quarta-feira, 4 de março de 2020


4 de Março

SÃO JOSÉ, MAIOR QUE OS ANJOS

l.° SÃO JOSÉ E OS ANJOS.

         São José, podemos afirmar com fundamento, se avantaja em dignidade e excelência aos próprios anjos. Esta doutrina tem razões sólidas para aboná-la, e não repugna teologicamente. Dizem os melhores teólogos josefinos que o Santo Esposo de Maria foi predestinado numa ordem e grau mais sublimes que todos os espíritos angélicos.
         Os anjos são ministros, servos de Deus.
         São José foi pai adotivo do Senhor, Verbo Incarnado. Os anjos são os servos, os executores das ordens divinas. São José teve sob o seu governo e
tutela, e obediente a ele e Maria, o próprio Deus, durante trinta anos.
         Et erat subditus illis. E estava sujeito, obediente a eles.
         Os anjos obedecem a Deus. E Deus obedeceu a São José.
         Os anjos tiveram íntimas relações com o Verbo Incarnado e exerceram ministérios em ordem do Mistério da Incarnação.
         O Arcanjo Gabriel anuncia a Zacarias o nascimento do Precursor de Cristo e o mesmo arcanjo anuncia à Virgem Santíssima o Mistério da Incarnação do Verbo.
         Os anjos anunciam aos pastores o nascimento do Salvador.
         Um anjo aparece a José, para salvar o Menino-Deus da perseguição de Herodes. E de novo o avisa, quando morre o perseguidor, a que volte para Nazaré.
         Os anjos servem a Jesus no deserto. Um deles conforta-O no Horto, e, na ressurreição, levantam a lousa do sepulcro e aparecem às santas mulheres.
         Todos esses ministérios, porém, não podem ser maiores que o de São José para com Jesus Cristo.
         As afinidades de São José com Cristo são mais íntimas, mais profundas, especiais e diretas. Foi pai de Jesus, Rei dos anjos e esposo de Maria, Rainha dos anjos. Por mais que meditemos nas prerrogativas e privilégios e grandezas dos anjos, estas criaturas mais perfeitas que o homem, nunca poderemos encontrar razão alguma que os torne superiores ao Santo Patriarca..

2.° REI DA CELESTE MILÍCIA.
         Não há dúvida: pode chamar-se São José rei da Celeste Milícia.
         O grau de predestinação se mede pelo grau de caridade que têm as almas nesta vida. São José, pela sua união imediata com Jesus, o próprio Deus, fez tanto progresso no Amor Divino, que se avantajou aos anjos em dignidade. Nenhum espírito celeste mereceu a honra de ser Pai adotivo do Filho de Deus.
         As relações das outras criaturas com Jesus foram, de certo modo, indiretas.
         Referiam-se a alguma coisa de Jesus. Os anjos executam as suas ordens, os mártires dão testemunho da verdade ensinada pelo divino Mestre, os Doutores desenvolvem seus ensinamentos divinos, as virgens honram a Pureza Eterna. Cada alma santa reproduz, de um modo predominante, tal ou tal virtude de Jesus.
         O caráter distintivo, porém, das funções de São José é tender por sua própria natureza diretamente à pessoa de Jesus Cristo, diz o Pe. Sauvé. (Saint Joseph intime)
         O Santo Patriarca é superior a todos os coros angélicos.
         Isolano, comparando a missão de São José à de cada um dos coros angélicos, demonstra com a doutrina angélica de São Dionísio quanto maior, mais bela, mais sublime foi a missão de José. Mais que simples mensageiro e guarda dos homens, foi aquele que do céu recebera o encargo de guarda de Jesus, cabeça do gênero humano.
         Mais que os simples Anjos e Arcanjos. Mais que as Potestades, Virtudes e Dominações.
         Mais elevado que os Tronos, mais conhecedor do Eterno e íntimo dos Arcanos celestes que os Querubins, mais abrasado na divina caridade que os Serafins.
         É pois, São José, Anjo pela vida, Arcanjo pelo ofício, Príncipe pela vitória do Rei dos reis, Potestade pelas operações sobrenaturais, Virtude pela perfeição, Dominação, porque acima está das criaturas, Trono, porque recebeu nos seus braços o próprio Deus.
         Querubim, porque mais de perto conheceu a Deus; Serafim, porque depois de Maria ninguém melhor e mais pôde amar a Deus nem no céu nem na terra. Digamos, pois: ó São José! ó santo acima dos anjos e dos santos, possamos imitar-vos na angélica pureza e servir a Maria, Rainha dos anjos, para melhor amarmos o Rei Eterno dos anjos!

E X E M P L O.

São José e Santa Teresinha

         A devoção ao Santo Esposo de Maria era tradicional na abençoada família de Santa Teresa do Menino Jesus. Na “História de uma alma” , escreveu a santinha: “Desde a mais tenra idade que, em minha alma, se confundiam o amor de São José com o da Santíssima Virgem.”
         Em suas poesias tão belas ao falar da Santa Família de Nazaré, com que ternura recorda a humildade, o amor e dedicação de São José! Zélia Guerin, a piedosa mãe da santinha, devotíssima do Santo Patriarca, a Ele confiava todos os negócios e sofrimentos.
         Deu aos filhinhos,os dois meninos que teve, o nome de São José: José Luís e José João Batista.
         Ambos voaram para o céu em tenra idade. A esperança de um filho missionário se desvaneceu. Todavia continuaram os piedosos esposos a rezar, e Nosso Senhor lhes deu mais que um simples missionário: a Padroeira de todos os missionários. Aos 2 de Janeiro de 1873 nasceu, em Alençon, Teresinha. Pouco depois do batismo, a menina definha e parece seguir o caminho dos anjinhos já partidos para o céu. O médico aconselha a procurar uma boa e sadia ama de leite, como última tentativa. Esta, ao chegar, encontra a criança em lastimoso estado e abana a cabeça: Pobrezinha! É tarde demais! Já não há mais recurso...
         A pequenina, lívida, com sinais de agonia.
         Zélia subiu ao segundo andar e retirou-se ao quarto. Não lhe sobravam forças para assistir a agonia de mais uma filhinha, e em tão pouco tempo!
         Todavia, não se julgou vencida, e ao contemplar a imagem de São José, seu querido protetor de todas as horas, caiu de joelhos e exclamou, cheia de confiança: Meu querido São José, eu não me dou por vencida! Sois o padroeiro das causas desesperadas, valei-me!
         Desce. E que alegria inesperada! A criança toma o peito da ama. A felicidade foi momentânea. São José queria experimentar a confiança da sua serva.
         Teresinha, após este sinal de vida, cai desfalecida novamente. Nem um sopro de vida. Zélia, banhada em lágrimas, suspirou resignada: Seja feita a vossa vontade, meu Deus! Meu São José, eu vos agradeço a morte suave que permitistes ao meu anjinho!
         De súbito, com geral estupefação, Teresinha abre os olhos, reanima-se e sorri para a mãe. A agonizante de poucos minutos estava salva! São José fez o milagre. Naquele mesmo dia a pequenina se amamentava e a levaram à casa da boa ama em Semallé, a poucos quilômetros de Alençon. São José salvara a vida preciosa da maior santa dos últimos tempos, no expressivo e profético dizer de São Pio X.

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