22
de Março
SÃO
JOSÉ, REFÚGIO DOS PECADORES
IDE,
PECADORES, A JOSÉ!
Sim, podemos também dizer de São José
como de Maria:
—
Refugium peccatorum, refúgio dos pecadores. Não foi Ele, de
certo modo, participante da obra da Redenção? Quem salvou das mãos de Herodes
Aquele que nos devia salvar? Quem sustentou e alimentou com o trabalho, fadigas
e o suor do rosto o Filho de Deus baixado à terra para nos remir? A Rainha, Mãe
e refúgio dos pecadores, não há de ter associado à sua obra de misericórdia
aquele que com Ela sofreu com Jesus e por Jesus pelos pecadores? Deus, escreve Santa Teresa, fez São José o plenipotenciário, o tesoureiro geral para
aliviar e socorrer as almas em todas as suas necessidades! Quem é mais
necessitado e miserável que o pecador? Aos pecadores, sim, haveríamos de
recomendas: Ite ad Joseph! Ide a São
José! Nunca vos desespereis da salvação de vossa pobre alma, porque jamais
se devia dizer que quem confia em São José fosse desamparado. Lembremo-nos
daquela cena impressionante da Bíblia. José do Egito havia se revelado aos seus
irmãos. E estes que o tinham vendido e maltratado, aflitos e medrosos,
sentiram-se acabrunhados na presença do irmão vice-rei do Egito e no fastígio
da glória. José, comovido e cheio de bondade, os acolhe.
“Disse aos seus irmãos: Eu sou
José. Vive ainda meu pai? Não podiam responder seus irmãos, possuídos de
excessivo terror. Aos quais disse ele com clemência: Chegai vos a mim, eu sou,
disse, vosso irmão a quem vós vendestes para o Egito.
Não temais me terdes vendido, porque
para vosso bem me mandou Deus adiante de vós para o Egito.” (Génesis — C. XLV,
v. 3, 4.)
Com maior benevolência e misericórdia
São José acolhe e recebe os pecadores arrependidos que atraiçoaram e venderam,
como Judas, ao seu Filho Divino Jesus Cristo.
Não tenhamos receio. Vamos a São José e
Ele nos alcançará de Deus o perdão e a misericórdia. O Santo Esposo de Maria é
também seguro refúgio dos pecadores. Por que a Santa Igreja glorifica tanto a
São José senão porque deseja, como solícita e carinhosa mãe, multiplicar os
meios de salvação para seus filhos? Os irmãos de José, apesar do crime
cometido, encontraram perdão, clemência e acolhimento junto do irmão, e toda a
sua felicidade e de toda a família veio de terem ouvido aquela voz do Egito: Ite ad Joseph! Ide a José! Os
pecadores, nesta hora de fome e de miséria espiritual que vivemos, só têm um
refúgio e um recurso: recorrer a São José! E por José irão a Maria e por Maria
a Jesus.
NOSSA
SALVAÇÃO EM VOSSAS MÃOS!
Nossa salvação está nas vossas mãos — Salus nostra in manu tua est —, diziam
os egípcios ao vice-rei José. Ao Esposo de Maria Santíssima, Refúgio dos
pecadores, não podemos dirigir súplica mais necessária e mais angustiosa: São José, a salvação de nossa alma está nas
vossas mãos!
Quando Jesus Menino entra no Egito, caem
os ídolos, os oráculos se calam, o pai da mentira foi encadeado. A vitória do
Salvador sobre o inferno fora alcançada nos braços de São José, ou sob a
proteção paternal do Pai adotivo de Jesus. Os ídolos dos pecadores, suas
paixões e preconceitos, nossos pecados não serão vencidos e derribados sem o
poder misericordioso do nosso divino Redentor, pela proteção, amparo e intercessão
de São José. O inferno, diz o Pe.
Huguet, tem horror de uma alma verdadeiramente devota de São José. (Pouvoir
de Saint Joseph.) Onde se encontra esta devoção pode-se ter confiança, nem tudo
está perdido. Recomendemos a devoção a São. José aos pobres pecadores. Têm-se
visto tantas e maravilhosas conversões de pecadores mais endurecidos, só porque
às vezes conservaram alguma pequena prática de devoção ao Santo Patriarca.
Servus
Mariae non potest perire — O servo de Maria não pode perecer,
escreve São Bernardo. O servo de José
também não pode se condenar. Recomendemos muito os pobres pecadores à
proteção de São José e esperemos confiantes. Mais cedo ou mais tarde Ele os há
de converter. Os gentios, no desejo ardente de conhecer a Jesus, recorriam ao apóstolo
São Felipe: Domine, volumus Jesum videre
— Queremos ver a Jesus. Isto é, queremos conhecê-lo e servi-lo. Ó, os
pecadores também recorram a São José. Domine!
ó Senhor do meu Senhor! Queremos ver Jesus! Queremos amá-lo e serví-lo até
a morte. E confiantes esperem, não serão desiludidos em sua confiança. Ninguém
recorre a São José, sobremaneira pedindo a graça da salvação eterna, e deixa de
ser atendido. Aqui é que verdadeiramente se pode exclamar: “Lembrai-vos, ó São José, que nunca se ouviu dizer que quem recorreu à
vossa proteção e implorou a vossa misericórdia foi desamparado por vós.” A
uma santa alma favorecida de revelações do céu, conta o Pe. Huguet, disse Nossa Senhora um dia: Minha filha, no dia do juízo, quando todos os homens forem julgados, os
infelizes condenados ao inferno hão de lamentar amargamente não terem conhecido
quanto à proteção de São José é eficaz e poderosa, e como poderiam se salvar
por esta devoção. Eu vos asseguro minha filha, repetiu Maria, São José meu Esposo
é um dos santos mais poderosos e favorecidos de Deus apara alcançarem
misericórdia para os pecadores e apartar os castigos da Divina Justiça.
EXEMPLO
Boa
inspiração
Um jornal católico de Turim, “A Semana”,
narrava em Março de 1863 esta graça de São José:
Uma mulher piedosa tinha uma filha que
em nada edificava as irmãs. Leviana e cheia de mundanismos perigosos, ia a
jovem pelo mau caminho. A mãe, aflita, cada vez que se lhe apresentava a
oportunidade ia a uma igreja ao altar de São José e, entre lágrimas, suplicava
a conversão da filha. Um dia teve a inspiração: “E se eu desse àquela doidivana uma pequenina imagem de São José?
Talvez ela não a aceite. Pode rasgá-la. Em todo caso, experimento.”
Levanta-se cheia de confiança. Na
primeira livraria ou bazar escolhe uma bela estampa do Santo Patriarca. No
quarto da filha, ausente, coloca a estampazinha entre os livros de estudos da
moça. Esta, ao voltar, pergunta curiosa: “É interessante... achei entre os meus
livros uma bela estampa de São José... Não sei o que fazer... Donde veio?
Ninguém lhe responde. Calou-se, voltou
para a mesa e pôs-se a contemplar a pequenina imagem. Achou-a tão bonita! E uma
impressão qualquer passou-lhe pela alma. Sentia dentro de si algo de estranho.
Contemplava sem cessar a imagenzinha de São José. Depois, lê no verso uma
oração impressa. Lê e reza, também. Há quanto tempo não rezava! Depois... foi
uma torrente de lágrimas de dor e arrependimento de tantos pecados e
leviandades. A mãe a foi encontrar assim, transformada miraculosamente em um
instante. Após a conversão, tornou-se um modelo de piedade e modéstia, e a
edificação de todos.
Uma bela conversão devida a São José.

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