28
de Março
A
GLÓRIA DE SÃO JOSÉ
SÃO
JOSÉ NO CÉU.
Que grau de glória e que lugar ocupa no
céu nosso querido São José entre os santos? É impossível, diz Isidoro de Isolano (Suma de donis S.
Joseph — P. III, C. XVIII.), à língua humana traduzir a grandeza e a glória de
São José. É o cúmulo e o ápice de todos os triunfos da criatura, depois de
Maria. Explica o teólogo josefino Cardeal
Lepicier como a glória do Santo Patriarca excede à de todos os eleitos. O
termo da predestinação é vida eterna, que consiste nesta visão de Deus que
costumamos chamar a glória. Ora, a glória, que é dada a algum santo no céu,
corresponde ao seu grau de predestinação. São José foi predestinado numa ordem
e num grau muito superiores a todos os justos do Antigo Testamento e aos santos do Novo Testamento, sem excluir São
João Batista e os Apóstolos. Só a Virgem Santíssima teve maior glória. E como a
missão de São José, depois de Maria, foi a mais sublime em relação ao Verbo
Incarnado, pode se concluir com segurança, no verdadeiro sentido da doutrina da
Igreja católica, que o Santo Patriarca está colocado na glória celeste em
primeiro lugar depois da Mãe de Deus. (Lepicier — Tratactus S. Joseph, P. I. A
3, Prop. 7.) E outro teólogo, Suarez,
opina com segurança: Não considero impossível nem temerário, mas piedoso e
muito conforme à verdade, afirmar que São José precede a todos os santos na
graça e na beatitude celeste. Nada
encontro na Escritura nem nos livros dos Santos Padres contra isto. (Suarez
— In 3 P. Quaest. XXIX, Art. 2.) Não há dúvida, escreve Gerson, há no céu
grandes santos glorificados, como São João Batista e os Apóstolos, e nem quero
falar dos anjos. Todavia, creio que São José está acima de todos os santos. Se
os Apóstolos ocupam o primeiro lugar, é tão só na ordem da Igreja mas não da
união hipostática, onde só figuram Maria e José. Ora, o mistério da Incarnação
domina, soberano, o céu e a terra. A glória de São José é intimamente ligada ao
adorável mistério, é maior que a de todos os santos e anjos do céu. Para nos
convencermos desta verdade, diz o Pe.
Huguet, (Pouvoir de Saint Joseph.) lembremo-nos dos serviços prestados por
São José ao próprio Deus na terra. Governou a Sagrada Família; foi o guarda de
quem guarda todos os seres criados; o Anjo do Conselho; o redentor do Redentor
dos homens, na apresentação do Templo; o salvador do Salvador do mundo,
salvando-o de mil perigos; o senhor do Rei e da Rainha do céu. Os santos
serviram a Jesus no pobre, na Eucaristia, no sacerdócio, na Igreja. José esteve
ao serviço do própria Pessoa adorável de Jesus Cristo, servindo diretamente a
Humanidade Santíssima do Redentor como nenhuma criatura depois de Maria.
AS
GLÓRIAS DE SÃO JOSÉ.
No céu tudo é perfeito e belo. Na terra,
unidos, viveram Jesus, Maria e José. Aqui, o Filho de Deus, a Mãe de Deus
obedeceram a José, o honraram como chefe da Sagrada Família. O amor de Jesus ao
seu Pai adotivo será menor no céu do que o foi na terra? Maria será menos
dedicada ao seu Esposo Santíssimo?
