3
de Março
PREDESTINAÇÃO
DE SÃO JOSÉ
QUE
É A PREDESTINAÇÃO DO SANTO PATRIARCA?
A predestinação, define-a Santo Tomás
de Aquino, é a eterna preordenação de todas as coisas que com a graça de Deus
devem acontecer no tempo. (111 - P.R. XXXII - art. 1)
É o que Deus desde toda a eternidade
determina, o que há de acontecer em ordem à salvação eterna. Em outras
palavras: é a razão que existe na mente divina de quantas disposições sejam
necessárias para que a criatura racional consiga a vida eterna. Entre tantos
homens que hão de passar pela terra, Deus, desde toda a eternidade, predestinou
um, escolheu-o com amor para uma nobilíssima e sublime missão: ser Esposo da
Virgem que daria ao mundo o Salvador.
O Deus onipotente, disse Pio IX,
escolheu entre todos os santos o ínclito Patriarca São José, para que fôsse na
terra puríssimo e verdadeiro Esposo da Imaculada Virgem Maria e Pai Putativo de
seu Filho Unigénito. E para que desempenhasse dignamente tão sublime ofício, o
enriqueceu e cumulou de graças e privilégios singulares. (Litt. Apost. Inclitum
- 7 Julho 1871)
A honra e o nome de Maria e seu divino
Filho exigiam o matrimônio de Maria e de José. Podemos pois afirmar, diz o
Padre Cantera, de certo modo, sem São José não era possível a Redenção de
Cristo.
A graça divina juntou no tempo Jesus,
Maria e José, onde ordenou tudo quanto fizeram para execução da obra redentora.
Logo, estiveram unidos na predestinação eterna. (San José en el plan Divino)
Escreve São Francisco de Sales: “Tendo
Deus Nosso Senhor destinado desde toda eternidade que uma Virgem concebesse um
Filho e este seria Deus o Homem, quis que esta Virgem fosse casada. São José
não foi mais que a sombra sobre o mistério da Incarnação. Ó, como foi doce a
união entre Nossa Senhora e São José! União que fazia com que aquêle bem dos
bens, que é Nosso Senhor, pertencesse a São José como pertencia a Maria. Não
segundo a natureza, mas segundo a graça, que o tomara participante de todos os
tesouros da sua casta Esposa.” (Oeuvres
complets - T. 111) Esta doutrina é contida na Escritura e é conforme ao que
ensinam os padres da Igreja e os melhores teólogos.
PREDESTINADO
COM MARIA.
Maria estava predestinada, desde toda
eternidade, a ser Mãe do Verbo Incarnado. E como havia de nascer Jesus de uma
Virgem desposada, este Esposo predestinado com Maria foi São José. José vive no
pensamento eterno da Divindade junto com o Verbo feito Homem e de Maria Mãe de
Deus, da qual seria o esposo virginal. Um homem estava também no decreto da
Incarnação. Era necessário uma mulher, diz o Padre Cantera, (San Jose e el plan Divino) para dar a
carne sagrada que seria vítima de imolação pelo mundo pecador. E era necessário
um homem para que o nascimento de Cristo se desse com a devida decência, fôsse
velado o mistério aos olhos dos homens e pudesse prover as necessidades da
família. Ninguém, depois de Maria, contribuiu tão poderosamente como São José
para sustentar, conservar a Santa Humanidade de Jesus e ajudá-lo a realizar a
obra redentora. Coisa maravilhosa! exclama um erudito autor. (La Viérge Marie dans le Plan divin.)
Pode-se afirmar que o humilde São José foi associado a Deus Pai, ao seu Filho único
e à Ssma. Virgem para cooperar com os três na Redenção do mundo, preparando-nos
um Salvador que se imolasse por nosso bem. Deus
Pai deu a Divindade a seu Filho, a Ssma. Virgem deu-lhe a Humanidade
Santíssima, formando-a em seu ventre puríssimo e sustentando-a na infância com
o leite materno. Esta Humanidade para crescer e chegar às forças da idade
viril, para se imolar na cruz por nós, quem a sustentou com o suor do seu rosto
e as fadigas do trabalho de pobre? Foi São José. As três pessoas — Jesus, Maria
e José — estavam ordenadas para o mistério da Redenção, constituem um todo
indivisível e completo. Jesus, causa eficiente da Redenção, cabeça dos
predestinados, o primeiro em dignidade e excelência; Maria, causa instrumental
da Redenção, e finalmente São José, causa ministerial, cooperador, a nuvem
milagrosa que envolve o Filho e a Mãe.
Eis aí a razão de ser da glória de São
José, a origem da sua grandeza. Pois se São José foi predestinado depois de
Maria, sobrepuja em glória a todos os santos e a todas as criaturas. Não há palavra
humana, diz Gerson, que possa exprimir os louvores e prerrogativas de São José.
Nem os homens nem os anjos podem exprimi-las! (Ofic. de conjugio Joseph et Mariae)
E
X E M P L O
Grandes
devotos de São José
O célebre Cardeal de Berulle, que tanto
se distinguiu pela piedade e a ciência, era devoto fervoroso de São José.
Sempre pedia ao grande santo uma graça: a de uma boa morte. Na última enfermidade,
ao celebrar a Santa Missa caiu desfalecido nos degraus do altar. Os fiéis
discípulos o acudiram, fizeram-no sentar
diante do Tabernáculo, e lá, aos pés do altar de Jesus Sacramentado, recebeu os
últimos sacramentos e se ofereceu como vítima a
Nosso
Senhor, repetindo os nomes benditos de Jesus, Maria e José. Expirou poucos
instantes depois, cheio de gratidão para com seu protetor São José, por lhe ter
dado não só a graça de uma boa morte, mas a de morrer junto do altar, com Jesus
e diante de Jesus Sacramentado.
Outro servo de Deus, o Venerável Alexis
de Vigenano, estava no leito de agonia, quando em êxtase de amor chamou o
enfermeiro:
— Acenda muitas velas neste quarto,
vamos...vamos...
— Por que velas acesas?
perguntaram-lhe.
— Devo receber neste instante a visita
de Maria Santíssima e de meu Pai querido, São José. Vamos recebê-los com toda
piedade.
Pouco depois dizia aos circunstantes:
— De joelhos! de joelhos! Aí estão
nossos hóspedes do céu.
O rosto do servo de Deus se iluminou e
num instante, abrasado do divino Amor, expirou com o doce sorriso dos justos.
Era a 19 de Março, festa de São José. Fora celebrar no céu as glórias do seu
Patrono.
O Venerável Olier, fundador do célebre
Seminário de São Sulpício, fora grande devoto do Santo Patriarca. Honrava a São
José porque via no Pai Putativo de Jesus um belo modelo de quem traz Jesus nas
mãos no mistério eucarístico.
José, dizia ele, trouxe Jesus consigo,
foi guia de Jesus. Eu também levo Jesus comigo. Quisera amar e servir a Nosso
Senhor, como o fez São José!
Deixou como tradição, nos seminários, o
culto do Santo Esposo de Maria.

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