29
de Março
O
CORDÃO DE SÃO JOSÉ
ORIGEM.
Foi no século XVII, em Anvers, Bélgica,
no convento das Agostinhas.
Ia já para três anos que Soror Isabel Sillevorts via-se atacada do
mal-da-pedra.
Dores lancinantes, espasmódicas!
Os recursos da medicina, últimos e mais
enérgicos, baldados!
Animada pela mais firme confiança no Patrocínio
de São José, Soror Isabel, havendo obtido do sacerdote que lhe benzesse um
cordão, cinge-o em homenagem ao grande Patriarca, abandona os recursos da
terapêutica e enceta com todo o fervor uma novena de súplicas ao Esposo
puríssimo da Virgem Mãe de Deus, certa de que seria por ele ouvida e curada.
Dias depois, a 10 de Junho de 1649,
quando, por entre os estertores de agudíssimo sofrimento, a pobre fazia ao
santo a mais ardente súplica, eis que de repente se vê livre de um cálculo de
desproporcionadas dimensões e completamente curada.
Grande e rápida foi à repercussão do
milagre, que muito serviu para consolidar nos habitantes de Anvers a devoção a
São José, então já bastante espalhada.
Mais tarde, a três de Janeiro do ano
seguinte, lavrou-se disso uma ata autenticada pelas assinaturas da Madre Priora
do Convento, Soror Maria Martens de Soror Catarina Martens, a enfermeira da
Comunidade, e da própria agraciada, Soror Isabel de Sillevorts.
Em 1842, por ocasião dos piedosos
exercícios do mês de São José, foi esse fato publicado na Igreja de São
Nicolau, na cidade de Yerona (Itália), e muitas pessoas enfrmas, cingindo-se
então com o cordão bento, experimentaram o valioso auxílio do glorioso
Patriarca.
Daí se foi estendendo o uso do cordão de
São José; e, hoje, não só é procurado para alívio de enfermidades corporais
como também, e com igual sucesso, em os perigos da alma.
Salienta-se, sobremodo, o benefício do
cordão de São José como arma poderosa contra o demônio da impureza.
A Santa Sé autorizou a devoção do cordão
de São José, permitindo até o seu uso público e solene.
Permitiu a fundação de Confrarias e
Arquicon- frarias do Cordão de São José, elevando uma delas à categoria de
Primária.
Em Setembro de 1859, dando provimento a
uma petição do bispo de Verona, a Sagrada Congregação dos Ritos aprovou a
fórmula da Bênção do Cordão de São José.
O Papa Pio IX enriqueceu esta fácil e
benéfica devoção com várias indulgências plenárias e parciais.
Por Breve de 26 de Agosto de 1864, o
Santo Padre concedeu ao Diretor da Confraria de Beauvais, bem como a todos os
Diretores de Arquiconfrarias e Confrarias filiais, a faculdade de benzer
cordões de São José, usando sempre a fórmula aprovada pela Sagrada Congregação
dos Ritos a 19 de Setembro de 1859.
O cordão de São José deve ser feito de
linho, ou algodão bem alvejado.
A pureza e alvura desses materiais nos
hão de indicar a candura e virginal pureza de São José, casticismo Esposo da
Virgem Mãe de Deus, Maria Santíssima.
Numa extremidade levamos sete nós, que
representam as sete dores e os sete gozos do glorioso Patriarca.
Por fim, deve ser bento, com a bênção
própria, por um sacerdote que tenha faculdades para isso.
O cordão de São José, desde que esteja
devidamente bento, pode ser usado do seguinte modo:
1. °—
Tê-lo bem guardado, para, por ocasião de dores e sofrimentos físicos, aplicá-lo
com fé e confiança em a parte enferma do corpo, como costumamos fazer com
medidas do Senhor Bom Jesus e de Nossa Senhora.
2. °
— Para se implorar um constante Patrocínio de São José, especialmente na guarda
e defesa da sublime virtude da castidade, em qualquer de seus três graus e
categorias, se o trará constantemente cingido.
3. °
— Finalmente, fazer dele um uso público e solene, trazendo-o em atos
religiosos, como distintivo de Confraria ou Arquiconfraria canonicamente ereta.
A
BÊNÇÃO DO CORDÃO DE SÃO JOSÉ.
É das maiores e mais belas do ritual, a
bênção do cordão de São José. Pode-se avaliar o tesouro desta devoção pelas.
Expressões.
