sábado, 4 de abril de 2020


IGREJA DE SÃO JOSÉ – SERRINHA

         Em junho de 1982, com a saída do Revmo. Pe. José Ronaldo que havia sucedido o Revmo. Mons, Francisco no cargo de vigário da Matriz de Bom Jesus, o juiz da Comarca local, a pedido da Mitra Diocesana de Campos determinou a imediata entrega das chaves de todas as capelas e centros catequéticos aos cuidados de pessoas de confiança do antigo Vigário ao oficial de justiça que posteriormente entregou ao novo Vigário no início de agosto de 1982. 
MANDADO
 Fachada da Igreja entregue à Mitra e foto de última Missa celebrada no Rito Antigo

           Foi um período difícil para toda comunidade bonjesuense presenciar pelos que agora tinham tomado posse das igrejas, às mudanças nas questões de fé e de moral. O que muitos desejavam era um local onde pudessem se reunir para rezar, e ter acesso aos santos sacramentos, assistirem as santas missas no rito antigo e terem o ensinamento tradicional da Igreja.
                 Antes e durante a construção de uma nova igreja, as missas eram celebradas nas residências dos casais Clarindo Alves e Ricardina, Nelson Apolinário e Amélia Balbi e Francisco Rodrigues e Rita Apolinário e logo após havia bingos e leilões para angariar fundos para a construção. A maioria das missas eram ao ar livre pois não havia local para comportar os fiéis.  Os sacerdotes que atendiam nessa época eram os Revmos. Padres José Ronaldo de Menezes e Élcio Murucci.
                Comemorando Aniversário do Revmo. Pe. José Ronaldo em um dos locais onde era celebrada a Santa Missa

         Na localidade de Serrinha a Srtª Aparecida Almeida animada pela comunidade, idealizou uma pequena construção para atender aos fiéis dali e de locais vizinhos estavam habituados ao catecismo, e às outras funções sagradas.
Sem nenhum local e dinheiro para construir, a comunidade se animou e logo o Srº Francisco Rodrigues disponibilizou o terreno para a construção e Mons. Francisco Apoliano escolheu o local a ser construída a igreja em honra de São José.
         Para conseguir os donativos, Dª Maria Aparecida contava com a ajuda de sua amiga Dª Maria José Silva. Elas saiam por outras comunidades pedindo auxílios e na maioria das vezes eram atendidas. Pediam não só dentro dos limites do município de Bom Jesus, mas em outros como Apiacá, Italva, Campos... (Dª Aparecida lembra que certa vez estando na localidade de Morro do Coco, teve que correr e se esconder junto com sua amiga Maria José em um bar, já que o padre da localidade ficou aborrecido por elas fazerem campanhas para construção de outra igreja dentro dos limites de sua paróquia e começou a persegui-las”). Ao final, os de perto e de longe abraçaram a causa e já era possível sonhar, já que até aqueles que não freqüentavam igreja, se sentiam felizes em poder ajudar e diziam: “Eu gosto de ajudar porque aqui a gente vê o resultado”. Dª. Aparecida termina dizendo que o povo foi muito solidário e que lhe deram muito apoio, inclusive na Igreja do Carmo em Campos e que naquele período muitos fiéis estavam sem local apropriado para assistirem as funções sagradas, e a comunidade de Serrinha foi pioneira no desafio de construir uma Igreja.

                                         Dª Maria José e Dª. Aparecida

         Para a obra começar, Aparecida nos diz que contou com a ajuda de duas jovens: Tânia Balbi Apolinário e Maria Luzia Apolinário Rodrigues que faziam os serviços de extraírem areia de uma estrada próxima situada em uma localidade chamada “Morro Alto” distante 1km de onde a igreja seria construída. Eram as três que além de extrair a areia, enchiam a carroça. A água era pega em um riacho na beira da estrada, próximo a propriedade do Sr. Maneco que gentilmente havia cedido a carroça e o “Boi Granito” para dar suporte à obra. Aparecida nos diz que o boi acabou acostumando com o serviço e que sempre que passava em frente à igreja parava talvez esperando um novo serviço.
A comunidade inteira se envolveu de forma extraordinária, já que o poder aquisitivo naquela época era muito escasso, para em breve começar a construção.

 Maria Luzia, Tânia, Aparecida e o famoso “Boi Granito” 

         A obra iniciou em 10 de janeiro de 1983 tendo como pedreiro responsável o Srº Nilson Inácio apoiado pelos senhores Leninho e Genísio, e como servente o senhor José Balbi. Como o Srº Nilson não pode continuar Dª Aparecida aconselhada pelo seu tio Argeu Bento contratou o Srº Antônio Travassos que morava na localidade de Boa Ventura, bem distante da Serrinha e conseguiu que este morasse enquanto durasse a obra na casa de um casal amigo, e de contrapartida contratou um dos filhos desse casal: o jovem Braz Balbi, que aprendeu o ofício de pedreiro e carpinteiro e depois, foi o responsável por muitas obras na comunidade e reformas ampliações na igreja que se fizeram necessárias com o passar do tempo.



