quarta-feira, 25 de março de 2020


25 de Março

AS LADAINHAS DE SÃO JOSÉ


As ladainhas ou louvores são fórmulas de devoção edificantes e ajudam-nos a afervorar a nossa piedade. Repetimos com os lábios o que desejamos que se nos grave no coração. A Igreja inúmeras vezes, na sua liturgia, recorre à fórmula precatória das ladainhas. São Francisco de Sales escrevera para Santa Joana de Chantal uma piedosa ladainha ao Santo Patriarca e recomendava, com instância, esta forma de invocações ao grande santo como das mais agradáveis e tocantes.
E, na verdade, como incentiva a nossa devoção repetir os belos títulos de glória e os privilégios do Santo Esposo de Maria! Outrora apareceram inúmeras ladainhas de São José, variadas e belas, destinadas à devoção particular. A Igreja depois incluiu entre as ladainhas aprovadas para todo orbe católico e para serem recitadas em público, as ladainhas de São José, numa fórmula já consagrada e aprovada definitivamente. Lucram-se cinco anos de indulgência e plenária uma vez por mês recitando-a todos os dias. (P. P. O. — 462.)
Procuremos recitá-las sempre com fervor. Ajudam tanto a crescer em nossa alma a devoção a São José! A Santa Igreja a colocou entre as principais ladainhas e a enriqueceu de indulgências. Vamos rezá-las pelo menos todas as quartas-feiras. São João Batista de la Salle, o fundador da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs, pôs todas as suas obras maravilhosas sob a proteção de São José. Recomendava muito a seus Irmãos que honrassem cada dia o Santo Patriarca. Mandou que recitassem todos, Irmãos e alunos, as ladainhas de São José todos os dias para alcançarem a graça da imitação das virtudes do santo. São José mostrou que lhe era agradável esta piedade filial e carinhosa. O Santo Fundador das Escolas caiu doente gravemente e celebrou a Santa Missa, ainda com dificuldade, no dia de São José, 19 de Março. E poucos dias depois expirou suavemente como um santo. Hoje a sua obra floresce em todo o mundo e ele foi elevado às honras dos altares.
É um meio poderoso par aumentar nossa devoção ao Santo Patriarca, recitar todos os dias, sendo possível, a fórmula tão bela dos seus louvores. Nas aflições, nos perigos, nas horas em que tivermos necessidade de uma proteção especial de São José, recitemos com pausa e reflexão as suas ladainhas. Elas inspiram tanta confiança!

AS INVOCAÇÕES DAS LADAINHAS.

Elas têm sido comentadas por piedosos autores e encerram muito assunto para a nossa meditação. Depois dos Kiries e das súplicas tocantes à Trindade Santíssima, e a invocação de Maria, vem o nome bendito: São José, rogai por nós!
A glória do santo foi ter sido da família do Salvador ilustre descendente de Davi e tão grande que foi pela sua pureza e santidade e pela missão que desempenhou verdadeira luz dos Patriarcas. Ilustre descendente de Davi.
Luz dos Patriarcas.
Proles David inclyta.
Lumen Patriarcarum.
Seguem-se cinco títulos de glória, que exprimem a missão sublime que fez do grande santo o maior e o mais extraordinário dentre os eleitos. Aqui está propriamente a glória e a missão de São José:
Esposo da Mãe de Deus.
Guarda da Virgem Pura.
Sustentáculo do Filho de Deus.
         Insigne defensor de Cristo.
Chefe da Sagrada Família.
Louvada a missão do grande Patriarca, passamos aos louvores de suas virtudes:
José Justíssimo.
José Castíssimo.
José Prudentíssimo.
José Fortíssimo.
José Obedientíssimo.
José Fidelíssimo.
Espelho de paciência.
Amante da pobreza.
Todas as virtudes heróicas e sublimes de São José nos vêm à lembrança e sentimos necessidade de pedí-las para nossa imitação. A terceira série de invocações se refere ao Patrocínio valioso do Santo Esposo de Maria.
Os operários o chamam: Exemplar opificum — modelo dos operários. As famílias o chamam: Domestice vitae decus — honra da vida doméstica. As virgens, as almas desejosas da castidade: Custos virginum — guarda das virgens. Os pais aflitos bradam: Amparo das famílias, rogai por nós! — Familiarum columem. Os pobres, os miseráveis, todos os que padecem neste vale de lágrimas: Solatium miserorum — consolo dos infelizes, dos miseráveis. Os doentes suplicam: Esperança dos enfermosSpes aegrotantium. Os pobres agonizantes e todos os que esperam uma boa morte e a graça da perseverança final: Patrone morientium — Padroeiro dos agonizantes, rogai por nós! Com que fé ardente devemos repetir esta invocação cada dia! O inferno nos quer perder. Salve-nos, São José! Terror daemonum — Terror dos demônios! Enfim, toda a Igreja o invoca: Protector Sanctae Ecclesiae! Protetor da Santa Igreja!
Vêde como são belas e fervorosas as invocações das ladainhas de São José!

