segunda-feira, 2 de março de 2020


2 de Março


QUEM É SÃO JOSÉ?

QUEM É SÃO JOSÉ?
         O mais santo, o mais ilustre e o mais perfeito homem que já vira o mundo, a criatura mais perfeita saída das mãos de Deus, depois de Maria.
         Quem foi São José?
         O mundo o conhece e a história registra seus feitos heróicos? Não. O Evangelho, até mesmo o Evangelho, é parco em notícias, e fala pouco de
São José.
         E, no entanto, o mundo não vira maior nem mais perfeita criatura.
         Acima dele, só Jesus e Maria. Abaixo, todos os homens, ainda os  maiores patriarcas e profetas da Antiga Lei, os maiores santos da Nova Lei.
         Criatura singular e privilegiada!
         O Pai adotivo de Jesus Cristo, nosso Deus, e Esposo castíssimo de Maria, Mãe de Deus.
         Não se pode acrescentar nada mais a isto.
         O Santo Patriarca fora predestinado por Deus, estava no plano divino da Incarnação. Jesus havia de nascer de uma Virgem, Maria Imaculada, e esta Virgem Puríssima seria esposa do castíssimo e santíssimo José.
         Ad virginem desponsatam viro cui nomen erat Joseph.
         O anjo Gabriel, diz São Lucas — (cap. I, 20) — fora enviado a uma virgem desposada com um varão que se chamava José.
         Estas simples palavras do Evangelho definem São José, sua missão na terra e os singulares e sublimes privilégios que o adornaram.
         O anjo anuncia à Virgem o mistério adorável da Incarnação, e, ligado a este mistério, o nome de São José.
         Era o esposo virginal da Mãe do Verbo. Seria o Pai adotivo, o guarda, o sustentáculo do Salvador do mundo.
         Seria chamado Pai do Pai de todas as criaturas.
         Amparo de quem ampara o Universo. Senhor e Governador do Senhor dos senhores, do Rei dos reis.
Este é São José.
         O Evangelho o chama e define também: — O Justo.
         Joseph cum esset justus... José como era justo...

         Eis aí, pois, quem é São José.
         Esposo de Maria.
         Pai adotivo de Jesus.
         O maior dos santos.
         O justo.

PAI ADOTIVO DE JESUS.

         A maior glória de São José, a mais rica pérola do seu diadema, o título e privilégio que o faz o maior dos santos é o de Pai do Filho de Deus humanado.
         Todos os santos, escreveu Gerson, se gloriam de serem chamados servos de Deus, servos de Jesus Cristo.
         São José, e só ele, foi chamado Pai do Salvador, Pai de Jesus Cristo.
         Entre os títulos de glória do santo, este é, sem dúvida, o maior.
         O povo, diz o Evangelista, tinha José por pai de Jesus. Estava na idade de trinta anos e todos o tinham por filho de José.
         Assim dizia e julgava o povo, ignorante do adorável mistério da Incarnação do Verbo.
         Diz o Evangelista, observa Santo Agostinho, que o povo tinha a Jesus por filho de José, julgando-ter ele nascido como os demais homens e assim falava de Jesus como filho de São José.
         Todavia, comenta o Padre Cantera, não só o vulgo ignorante chamava a José de pai de Jesus. Os Evangelistas, que narraram e conheceram o misté­rio da Incarnação e a Divindade de Jesus, chamavam a José pai de Jesus.
         Admiravam-se seu Pai e sua Mãe do que se dizia dEle.
         Iam os Pais de Jesus todos os anos a Jerusalém. Ficou Jesus em Jerusalém sem que o soubessem seus Pais.
         E Nossa Senhora, ao encontrar Jesus no templo, lhe diz: Eis que eu e teu Pai cheios de aflição te procuramos.
         Sempre, no Evangelho, São José é chamado e considerado Pai de Jesus. E Jesus mil vezes o havia de chamar Pai, e a ele esteve sujeito e obediente trinta anos desde Belém.
         São José, pois, é e deve ser chamado Pai de Jesus . Pai virginal, não Pai carnal e segundo a geração humana, porque Maria Imaculada concebeu e foi Mãe de Jesus por obra e graça do Espírito Santo.
         São José é a sombra do Eterno Pai, a imagem do Pai de quem procede o Filho, Jesus Cristo. Não devia, pois, ser chamado Pai de Jesus? Pai putativo, genealógico, jurídico ou legal, adotivo, eletivo, nutrido, virginal, afetivo e de ofício de Jesus Cristo.
         Eis a sua glória: Pai de Jesus.

