20
de Março
PATRONO
DOS AGONIZANTES
AGONIA
DE SÃO JOSÉ.
A Igreja invoca a São José, nas
ladainhas, Patrone morientium —
Padroeiro dos agonizantes — Há uma Pia Associação, hoje conhecida e
universalmente propagada: a Pia União do
Trânsito de São José pelos agonizantes de cada dia. A assistência do Santo
Patriarca na hora extrema é a graça mais pedida e infalivelmente alcançada por
todos os seus devotos. A perseverança é a graça das graças. Felizes seremos se
naquela hora tremenda, naquelas lutas da última agonia, pudermos ter a
felicidade da proteção de São José. Não morrera o santo querido nos braços de
Jesus e Maria? ó morte feliz, a mais bela morte de uma criatura!
Santo
Afonso medita esta passagem tocante. Considerai como São
José, depois de haver servido fielmente a Jesus e Maria, chega ao termo da vida
na casa de Nazaré. Ei-lo cercado de anjos e assistido por Jesus Cristo, Rei dos
anjos, e por Maria, sua Esposa, aos lados do leito tão pobre e humilde. Nesta
santa companhia deixa esta vida miserável numa paz deliciosa e toda celestial.
A presença de uma tal Esposa e de um Redentor que se dignou chamá-lo de Pai,
torna preciosa e doce a morte de José. E como poderia ser amarga a morte
daquele que morria nos braços da Vida? Quem poderia compreender e exprimir as
puras delícias, as consolações, as esperanças, os atos de resignação, as chamas
do amor divino no coração de São José naquela hora? Que doces palavras não lhe
haviam de então dizer Jesus e Maria! É razoável a opinião de São Francisco de Sales, que afirma ter
morrido São José de puro amor de Deus. Tal foi a morte do Santo Patriarca, sem
angústias, sem horror, sem medo, porque viveu santamente e foi o maior dos
santos. Bem-aventurados os
misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia! (Mat. V, 7.) Quanta doçura e misericórdia e caridade de José para
com Jesus, desde a gruta de Belém até a casa de Nazaré! Aquele que prometeu a
recompensa do céu e cem por um a quem der um copo de água, não havia de cumular
de graças e bênção na hora extrema quem o sustentou e protegeu? A morte de
amor, e de um amor seráfico, foi a recompensa de José, não há dúvida. Um santo
— diz ainda o melífluo Doutor —, José, que tanto amou a Jesus na vida, só podia
ter morrido de puro amor. Poderia ter falado ao Pai Eterno: ó, meu Pai, cumpri a obra que Vós me destes
a fazer na terra! E a Jesus: Meu Filho, vosso Pai Celeste entregou vosso Corpo
em minhas mãos desde que viestes ao mundo. Assim também, ao partir deste mundo,
entrego minha alma nas vossas mãos. (Traité
de l’amour de Dieu, I, VII — C. XI.)
SÃO
JOSÉ EM NOSSA AGONIA.
Pois quem teve a agonia mais feliz não
nos poderá socorrer em nossa agonia, se o tivermos invocado sempre, pedindo a
proteção para aquela hora decisiva e tremenda?
São José é o Patrono da boa morte. Os seus
devotos têm a felicidade e o privilégio da graça da perseverança final. É
crença nossa, e bem fundada, que os santos do céu, na glória e na plenitude da
caridade, têm um zelo especial para nos obter aqui na terra as mesmas graças
que eles mais alcançaram quando viviam no exílio. Assim, recorremos a Santa Madalena e Santa Margarida de Cortona pedindo a graça da penitência, a São Luís pedimos a graça da pureza, a São Bernardo e a Santo Afonso uma devoção ardente a Maria Santíssima, a Santo Tomás de Aquino a ciência das
coisas de Deus, a Santa Teresa e Santa Teresinha do Menino Jesus o amor
de Deus, e assim invocamos os santos pelo que mais se empenharam e sofreram na
terra, para que nos valham no céu. Ora, dentre todas as graças e privilégios
dos santos, São José obteve um dos maiores: a morte de amor nos braços de Jesus
e Maria. Foi assistido, socorrido e amparado pelo Filho de Deus e pela Mãe de
Deus. Pode existir melhor e maior Padroeiro para a agonia? A alma cristã não
acharia melhor Protetor para a hora da morte. Invoquemos sempre estes três
nomes benditos, terror do inferno e salvação das almas fiéis: Jesus, Maria e José!
* * *
O Filho de Deus — escrevera o Venerável Bernardo a Bustis — tendo as chaves do paraíso,
deu uma a Maria e outra a José, para que na hora da morte possam introduzir
seus devotos fiéis no lugar do refrigério e da paz. (Cit. Pouvoir de Saint
Joseph -— Pe. Huguet.) Santa Teresa narra as circunstâncias tocantes da morte
de muitas Carmelitas devotas de São José e acrescenta: Eu observei nelas, no momento de darem o último suspiro, uma calma, uma
tranquilidade inefáveis. Dir-se-ia que entravam em doce êxtase ou no repouso da
oração. Nada indicava que alguma tentação lhes perturbasse a paz íntima que
gozavam.
