15
de Março
O
PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ
DIREITOS DE PROTETOR.
De três fontes nasce o direito de
protetor entre os povos: da posse, do poder e da aclamação popular. Se
estudarmos estes três títulos, comenta o erudito filho de São Claret, Pe. Antônio Diaz de Castro, (El Patronato de San José.) acharemos
todos em São José e lhe compete um direito indiscutível ao protetorado da
Igreja.
A santa casa de Nazaré, no dizer de
Leão XIII, (Quaraquampluries.) que
era governada e dirigida por São José, com o direito de Pai e Esposo, continha
a gênesis, os princípios da Igreja nascente. Aí estava o berço da Igreja. Não
era o Santo Patriarca o chefe, a cabeça da Santa Família? Os direitos que teve sobre
Jesus em Nazaré o tem sobre Jesus continuado e vivo através dos séculos na sua
Igreja. Se Jesus o chamava Pai e se sujeitava às suas ordens, a Igreja também o
chama Pai e Protetor. Teve Ele sobre Maria os direitos de Esposo e sobre Jesus
os direitos de Pai. Donde,
conclui
o sábio Pontífice Bento XIV, o simples título de Pai Putativo de Jesus bastaria
à Igreja para que o chamasse seu Pai e implorasse a sua proteção como Patrono
Universal. (Sauvé — cit. Salnt Joseph —
7ª Elev..) O Senhor o fez dono da
sua casa e príncipe de suas possessões — Constituit eum dominum domus suae et principem omnis possessionis suae.
É assim que nos referimos a São José nas orações litúrgicas. Da casa de José,
diz o Pe. Granada, (Oracion y Meditacion)
Deus ordenou que saísse a luz, a esperança, a saúde e o remédio de todos os
séculos. José é verdadeiramente o senhor de tudo quanto pertence a Jesus e
Maria. Tem, pois, o direito de posse sobre a Igreja, obra grandiosa e admirável
do Redentor. Jesus é o Fundador e Cabeça da Igreja. São José não foi chamado
Pai, não foi o protetor e o sustentáculo de Jesus na terra? Ao direito de posse
segue o poder de São José. É incontestável o poder do Santo Patriarca no céu e
na terra. E, finalmente, a aclamação popular confere a São José o direito de
Protetor da Igreja Universal. Esta aclamação começa
no
século XII, foi crescendo de século em século até àquela súplica de todo o orbe
católico a Roma pedindo fervorosamente a proclamação solene do Santo Patriarca
como Padroeiro da Igreja Universal e culminando com a solene Declaração, para
sempre memorável, de Pio IX em 8 de Dezembro de 1870.
A
PROCLAMAÇÃO DA IGREJA.
Um documento eloquentíssimo e
edificante é o da Súplica dos Postuladores do Patrocínio universal de São José.
Eis a fórmula expressiva do belo Postulatum: “Ninguém ignora que o
Bem-aventurado São José foi escolhido por uma providência especialíssima de Deus,
entre os demais homens, para ser Esposo da Virgem Mãe de Deus e Pai do Verbo
Encarnado, não por geração, mas por caridade, pela adoção e pelo direito
matrimonial. Assim, não só lemos que se chamou Pai de Cristo em muitas
passagens do Evangelho, não só por Maria como por Jesus Cristo Nosso Senhor
também, que durante os dias de vida mortal dignou-se estar a ele sujeito como a
Seu Pai.
Os bispos que subscrevem a este,
considerando estas coisas e sabendo ao mesmo tempo que desde época imemorial
existe em todo o universo um desejo ardente de ver crescer, enquanto seja
justo, o culto público a São José, pedem com ardentes súplicas ao Santíssimo
Concílio Ecumênico que, animado por votos tão numerosos e ardentes, use de sua
autoridade para decretar — Primeiro:
que tendo sido o Bem-aventurado São José colocado, na sua qualidade de Pai de
Cristo, acima de todas as criaturas e recebido um nome e herança superior a
estas, a Sagrada Congregação dos Ritos lhe tribute, para toda a Igreja e em toda
a Liturgia, o culto de dulia inferior à bendita Mãe de Deus e superior ao de
todos os demais santos. Segundo: Que
o mesmo São José, a quem foi confiada a Sagrada Família, seja declarado, depois
da Virgem Bendita, o Patrono da Igreja universal. ”
A súplica fora atendida pelo Santo
Padre. Em 8 de Dezembro de 1870, numa hora difícil e de terríveis provações
para a Igreja, Pio IX proclama em Roma, solenemente, o Patrocínio Universal de
São José. O decreto, depois de lembrar o triunfo e o poder de José do Egito,
proclamado príncipe do reino de Faraó e os títulos de Pai adotivo de Jesus e
Esposo de Maria, declara finalmente: “Comovido nosso Santo Padre Pio IX, pelos
recentes acontecimentos lamentáveis, determinou ouvir as súplicas, aspirações e
desejos dos bispos para que confiem todos os fiéis ao Patrocínio de São José. E
assim, solenemente, declara Patrono da Igreja Católica a São José.”
Em todas as basílicas de Roma os sinos
anunciaram a glória de São José naquele momento soleníssimo. E em todo o orbe
católico uma onda de alegria invadiu os corações dos devotos de São José. Desde
então a Igreja nunca deixou de recorrer ao seu Pai e Protetor em todas as horas
mais difíceis que atravessou e atravessa nestes tristes dias.
E
X E M P L O
São
José e o fundador das Escolas Cristãs
São
João Batista de La Salle, o fundador dos Irmãos das Escolas Cristãs, se
distinguiu por uma grande devoção a São José. Recomendava encarecidamente aos
seus filhos espirituais que nunca deixassem de homenagear a São José, cada dia
em todas as casas do Instituto por ele fundado. Haviam de recitar
quotidianamente, com fervor, as ladainhas de São José. Na última enfermidade o
santo fundador, preso ao leito de dores, sentia uma grande tristeza por ver que
se aproximava a festa do seu Santo Patrono e não poderia celebrar a santa
missa. Desejava tanto esta graça, mas não ousava pedi-la, com receio de faltar
à perfeita conformidade com a vontade de Deus na doença. Todavia no dia 18 de
Março, pelas dez horas da noite, sentiu de repente que lhe voltavam as forças.
Imaginou ser uma ilusão, um sonho, e não o disse a ninguém. No dia seguinte,
grande festa do Santo Patriarca, sentiu as mesmas boas disposições da véspera.
Experimentou levantar-se, e o fez com facilidade e rapidez. No auge da alegria
preparou-se com todo fervor para a santa missa e a celebrou com um recolhimento
e uma piedade impressionantes. Julgaram todos os Irmãos
que
São José lhe havia restituído a completa saúde. Depois de haver celebrado o
santo sacrifício como um homem robusto e sadio, e dado fervorosa ação de graças,
sentiu-se desfalecer. Todos os sintomas da moléstia reapareceram. A graça
estava alcançada. A última santa missa celebrada fora no dia 19 de Março.
Poucos dias depois o santo expirou, juntando piedosamente as mãos e lançando um
olhar cheio de amor e de confiança à imagem de São José.

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