sexta-feira, 27 de março de 2020


27 de Março

A DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ NA IGREJA


1º -  NOS PRIMEIROS SÉCULOS.

Alguns escritores dizem ter sido o culto de São José completamente ignorado e desconhecido nos primeiros séculos da era cristã. Entretanto, o estudo da tradição, dos hagiógrafos e até mesmo a Arqueologia, e sobretudo os Comentários do Evangelho daqueles tempos, tudo isso nos vem demonstrar à saciedade quanto era conhecido, louvado, admirado e invocado, nos dias primeiros da nossa fé, o Pai Putativo de Jesus e casto Esposo de Maria.
A Liturgia, é verdade, não lhe prestava um culto especial, porque a Igreja, naqueles dias de perseguição e de martírio, só se preocupava com as glórias e os cultos dos mártires. Não foram poucos os confessores e grandes santos que só alguns séculos mais tarde tiveram culto e se tornaram conhecidos, embora tivessem vivido e feito prodígios na época dos mártires.
Esta é a razão da ausência do culto público especial a São José, nos primeiros séculos.
Todavia não podemos afirmar, como alguns autores, ter sido São José completamente desconhecido e esquecido.
O ilustrado autor josefino Pe. Antônio Diaz, em sua obra magistral “El Patronato Universal de San José”, nos demonstra com erudição invulgar como já na era das catacumbas o Santo Esposo de Maria fora conhecido e louvado pelos primeiros cristãos.
Um arqueólogo, Perret, encontra nas catacumbas três documentos referentes a São José. O primeiro é uma pintura nas catacumbas de Santa Priscila, representando Jesus, Maria e José; o segundo, um medalhão, do primeiro século provavelmente, no qual figuram Maria com o Menino Jesus nos braços e São José a contemplá-lo, extático.
Finalmente, uma terceira pintura de cena do encontro de Jesus no templo, e claramente ali se vê o Santo Patriarca ao lado de Maria. No medalhão de um sarcófago do século IV de Cartago, Lucat reconhece um das figuras: São José.
No IV e V séculos, em mosaicos, em sarcófagos, em pinturas e relevos, se encontram não poucas cenas do Evangelho com a figura de São José bem destacada.
E dali por diante os documentos já não são tão escassos, e há provas bem claras do culto de São José nos primeiros séculos.
E os escritores sagrados?
São Justino, no século II, defende a virgindade de Maria e a de São José:
Orígenes e Santo Atanásio são campeões na defesa desta prerrogativa josefina contra os hereges.
São João Crisóstomo em suas homílias canta as virtudes de São José, chamando-o “o varão perfeito, humilíssimo santo, fidelíssimo e adornado de toda santidade”.
Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho celebram com eloqüência a pureza de São José.
São João Damasceno, São Pascásio Radberto, São Máximo de Turim e outros até São Bernardo, tecem panegíricos admiráveis de São José. Não foi desconhecido o Pai Putativo de Jesus e Esposo de Maria nos primeiros séculos.
A tradição nos diz que no século II os gregos tributavam culto a São José, cuja festa se celebrava no Calendário Copta em 10 de Julho.
No século IV a imperatriz Santa Helena, mãe de Constantino, mandou construir uma capela a São José, no lugar do Santo Presépio de Belém. Foi o primeiro templo a São José.

2º - NOS ÚLTIMOS TEMPOS.