Um cordão é coisa, em si, sem valor,
insignificante.
Mas se o sacerdote vem e lhe derrama as
bênçãos da Igreja, ei-lo que se tornou um desses objetos sagrados que contêm
virtudes do alto para nos favorecer a alma e o corpo.
Pelas preces e bênçãos da Igreja, Deus
Nosso Senhor fez dele um sinal, um instrumento, um veículo, direi quase, da
proteção de São José.
Avivada a nossa fé no poder da Igreja
pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo e no Dogma da Comunhão dos Santos,
despertada a nossa confiança no valioso auxílio de São José, obedecemos sem
dificuldade às prescrições da devoção do cordão de São José. Em recompensa
receberemos do céu os favores espirituais e corporais que São José no-los
alcança.
São belíssimas as orações da bênção do
cordão de São José.
Para que todos possam conhecer-lhes a
beleza, deixa-lás aqui transladadas do latim em linguagem portuguesa.
Revestido de sobrepeliz, cuja alvura
representa a pureza da alma que todo o sacerdote deve ter, e trazendo ao
pescoço a estola da imortalidade, símbolo do poder eterno que Jesus lhe
conferiu pelo Sacramento da Ordem, o sacerdote começa a bênção declarando que
seu poder está em Deus, e diz:
V.
Nosso auxílio está em nome do Senhor.
R.
Aquele que fez o céu e a terra.
V.
O Senhor esteja convosco.
R.
E com o vosso espírito.
Oremos:
Senhor Jesus Cristo, que inculcas
conselhos e amor da virgindade e dais preceito da castidade, rogamos à vossa
clemência se digne abençoar e santificar esses cordões, senha de castidade,
para que todos os que com ele se cingirem no intuito de bem guardar a
castidade, por intercessão de São José, esposo de vossa Mãe Santíssima,
consigam manter uma castidade que Vos seja agradável, obedecer a vossos
mandamentos, alcançar perdão de seus pecados e obter a vida eterna. Vós, que
viveis e reinais com Deus Padre em união com o Espírito Santo que é Deus, por
todos os séculos dos séculos. Amém.
Oremos:
Dai, vô-lo pedimos, ó Pai Eterno
todo-poderoso, que venerando a integérrima virgindade da puríssima Virgem Maria
e do seu esposo São José, por intercessão deles consigamos a pureza da alma e
do corpo. Por Jesus Cristo Senhor nosso. Amém.
Oremos:
Ó Deus todo-poderoso, que aos cuidados
de São José, varão casticismo, entregou à puríssima sempre Virgem Maria e o
Menino Jesus, suplicantes Vos exoramos que os fiéis que, em vossa honra e sob a
proteção do mesmo São José, cingir estes cordões, por vossa generosidade e por
intercessão dele, perseverem na castidade sempre e devotamente. Pelo mesmo
Jesus Cristo vosso Filho, que convosco vive e reina em unidade com Deus
Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Oremos:
Ó Deus, restaurador e amigo da
inocência, nós Vos pedimos que os vossos fiéis que fizerem uso destes cordões,
pela intercessão do bem-aventurado José, esposo da vossa Mãe Santíssima,
estejam sempre cingidos nos rins e tenham nas mãos lâmpadas acesas e sejam como
os servos que esperam que o Senhor volte das bodas, para Lhe abrirem a porta
logo que chegar e bater, e mereçam ser recebidos nas alegrias eternas. Vós, que
viveis e reinais nos séculos dos séculos. Amém.
Havendo antes posto incenso no turíbulo,
o sacerdote borrifa com água benta os cordões, dizendo aquela súplica de David
no Salmo 50, que reza:
Vós me aspergireis com o hissopo e serei
purificado: Lavar-me-eis e me tornarei mais branco que a neve.
A água benta, com que se asperge, dá aos
cordões a virtude de afugentar os demônios e frustrar-lhes às artimanhas como
pedem a Deus a Igreja na bênção da água.
Depois incensa os cordões.
Como o fumo aromático do incenso sobe em
aspirais, perfumando o ambiente, assim as orações sobem até Deus, que as
ouvindo nos perfuma a alma com sua graça.
Feito isto, o sacerdote continua,
dizendo:
V.
Fazei salvos os vossos servos.
R.
Que esperam meu Deus, em Vós.
V.
Do alto, Senhor, mandai-lhes auxílio.
R.
E guardai-os lá de Sião.
V.
O Senhor esteja convosco.
R.
