5
de Março
SÃO
JOSÉ, O MAIOR DOS SANTOS
l.°
DEPOIS DE MARIA, JOSÉ!
Depois de Deus, Maria. Depois de Maria,
José. É sem dúvida o maior dos santos, pois recebeu de Deus maiores graças e
desempenhou a maior e mais sublime missão na terra.
É conhecido o axioma tomista: “Quando Deus escolhe alguém para uma
missão, o dispõe e prepara para que seja idôneo e a desempenhe dignamente.”
Ora, São José fora escolhido para a
mais sublime missão: Pai adotivo do Filho de Deus humanado e Esposo da Mãe de
Deus. Poderia alguém na
terra,
depois de Maria, excedê-lo na glória da santidade? Quem teve maior e mais
sublime missão a cumprir na terra?
Só Maria Santíssima. Logo, depois de
Maria, na santidade, ninguém pode ser maior do que o Santo Patriarca.
É incontestavelmente o maior dos
santos. São José se avantajou em santidade e glória, opina o grande teólogo
Suarez, aos apóstolos e a São João Batista, porque nada há na tradição e na
Escritura que se oponha a esta conclusão.
E a Igreja com Pio IX na Encíclica
“Inclytum Patriarcham”, de 7 de Julho de 1871, diz claramente:
“Tendo Deus escolhido o Bem-aventurado José entre todos os
santos, para ser verdadeiro e puríssimo esposo da Virgem Imaculada e pai
putativo de seu Filho, comunicou-lhe em abundância graças singulares para
desempenhar tão sublimes ofícios, graças singulares estas que o tornam também
um santo entre todos singular.”
Esta é a razão primária da santidade
eminente de São José. É ainda Santo Tomás que nos dá outra razão da santidade
eminente do santo esposo de Maria :
“Quanto mais alguma coisa se aproxima
do seu princípio em qualquer gênero que seja, diz o Angélico, mais participa do
efeito daquele princípio. Cristo é o princípio da graça, autoritariamente
enquanto Deus e instrumentalmente enquanto homem.” Deste princípio deduz o
Santo Doutor a santidade singular de Maria, maior que a de nenhum santo. Logo,
pela mesma razão, se São José depois de Maria foi o mais próximo de Jesus
Cristo, recebeu dEle maior abundância de graças que os outros santos. E Suarez
afirma que depois da humanidade de Jesus e de Maria, São José ocupa o terceiro
lugar na abundância da graça divina pela sua familiaridade e contacto com Jesus
Cristo. É, pois, o maior dos santos.
2.
MAIOR QUE SÃO JOÃO BATISTA E OS APÓSTOLOS.
Nenhum santo teve dos lábios de Jesus
maior elogio que João Batista. Dentre os
nascidos da mulher, disse o Salvador, nenhum
apareceu maior que João Batista.”
Argumentam contra a primazia de São José,
servindo-se deste texto sagrado. O elogio do Precursor feito por Jesus Cristo,
diz o ilustrado Pe. Cantera, é de um valor relativo e não absoluto.
Nosso Senhor exalta João Batista sobre
os profetas do Antigo Testamento, mas não sobre todos os santos. E queria
também se referir às maravilhas e prerrogativas com que Deus o honrou desde o
nascimento. Esta é a segura opinião do grande teólogo josefino Cardeal Lepicier, no seu admirável Tractatus de Sto. Joseph.
O texto de São Mateus, comparado ao de
São Lucas, esclarece perfeitamente esta questão: Entre os nascidos de mulher, não há maior profeta que João Batista.
O Evangelista, aqui, fala em profeta e
diz expressamente que entre os nascidos de mulher não há maior profeta que João
Batista. Excedeu a todos no dom da profecia, mas não diz que a todos tivesse excedido
na graça e na santidade. Esta é a interpretação de Santo Hilário, São João
Crisóstomo, Santo Agostinho e
outros Santos Padres, como demonstra o estudo admirável do Pe. Cantera na sua obra “San
José en el Plan Divino”.
Suarez
é de opinião também que São José excedeu, em graça e em glória aos Apóstolos e
a São João Batista, porque a sua missão foi maior e mais sublime que a deles. E
eis agora a razão porque na Liturgia a Igreja invoca nas Ladainhas a São João Batista
antes de São José. A ordem dos santos nas Ladainhas não obedeceu à ordem de
prioridade na santidade, isto é, na ordem da graça e da glória. Em geral, este
argumento não tem valor decisivo, porque nas orações litúrgicas nem sempre a precedência
dos
nomes
dos santos indica a precedência na ordem da graça e da glória.