Antes do esplendor do culto josefino, através dos séculos, São José foi sempre invocado e teve lugar especial na devoção da cristandade.
Os Menológios e Martirológios das diversas igrejas faziam, não raro, menção de São José e da sua festa.
O século V guarda uma grande veneração pelas tradições dos lugares sagrados de Heliópolis, no Egito, onde consta ter estado Jesus com Maria e José, na fuga da perseguição de Herodes.
O nome de São José entrou no Martirológio Romano no século VIII. No século IX celebrava-se a festa do Santo Patriarca no dia seguinte ao Natal, em 26 de Dezembro. Depois, passou a ser celebrada em 19 de Março.
Em Bolonha, segundo atesta Bento XIV, já existia em 1124 uma igreja consagrada ao culto de São José.
No século XV, algumas almas privilegiadas recebem de Deus a missão especial de propagar e tornar conhecido e amado o Santo Patriarca. Tais são o Beato Herman, Santa Margarida de Cortona, Santa Brígida e Santa Gertrudes.
Estas foram, pelos seus escritos e revelações admiráveis que receberam do céu, grandes propagandistas e fervorosos apóstolos do culto de São José.
No século XV surge o grande apóstolo que dá início à época áurea do culto josefino: Gerson, o célebre chanceler da Universidade de Paris. No Concílio de Constança, ante uma assembléia venerável de bispos, pronuncia ele o célebre discurso sobre as glórias e o poder de São José. Falou com eloquência dos privilégios do Santo Patriarca. Expôs, pela primeira vez, a opinião da santificação de São José no seio materno. Pediu fosse declarado o santo como Patrono da Igreja Universal. Manifestou o desejo de que fosse celebrada uma festa em honra dos Desposórios de São José com Maria. Esse discurso deixou nos padres do Concílio a mais grata impressão e começa daí o culto mais fervoroso e universal de São José.
São Vicente Ferrer, Dominicano, morto em 1419, e sobremaneira os dois filhos de São Francisco, São Bernardino de Sena e São Bernardino de Bustis, concorrem para o esplendor do culto josefino no século XV. Foram ardentes propagandistas das glórias do Santo Esposo de Maria.
Santa Teresa d’Ávila! O século XVI foi o triunfo e esplendor do culto do grande santo. A figura excelsa e única de Santa Teresa, só ela concorreu mais para a glorificação de São José que muitos outros santos e teólogos. Não se pode falar da história do culto de São José sem destacar, de modo singular, a Matriarca do Carmelo. Tucot, tratando da atividade empregada pela santa em difundir o culto do santo, assim se exprime: “São José deve, de certo modo, a Santa Teresa a glória que hoje tem no mundo.” O mesmo afirma o sábio Pontífice Bento XIV.
Desde a sua entrada no Convento d’Ávila, Santa Teresa leva consigo a imagem de São José e quer
que todos o honrem. Escreve e propaga com ardor o culto josefino. Em sua autobiografia, a santa manifesta ardente amor ao Esposo de Maria. Aponta-o como mestre da vida interior e advogado poderoso em todas as necessidades. Nunca recorri a São José, diz ela, que não fosse atendida.
Deu o nome de São José ao primeiro convento da Reforma Carmelitana. Queria o nome de São José em todos os mosteiros fundados por ela.
É maravilhoso, escreve a santa Matriarca, é extraordinário o que acontece comigo: todas as graças de que Deus me cumula tanto para a alma como para o corpo, os perigos de que me tem livrado, tudo devo ao ter invocado a proteção de São José, aos méritos do meu amado Patrono.
Treze fundações tiveram o nome de São José. E após a morte da santa, por ocasião da sua beatificação, em 1614, mudaram o nome de São José pelo de Santa Teresa, em todos os mosteiros, em homenagem à nova Beata. A santa apareceu à Venerável Madre Isabel de São Domingos e lhe disse com tristeza: “Diga ao Padre Provincial que tire meu nome dos mosteiros e lhes restitua o nome de São José, que possuíam antes.”
Não há dúvida, o exemplo, os escritos e o zelo de Santa Teresa marcaram uma nova era, um novo período na propagação e esplendor do culto de São José. É bem verdade o que diz o esplendor atual do seu culto à grande Santa Teresa.
Agora o culto do Santo Patriarca vai de triunfo em triunfo, em cada século. Sobremaneira, do século de Santa Teresa aos nossos dias. No século XVII, Papas e reis, bispados e nações escolhem São José como Patrono. Surgem Congregações religiosas sob a proteção e invocação do santo.
São Vicente de Paulo e São Francisco de Sales propagam o culto de São José. O Papa Gregório XV declara obrigatória em toda a Igreja a festa do santo. Clemente XI, em 1714, compõe um ofício especial de São José. Bento XIII, em 1725, inclui o nome de São José nas Ladainhas de Todos os Santos. Surge nesta época a prática do Mês de São José, na Itália, e depois se propaga em todo o mundo.
Santo Afonso de Ligório pode escrever em pleno século XVIII: “Graças a Deus, não há hoje cristão no mundo que não tenha devoção a São José. E quanto não concorreu o grande Doutor para propagar esta devoção! Introduz a prática da visita a São José.
O século XIX foi o triunfo do culto josefino. Já em 1809 é pedida a Pio VII a proclamação do Patrocínio de São José sobre a Igreja. Gregório XVI introduz essa festa em algumas dioceses. Pio IX, em 1847, a estende a toda a Igreja e proclama o Patrocínio Universal de São José sobre toda a Igreja católica em 1870.
Leão XIII sobe ao trono de Pedro com não menor devoção a São José que os seus predecessores. Aprova o escapulário de São José. Eleva a festa do santo a rito de primeira classe. Em 15 de Agosto de 1889 publica a célebre encíclica “Quamquam pluries”. Acrescenta às ladainhas da Virgem, no mês de Outubro, a oração de São José.
Finalmente, neste século XX, Pio X e Bento XV declaram dia santo de guarda a Festa de São José e dão inúmeras provas de ardente devoção ao santo. Aprovam e abençoam e se inscrevem na Pia União do Trânsito de São José, pelos agonizantes; enriquecem de indulgências muitas práticas de devoção josefina.
Não faltaram provas do amor a São José no imortal Pontífice Pio XI. E o atual Soberano Pontífice tem confirmado e incentivado o culto josefino, como o fizeram seus predecessores.
Hoje, o culto a São José, graças a Deus, está no seu esplendor e tende a crescer cada vez mais.

