12
de Março
VIRGINDADE
DE SÃO JOSÉ
ESPOSO
DA VIRGEM DAS VIRGENS.
O Esposo da Virgem das virgens e o Pai
adotivo do Rei das virgens, o homem cuja missão foi mais bela que a dos anjos e
o fez superior aos espíritos angélicos, como não seria virgem? Em vão a impiedade,
a heresia e uma falsa tradição de alguns evangelhos apócrifos, procuram negar a
virgindade perpétua de São José. A tradição teológica reprova êstes erros e
afirma com unanimidade impressionante o admirável privilégio do Santo
Patriarca. É uma verdade teologicamente certa, da qual não é lícito nem sequer
duvidar. É uma crença dos tempos mais remotos da Igreja. É um dogma de fé que
Jesus nasceu de Maria Virgem por obra e graça do Espírito Santo. José foi
virgem para ser Esposo predestinado da Virgem Mãe. Os Padres mais antigos da Igreja
defendem com ardor a virgindade de São José. São Justino e Origines, Santo Atanásio. É certo, diz este, que José
e Maria guardavam perpétua continência. (De
Incarnat. Contra Appolin. Lib. I — n.° 4.) E São Jerônimo, combatendo o
herege Helvídio que negava a virgindade de Maria, diz: Dizes que Maria não
permaneceu virgem. Pois eu afirmo ainda mais: por Maria foi virgem também São José.
(Adus. Elv. - nº 19) E Santo Agostinho: “Guarda, ó José, com Maria a comum virgindade, para que sejas Pai
de Cristo pela castidade e honra da virgindade”. (Sermo 15 — De Nativitate Domini.)
Jesus Cristo, amante das almas puras,
nascido de uma Virgem que teve para lhe preparar os caminhos o Precursor
virgem: São João Batista. O discípulo predileto foi virgem: São João
Evangelista; Jesus, que amava a inocência das criancinhas, para esposo de sua
Mãe Puríssima e Pai adotivo não havia de escolher um homem revestido da pureza
dos anjos? A virgindade de São José foi inviolável, antes e depois do mistério
da Incarnação. É doutrina certa, diz o Cardeal Lepicier, (Tractatus de S. Joseph. — P . II, art.) e a opinião contrária é
inteiramente errônea, falsa e ofende aos ouvidos pios.
São José fez voto de castidade,
consagrou-se a Deus. Maria consagrou a Deus a sua virgindade e ao anjo responde
não ser possível a sua Maternidade. Só se tranqüiliza e diz sim, quando o
Enviado Celeste lhe garante que havia de conceber pela virtude do Espírito
Santo e seria Mãe permanecendo virgem. Ora, diz o Pe. Cantera, a prudência
exigia da parte de Maria Santíssima que se não unisse em matrimônio a um homem
cujos propósitos ignorava e de cuja finalidade e pureza não tivesse sólidas
garantias . Dado o amor de Maria pela virgindade a tal ponto, segundo muitos
autores, que a preferia à própria Maternidade Divina, não teria aceito como
esposo quem, como Ela, não estivesse obrigado pelo mesmo voto. (San José en el Plan Divino — p. 409.)
Por revelação ou por outros meios, Nossa Senhora sabia dos propósitos de São
José.
Assim pensam Santo Tomás de Aquino e
todos os teólogos. Por ser esposo de Maria, foi virgem São José, Se o Salvador,
escreve Santo Tomás, na cruz antes de expirar quis recomendar sua Mãe virgem a
um discípulo virgem, como poderia suportar que o Esposo de Maria não fosse
virgem também? (S. Thom. In Epist. ad Galat.)
José foi a sombra do Pai Eterno, a sua
imagem divina. Era mister pois uma virgindade excelsa, mais que angélica, para
merecer tão grande honra. O mistério da Incarnação o exige. Tudo, em torno dele,
há de ser puro e santo. O Pai putativo do Rei das virgens havia de ser virgem.
PAI
DO REI DAS VIRGENS.
Uma Paternidade virginal e única. Na
Antiga Lei, que respeito e que pureza o Senhor exigia dos seus Sacerdotes e
Levitas para o serviço do Templo, quantas abluções e purificações! E era o
altar dos sacrifícios apenas a figura do Salvador do mundo, da Vítima Divina da
Redenção. Pois ao vir à terra, o Filho
de Deus Pai nasceu de Mãe virgem, pois era o Rei das virgens e amante da
castidade: Rex virginum et amator castitatis.