Leninho, Mª. Aparecida, Antônio Travassos, José Balbi, Bráz Apolinário e Genísio

                                                Os Construtores

       A igreja de São José na Serrinha foi construída em aproximadamente três meses foi a primeira a ser inaugurada depois da tomada da Mitra Diocesana em toda a diocese. A obra constava de uma nave e presbitério, sacristia e quarto para o sacerdote. Todo o telhado era de telha francesa.
         A Missa de inauguração foi celebrada no dia 26 de Abril de 1983 pelo Revmo. Mons. Francisco Apoliano com a obra parcialmente terminada, com a presença de caravanas de fiéis de toda Paróquia de Bom Jesus.



Mons. Francisco Apoliano celebrou a primeira Missa na nova igreja
Durante a Santa Missa

Durante a Santa Missa


 Após a Santa Missa

         Curiosidade: A população resolveu nomear a nova igreja como “Igreja de Cima” já que esta ficava em um plano acima da igreja antiga pertencente a Mitra Diocesana que daí em diante passou a ser chamada “Igreja de Baixo”.
         A igreja passou a atender fiéis dos lugarejos de Fazenda Matinha, Santa Rosa, Fazenda João Leal, Fazenda João Rocha e de outros locais.
         Dª Aparecida trabalhava junto às crianças e jovens, fazendo pequenos passeios, piqueniques, além de lhes ensinar o catecismo. Ao todo a capela chegou a ter 80 alunos. No mês de Maio eram organizadas coroações que emocionavam e encantavam todos os presentes.
         Logo em seguida, a Dª. Adélia Bifano presenteou a Igreja com uma imagem de São José que até então a igreja não possuía e fez questão de fazer a entrega pessoalmente, os fiéis receberam a imagem em procissão e a conduziram até a igreja.
Tempos depois Dª. Aparecida em sinal de gratidão adquiriu uma imagem maior.
         Para a obra continuar, foi necessário fazer leilões sempre tendo como leiloeiro o Srº Paulo Apolinário Rodrigues.
         A comunidade teve um grande impulso missionário a partir do ano de 1983 após a chegada do Revmo. Pe. Élcio Murucci que instituiu a Cruzada Eucarística Infantil e Juvenil e a Pia União das Filhas de Maria e reorganizou a Liga Católica e o Apostolado da Oração e fazia as Santas Missões com a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Ele foi sucedido pelo Pe. José Ronaldo de Menezes que organizava todos os anos a “Campanha do Rosário” que constituía da recepção das imagens dos Sagrados Corações de Jesus e Maria na localidade de “Morro Alto” seguindo em procissão até a igreja. As imagens permaneciam durante 3 dias na igreja onde durante todo o tempo havia a reza do terço, atendimento de confissões, Bênção do Santíssimo, pregações e santas missas.












         Em setembro de 1990, Pe José Paulo ao ir pela primeira vez  na igreja, viu a necessidade de ampliá-la já que não comportava todos os fiéis. A partir de 1992 foram executadas as seguintes melhorias: ampliação da nave da igreja com trocas das portas e janelas e colocação de piso de ardósia, construção do presbitério com colunas e vigas de sustentação para colocação de forro e de um lustre, construção de um novo altar, construção de um apartamento para o padre e sacristia e troca de todo o telhado. Essas reformas foram inauguradas em 1993.
         Para atender bem à comunidade o sacerdote chegava às 15h para dar catecismo, organizar brincadeiras e atender as confissões das crianças previamente preparadas pela Srª Aparecida. As 17h começavam as confissões dos adultos e às 19h a Santa Missa com a igreja repleta de fiéis. Logo após se houvesse necessidade o padre batizava e preparava casais para o matrimônio. Depois saía em um espaço em frente à igreja onde as famílias estavam conversando e jogando bingo elaborado pelo Srº Isaú Vilela, que desde o início da construção, foi um dos grandes benfeitores da igreja de Serrinha.


Srº Isaú Vilela (com Crucifixo) - Procissão de Ramos - Mons. Licínio (década de 1980)

         
 Dom Licínio (Crismas)
 Pe. José Edilson (Missões na Capela - Década de 1990)

 Pe. Manoel e Pe. José Paulo (Missões)

Fotos: Arquivo pessoal Aparecida Almeida

Obs: Em outra postagem falaremos sobre a reconstrução desta igreja em 2018/2019


Um comentário:

  1. Parabéns companheiro,
    Muito bem escrita a história da capela da Serrinha. Mantém viva a história da nossa Igreja tradicional.

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