EXEMPLO

São José e a protestante

Uma senhora protestante — conta Millot no seu “Trésor d’histoires” — tinha um filho convertido á Igreja católica e que em vão procurava convencer a mãe a que abraçasse a verdadeira fé.
— Meu filho, dizia ela, eu permiti que abraçasses a religião católica e dei liberdade a todos em minha casa, em matéria religiosa. Não discutamos. É inútil querer me afastar do protestantismo.
O pobre moço, profundamente magoado, calou-se. Que fazer? Recorreu a São José! Desde que se convertera, o Santo Patriarca era objeto de sua devoção mais terna. Tinha confiança em São José. No aniversário natalício da mãe, quis lhe oferecer um presente.
          Procurou uma linda e artística imagem de São José.
Mamãe, quero lhe oferecer o meu mais rico presente: esta imagem de São José. Aceite-a como prova de meu amor filial. Basta que me dê a alegria de aceitá-la e guardá-la.
Ao pronunciar estas palavras, a voz do moço tinha a expressão de uma grande ternura.
— Meu filho querido, sim, eu guardarei carinhosamente o teu presente de hoje. Esta bela estátua não sairá mais do meu quarto.
Foi um raio de esperança na alma do pobre moço. Beijou a mãe estremecida e se retirou comovido, para ocultar as lágrimas.
A imagem de São José causava uma impressão misteriosa na protestante. Era levada a invocar São José. Parecia-lhe já bem racional o culto dos santos. Poucos meses depois, caiu enferma e o seu estado se agravou. Mandou chamar o filho ausente. Ao avistá-lo, exclamou:
— Meu filho querido, quero te dar uma boa notícia, que há de alegrar muito a tua alma: estou resolvida a abraçar a religião católica! Devo esta graça a São José. Esta imagem me converteu. Sinto, percebo claramente que estou no erro. Quero morrer na verdadeira religião.
O filho emudeceu, comovido, e não pode conter as lágrimas. Caiu de joelhos diante de São José:
— Ó meu São José, eu vos agradeço! Que feliz inspiração a de oferecer a vossa imagem à minha mãe! Grande santo, eu vos agradeço mil e mil vezes!
A doente pouco depois abjurava o protestantismo e recebia os sacramentos, com admiráveis disposições de fé e edificante piedade.
Morreu como uma predestinada, a olhar e beijar a imagem do seu querido protetor São José.

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