ESPOSO DE MARIA.

         Foi José verdadeiro e legítimo esposo de Maria, de um matrimônio, diz o Padre Sauvé, perfeitamente virginal, maravilhosamente fiel, milagrosa e infinitamente fecundo.
         Quando Deus criou o homem no paraíso terrestre, deu-lhe uma companheira em tudo a ele semelhante : Adjutorium simile sibi.
         Havia de ser, a esposa, em tudo semelhante ao esposo. Para remir e salvar o mundo, obra maior e mais estupenda que a criação, Deus também quis associar a esta obra um homem e uma mulher. E formou São José semelhante a Maria.
         José foi formado à semelhança da Virgem, sua esposa, escreveu São Bernardo. José e Maria como verdadeiros esposos, sempre unidos e semelhantes. Da mesma estirpe de Davi da mesma condição de
pobres unidos pelo mais casto e santo amor, e inseparáveis.
         José foi esposo de Maria para que, convenientemente, viesse ao mundo o Verbo Incarnado.
         Havia de nascer Jesus de uma virgem, mas de uma virgem desposada. E São José foi esse esposo predestinado e singular.
         São José, diz São Gregório Nazianzeno, foi achado digno e aptíssimo para ser esposo de Maria.
         O mesmo afirmam as autoridades de Santo Tomás de Aquino, Gerson, A. Lapide.

         O céu,
escreve D. Gueranger no seu “L’Année Liturgique”, escolheu a São José como o único digno de um tal tesouro: — Maria.
         E se Deus o escolheu para o desempenho desta missão, é que realmente foi ele o mais digno entre os homens e o mais semelhante à mais perfeita das criaturas, sua santíssima Esposa.
         Para se conhecer bem o Santo Patriarca e avaliar o que Ele é no Plano Divino, e o que para nós é e representa, basta lembrar, pois, os dois títulos de glória que o tornam o maior e o mais singular dos santos — Pai adotivo de Jesus Cristo e Esposo de Maria Imaculada.

         E aqui fica a resposta à pergunta: Quem é São José? Virum Mariae de qua natus est Jesus. — É o esposo de Maria, diz o Evangelista, da qual nasceu Jesus.
         E só nisto está definido São José

E X E M P L O

         Duas almas de São José
São Francisco de Sales foi, durante toda sua
vida, devoto e apóstolo do culto de São José. Na festa de 19 de Março, celebrava missa solene e convidava,para festejar a São José, todos os músicos e cantores de Annecy. Pregava com entusiasmo neste belo
dia. São tão belos e tocantes os panegíricos de São José nos sermões do melífluo Doutor! No dia da festa de 19 de Março de 1664, escreveu ele a Santa Joana de Chantal: “Minha filha, eu vos envio as ladainhas de São José, êste pai querido, nossa vida e nosso amor. Se não puder cantar, balbucie, ao menos entre dentes, tão belas invocações.”
         Não duvidava, o santo, da ressurreição de São José.
         “São José, dizia ele, está no céu em corpo e alma. Não tenho dúvida e não podemos duvidar e isto me parece ainda mais certo porque não possuímos relíquias do Santo Patriarca. E como poderia Deus recusar esta graça àquele que trouxe nos braços Nosso Senhor e era tão amado por Ele?”
         A devoção a São José, já transmitida à Ordem da Visitação pela fundadora Santa Joana de Chantal, que a havia recebido carinhosamente de São Francisco de Sales como um tesouro, Santa Chantal
se alistou numa associação de São José e fez inscrever na mesma a todas as  religiosas. Trazia sempre no livro da Regra uma imagem de São José e dizia: Quando começo minha leitura, beijo primeiro os pés de meu São José.
         Nunca deixou de fazer cada dia a oração junto à imagem de São José, colocada na sala do capítulo. Ao partir em viagem para a Itália, 1638, recomendou às religiosas antes da viagem: “Nunca deixem a oração de São José diante de sua imagem na saia do Capítulo. Continuem a rezar lá, em meu nome.” E ditou, comovida, uma bela oração às suas filhas. Ela queria que todas as Visitandinas tivessem consigo uma estampa de São José, ou melhor, da Sagrada Família.
         É preciso levar sempre consigo os bons amigos do céu. Como isto faz bem! dizia ela com tanta fé.
         E sempre que, falando ou escrevendo, se referia a São José, Santa Chantal usava a expressão de São Francisco de Sales: São José, o santo querido de meu coração!



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