7
de Março
SÃO
JOSÉ NO TEMPLO
APRESENTAÇÃO.
A Lei de Moisés ordenava que, quarenta
dias após o parto, as mães se apresentassem no Templo para a sua purificação e
fizessem a oferenda prescrita que era um cordeiro e uma pomba, se os pais eram
ricos, ou então um casal de pombos ou rôlas, se eram pobres. Esta oferenda era,
a um tempo, sacrifício e holocausto. Sacrifício em expiação do pecado contraído
pela geração da prole, e holocausto de consagração que se fazia do filho a
Deus. Se a criança era um primogênito, e filho de Levita, ficava no templo para
o serviço do culto, e se não era levita, deveria ser resgatado pelo preço de
cinco ciclos. Esta lei dos primogênitos lembrava a morte que Deus enviava a
todos os primogênitos do Egito, para libertar o povo de Israel da tirania do
cativeiro de Faraó. Jesus não estava obrigado à circuncisão e nem estava Maria
à Lei da Purificação. Veio o Salvador ao mundo pela Virgindade Maternal de Nossa
Senhora, que não experimentou nem as dores nem as misérias das outras mães.
Quis obedecer a Mãe de Deus. Ouçamos o Evangelho. Não há melhor intérprete do
que se passou no Templo de Jerusalém.
As circunstâncias da Apresentação no
Templo nos mostram, naqueles cenas tocantes, como estaria a alma de São José.
Inundada de consolações e transpassada de dor. Foi um mistério de alegria e de
dor. Simeão toma nos braços o Menino e vê realizado o que desejou ardentemente
ver: a Redenção de Israel. É a imagem do Sacerdote da Nova Lei. O primeiro
Ministro do Altar que recebe nas mãos o Filho de Maria. Depois da bênção, do
cântico de alegria do Nunc Dimittis,
a profecia dolorosa: Este Menino é
destinado para a ruína e para a ressurreição de muitos em Israel, será alvo de
contradição e uma espada de dor há de atravessar a tua alma.
Não se pode compreender a dolorosa e
profunda impressão causada na alma de São José ao contemplar sua Castíssima
Esposa naquela hora. Parecia já contemplar o quadro horroroso do Calvário, ver o
Sangue de Jesus e as lágrimas de Maria. É certo que compreendeu toda a profecia
e a via cumprida desde então. A presença tão amável do Menino Jesus, o doce
convívio de Maria ainda tornavam mais amarga a lembrança do que se havia de
cumprir. Toda a vida de José, desde aquela hora, foi um misto de
felicidade
e amargura. O mais feliz dos pais e de todos os esposos. A paz e o encanto da
Sagrada Família não Se podem imaginar e nunca houve maiores na terra. Porém,
conhecer o futuro de sua Esposa ao pé da cruz e saber que os encantos adoráveis
do seu Filho Adotivo seriam transformados como um verme dilacerado pelos
açoites e coberto de chagas numa cruz no Calvário! Ego sum vermis et non homo — “ Eu estou como um verme e não homem”
, dissera o Profeta de Jesus. José tinha diante de si este quadro ao ter nos
braços seu Filho querido, e ao contemplar Maria, via-a transpassada pela espada
cruel. São José teve, realmente, uma parte bem grande no mistério da Redenção.
O Mistério da Apresentação o consagrou
também vítima com Jesus e Maria pelos nossos pecados.
A
PURIFICAÇÃO.
E terminados os dias da sua
purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém, para o
apresentarem ao Senhor. Conforme está escrito na lei do Senhor: Todo o
primogênito de sexo masculino, será consagrado ao Senhor; e para oferecerem em
sacrifício, conforme está ordenado na lei do Senhor, um casal de rôlas ou dois
pombinhos. E eis que havia em Jerusalém um homem chamado Simeão, e este homem,
justo e timorato, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.
E
recebera resposta do Espírito Santo, que ele não veria a morte sem ver primeiro
o Cristo do Senhor.
