram-na não só exteriormente, mas no íntimo do coração; evitam, como Jacó, tudo o que pode desagradar-lhe, e praticam com fervor tudo quanto julgam que possa agradar-lhe; trazem-lhe e dão-lhe, não dois cabritos, como Jacó a Rebeca, mas seu corpo, sua alma e tudo o que dêles depende. Os réprobos repetem freqüentemente que amam e honram a Maria, mas não até o sacrifício de seu corpo com todos os sentidos, de sua alma com tôdas as paixões, do modo por que fazem-no os predestinados. Estes são submissos à SSma. Virgem, como a sua boa Mãe, a exemplo de Jesus Cristo, que, dos trinta e três anos que viveu na terra, empregou trinta em glorificar seu Eterno Pai, submetendo-se perfeita e inteiramente a sua Bem-aventurada Mãe.
            Obedecem-lhe, seguindo exatamente seus conselhos, como Jacó, quando menino, seguia os de Rebeca, que lhe diz: “Acquiesce consiliis meis: meu filho, segue meus conselhos”; ou com os convivas das núpcias de Caná, aos quais a SSma. Virgem disse: “Quodcumque dixerit vobis facite: fazei tudo quanto meu Filho vos disser”.
            Por ter obedecido a sua mãe, recebeu Jacó a bênção como que por milagre; os convivas das núpcias de Caná, por terem seguido o conselho da SSma. Virgem, foram honrados com o primeiro milagre de Jesus Cristo, que converteu a água em vinho, a pedido de sua SSma. Mãe.
            Assim também todos aqueles que até o fim dos séculos receberem a bênção do Pai Celestial, e forem honrados com as maravilhas de Deus, só receberão estas graças em virtude de uma inteira obediência a Maria.
            Confiam grandemente no poder e na bondade da SSma. Virgem, sua boa Mãe; imploram sem cessar seu socorro; consideram-na sua estrela polar, para chegarem ao porto; falam-lhe de suas penas e necessidades com grande franqueza; prendem-se à sua brandura e misericórdia, para obterem, por sua intercessão, o perdão de seus pecados, ou para gozarem de seus carinhos maternos nos trabalhos e pesares.
            Os réprobos, ao contrário, confiando em si mesmos, comem como o filho pródigo, aquilo que comem os porcos; só amando as coisas visíveis e exteriores como os mundanos, não saboreiam as doçuras de Maria; não sentem, como os predestinados, certo apôio e certa confiança na SSma. Virgem, sua boa Mãe; amam miseràvelmente a fome das exterioridades, porque não querem saborear a doçura preparada no interior de si mesmos em Jesus e Maria.
            Enfim, os predestinados guardam os caminhos de Maria, sua boa Mãe, isto é, imitam-na; e nisso é que são verdadeiramente felizes e devotos, e trazem o sinal de predestinação, como lhes diz esta boa Mãe “Beati qui custodiunt viasmeas; isto é, bem-aventurados os que praticam minhas virtudes”: são felizes neste mundo, durante a vida, pela abundância das graças e suavidade que lhes comunico, fazendo-os partícipes de minha plenitude, e mais abundantemente do que a outros, que me não imitam tão de perto; são felizes na morte, que é suave e tranquila, e à qual assisto de ordinário, para conduzí-los pessoalmente às alegrias da eternidade; enfim, são felizes na eternidade, porque nunca um só dos meus bons servos, que tenha imitado minhas virtudes durante a vida, se perdeu.
            Os réprobos, pelo contrário, são infelizes durante a vida, na morte e por tôda a eternidade, porque não imitam a SSma. Virgem em suas virtudes, contentando-se algumas vêzes com entrar para suas confrarias, recitar algumas orações em sua honra ou praticar outra qualquer devoção exterior.
            Ó SSma. Virgem, minha boa Mãe, quão felizes são aquêles que, não se deixando seduzir por uma falsa devoção para convosco, seguem fielmente vossos caminhos, vossos conselhos e vossas ordens!
            Porém, quão desgraçados e malditos são os que abusam de vossa devoção e não guardam os mandamentos de vosso Divino Filho! Maledicti omnes qui declinant a mandatis tuis.

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