8
de Março
AS DORES E ALEGRIAS DE
SÃO JOSÉ
AS DORES.
Nossa vida se passa entre dores e
alegrias. São José teve na sua vida as maiores e mais pungentes dores e as mais
doces e consoladoras alegrias. Sofreu e alegrou-se com Jesus e Maria e por
Jesus e Maria. O Evangelho, em poucas palavras, nos traduz estes mesmos
sofrimentos e ternas delícias do coração do Santo Patriarca. Lembramos sempre
com a tradição piedosa sete dores e sete
alegrias. A primeira dor de São
José foi ante o mistério da Incarnação. Maria concebeu por obra e graça do
Espírito Santo. Não podia duvidar da pureza angelical de Maria.
Que perplexidade horrorosa! Que noites
de angústia e de amargura! Silêncio, lágrimas e orações. E até que o anjo lhe
revele o mistério, como sofre! José, seu
Esposo, como era justo e não queria infamá-la, quis abandoná-la ocultamente.
(S. Mat. I - 19)
A segunda
dor é naquela noite fria de Natal. Ver-se abandonado nas ruas de Belém com
Maria quase à hora do bendito parto e sem encontrar uma hospedaria. Não havia
lugar para eles na hospedaria. (Luc. II -
7) Que sofrimentos naquelas horas de abandono e de pobreza, a baterem de
porta em porta, sempre rejeitados e maltratados!
A
terceira dor, na circuncisão do Menino Jesus. Passados oito dias do nascimento, foi circuncidado o Menino. (Luc. II — 1.) Era uma operação dolorosa
e via José as primeiras gotas de sangue do Redentor!
Quarta
dor. Era no templo, na hora da cerimônia da Apresentação. O profeta Simeão
anuncia, tomando o Menino nos braços: Eis
que este será posto para ruína de muitos em Israel e como sinal de contradição.
(Luc. II - 34) E a Maria: Mulher, uma espada de dor há de transpassar o teu coração.
Viu José toda a Paixão de Jesus e conheceu o oceano de amarguras que havia de
ser o coração de sua Esposa. Uma espada de dor também naquela hora feriu o
coração virginal de São José.
Quinta
dor: A fuga para o Egito. Herodes quer matar ao Deus- Menino. O anjo avisa
a José. E José, diz o Evangelho, levantou-se,
tomou o Menino e sua Mãe, de noite, e se retirou para o Egito. (Mat. II - 14)
Quanto sofrimento nestas palavras!
Abandono de um lar, viagem penosa pelo deserto, fome, pobreza, duro exílio, desprezo
de um povo estranho e pagão.
Sexta
dor: O anjo avisa José que volte para a Galiléia, mas Arquelau, terrível,
reinava na Judéia e José experimentou a amargura de ver ainda ameaçada a vida
da Criança Divina. Ouvindo que Arquelau
reinava na Judéia, em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá. (Mat. II - 32)
Sétima
dor: Perde Jesus em Jerusalém.
Durante três dias procuraram aflitos, Maria e José, ao Menino, objeto de seu
amor e ternura. Nas outras angústias, observa um autor, sofriam com Jesus. Aqui
é a ausência de Jesus o maior tormento. Grandes, sem dúvida, foram as dores e
angústias de São José!
ALEGRIAS.
Primeira
alegria: Após a angústia inenarrável das perplexidades depois do mistério
da Encarnação, José ia deixar a sua Esposa quando o anjo do céu lhe revela a
feliz nova. Eis que o anjo do Senhor lhe aparece em sonho, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a
Maria tua Esposa, porque o que nela nasceu é obra do Espírito Santo. (Mat. 1 - 18-20) Que consolação! A segunda alegria foi quando na gruta de
Belém nasceu Jesus, em meio de pobreza extrema, é verdade, mas cercado de anjos
e adorado por Maria e José. Naquela noite bendita, quais não haviam
de
ser os sentimentos de alegria do castíssimo José! Ninguém, depois de Maria,
sentiu mais as doces alegrias do Natal. A terceira
grande alegria, quando na circuncisão coube a José a honra de dar o nome a
Jesus. José, diz São Mateus, lhe pôs
o nome de Jesus. (Mat. 1 - 25) Aquele
nome mil vezes bendito, diante do qual se dobram em reverência os céus e a
terra, foi dado por José em nome do Pai Eterno. A quarta alegria: veio a paz, depois da imensa dor da profecia de
Simeão. O Menino Deus seria, é verdade, alvo de contradição, e uma espada de
dor transpassaria a alma de sua Mãe, mas aquela Criança foi posta no mundo para
ressurreição de muitos em Israel. (Lc.
