domingo, 8 de março de 2020


8 de Março


AS DORES E ALEGRIAS DE SÃO JOSÉ


AS DORES.
         Nossa vida se passa entre dores e alegrias. São José teve na sua vida as maiores e mais pungentes dores e as mais doces e consoladoras alegrias. Sofreu e alegrou-se com Jesus e Maria e por Jesus e Maria. O Evangelho, em poucas palavras, nos traduz estes mesmos sofrimentos e ternas delícias do coração do Santo Patriarca. Lembramos sempre com a tradição piedosa sete dores e sete alegrias. A primeira dor de São José foi ante o mistério da Incarnação. Maria concebeu por obra e graça do Espírito Santo. Não podia duvidar da pureza angelical de Maria.
         Que perplexidade horrorosa! Que noites de angústia e de amargura! Silêncio, lágrimas e orações. E até que o anjo lhe revele o mistério, como sofre! José, seu Esposo, como era justo e não queria infamá-la, quis abandoná-la ocultamente. (S. Mat. I - 19)
         A segunda dor é naquela noite fria de Natal. Ver-se abandonado nas ruas de Belém com Maria quase à hora do bendito parto e sem encontrar uma hospedaria. Não havia lugar para eles na hospedaria. (Luc. II - 7) Que sofrimentos naquelas horas de abandono e de pobreza, a baterem de porta em porta, sempre rejeitados e maltratados!
         A terceira dor, na circuncisão do Menino Jesus. Passados oito dias do nascimento, foi circuncidado o Menino. (Luc. II — 1.) Era uma operação dolorosa e via José as primeiras gotas de sangue do Redentor!
         Quarta dor. Era no templo, na hora da cerimônia da Apresentação. O profeta Simeão anuncia, tomando o Menino nos braços: Eis que este será posto para ruína de muitos em Israel e como sinal de contradição. (Luc. II - 34) E a Maria: Mulher, uma espada de dor há de transpassar o teu coração. Viu José toda a Paixão de Jesus e conheceu o oceano de amarguras que havia de ser o coração de sua Esposa. Uma espada de dor também naquela hora feriu o coração virginal de São José.
         Quinta dor: A fuga para o Egito. Herodes quer matar ao Deus- Menino. O anjo avisa a José. E José, diz o Evangelho, levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe, de noite, e se retirou para o Egito. (Mat. II - 14)
         Quanto sofrimento nestas palavras! Abandono de um lar, viagem penosa pelo deserto, fome, pobreza, duro exílio, desprezo de um povo estranho e pagão.
         Sexta dor: O anjo avisa José que volte para a Galiléia, mas Arquelau, terrível, reinava na Judéia e José experimentou a amargura de ver ainda ameaçada a vida da Criança Divina. Ouvindo que Arquelau reinava na Judéia, em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá. (Mat. II - 32)
         Sétima dor: Perde Jesus em Jerusalém. Durante três dias procuraram aflitos, Maria e José, ao Menino, objeto de seu amor e ternura. Nas outras angústias, observa um autor, sofriam com Jesus. Aqui é a ausência de Jesus o maior tormento. Grandes, sem dúvida, foram as dores e angústias de São José!

