14
de Março
O
PODER DE SÃO JOSÉ
O
PODER DE SÃO JOSÉ.
Pai putativo de Jesus Cristo e Esposo
de Maria, não há santo mais poderoso no céu que São José, para nos valer e
proteger em todas as necessidades.
Santíssimo
Joseph in omni necessitate et negotio concessum est opitulari. O santíssimo
José nos pode ver e valer em todos os negócios e necessidades, é a opinião de Santo Tomás de Aquino.
Invocamos aos santos, diz São Francisco
de Sales, para algumas necessidades particulares, como se as graças e os dons
dos milagres fossem divididos por cada um, em proporções limitadas. São José,
porém, tem o remédio para todas as necessidades do corpo e da alma no crédito
que possui junto de Nosso Senhor. (Saint François de Sales, Oeuvres — XIX.)
Santa
Teresa e Santo Afonso dizem o
mesmo.
Aos outros santos recorremos em uma ou
outra de nossas necessidades. O poder de São José, porém, se estende a todas,
não tem limites. (Santo Afonso — Visitas.
Santa Teresa —Vida.)
E a Igreja o confirma na oração e
ofício de São José, em -9 de Março: “Ut
quod possibillitas nostra non obtinet, ejus nobis intercessione donetur.” O
que não pode alcançar a nossa fraqueza, obtenha-nos a sua intercessão.
De São José como de Maria, escreveu o
Pe. V. Mercier, (Saint Joseph — VI pars.
— 364.) se pode dizer que é a Omnipotentia suplex, a onipotência
suplicante.
A intercessão de São José junto de Deus
e de Maria, demonstra o grande Gerson,
(Sermo de Nativitate Mariae — Cons. 3.) é a de um Pai e Esposo sempre
obedecido.
Com que segurança e com que autoridade
não pede Ele pelos seus devotos!
O poder de São José é imenso. Para o
demonstrar, São Bernardino de Sena assim
fala: “Não podemos duvidar que Jesus
Cristo conserva sempre no céu para com São José a ternura e respeito que lhe testemunhou
outrora na terra, isto é, ternura e respeito de Filho. Bem longe de ser
diminuída, esta piedade filial vai crescendo sempre.
“Notem-se, acrescenta Santo Afonso, as
palavras ternura e respeito; elas significam que este Soberano Senhor que se
dignou venerar a São José
cá
no mundo como a seu Pai, não lhe nega coisa alguma daquilo que ele lhe pede.” (Santo
Afonso — 17.ª Visita a São José.) A experiência faz dizer a Santa Teresa: “Conheço por longa experiência o poder que
São José goza junto de Deus; quisera persuadir a todo o mundo a honrá-lo com
uma devoção particular. Notei sempre pessoas que progrediam na virtude, porque
lhe tinham verdadeira devoção. Contento-me com pedir, por amor de Deus, àqueles
que não quiserem acreditar em mim, que façam disto experiência.”
A história do outro José do Egito e o
poder de vice-rei que lhe deu Faraó, é já lugar comum na comparação de todos os
autores josefinos, para mostrar o poder de São José junto de Deus.
A Igreja chama o Santo Patriarca Ministrum salutis... certa spes vitae
columenque mundi — Ministro de nossa salvação, segurança da vida e
sustentáculo do mundo.
Seria impossível citar quantos santos e
autorizados teólogos escreveram sobre o poder de São José.
E, delicadamente, concluiu o Pe. Sauvé no seu “Saint Joseph intime”:
São José possui uma caridade capaz de
amar a Deus com um amor paternal e abraçar, com o mesmo paternal amor, a Igreja
e cada um de nós, e isto com a irresistível influência que tão grande amor lhe
dá.”
Oh! vamos a São José com tanto mais
confiança quanto sabemos que nossa oração há de ser atendida pelo maior e mais
poderoso dos advogados junto de Deus, depois de Maria.
José e Maria são a omnipotentia suplex — a onipotência suplicante.
O
PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ.
A etimologia da palavra o está dizendo:
é pai, isto é, o que exerce a missão de pai e protege, como um pai protege e
ampara o filho.
No sentido litúrgico, chama-se patrono
aquele que intercede ou pede por outro.
Jesus Cristo é o Patrono por
excelência, o Mediador necessário, único: um é o mediador entre Deus e os
homens, Jesus Cristo, que se entregou em redenção por nós. (Ad Timot. II, 5.
O Patrocínio de Jesus, porém, não
exclui o dos santos,; ao invés, estes recebem dAquele toda virtude e poder.
Maria, sendo nossa corredentora e Mãe de Jesus, é a Mediadora universal de todas
as graças. Tudo nos vem de Jesus por Maria. E pelos méritos do Sangue de Jesus,
pelos méritos de Maria, Mediadora de todas as graças, somos salvos. Pois Jesus
e Maria, unidos na terra e no céu a São José, fizeram a seu Pai e Esposo
participante, em grau mais elevado que todos os santos, do poder de intercessão
e proteção sobre os homens remidos.
Santo
Tomás de Aquino nos dá a grande razão do Patrocínio de São José: “Quanto
mais perfeitos na caridade são os santos que reinam no céu, tanto mais oram
pelos homens e os podem socorrer.” (Suma Teol. II, 2ae, Q.LXXXIII.)
