10
de Março
RESSURREIÇÃO
DE SÃO JOSÉ
OPINIÃO
DOS DOUTORES SAGRADOS.
Diz o Evangelho que, por ocasião da
morte de Nosso Senhor na cruz, o véu do Templo rasgou-se de alto a baixo em
duas partes, a terra tremeu, as pedras se partiram. As sepulturas de abriram e
muitos corpos de santos que estavam dormindo o sono da morte ressuscitaram. E
saindo dos monumentos depois da ressurreição, entraram na cidade santa e apareceram
a muitos. (Math . XXV II — 51, 53.)
Como se deu esta ressurreição? Segundo
a opinião de Santo Tomás de Aquino, São Jerônimo, Orígenes e muitos outros
intérpretes da Escritura, não foram apenas aparições de mortos, mas verdadeiros
corpos ressuscitados, antecipando a ressurreição da carne antes do Juízo. Era
conveniente, disse Santo Tomás, que, livres dos laços da morte, fossem
testemunhas da ressurreição de Jesus e o acompanhassem na glória do céu. Não
voltaram ao silêncio dos túmulos, mas foram com Cristo à glória celeste.
Ora, entre os ressuscitados não podia
faltar, em primeiro lugar, o Santo Patriarca, Esposo de Maria. Fora o mais
privilegiado e o maior dos santos.
Deveria ser preferido aos outros na
participação dos frutos da Redenção do Salvador.
Se aqueles mortos ressuscitaram, para
dar testemunho da divindade de Jesus, quem mais do que São José poderia dar
provas desta divindade?
Nota o ilustrado exegeta Knabenbauer que os que ressuscitaram na
morte de Cristo não foram justos antigos, que ninguém conhecia e nos quais ninguém
poderia acreditar, mas justos falecidos recentemente, para que pudessem ser
reconhecidos.
Ora, ninguém mais conhecido, que São
José, tantas vezes lembrado pelo povo quando falava de Jesus: “Não é este o Filho do carpinteiro?”
São
Francisco de Sales escreve: “Não devemos duvidar que São José goza de
singular poder junto dAquele que o levou ao céu em corpo e alma. Como poderia
Deus negar este privilégio a São José? Cartagena,
Seldmayr e quase todos os teólogos josefinos afirmam esta consoladora
verdade: São José ressuscitou. O sábio Pontífice Bento XIV afirma que se pode
crer piedosamente na ressurreição de São José.
SÃO
JOSÉ EM CORPO E ALMA NO CÉU.
Diz
São Bernardino de Sena: O Filho de
Deus, Jesus Cristo, honrou a seu Pai adotivo com o mesmo privilégio que sua Mãe
Santíssima, de tal maneira que assim como Maria subiu aos céus gloriosa em
corpo e alma, assim também no dia da sua ressurreição levou consigo o
santíssimo José, a fim de que os que neste mundo participaram dos mesmos trabalhos
e graças, reinassem no céu em corpo e alma, cumprindo-se o que diz o Apóstolo: Se sois companheiros nos trabalhos, o
sereis na consolação.
São José, diz Gerson, foi colocado no céu ao lado do Jesus e tomou posse dos
tesouros de seu Filho. Dizemos de Maria que o seu corpo virginal, que mereceu a
honra de trazer o próprio Deus como num sacrário puríssimo e imaculado, não
podia conhecer a corrupção do túmulo. Hoje é dogma de fé a assunção gloriosa de
Maria. Ora, quem depois de Maria teve maior e mais íntimas relações com Jesus,
o Verbo Incarnado, que o Santo Patriarca?
São José sustentou, alimentou com o
trabalho e o suor do seu rosto e nas fadigas do pobre corpo, ao próprio Deus
humanado. Este corpo que padeceu e lutou por Jesus Cristo, corpo virginal, o
mais perfeito depois do de Maria, por certo havia de ser glorificado com o
privilégio da ressurreição. Se Elias é arrebatado em carro de fogo aos céus,
José, que ardia no fogo do divino Amor, não seria preservado da corrupção da
sepultura? Não é absolutamente nem temerária, nem sem bom fundamento a
ressurreição do Santo Esposo de Maria. Deus conserva tantas vezes incorrupto o
corpo de alguns santos, e honra-o com privilégios celestiais, odores, milagres
e prodígios admiráveis de que temos notícia! Não havia de
glorificar,
pela ressurreição, o corpo virginal do santíssimo José? Repugna à nossa
piedade, ao nosso amor ao Santo Patriarca a idéia de que tenha êle conhecido a
podridão de um sepulcro. Ó, cremos firmemente que no céu com Jesus e Maria, em
corpo e alma, está nosso querido São José ressuscitado à espera de nossa
ressurreição no dia do Juízo!
E
X E M P L O
Conformidade
admirável
Conta o Pe. Saintrain, C.SS.R., mais este exemplo: Uma epidemia devastava toda
uma região da França. Sofriam principalmente os pobres que morriam abandonados.
Um padre caridoso entra numa miserável mansarda onde, vítima da peste,
agonizava um velho piedoso.
— Coragem, meu filho, paciência! Nosso
Senhor lhe dará força para suportar tanto sofrimento. Sofre muito, não é?
— Não, meu querido padre, não sofro
muito, e quer saber por que? Tomei São José por meu padroeiro e meu modelo.
Nunca me queixo de minha sorte. Trabalhei muito em minha vida, sofri demais, porém
nunca desanimei. Quando pensava em meu São José, ó, tudo era fácil, tudo era
doce! Sou carpinteiro, suei, trabalhei, lutei na pobreza como São José. Pensava
nele dia e noite. Não tenho medo da morte. E se recobrasse a saúde, desejaria
continuar a viver sofrendo como antes e sempre pobre.
O padre, admirado, pergunta-lhe:
— E está conformado em deixar esta vida?
— Sim, meu padre, seja porém o que Deus
quiser! Dou graças a Deus pela minha vida toda e estou pronto para a morte.
Sinto que a morte aí vem. Adeus, adeus...
E após haver recebido os sacramentos,
expirou placidamente, como o justo.

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