Aquele que mereceu a honra de ser
chamado Pai de Jesus, não havia de ser virgem para tratar e viver na intimidade
do Rei das virgens? O título
de
Pai de Jesus, merecido por São José, supõe a virgindade perpétua e eminente do
Santo Patriarca. Afirmar o contrário, seria verdadeira injúria blasfemativa.
Creio, diz São Bernardino de Sena, que José foi puríssimo em virgindade,
profundíssimo em humildade, ardentíssimo no amor de Deus, altíssimo na
contemplação, solícito esposo da Virgem. (Serm.
S. Joseph. 2, Suma Josefina, c. IX)
José, diz o Cardeal Vives em sua Summa
Josephina, mereceu a honra, a nobreza conveniente à paternidade divina.
Ora, entre estas condições está a virgindade. O Pai Eterno, a Pureza em
essência não podia confiar a guarda de seu Filho senão a um Pai virgem na terra.
José é Pai putativo, genealógico, jurídico, legal, adotivo, nutrício, virginal,
afetivo e de ofício, do Filho de Deus incarnado. Só por êstes títulos podemos
ver a sua grandeza. Nenhuma criatura, diz o Pe. Sauvé, (Saint Joseph
Intime.) foi tão honrada por Deus, depois de Maria. Só vós, ó São José,
merecestes a honra de ser o Pai jurídico e genealógico de Jesus. Só vós, por
vosso matrimônio com Maria, possuístes como propriedade vossa a Maria, a Virgem
das virgens, e Jesus, o Rei das virgens. Hoje, em que o mundo se chafurda na
lama da impureza e o escândalo arrebata as almas e campeia desenfreado, ó como
devemos recorrer a São José, imitar a São José e lhe suplicarmos de todo
coração a graça da pureza! Protegei, ó Esposo castíssimo da Virgem e Pai do Rei
das virgens, a infância e a mocidade!
E
X E M P L O
São
José protege os néo-comungantes
Havia na Itália um grande missionário,
que se dedicava especialmente à preparação das crianças par a primeira
comunhão. Para este ato solene e decisivo na vida cristã, o grande apóstolo se
entregava com imenso zelo e ardor de seu coração na formação das crianças. O
bom Pe. Leonardo não podia pregar numa primeira comunhão sem derramar lágrimas
de comoção profunda.
Perguntaram-lhe por que se comovia
tanto.
— Ó, é muito bela uma primeira
comunhão! Todavia, o que me faz chorar é ver como hoje se preparam tão mal as
crianças para este grande dia. Preparam Calvários para Jesus Cristo! Nada mais comum
que as primeiras comunhões sacrílegas. Tenho já longa experiência. Muitos
meninos ocultam pecados nas confissões e outros não sabem o que vão receber! Há
muita primeira comunhão sacrílega! Isto, é para me fazer chorar de amargura! Pobres
crianças!
O diretor de um colégio, onde fora pregar
Frei Leonardo, resolveu preparar
seus alunos néo-comungantes com uma fervorosa novena a São José. Reuniu todos
os alunos e lhes falou: “Meus filhos, vamos nos preparar para um grande dia
neste colégio: o da primeira comunhão. Recorramos a São José e lhe peçamos,
numa fervorosa novena, a graça de evitarmos que os nossos néo-comungantes
cometam um sacrilégio e que, entre eles, não apareça um Judas.” No último dia
da novena, véspera da primeira comunhão, um menino veio procurar um sacerdote
confessor e, chorando, lhe disse:
— Meu bom padre, não pude dormir esta
noite. Parecia-me ver São José a cada instante e uma voz me repetia: “Vai te
confessar, porque tua alma está cheia de pecados. Queres morrer como Judas?
Confessa teus pecados de impureza, que ocultaste nas confissões!” Aqui estou,
meu padre, e quero reparar os enormes sacrilégios que cometi. São José me salvou!
Confessou-se, arrependido sinceramente,
e tornou-se um modelo de piedade no colégio.
A primeira comunhão assim preparada,
sob a proteção e bênçãos de São José, foi edificante e consoladora.

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