Era a recompensa dos mais fervorosos
devotos de São José, que a santa conhecera em sua vida. Um célebre missionário
marista, conta o Pe. Huguet, estava
à morte e sorria. Exclamou: “Eu sempre tive muito medo da morte. Hoje, não. Há
dez meses que só penso nela em minhas meditações e há vinte e cinco anos que
rezo todos os dias a São José a oração pedindo a graça de uma boa morte. Tenho
certeza que fui ouvido.” E expirou placidamente.
Ó, invoquemos com todo o fervor ao
Padroeiro dos agonizantes e à hora da morte veremos como ele nos há de valer!
EXEMPLO
Agonia
de um bispo devotíssimo de São José
Foi Dom Epaminondas, l.° Bispo de
Taubaté, Estado de São Paulo. Este homem de Deus expirou em 29 de Junho de 1935
na Capital da República, onde se achava em tratamento. São José foi a sua
grande devoção. E que devoção ardente ao Santo Patriarca! Dizia sorrindo:
— Quero
tanto a São José, e tanto mesmo, que às vezes me vem a idéia tola de que Nossa
Senhora não há de gostar desta preferência!
Em todas as aflições, em todas as
necessidades da diocese, o seu pensamento se voltava logo para São José.
Repetia as palavras de Santa Teresa: “Nunca
recorri a São José, que ele não me tivesse socorrido! ”
O mês de Março o encantava! Era o mês do
seu coração. Recitava com fervor as sete dores e sete alegrias de São José.
Propagava milhares de santinhos com uma bela oração a São José para obter uma
boa morte. Confiava ao santo a sua eterna salvação.
— Sou
pecador e tenho severas contas a prestar a Deus na minha morte, mas tenho
confiança em São José, do qual espero alcançar a graça de uma santa morte.
Eram as expressões que sempre dele
ouvíamos no mês de Março e na festa de São José.
Tinha a preocupação constante da
perseverança final. Tudo fazia para obter do céu a graça de uma boa morte.
Recorria então a São José. Mandou imprimir milhares de estampas de São José com
a oração ao Santo Patriarca pedindo uma boa morte. Nunca deixava de os
distribuir em profusão. E jamais o autor destas linhas e todos quantos tiveram
a ventura de o assistir na hora da agonia, vimos morte tão bela e edificante!
Numa quarta feira se manifestou a
gravidade da moléstia: uma úlcera perfurada no duodeno. Hemorragias contínuas.
Recebera, já há dias, a Extrema-Unção. À cabeceira da cama conservou três
pequenas imagens: o Coração de Jesus, a
Virgem Imaculada e São José. Beijava-as a cada instante.
— Sagrado
Coração de Jesus, tende piedade de mim! Perdoai-me, eu Vos amo! São José, meu
São José, meu protetor, protetor dos agonizantes, ajudai-me!
A dolorosa notícia da agonia de Dom
Epaminondas fora transmitida à Diocese de Taubaté.
Desde a manhã de 27 de Junho começaram a
chegar os seus padres queridos.
Recebia-os com o olhar cheio de ternura
e com uma expressão de carinho.
Chamava-os: “os meus padres, os meus
queridos padres”...
A casa, repleta de sacerdotes.
Quando as crises terríveis ameaçavam o
piedoso agonizante, reuniam-se em torno do seu leito de oito a dez padres.
Exclamou: Que grande graça Deus me concedeu! Morrer cercado de padres e de meus
padres e padres amigos!...
Como sofria!
—
Passio Christi, conforta me! — Paixão de
Cristo, confortai-me! era o seu gemido contínuo.
Oito sacerdotes amigos cercavam o leito.
Olhava-os com ternura de pai.
E repetia várias vezes:
— Que
graça! Morrer entre padres amigos. . . Quero muito bem aos meus padres...
Sossegou. Julgamos passado o perigo.
Uma hora depois, nova crise.
Pediu as imagenzinhas e a relíquia da
Santa Teresinha. Beijava-as uma a uma, a repetir jaculatórias: Sagrado Coração de Jesus, tende piedade de
mim! Maria Santíssima, minha Mãe, Refúgio dos pecadores, rogai por êste pobre
pecador! São José! São José! São José! Nesta minha última agonia, ajudai-me!
Santa Teresinha, rogai, sim, rogai por mim!
E assim passou até às primeiras horas de
29 de Junho, sábado, o seu grande dia de filho da Virgem do Carmo.
Foi celebrada a Santa Missa ali no
quarto vizinho. Assistiu-a do leito, a agonizar.
Estava exausto e o suor dos agonizantes
lhe perolava a fronte.
Repetiu até expirar:
— Sagrado
Coração de Jesus, tende piedade de mim! Maria Santíssima, Refúgio dos
pecadores! São José! São José! Santa Teresinha! Meu São José!
Calou-se. Concentrou-se um instante. E
depois, olhar vivo, bem diferente de um olhar de agonizante, contemplou a coroa
de padres que lhe cercavam, o leito. Fitou-os longamente. Balbuciou com
dificuldade umas jaculatórias e expirou.
Oito sacerdotes de joelhos, soluçavam de
dor e beijavam e regavam de lágrimas as mãos ungidas de seu Bispo, Pai e
Benfeitor, ali estendido no leito de morte.
Um espetáculo comovedor!
Primeiras horas de sábado, 29 de Junho
de 1935.
Eis a recompensa de longos anos de
oração perseverante a São José, pedindo com fervor a graça de uma santa morte.

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