II - 34) Quantas almas não se salvariam por Jesus! Era isto que naquela
hora encheu de consolação a alma de José. A
quinta alegria foi à entrada do exílio: vinham cansados e exaustos os
pobres peregrinos, após a caminhada e as privações do deserto, mas quanta
alegria
ao
verem tombados os ídolos pagãos dos egípcios! (Isaias XIX - 21) Sexta
alegria. Passou-se o tempo do exílio. Herodes morreu e voltam para a
Galiléia, à casa humilde e feliz de Nazaré. Após o exílio tão penoso do Egito, viram
de novo a pátria querida e a sua gente. Podiam tranquilos passar agora na
humildade, no silêncio de Nazaré os dias felizes da intimidade com Jesus.
Finalmente, a sétima e última
alegria. Três dias
procuraram,
angustiados e aflitos, a Jesus. Afinal, O encontram no Templo. Tanto maior era
a dor, tanto maior a alegria. Encontraram Jesus sentado entre os Doutores.
Ouviram narrar os prodígios da Criança portentosa, que tão bem explicava as
Escrituras. Viram a Jesus após três dias de ausência. E depois de três dias O encontraram no Templo, sentado entre os
Doutores, diz o Evangelista. (2 Luc.
II - 34) Imaginai a ventura de São José nesta hora!
Ao recordar as dores e alegrias de São
José, a alma cristã medita as mais belas páginas do Evangelho e sente com o
Santo Patriarca as angústias e doçuras daqueles mistérios. Tenhamos a devoção
tão bela de acompanhar o Santo Patriarca nas suas sete primeiras dores e
alegrias. É a mais bela e a mais agradável forma de invocar a São José.
E X E M P L O
Origem da devoção às
sete dores e alegrias de São José
Origem: Qual a origem desta devoção às
dores e alegrias de São José?
Navegavam dois Padres Franciscanos nas
costas de Flandres, quando se levantou uma horrenda tempestade, e o navio em
que viajavam submergiu com os trezentos passageiros que levavam. A Divina
Providência permitiu que se salvassem os dois franciscanos sobre umas taboas,
nas quais navegaram três dias entre a vida e a morte.
Lembraram-se de São José, naquelas
horas de angústia. Recomendaram-se fervorosamente ao Santo Esposo de Maria. No
mesmo instante apareceu-lhes um homem cheio de majestade e bondade, ofereceu-se
para os guiar sobre as táboas e os conduziu rapidamente a um porto, onde
saltaram em terra. Os dois frades caíram de joelhos aos pés do seu salvador,
num agradecimento comovido:
— Quem és? perguntaram-lhe, curiosos.
— Eu sou José, Esposo de Maria e Pai
Putativo de Jesus. Se quereis agradecer-me e fazer alguma coisa que me seja
agradável, não deixeis de rezar cada dia, e devotamente, sete vezes o Pai Nosso
e sete vezes a Ave Maria, em memória das sete dores com as quais minha alma foi
afligida na terra, e em memória das sete alegrias que consolaram meu coração
quando vivi no mundo com Jesus e Maria.
E, ditas essas palavras, desapareceu.
Daí veio a propagação desta prática tão
bela de piedade, a mais popular e a mais agradável a São José.
Essa devoção, tão conforme ao
Evangelho, é uma lembrança dos mistérios adoráveis da infância de Jesus. A
Igreja a enriqueceu com a indulgência de cinco anos e plenária uma vez por mês,
para quem a recitar todos os dias (P. P. O. — 470). É como que o rosário de São
José. O que a devoção do rosário é para Nossa Senhora, assim as sete dores e
sete alegrias para São José. Não há melhor prática de devoção em honra de São
José.

Nenhum comentário:
Postar um comentário