EXEMPLO

São José e a confiança dos pobres

São José é bom ecônomo. Toda instituição ou obra, entregue ao chefe e provedor da Sagrada Família, jamais perece. Poderá sofrer dificuldades, mas a confiança no querido patrono a salva de todo perigo. Uma Congregação religiosa de Flandres, as Pequenas Irmãzinhas dos Pobres, conta o Pe. Millot em seu , “Tresor d’Histoires”, nomeou São José seu provedor de todas as casas.
Estabeleceram um Asilo de mendigos e velhos. Um dia, a Irmã da despensa notou que a manteiga já não existia mais nos potes. Naquela região é um alimento de necessidade e preferem passar sem pão que sem manteiga. Os velhinhos ficaram desolados. Haviam pedido tanto a São José que nada lhe deixasse faltar no Asilo, principalmente a manteiga! Alguns mais caducos faltavam mesmo à reverência ao santo, em queixas bem amargas. A boa Madre Superiora, alma simples e caridosa, não perdeu a confiança. Ao ver que nem o dinheiro nem a manteiga apareciam, imaginou um expediente devoto, para tocar o coração de São José. Mandou que alguns velhos trouxessem da capela a imagem de São José e a transportassem em procissão, entre velas acesas, até à despensa. Lá, colocam a imagem entre os potes de manteiga vazios e acendem duas velas. “Pois, diziam eles, São José não volta para a capela enquanto não nos socorrer!”' E puseram-se a rezar, em turmas sucessivas, ante aquele altar improvisado e original. Chega a noite e... os potes vazios! Alguns velhos, de vez em quando, olhavam curiosos para dentro dos potes e sacudiam a cabeça, desolados: “Nada! Nada! São José não mandou até agora a manteiga!” Julgavam que, por milagre, os potes se haviam de encher sozinhos. À noite, foram se deitar sem manteiga. No dia seguinte, logo pela madrugada, acendem de novo as velas e recomeçam as orações e a guarda de São José, entre os potes vazios. Mal se abriram, de manhã, as portas do Asilo e um capitalista da cidade se apresenta à Madre Superiora, dizendo:
— Madre, aqui venho pela primeira vez. Não conheço o Asilo e sou obrigado hoje a visitá-lo.
— Obrigado?! pergunta a religiosa algo surpreendida.
— Sim. Durante esta noite toda sonhei com esta casa, com os velhos, e alguém me repetia: “É preciso visitar o Asilo! Depressa, visita o Asilo!” E nisto passei toda a noite em sonhos que me importunaram. Levantei-me e aqui estou. Permita-me uma visita ao estabelecimento.
A Superiora leva-o à capela, aos salões, dormitórios e demais dependências. Chegam à despensa. Lá estavam os velhos, em oração, diante de São José e dos potes vazios.
— Que é isto, Madre Superiora?
— Os velhinhos imploram a São José um pouco de manteiga para os potes vazios. Desde ontem rezam sempre.
O capitalista riu-se e depois exclamou, algo impressionado:
— Agora compreendo por que sonhei tanto esta noite e por que me diziam: “É preciso visitar o Asilo!” São José me trouxe aqui. Pois mandem encher os potes de boa manteiga e pagarei as despesas. Não deixem faltar manteiga para os velhos.
Os velhinhos, felizes, e as boas irmãs, de joelhos, agradeceram o favor a São José.
— Agora você pode voltar para a capela! Muito agradecido, meu São José! murmurou um dos velhos, ingenuamente.

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