E veio pelo Espírito Santo ao Templo, e
quando os pais levaram o Menino Jesus, para fazerem por Ele, segundo o costume
da lei, ele O tomou em seus braços, louvou a Deus e disse: Agora, Senhor, despede o teu servo em paz, segundo a tua palavra, porque
os meus olhos viram o Salvador que preparastes diante de todos os povos, Luz
para revelação aos gentios e glória do teu povo de Israel. E seu Pai e sua
Mãe estavam admirados daquelas coisas que se diziam dEle. E Simeão os abençoou
e disse a Maria, sua Mãe: Eis que Este
está posto para ruína e para ressurreição de muitos em Israel, e para ser o
sinal a que contradirão; e uma espada transpassará a tua própria alma, a fim de
se revelarem os pensamentos de muitos corações.
E havia uma Profetiza chamada Ana,
filha de Samuel da tribo de Aser; esta era já de idade avançada e tinha vivido
sete anos com seu marido, desde a sua virgindade. E esta viúva, com oitenta e
quatro anos, não se afastava do Templo, servindo a Deus dia e noite, em jejuns
e orações. E ela, chegando nesta mesma hora, louvava ao Senhor e falava dEle a
todos os que esperavam a redenção de Israel. E depois que cumpriram tudo
segundo a Lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, para sua casa de Nazaré.
E
X E M P L O
São
José salva uma agonizante
Uma jovem de vinte e sete anos cai enferma,
em estado grave, com uma tuberculose que a levava à sepultura, consumindo-a dia
a dia. Recebera outrora, esta moça, boa
educação religiosa, e até à idade de dezoito anos fora bem fiel à prática dos
sacramentos. Depois, as más leituras e más companhias a arrastaram a uma vida
mundana e perdera a fé. No estado lastimoso em que se achava, rejeitava todo conforto
espiritual. O mal fazia-lhe rápido progresso no organismo. Estava às portas da
morte. Alguém lhe falou em sacramentos.
—
Não e não! É inútil falar-me nisso. Não tenho fé, não me confesso, e se Deus
existe, há de ter misericórdia de mim!
Algumas pessoas amigas e os parentes da
infeliz tuberculosa lembraram-se do poder de São José, e começaram, todos, uma
novena ao Patrono dos agonizantes.
No segundo dia da novena falaram à
doente se desejava a visita de um sacerdote.
— Não me falem em padre! Deixem-me
sossegada. Não tenho fé! Retirem-se! replica, toda indignada.
A novena continua e a enferma parecia
ainda mais obstinada que antes. Uma jovem piedosa, da família, exclama:
— É inútil! São José, desta vez, não
nos quer ouvir. Ela morre sem sacramentos!
— Não fales assim, diz uma amiga; é
falta de confiança. Pois já que entregamos a São José esta pobre alma, fiquemos
tranquilas. Prometi ao santo uma novena de ação de graças e tenho certeza que ele
me ouvirá!
Quarto, quinto, sexto dia da novena. A
doente sempre pior de corpo e de alma.
No sexto dia a enfermeira não se
conteve. Foi à capela queixar-se a São José: ó meu santo protetor, por que ficar surdo a tanta oração? A doente
agoniza e está cada vez pior. Como dizem que quem recorre a São José sempre é
atendido! Como Santa Teresa nos garante o poder e a eficácia da proteção vossa,
meu grande santo, em todas as aflições? Pois não se trata de uma alma?
E as lágrimas lhe corriam pela face,
numa queixa
dolorosa.
Não havia terminado a queixa, quando a enferma
chama-a e lhe diz, ofegante: “ Sinto-me muito mal, muito mesmo... Mande chamar
o padre... ”
Veio logo o sacerdote. Confessou-se com
grandes sinais de dor e recebeu piedosamente o Viático. Sentiu voltar em sua
pobre alma toda aquela vida de outrora. Expirou resignada e contente, a invocar
os nomes benditos de Jesus, Maria e José.
(Millot
— “ Thesor” )

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