ALEGRIAS.
         Primeira alegria: Após a angústia inenarrável das perplexidades depois do mistério da Encarnação, José ia deixar a sua Esposa quando o anjo do céu lhe revela a feliz nova. Eis que o anjo do Senhor lhe aparece em sonho, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria tua Esposa, porque o que nela nasceu é obra do Espírito Santo. (Mat. 1 - 18-20) Que consolação! A segunda alegria foi quando na gruta de Belém nasceu Jesus, em meio de pobreza extrema, é verdade, mas cercado de anjos e adorado por Maria e José. Naquela noite bendita, quais não haviam
de ser os sentimentos de alegria do castíssimo José! Ninguém, depois de Maria, sentiu mais as doces alegrias do Natal. A terceira grande alegria, quando na circuncisão coube a José a honra de dar o nome a Jesus. José, diz São Mateus, lhe pôs o nome de Jesus. (Mat. 1 - 25) Aquele nome mil vezes bendito, diante do qual se dobram em reverência os céus e a terra, foi dado por José em nome do Pai Eterno. A quarta alegria: veio a paz, depois da imensa dor da profecia de Simeão. O Menino Deus seria, é verdade, alvo de contradição, e uma espada de dor transpassaria a alma de sua Mãe, mas aquela Criança foi posta no mundo para ressurreição de muitos em Israel. (Lc. II - 34) Quantas almas não se salvariam por Jesus! Era isto que naquela hora encheu de consolação a alma de José. A quinta alegria foi à entrada do exílio: vinham cansados e exaustos os pobres peregrinos, após a caminhada e as privações do deserto, mas quanta alegria
ao verem tombados os ídolos pagãos dos egípcios! (Isaias XIX - 21) Sexta alegria. Passou-se o tempo do exílio. Herodes morreu e voltam para a Galiléia, à casa humilde e feliz de Nazaré. Após o exílio tão penoso do Egito, viram de novo a pátria querida e a sua gente. Podiam tranquilos passar agora na humildade, no silêncio de Nazaré os dias felizes da intimidade com Jesus. Finalmente, a sétima e última alegria. Três dias
procuraram, angustiados e aflitos, a Jesus. Afinal, O encontram no Templo. Tanto maior era a dor, tanto maior a alegria. Encontraram Jesus sentado entre os Doutores. Ouviram narrar os prodígios da Criança portentosa, que tão bem explicava as Escrituras. Viram a Jesus após três dias de ausência. E depois de três dias O encontraram no Templo, sentado entre os Doutores, diz o Evangelista. (2 Luc. II - 34) Imaginai a ventura de São José nesta hora!
         Ao recordar as dores e alegrias de São José, a alma cristã medita as mais belas páginas do Evangelho e sente com o Santo Patriarca as angústias e doçuras daqueles mistérios. Tenhamos a devoção tão bela de acompanhar o Santo Patriarca nas suas sete primeiras dores e alegrias. É a mais bela e a mais agradável forma de invocar a São José.

E X E M P L O

Origem da devoção às sete dores e alegrias de São José
        
         Origem: Qual a origem desta devoção às dores e alegrias de São José?
         Navegavam dois Padres Franciscanos nas costas de Flandres, quando se levantou uma horrenda tempestade, e o navio em que viajavam submergiu com os trezentos passageiros que levavam. A Divina Providência permitiu que se salvassem os dois franciscanos sobre umas taboas, nas quais navegaram três dias entre a vida e a morte.
         Lembraram-se de São José, naquelas horas de angústia. Recomendaram-se fervorosamente ao Santo Esposo de Maria. No mesmo instante apareceu-lhes um homem cheio de majestade e bondade, ofereceu-se para os guiar sobre as táboas e os conduziu rapidamente a um porto, onde saltaram em terra. Os dois frades caíram de joelhos aos pés do seu salvador, num agradecimento comovido:
         — Quem és? perguntaram-lhe, curiosos.
         — Eu sou José, Esposo de Maria e Pai Putativo de Jesus. Se quereis agradecer-me e fazer alguma coisa que me seja agradável, não deixeis de rezar cada dia, e devotamente, sete vezes o Pai Nosso e sete vezes a Ave Maria, em memória das sete dores com as quais minha alma foi afligida na terra, e em memória das sete alegrias que consolaram meu coração quando vivi no mundo com Jesus e Maria.
         E, ditas essas palavras, desapareceu.
         Daí veio a propagação desta prática tão bela de piedade, a mais popular e a mais agradável a São José.
         Essa devoção, tão conforme ao Evangelho, é uma lembrança dos mistérios adoráveis da infância de Jesus. A Igreja a enriqueceu com a indulgência de cinco anos e plenária uma vez por mês, para quem a recitar todos os dias (P. P. O. — 470). É como que o rosário de São José. O que a devoção do rosário é para Nossa Senhora, assim as sete dores e sete alegrias para São José. Não há melhor prática de devoção em honra de São José.

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