E com o vosso espírito.
Oremos:
Deus de misericórdia, Deus de clemência,
a quem tudo o que é bom é grato, sem quem nada de bom tem princípio nem nada se
faz de bom, ouçam os ouvidos de vossa piedade as nossas preces humildes, e aos
fiéis que em vosso Nome Santo trouxerem, sob a proteção e em honra de São José,
os cordões bentos defendam-os de empecilho do mundo, ou dos desejos do século;
concedei-lhes que, perseverando devotos neste propósito, remidos, consigam
penetrar no consórcio de vossos eleitos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso
Filho, que convosco vive e reina em unidade com o Espírito Santo que é Deus,
por todos os séculos dos séculos. Amém.
De orações tão sublimes, e que fazem o
Ritual da bênção do cordão de São José, com muita clareza se vê a poderosa arma
que ali temos contra o demônio da impureza.
Propaguemos o uso devoto e piedoso do
cordão de São José.
Com esse meio tão fácil e tão benéfico
procuremos o saneamento moral da sociedade, cuja chaga mais cancerosa e deletéria
é hoje, sem duvida, o vício da volúpia ou desonestidade nas suas várias formas
de degradação pessoal e da família.
Guerrear o vício da impureza e
empenhar-se pela virtude da castidade é servir a Deus e salvar a Pátria.
(Frei Ângelo M. Bom Conselho, “O Cordão de São
José”.)
EXEMPLO
A caneta de São José
As Irmãs de Caridade de uma Congregação
fundada pela Venerável Madre Seton estabeleceram, sob a direção de uma santa
religiosa, Madre Maria Irene, uma
casa em Nova York, destinada a receber e amparar crianças abandonadas.
O edifício é hoje dos maiores e ocupa
um quarteirão todo entre a Lexington Avenue e a Terceira Avenida. Ali são
amparados centenas de pobrezinhos. E, no entanto, esta obra grandeza começou
humilde e pobre. Em breve, Irmã Irene resolveu levantar o grandioso edifício.
Confiou a obra a São José e esta chegou a ser uma realidade. Porém, como
sustentar tantos pobres orfãozinhos? Havia enormes dívidas da construção. Os
pedidos de proteção a crianças abandonadas chegavam todos os dias. Confiadas em
São José, iam recebendo órfãos. Lembraram-se as Irmãs de pedir ao governo do
Estado de Nova York uma subvenção anual e uma verba extraordinária de auxílio.
Escreveu de Albay, sede da Assembléia Legislativa do Estado, que o pedido não
passaria na Assembléia, porque não eram poucos os deputados protestantes, e
estes se opunham ferrenhamente ao projeto. A situação era grave. Não era
possível contar com os votos da maioria. O Partido protestante se opunha
tenazmente e outros homens da Assembléia não olhavam a causa com bons olhos, já
por espírito maçônico e liberal, já por grandes preconceitos contra a educação
católica. Não se podia esperar que o bill fosse aprovado; Nestas circunstâncias
Madre
Maria Irene, devotíssima de São José, alma simples e confiante, foi ao
salão principal onde se venerava uma linda imagem do santo em tamanho natural e
lhe disse, com doce ingenuidade: Meu
querido São José, o projeto há de passar na Assembléia! Vós não haveis de
desiludir minha confiança em vossa proteção. Vede os pobres órfãos da vossa
casa e tantos outros que preciso amparar! Não é possível, meu São José, seja eu
desamparada! Como hei de dar comida e roupa a tanta gente? Valei-me, meu São
José! O bill há de ser aprovado!
E, ingenuamente, coloca na mão da imagem
uma caneta com a pena molhada em tinta.
— Aqui ficará nas vossas mãos, meu São
José, esta caneta, até que o projeto seja assinado.
Toda gente que passava pelo vestíbulo
sorria, ao ver São José de caneta entre os dedos.
Durante um mês, seguramente, a imagem
trazia a caneta, com admiração geral.
Numa tarde, as religiosas em recreio,
num pátio junto ao vestíbulo, ouviram o barulho da caneta que tombou no soalho.
Madre Irene foi buscá-la e disse radiante:
— São José nos ouviu! Fomos atendidas.
Tenho plena confiança!
De fato. Uma hora depois, chegava à
portaria um telegrama de Albany: “O bill foi assinado.”
Aprovado!
Correram todas as religiosas e crianças,
para diante de São José e, ali prostradas, agradeceram comovidas a graça.

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