Na perfeição do céu, mais perfeito, mais
sublime há de ser o amor de São José, a sua glória, e mais eficaz a sua
proteção. Assim como na Sagrada Família, diz São Bernardo, (Sent.) na vida laboriosa viveram juntos na terra
Jesus, Maria e José, assim na vida amorosa da glória reinam em corpo e alma no
céu. A mesma intimidade, o mesmo amor. José, pois, é o Pai querido, o Esposo
amantíssimo, o protetor solícito de quantos o invocam. Quem poderá, pois,
imaginar sequer a glória incomparável de São José no céu? Segundo Isolano, na sua incomparável “Suma dos dons de São José”, o Santo
Esposo de Maria possui a tríplice auréola da Virgindade, do Martírio
e dos Doutores. Quanto à virgindade,
não há dúvida, a unanimidade dos teólogos afirma a virgindade perpétua de São
José. Seria temerário e quase blasfêmia negá-la. O martírio sofrera-o o santo
sem derramar o sangue como os mártires, porque mais do que os mártires sofreu
por Jesus Cristo e com Jesus Cristo em toda sua vida. Maria Santíssima não é a
Rainha dos mártires, sem ter derramado sangue? E quem sofreu como Ela? José
teve o martírio do coração desde que lhe anunciaram que uma espada de dor
transpassaria a alma de sua Esposa na Paixão de Cristo. Mártir no Egito, no
exílio, no martírio lento da pobreza, das angústias de uma vida de privações e
da expectativa dolorosíssima dos futuros sofrimentos de Jesus e Maria.
Verdadeiramente possui ele a glória dos mártires, a auréola do martírio como
Esposo da Rainha dos mártires e Pai do Rei glorioso de todos os mártires.
A auréola dos Doutores cabe também a São
José ? Isolano o afirma, porque o
santo fora e é o mestre da vida espiritual, firma em nossos corações a fé,
protege-nos contra o erro e a heresia, salva a doutrina santa da Igreja como
salvou e guardou Jesus Cristo. Todavia, diz Lepicier, a missão de Doutor cabe aos que pregaram e ensinaram na
Igreja de Deus. A missão de São José foi outra. Foi a de ocultar o mistério da
Incarnação. Podemos, sim, glorificar a São José como Doutor das almas, mestre
de nossa vida espiritual, porque nas ensina a amar a Jesus, mas a auréola de
Doutor não lhe podemos atribuir senão em um sentido figurado e piedoso.
EXEMPLO
Pio
IX, devoto de São José
O grande Pontífice da Imaculada Conceição foi também o Papa de São José. Era comovedora a sua
devoção filial ao Santo Patriarca. Pelo Decreto Apostólico de 10 de Setembro de
1847, estendeu a toda a Igreja a festa do Patrocínio de São José, que se celebrava
até então em poucas igrejas por indulto especial. Em 8 de Dezembro de 1870
declarou solenemente a São José Patrono da Igreja Universal e ordenou que a
festa de 19 de Março fosse elevada ao rito duplo de primeira classe.
É conhecido o episódio do célebre quadro
da Imaculada Conceição. Um pintor francês veio lhe mostrar o esboço da obra.
Era uma representação da glória da Imaculada no céu.
— Onde está São José? Não o vejo aqui,
no quadro...
— Santidade, responde o pintor, eu vou
colocá-lo lá no alto, entre os santos.
— Não, não! diz Pio IX.
E pondo os dedos sobre a imagem de Jesus
Cristo:
—
Quero São José aqui, bem ao lado de Jesus Cristo, ao lado de Maria. Assim estão
eles no céu. Não os separemos!
Poucos dias antes de sua morte, o Santo
Pontífice recebera em audiência íntima, em seu leito de sofrimento, a um
religioso amigo. Este notou na fisionomia do Papa alegria e confiança e um doce
otimismo no modo de falar.
— Por que Vossa Santidade me parece hoje
tão alegre?
— É
que hoje estive meditando, responde Pio IX, e encheu-me de consolação o pensamento de que São José agora é mais conhecido,
mais amado e invocado em todo o mundo. Daí a minha confiança e a minha alegria,
padre. Eu não verei mais, porém meus sucessores hão de ver o triunfo da Igreja,
esta Igreja da qual eu constitui São José o Patrono.
O grande Papa nunca deixou de invocar,
até a morte, a doce proteção de São José. Incentivou em toda a Igreja esta
devoção. Nas horas tormentosas do seu difícil pontificado, confiou a sorte da
Igreja a Maria Imaculada e a São José. Foi, realmente o Papa da Imaculada e de
São José.

Nenhum comentário:
Postar um comentário