É o grande princípio. Ora, quem, depois
de Maria, amou a Jesus Cristo mais do que o Santo Patriarca?
Não há, pois, e não é possível que haja
maior e mais eficaz Patrono que São José.
Jesus, Patrono ou Mediador necessário.
Maria, Patrona e Mediadora universal.
Ninguém irá a Deus e nem se salvará, a
não ser por Maria.
José, Patrono e Mediador de todas as
graças que nos vêm pelos méritos da Redenção: o tesoureiro das graças que do
céu nos chegam pelas mãos de Maria. Eis aí o lugar privilegiado de São José
como nosso Patrono.
São
as razões fundamentais do Patrocínio de São
José.
Se nenhum eleito o antecede em
santidade e perfeição, se mereceu a honra de proteger o Verbo Incarnado, é o
Patrono da obra de Jesus Cristo, a
Santa
Igreja.
O seu Patrocínio é o mais poderoso, o
mais eficaz e o mais benéfico.
As
razões que teve a Igreja, diz Leão XIII, para proclamar a São José seu especial
Patrono e confiar tanto na valiosa proteção do grande santo, não são outras
senão as dos títulos singulares que ele possuiu de Esposo de Maria e Pai
adotivo de Jesus Cristo. (Quamquam pluries.)
A José do Egito diz Faraó,
proclamando-o vice-rei: “Governarás
minha casa, e ao império da tua voz todo o meu povo te obedecerá.” (Genesis,
XLI, 40.) “Ide a José e fazei o que vos
disser.” O Rei dos céus não deu menor poder ao novo José, Esposo de Maria.
Ite
ad Joseph, é o que nos repete a Igreja, dando-nos como Patrono São José.
Em 1869, setecentos e setenta e sete
bispos e seis mil sacerdotes, por ocasião do Concílio do Vaticano, pedem ao
Santo Padre Pio IX a aclamação solene e oficial do Patrocínio de São José sobre
a Igreja Universal.
Em 8 de Dezembro de 1870, a súplica é
ouvida. O Pontífice da Imaculada Conceição e da Infalibilidade Pontifícia
declara solenemente a São José Patrono da Igreja Universal.
E X E M P L O
Salvo e convertido por
São José
Em Colônia, Alemanha, uma esposa,
verdadeiramente cristã o devota de São José, tinha profunda mágoa ao ver a
indiferença religiosa e, às vezes, a impiedade do marido. Era ele homem que na
infância havia recebido uma educação cristã de mãe piedosa, e depois os amigos
ímpios e as lutas e negócios o afastaram completamente da Igreja e de todas as práticas
da religião. Quando quis se casar, fingiu algum sentimento religioso e
conseguiu desposar uma prendada jovem, que se distinguia por sua angelical piedade.
Poucos dias após o matrimônio, tirou a máscara e revelou-se o ímpio que era.
Ridicularizava as orações da esposa, impedia-a muita vez de freqüentar os
sacramentos e zombava das coisas e pessoas sagradas. No dia 1 de Março,
aniversário natalício da esposa, trouxe-lhe um rico presente. Ao agradecer,
disse ela com receio e voz trêmula:
— Meu querido, eu seria muito mais
feliz com outro presente...
— Que presente ?!...
— A tua alma... a tua pobre alma...
E desatou a chorar.
Em vão procura o esposo consolá-la.
— Pois bem, diz ele, pede-me o que
quiseres; eu prometo fazer tudo, para que não chores mais neste dia tão belo.
— Então vem, comigo, hoje, até à matriz
e assistiremos juntos ao sermão e à bênção do Santíssimo na novena de São José.
— Pois, se é apenas isso, vamos! Enxuga
essas lágrimas.
A igreja estava repleta. O padre falou sobre
São José. Não era bom orador, mas sabia doutrinar. Pediu aos ouvintes que
invocassem a São José com toda confiança, sobretudo nos perigos.
Ao saírem da matriz, diz a esposa: “Meu
querido, eu te peço uma coisa e me hás de prometer cumpri-la. Nada mais fácil.
Bem sei que não crês, mas em todos os perigos em que te achares reza esta
jaculatória: São José, rogai a Deus por
mim! Só isto... prometes-me?” “Nada mais fácil. pois não. A promessa há de
ser fielmente cumprida.”
Passaram-se meses. Numa tarde viajava o
moço, quando um horroroso desastre no trem lhe faz lembrar a promessa feita. Um
choque tremendo e a locomotiva se precipita violentamente contra uma montanha
de pedra. O sinal de alarme soou e o moço lembrou-se do prometido. Gritou logo:
“São José, rogai a Jesus por mim! Valei-me, São José!”
Não se sabe como ele saiu ileso, sem um
ferimento, em face de um montão de ruínas e de cadáveres. Jaziam por terra os
vagões em pedaços, e sete amigos, seus companheiros de viagem, estavam mortos e
completamente mutilados. Não pode conter as lágrimas e, profundamente
reconhecido, agradeceu a São José tamanho favor. Voltou à casa transformado.
Converteu-se, tomou-se um católico modelar e fervoroso. E cada ano, no mês de
Março, preparava em casa um altar e o adornava de flores, e diante da imagem do
santo querido ardiam sempre velas e se faziam fervorosas preces.
“São José, dizia ele, me salvou e me
converteu! Salvou minha vida e converteu minha pobre alma!”

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