18 de Março
A MORTE DE SÃO JOSÉ
1.° QUANDO E ONDE MORREU?
São perguntas
inevitáveis de nossa curiosidade de servos e devotos fervorosos do Santo
Patriarca.
Os estudos hoje
bem aprofundados de teólogos e historiadores, já nos dão algumas luzes sobre aquilo
de que não se encontra uma só palavra nos Evangelhos e nos Livros Sagrados.
Realmente, nada
se encontra na Escritura e em nenhum dos escritos dos Doutores que nos fale da
morte de São José e das circunstâncias que a acompanharam. Havemos de recorrer
a prováveis conjeturas e recolher as opiniões mais conformes à Escritura e à
razão.
Este é o método
de todos os teólogos e autores josefinos, entre eles o célebre Isidoro de Isolano.
Os autores não
estão de acordo. Santo Epifânio diz
ter sido mais ou menos depois que Jesus completou os doze anos. E a razão que
dá é a do silêncio do Evangelho sobre São José, depois do encontro de Jesus no
Templo.
Outros dizem ter
morrido durante a vida pública de Jesus, e o provam com as palavras de São
Mateus: “Não é ele o Filho do
carpinteiro?”
Uma terceira
opinião, atribuída a São João Crisóstomo,
é a que São José vivia no tempo da Paixão de Cristo e esteve aos pés da cruz.
A opinião
finalmente mais aceita, provável e racional admitida pela maioria dos autores,
como São Jerônimo, São Bernardino de Sena, São Boaventura, Gerson, Suarez e outros,
é que o Santo Esposo de Maria morreu depois do batismo de Jesus e antes das
bodas de Caná, nos primeiros dias da vida pública do Salvador.
Examinemos cada
uma dessas opiniões.
Não há fundamento
para se aceitar a opinião de Santo
Epifânio. A missão de São José era ser o guarda e nutrício do Verbo
Encarnado, fidelíssimo esposo de Maria e seu amparo. Se tivesse morrido quando
Jesus contava apenas doze anos, como poderia ter realizado os desígnios de Deus
e a sua missão ?
Que São José
tivesse vivido durante a vida pública de Jesus, também, não encontramos
fundamento no Evangelho. Por que não aparece nas bodas de Caná? Se Jesus lá
estava com Maria, sua Mãe, por que o Esposo Santíssimo da Virgem não havia de
ser convidado ?
Os judeus
disseram, certa vez, a Jesus: “Eis que
tua Mãe e teus irmãos te aguardam lá fora”... Por que não se referem a São
José? Este absoluto silêncio dos Evangelistas, que tantas vezes se referiram a
José na infância de Jesus, não é significativo? Não prova que teria já morrido
o Pai Putativo do Salvador?
O chamarem a
Jesus Filho do carpinteiro quando Ele pregava e fazia prodígios, só prova o
costume dos judeus de chamarem os filhos citando o nome ou o ofício dos pais,
fossem êstes vivos ou mortos.
A opinião
atribuída a São João Crisóstomo de
que José vivia no tempo da Paixão, é rejeitada pela maioria dos autores. E o
maior argumento contra ela é o de ter Jesus entregue sua Mãe aos cuidados de
João Evangelista no Calvário. Pois se o Esposo virginal de Maria fôsse vivo,
não era justo fosse recomendada a ele a Mãe de Deus?
Exatamente porque
Maria havia de ficar no mundo viúva e sem o Filho querido, fora entregue a
João, o discípulo amado. Não há dúvida, pois: a mais racional opinião é a da
morte de São José pouco antes da vida pública de Jesus e depois do batismo no
Jordão.
Estava cumprida a
sua missão de Esposo de Maria, velarium
sagrado do Mistério da Incarnação, sombra do Pai Eterno, sustentáculo e amparo
de Jesus. “Esta é a sentença que
subscrevo e sustento”, diz e o prova o mais erudito e profundo autor e
teólogo josefino, o Cardeal Vives y Tuto,
em sua obra monumental “Summa Josephina”.
Em Nazaré, na
casa bendita onde sofreu e trabalhou para sustentar o Verbo feito Carne e a Mãe
de Deus, durante trinta anos teve sob o seu governo Aquele Senhor que governa
os céus e a terra. A maioria dos escritores e a tradição nos dizem ter sido o
feliz trânsito de São José em 19 de Março. Alguns escritores afirmam ter
morrido o Santo Patriarca em Jerusalém, onde foi para celebrar a Festa da
Páscoa. E concluem da sepultura do santo no vale de Josafá. Poder-se-ia
responder que, pela Escritura, sabemos de muitos santos personagens mortos em
um lugar e sepultados em outro, muito distante. Todavia, são conjeturas
inúteis.