Eis porque também a Santa Sé não
permitiu se inserisse o nome de São José no Confiteor e se desse precedência ao nome de José ao de João nas
Ladainhas.
São José excede a dignidade dos
Apóstolos.
Estes foram ministros e dispensadores
dos mistérios de Deus, vasos de eleição, colunas da fé, mensageiros da palavra
divina. Pregaram o Evangelho de Cristo, sofreram e lutaram e morreram por
Cristo.
Enfim, toda a missão deles foi em
relação à pessoa de Cristo.
Ora, São José foi o dispensador de
Jesus nascido, diz Orígenes; ministro da Incarnação, diz São João Crisóstomo; o único coadjutor,
fidelíssimo do Grande Conselho, escreve São
Bernardo; ministro da nossa salvação, lhe chama a Igreja no Ofício
litúrgico: Dedit ei ministrum esse
salutis.
Todos estes títulos são
indiscutivelmente mais gloriosos que o do apostolado.
O ministério de São José, afirma o
Cardeal Vives, afeta mais de perto à pessoa de Cristo e influi mais diretamente
em nossa salvação. É maior São José que todos os mártires e confessores e
virgens. Nenhum santo teve, como Ele,
privilégios tão singulares e viveu mais unido a Deus e mais abrasado na Divina
Caridade.
Pelas relações com Jesus e Maria
Santíssima, é o maior dos santos e precede a todos os eleitos no culto que lhe
prestamos. E, finalmente, Pio IX proclama ao Santo Patriarca patrono da Igreja
Universal. O patrono é superior aos que patrocina. Evidentemente, vale esta
razão por muitas outras. A festa do patrocínio de São José é um argumento litúrgico
em favor da primazia de São José entre os santos da Igreja de Deus.
Concluamos pois com os Santos Doutores,
os teólogos, os melhores autores josefinos: São José é o maior dos santos;
maior que João Batista e os apóstolos: maior que todos os eleitos na graça e na
glória.
E
X E M P L O
Pedido
irrevogável
O Venerável Pe. Luís Lallemant, da Companhia de Jesus, foi um admirável mestre
de vida espiritual. Seus escritos têm uma doce unção e fazem um bem imenso a
tantas almas! Morreu em odor de santidade.
Fora apóstolo do culto a São José.
Atribuía ao Santo Patriarca todas as graças da vida interior que recebera e
procurava inculcar em todas as almas sob a sua direção espiritual um grande
amor a São José.
Não havia graça que as orações
fervorosas do Venerável Lallemant não obtivesse do Santo Esposo de Maria. Eram
suas expressões já conhecidas: Recorram
a São José! Peçam a São José e serão atendidos!
Tinha como que a piedosa e santa mania
de recomendar a toda gente a devoção a São José.
Nas vésperas da festa do Santo
Patriarca, chamou dois mestres do Colégio dos Jesuítas e lhes recomendou,
encarecidamente, inculcassem a devoção a São José no coração de seus alunos.
Pediu muitas preces e comunhões para a
festa de 19 de Março.
Depois os dois bons padres foram, cada
um em seggredo, propor ao Pe. Lallemant
a graça que desejavam. O Pe. Nouet,
um deles, lhe disse:
— Quero, meu padre,
alcançar de São José uma graça importante: é a de sempre pregar com muita unção
e muito bem sobre Jesus Cristo. Quero ser bom pregador de meu Divino Mestre!
O Venerável lhe garantiu que São José o
havia de atender.
Mais tarde, porém, o Pe. Nouet pôs-se a refletir, e achou
pouco modesta a sua pretensão. Pedir a São José a graça de ser bom pregador!
Não seria uma vaidade? Não iria se expor aos aplausos e à vanglória?
Não, diz ele, prefiro outra graça!
Antes ser um santo e humilde religioso e ficar sempre oculto e desconhecido.
Voltou ao Pe. Lallemant e pediu-lhe que
não rogasse mais a São José o que havia proposto. O Venerável sorriu docemente
e respondeu: “Meu filho, é tarde! É muito tarde! São José já despachou meu
pedido. Já fomos atendidos!
Realmente. O Pe. Nouet, S .J., foi um dos melhores e mais edificantes pregadores
da Companhia de Jesus. Hoje, ainda, os sermões e conferências que nos deixou
são lidos, com grande proveito, por inúmeros sacerdotes e leigos. Um
incomparável pregador de retiros espirituais!
A oração a São José, maravilhosamente
ouvida!
O companheiro do Pe. Nouet disse ter sido
também contemplado com a graça pedida na festa de São José. Todavia, por
humildade, não a quis revelar.

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