São Jerônimo, o Venerável Beda e Suarez
dizem ter sido o corpo de São José sepultado em um lugar atrás da montanha de
Sião e do Jardim das Oliveiras, no mesmo túmulo onde mais tarde seria sepultada
a Virgem Santíssima.
2.° COMO FOI A MORTE DE SÃO JOSÉ?
Ainda havemos de
recorrer à tradição. Nas igrejas do Oriente no dia 19 de Março, nos primeiros
séculos, cada ano, diz Isidoro de
Isolanis, se costumava ler com toda a solenidade, ao povo, uma piedosa
narração da morte de São José. O bispo dava a bênção, sentava-se em meio da
assembléia e ordenava ao leitor fizesse, em voz alta, a leitura da piedosa
narração seguinte:
“Eis chegado para
São José o momento de deixar esta vida. O Anjo do Senhor lhe apareceu e
anunciou ter chegado a hora de abandonar o mundo e ir repousar com seus Pais.
Sabendo estar próximo o seu último dia, quis visitar pela última vez o Templo
de Jerusalém, e lá pediu ao Senhor que o ajudasse na hora derradeira. Voltou a
Nazaré e, sentindo-se mal, recolheu-se ao leito. E dentro em breve o seu estado
se agravou. Entre Jesus e Maria, que o assistiam carinhosamente, expirou
suavemente, abrasado no Divino Amor. Oh! morte bem-aventurada! Como não havia
de ser doce e abrasada no Divino Amor, a morte daquele que expirou nos braços
de um Deus e da Mãe de Deus?
Jesus e Maria
choravam ao fecharem os olhos de José. E como não havia de chorar Aquele mesmo
Jesus que choraria sobre a sepultura de Lázaro? Vede como Ele o amava! disseram os judeus. José não era tão só um
amigo, mas um Pai querido e santíssimo para Jesus.”
Gerson acrescenta que Jesus preparou
para a sepultura o corpo virginal de seu Pai adotivo, cruzou-lhe as mãos ao
peito e o abençoou, para que não se corrompesse no sepulcro.
Eis aí o que
podemos saber, pela tradição, da morte de São José.
A Igreja canta no
Ofício litúrgico de 19 de Março, confirmando a tradição:
“O nimis felix, nimis ó beatus, cujus
extremam vigiles ad horam, Christus et Virgo simul astite runt ore sereno!”
Ó, mil vezes feliz e bem-aventurado aquele
que na hora extrema teve junto de si Cristo e a Virgem!
EXEMPLO
A graça de uma boa
morte
Um pároco de
Munster (Westphalia) ia se deitar, quando batem à porta do presbitério. Era um
desconhecido que lhe pedia fosse com urgência a uma determinada casa indicando
nome, número e circunstâncias da enferma a que deveria com urgência administrar
os últimos sacramentos.
Imediatamente o
zeloso sacerdote foi à matriz, tomou o Santo Viático, a maleta dos enfermos e,
em poucos instantes, batia à porta da casa indicada. A família se surpreende.
— Que significa,
sr. padre, a visita de v. revma a esta hora da noite e à procura de uma doente?
— Sim, chamaram-me nestes poucos minutos indicando-me exatamente o nome
da enferma, rua e número da casa. Veja esta notazinha aqui.
E mostrou as
anotações.
— É verdade, respondeu um moço, é o nome de
minha mãe. Ela porém está boa de saúde, nada sente. Acaba de subir para se
deitar. Estivemos conversando até agora.
Alguém opinou:
— Há um mistério
nisto e me sinto impressionado .
O moço
imediatamente sobe a escada, a fim de participar à mãe o fato.
— Meu filho! meu
filho! gemem de dentro do quarto. Empurra depressa a porta, meu filho!
Aflito, o moço
entra e vê a mãe estendida no chão. Um mal súbito a acometeu e sentia-se gravemente
enferma.
— Meu filho,
sinto que vou morrer. Antes de mais nada, chama-me um sacerdote e que me traga
o Viático. Eu morro...
O padre sobe, confessa,
administra a Extrema-Unção e o Viático à enferma. Admirado por tamanha
coincidência e o misterioso chamado, pergunta:
— Senhora, não
sei como explicar minha presença aqui, neste instante. Tem alguma devoção, ou
pedia sempre a Nosso Senhor esta graça?
— Sim, meu padre,
replica logo com ardor a enferma, sim; durante longos anos sempre pedi a São
José que me alcançasse esta graça, a graça de não morrer sem os sacramentos, o
graça de uma boa morte. E alcancei-a! Ó, meu São José, eu vos agradeço!
E, chorando de
gratidão, a velhinha expirou logo depois.

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